POP DE CACHEU ‘MENDIGA’ VIATURAS PRIVADAS PARA MISSÕES DE PATRULHA NAS TABANCAS 

[REPORTAGEM] A Polícia de Ordem Pública (POP) de Setor de Cacheu, norte da Guiné-Bissau, contínua a enfrentar enormes dificuldades no concernente a meios de transporte e condições de trabalho, fato que a leva a ‘mendigar’ recorrer ao empréstimo de viaturas privadas para as missões de combate à criminalidade e de patrulha nas tabancas mais longínquas do setor.

A falta de condições de trabalho e, sobretudo, de meios de transporte (viaturas e motorizadas) tem causado enormes transtornos à POP local, o que tem limitado também a sua capacidade de operação daquela pequena unidade da força de ordem, fato que em certas ocasiões tem obrigado os seus agentes a deslocarem-se a pé a procura de suspeitos ou em missões de patrulhas na cidade e em algumas tabancas nos arredores.

O Democrata apurou igualmente que os agentes tiram também dos próprios bolsos o dinheiro para a compra de combustível para abastecer as viaturas que pedem emprestado a terceiros para as operações de caça aos suspeitos ou em missões de patrulhamento, de forma a poderem deslocar-se às tabancas mais distantes da cidade.

A cidade velha de Cacheu, tida como uma zona estratégica, alberga diferentes estruturas das forças de seguranças nomeadamente, o Comando da Guarda Nacional, Guarda Costeira, Corpos de Bombeiros e a Esquadra da Polícia de Ordem Pública. E tem ainda uma pequena unidade da marinha nacional.

A esquadra não tem nenhumas condições e funciona sem nenhum computador. Apenas uma máquina de datilografia velha, mas trabalha para a produção de documentos. As prisões são improvisadas e a única cela que dispõe para detenções funciona num pequeno quarto e não consegue levar mais de três pessoas. Na cela há apenas uma esteira velha e a janela é protegida por uma madeira frágil, fatos que muitas vezes facilitam a fuga dos ladrões à noite, segundo o comandante.

COMANDANTE DE ESQUADRA: “HÁ QUATRO MESES NÃO REGISTAMOS CASOS DE ROUBOS NEM ASSALTOS”

O Comissário da Polícia de Ordem Pública de Sector de Cacheu, Abulai Sonco, revelou numa pequena entrevista a repórter de O Democrata que desde a sua chegada à cidade velha (Cacheu), há já quatro meses, não se registou nenhum caso ligado a assalto ou denúncias de roubos.

Contudo, relata que a sua esquadra depara-se com imensas dificuldades em termos de condições de trabalho.  Segundo avançou, a esquadra “carece de quase tudo e nem sequer tem uma motorizada para os serviços normais ou de pequena envergadura”.

Informou neste particular que a esquadra beneficia da corrente elétrica fornecida, a título gratuito, por um cidadão nigeriano que dispõe de um pequeno gerador. Acrescentou ainda que o cidadão nigeriano fornece e vende a corrente à população no sector, das 18 às 00 horas.

Lembrou ainda que a esquadra tem seu próprio furo de água construído pela administração setorial, mas continua a lamentar a falta de meios de transporte para o patrulhamento no sector. Segundo Abulai Sonco, estas dificuldades não são de conhecimento do ministério do Interior à semelhança de tantas outras a nível de todo o país.

O comandante da esquadra disse que as instalações onde funciona a POP não tem condições adequadas para o funcionamento de uma esquadra da polícia, porque “as instalações pertencem aos correios e que o edifício foi improvisado para albergar a esquadra, mas não tem condições necessárias para funcionar como uma esquadra”.

 

 

 

Por: Epifânea Mendonça

Foto: E.M

 

 

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