Opinião: AFINAL, A QUEM PERTENCE ESTA CRISE?

Uma certa vez, escrevi neste Jornal o seguinte: “sempre que temos uma situação difícil, um problema complexo, convém que evitemos soluções simplórias”. É uma tradição na Guiné-Bissau após uma onda de desinstitucionalização do Estado, da banalização dos aparelhos administrativos, encontrar justificativas fáceis para depois seguir em frente. Guiné-Bissau vive uma crise profunda, uma crise que pelo seu efeito e violência, o próprio povo, a população guineense, já não vive sem ela. Existe uma explicação clínica de que, quando o paciente toma demasiadamente um determinado tipo de medicamento, com o passar do tempo, acaba por se tornar num dependente/viciado pelo medicamente.

Esta crise tem muitas facetas e aspetos, todavia, teremos sempre que começar pelo Presidente da República – assim que o presidente, o meu presidente, infelizmente, perdeu a capacidade de ser instrumento para dirimir o conflito, de suavizar a tensão entre os que participam do jogo político partidário, pois, como lhe é consagrado o tal papel – suprapartidário em termos constitucionais, esperava que a classe intelectual guineense jogasse o papel de equilibrador, papel de vanguarda. Lamentavelmente, o país perdeu a sua base intelectual de referência, os intelectuais se aparelharam nos partidos e consigo, levaram e estão a levar um pouco da juventude engajada que resta no país.

Não há dúvida de que esta crise teve a sua origem no seio político, ainda que sem um esclarecimento ético dos reais motivos que estiveram na sua base, mas, por outro lado, teve um pouco de tudo. Quando se instalou a crise, o que foi plasmado ao público guineense, era a “incompatibilidade” de PR com o então primeiro ministro- Domingos Simões Pereira, ainda no prelúdio da crispação, esperava-se que o PRS jogasse um papel estratégico, papel esse que poderia lhe catapultar como uma espécie de “esperança” para ora, vizinha eleição. Lamentavelmente isso não se sucedeu, uma vez que o PRS tinha votado o programa de governo, votou a moção de confiança ao governo, acompanhou o processo de “mesa redonda”, isto não queria dizer que tinha anulado a sua posição de oposição, continuaria à sê-lo, mas poderia manter sempre atento aos descarrilo permanente de PAIGC para assumir enquanto uma “proposta”. Mas, por falta de prudência, ou, por puro oportunismo, foi fazer parte duma crise que não lhe pertence e acabou por ficar como um dos protagonistas duma crise não criada por ele. Espera-se que a lição seja dada!

Uma outra realidade e face desta crise, é a postura assumida pelas várias figuras que eram tidas como formadores de opinião pública, que durante a crise, esperava-se que serviriam de equilibro das tensões, uma vez que a polarização estava instalada no seio político. O que se verificou, é que estas figuras não estavam tão longe de tudo, no prolongar da crise, acabam por assumir posições e nomeações “tristes”. Atual crise é estrutural, embora não começou assim, a medida que as posições foram sendo enrijecidas, quase nenhuma sensibilidade escapou. Nas escolas públicas, os professores poderiam aproveitar para criar espaços nos horários diferentes, como acontece em vários lugares do mundo, colocar adolescentes e jovens a par do que está a se suceder e, desde logo, começar a criar nos “guineenses do futuro” uma cultura diferente, uma forma de fazer e olhar a política de maneira diferente. Pois atual crise revelou a celeumática grito do nível de despreparo de maior dos políticos guineenses.

Lamentavelmente ninguém teve uma proposta apaziguador para crise. A Guiné-Bissau seguiu o seu rumo de desestabilização nacional, de perda de credibilidade, vários políticos destilaram uma pedagogia errática para nova geração dos guineenses. É gritante o nível de empobrecimento da política na Guiné-Bissau – qualquer guineense julga estar em condições de governar, até quil cuca pudi cumpo si cama, ainda que não deveria ser assim, talvez não têm culpa!

No que toca ao PAIGC, é verdade que os partidos “libertadores” têm uma dificuldade, como é o caso, de lidar com o fardo de todo processo de libertação nacional e etc., mas isso não pode ser um elemento para se eximir das suas responsabilidades perante a evolução da política e da forma como fazer determinadas agendas. Época eleitorais não pode/deve servir para tratar de agenda dos combatentes, sendo que estes têm estatutos especiais, tal assunto deve ser resolvido no fórum próprio. PAIGC deve entender de que, por ser um partido sempre aspirante a governação, deve colocar nos lugares que dão possibilidade a cargos dirigentes, pessoas que não são de caracter duvidosa, gentes com compromisso apenas político e com a nação, muitos desses… também políticos, que hoje castigam a Guiné, é fruto dum certo PAIGC.

Por fim, o mais lamentável, temos uma juventude na sua maioria sem a consciência do que se passa de facto na Guiné-Bissau. Uma juventude sem um conhecimento do percurso do país e, logo, sem conhecer quem são e o que pensam os seus potenciais governantes sobretudo. Jovens guineenses na sua maioria não sabem a própria História, e sempre que isso aconteça, há um terreno propício para muita zig zag. Por vezes confunde-se cronologia com a História, ora isto é triste. De quem será culpa? Calo-me. Ora, quem não sabe sua História, uma pedra é apenas uma pedra.

O país está a avançar para uma eleição sem um debate suprapartidário, era necessário que os políticos não pedissem apenas os votos aos guineenses, mas que saibam antes de tudo, qual será a posição dos guineenses se houver mais uma tentativa estupidificar (desculpem-me falta de tento) o país.

Todos sabemos quem são os protagonistas desta crise e os que forjaram ela, mas depois, é, seria interessante/importante saber que muitos trabalharam/contribuíram para que a crise se abrumasse mais, desde aqueles que trabalharam para derrubar o governo de DSP, a aqueles que não querem prestar contas de FUNPI, a aqueles que votaram contra programa do seu governo, a aqueles que expulsaram seus deputados de partido, a aqueles que fizeram um governo de mais de 30 ministérios sem nenhuma mulher, a aqueles que assinaram e depois se recusaram cumprir  patético acordo de Conacri e, por fim, a aqueles que nunca souberam eleger os termos nas redes sociais e na “página de Facebook de “Braima Darame”.

Sempre que houver um problema, não importante nossa posição social e político, temos algo a fazer…

Por: Tamilton Gomes Teixeira

One comment

  1. Luís Fernandes Júnior disse:

    Olá aquerido irmão, amigo e conterrâneo, gostei de algumas partes da sua posição, mas de um lado o senhor deixa muito claro a sua tendência de elogiar ou não colocar PAIGC é o seu líder como outro responsável/protagonista principal da crise, porque ao abordar de PAIGC o senhor descreveu de forma superficial, nem tentou trazer os primeiros ou véspera da crise que começou desde o período que Domingos Simões Pereira era Secretario Executivo de PAIGC, quando a esposa teve problemas na justica, sobre o desvio das verbas ou de falsificar folhas de salário dos antigos combatentes, daí DSP tentou conversar com então Ministro das Finanças no sentido de abandonar o processo, mas que infelizmente que José Mário Vaz não aceitou o pedido e, de la para frente embrionou um conflitos entre os dois, aliás, diria de DSP sobre o JOMAV; Outro motivo seria o futuro do problema da esposa levou DSP e algumas pessoas envolvidas no tal processo de folha salarial de antigos falso dos antigos combatentes (pensão) e is demais salariais e orçamento falsas, ou melhor, todo processo de funcionários fantasmas, tudo isso fez com que esses grupos da esposa do DSP que estão dentro do PAIGC, porque são maioria em relação aos outros partidos, a não querer a candidatura do atual presidente da república como candidato do PAIGC, lembrando que eles não tinham pessoas influente na altura para dar vitória presidencial para além de JOMAV, sobretudo DSP que mais contestou; Outro ponto seria problema de DSP e Baciro Dja, de m que em o valor 1,5 milhões de Euros que estava em jogo, onde Baciro questionou DSP dos valores que ele pegou e sem retorno das justificativas ou assumir levantamento dos valores, porque o dinheiro pertence ao partido e Baciro Dja sendo responsável da campanha eleitoral na altura precisava esclarecer aos camaradas do partido os destinos dos valores até no que restou, isso também para DSP seria impossível ou inaceitável Baciro questionar ele dl dos montantes, levou uma ruptura entre os dois e consequentemente demissão do Baciro Dja; Outro ponto: quando DSP completou um ano como chefe do governo destruiu mais de 100 milhões de Franco CFA numa média aproximadamente 5 milhões para cada circulação a fim de comemorarem um ano de sua liderança, enquanto os hispitais, professores e outros setores estavam, aliás, até nesse momento estão precisando desse valor para melhorar as condições dessas instituições ou pagar um pouco dos salários daqueles que trabalham sem receber; Outro ponto: seria no momento da campanha congelar o dinheiro do partido para apoio do candidato presidencial do próprio partido e de preferer um candidato externo para ganhar as eleições presidenciais em do seu próprio partido. Pergunto após essas posturas como é que aquele candidato que sem esses apoios ganhar as eleições vai confiar na pessoas ou pessoas que tentaram sacanear a sua candidatura?; Outro ponto: seria após a restituição de DSP o quê das compras de carros blindados enquanto que os pobres que apoiavam ele é faziam marchas não tinham essa proteção? Outrossim na plena crise comprar aqueles carros que todos sabemos de que não são baratos e povo morrendo de fome, porque os responsáveis familiares não receberam os seus salários por suposta dito de que não tem dinheiro para fazer pagamento; Outro ponto: seria após a restituição do DSP porque se achar único filho da Guiné Bissau capaz de levar o país para frente ou desenvolvimento, e consequentemente fazer jogos sujos para parar o país por causa dos interesses pessoais dele e de uma parcelinha das pessoas, colocar causas nas instituições? Outro ponto: seria se ele não cometeu nada de erros graves porque continua com jogos sujos e usando jovens e algumas figuras estaduais, sobretudo do Supremo Tribunal de Justiça para bloqueio do funcionamento das instituições do país? Outro ponto: seria Cipriano Cassama que o m parceria com DSP fechar um espaço público e não privada, Assembleia Nacional Al Popular – ANP se na verdade houve e continuar haver inconstitucionalidade, se bem que o único espaço legal e capaz de criar ambiente de paziguação ou discutir as irregularidades, o que infere nos dizer que DSP e Cipriano e os demais tinham medo de abrir ANP por saber ou terem a consciência de que o que estava em jogo eram interesses pessoais e não da nação? Existem vários pontos que poderia ser apontados para uma reflexão da crise que o país está enfrentando…

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