Opinião: “PREVISÕES DO BAD E FMI, UMA NOTA EM ANÁLISE”

Segundo o “Outlook/BAD/2019”, a  economia africana, a médio prazos, deve registar um crescimento que acelere para 4%, em 2019, e 4,1%, em 2020. 

Apesar de ser mais reduzido do que o crescimento da China ou da Índia, 
prevê-se que o crescimento de África seja mais elevado do que qualquer outro país emergente e em desenvolvimento (e.g Brasil).

Contudo, essa previsão de crescimento é insuficiente para deixar marcas face ao fenómeno de desemprego e da pobreza. 

Da estimativa de 4% do crescimento de África em 2019, prevê-se que o Norte de África represente 1,6%, ou seja 40%. 

No entanto, o crescimento médio do PIB no Norte de África é errático devido às circunstâncias económicas em rápida mudança da Líbia. Devido também às situações de mudanças políticas na Argélia, com a queda do presidente Buteflika.
Estima-se que a África Oriental, a região que mais depressa tem crescido, atinja um crescimento de 5,9%, em 2019, e 6,1% em 2020. Entre 2010 e 2018, o crescimento médio ficou em quase 6%, com o Djibuti, a Etiópia, o Ruanda e a Tanzânia a registar taxas acima da média. Contudo, em vários países, sobretudo, no Burundi e nas Comores, o crescimento permaneceu fraco devido a incertezas políticas.

O crescimento na África Central tem vindo a recuperar gradualmente, mas mantém-se abaixo da média de África como um todo. É suportado pela retoma dos preços de produtos de base e uma maior produção agrícola.

Prevê-se que o crescimento na África Austral se mantenha moderado em 2019 e 2020, após uma recuperação modesta em 2017 e 2018. O crescimento moderado da África Austral deve-se, maioritariamente, ao fraco crescimento da África do Sul, que afeta os países vizinhos.
Por cá, o crescimento económico da Guiné-Bissau, a meu ver, deverá passar por três  (3) eixos fundamentais: 
-Infraestruturacão do país  (estradas, pontes, redes viárias, edificação de estruturas produtivas endógenas, etc);
– Industrialização dos setores produtivos: pesca, castanha de caju, fosfato, bauxite, entre outros minérios); e
– Diversificação económica.

É, tecnicamente, possível e é de praxe que haja diferenças, em termos de previsões entre as duas instituições  (BAD e FMI). No entanto, vale mais a pena centrarmos nossa atenção nos setores e fatores que tradicionalmente impulsionam o crescimento económico, quer nacional, quer continental. 

É retórico e, quiçá, repetitivo realçar que as nossas economias precisam, com certa urgência, se diversificar visando alavancar o crescimento e desenvolvimento económico nacional. 

QUESTÕES-CHAVE?

O que deve ser feito?
Como deve ser feito?
Quem deve fazê-lo?
Por que deve ser feito?

A curto e médio prazos, há uma série de respostas às questões, acima colocadas, que o próximo executivo terá que responder e colocar em evidência, na medida em que tem havido uma enorme “pressão social” por parte dos ativistas, analistas e de uma certa comunidade intrnacional –  cada vez mais interessada nas questões guineenses – devido às constantes “fragilidades” de “Leadership” que se tem sistematicamente revelado a nível interno.

Em matéria económica,  haverá uma pequena margem de “erro” para o primeiro e próximo executivo da décima legislatura, tendo em conta os desafios estruturais que a Guiné-Bissau irá enfrentar nas próximas décadas. 

Entre os “inputs” que o próximo executivo alocará, deduzidos os custos e gastos (fixos e variáveis), a margem da contribuição do próximo executivo, em matéria económica, deverá ser extremamente dependente dos fatores exógenos, ou seja, será limitada aos inúmeros riscos.
Riscos associados às  perspetivas económicas / 2019?

Existem vários riscos a ameaçar as perspetivas macroeconómicas para África em geral, e na Guiné-Bissau em particular.

– Em primeiro lugar, um maior agravamento das tensões comerciais entre os Estados Unidos da América e os seus principais parceiros comerciais que poderão resultar no abrandamento do crescimento económico mundial, com repercussões para África. 

Estas tensões, em conjunto com a fortificação do dólar americano, têm intensificado a volatilidade de alguns preços de produtos de base e pressionado as moedas de países emergentes. Se a procura mundial abrandar, os preços dos produtos de base podem diminuir, reduzindo o crescimento do PIB e afetando negativamente as balanças (comercial e orçamental) para os exportadores dos produtos de base africanos (Guiné-Bissau sofre esses efeitos com a castanha de caju).

– Em segundo lugar, os custos do financiamento externo podem aumentar ainda mais se as taxas de juro em países avançados aumentarem mais 
rápido do que esperado.

– Em terceiro lugar, se os países africanos forem novamente afetados por condições meteorológicas extremas (e.g: caso de recente ciclone IDAI que afetou profundamente Moçambique) devido a alterações climáticas, 
como tem acontecido nos últimos anos, a produção agrícola e o crescimento do PIB podem ser mais reduzidos do que esperado.

– Em quarto lugar, a instabilidade política e os problemas de segurança em algumas áreas podem enfraquecer as economias. Os países que melhoraram as suas posições (orçamental e externa) e que apresentam uma dívida reduzida ou moderada têm uma grande probabilidade de se tornar resilientes a novos choques externos. 

Contudo, os países que não reconstruíram as respetivas formas de proteção fiscal não estão preparados para riscos de queda significativos.

Ora, em nossa opinião, os desafios e constrangimentos acima discriminados, poderão “perigar” as perspetivas de crescimento económico africano que, segundo FMI, está estimado em 5%, 2019. Ou seja, há um conjunto de externalidades que precisam ser registados, mitigados e atenuados pelos respectivos  governos dos países,  economicamente, mais “frágeis” como nosso.

Decerto que a sociedade civil terá um papel-chave em todo esse processo, mas que requererá ativismo, através de “follow-up” contínuo do ato de governação, sobretudo, no que concerne à gestão de políticas macroeconómicas. 

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Bissau, 15/4/2019

Por: Santos Fernandes

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