MISSÃO DO FMI REVELA QUE SITUAÇÃO ORÇAMENTAL DA GUINÉ-BISSAU CONTINUA SOB STRESS

A missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) que está no país liderada por Tubias Rasmussen, revelou esta sexta-feira 10 de maio de 2019 que a situação orçamental da Guiné-Bissau continua sob stress, devido às despesas mais elevadas do que o previsto e por consequência o défice público em início do ano em curso ultrapassou significativamente a meta do projeto de orçamento.

A delegação do FMI que está no país tem como missão avaliar a situação das finanças públicas, debater a evolução do setor financeiro e avaliar o interesse das autoridades num novo acordo com o FMI. Falando em conferência de imprensa conjunta com o governo guineense, realizada no ministério das finanças, Tubias Rasmussen disse que o défice foi também significativamente superior ao período homólogo de 2018, ano em que se estima ter atingido 5,1 por cento do Produto Interno Bruto, numa base de compromissos e cresceram as pressões sobre o financiamento, resultando num crescente saldo de contas por pagar.

“No atual rumo, estima-se o diferencial de financiamento para 2019 em cerca de 3 por cento do Produto Interno Bruto. Embora uma maior produção de cajú deva ajudar a fazer aumentar o crescimento do PIB real dos estimados 3,8 por cento em 2018 para cerca de 5 por cento em 2019, preços inferiores de cajú imlplicam riscos de queda da atividade econômica e da cobrança de receita pública”, sublinhou.

O chefe da missão do FMI informou que as conversações incidiram sobre passos tendentes a assegurar a sustentabilidade orçamental e o reforço da gestão das finanças públicas para reduzir o défice e garantir o pagamento tempestivo de salários e outras obrigações, assim como estancar os aumentos da dívida pública e que será necessária uma combinação de financiamento adicional.

Por seu torno, o primeiro-ministro guineense, Aristides Gomes, explicou que em termos de evolução na economia o país está ainda sob efeito da baixa preço da campanha de cajú do ano passado, o produto mais importante da exportação guineense, porque consegue dinamizar a economia nacional no consumo e nas receitas, com muita incidência na performance em termos de execução orçamental.

“Consequência disso e outros fatores nomeadamente o fato de termos financiado parcialmente as eleições e pressões do volume das despesas, podemos dizer que registamos uma evolução das despesas, no tocante ao orçamento de estado, aquém daquilo que tínhamos previsto. Como sabem, nós agimos de uma certa forma, evoluímos muito. Não falaria em derrapagem, mas pelo menos em termos de expansão das despesas, quanto ao financiamento dos salários, incentivos e despesas das eleições, entre outras”, informou.

Por: Aguinaldo Ampa

Foto: A.A  

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Figura de Semana

Edição Impressa