Editorial : Guiné-Bissau – Culto de incompetência e banalização de Estado

Banalização, amadorismo e incompetência, são palavras que caracterizam a gestão do desmaiado Estado. A recente troca de mimos, em público, entre o Primeiro- ministro e o ministro do Interior em torno do arrombamento por um magistrado assegurado por agentes da PIR de um armazém arrendado pela Polícia Judiciária, retirando cerca de 400 sacos de arroz, no âmbito do caso conhecido por “arroz do povo”, demonstra quão a classe dirigente neste país, montada de peças, é vulnerável e amadora. Depois de cúmulo de erros de palmatórias, o último acto  foi para o Primeiro-ministro uma certidão de banalização sem precedente para quem está a ocupar a Primatura pela segunda vez. Além de leviano, o acto foi indigno de um líder de executivo que em vez de agir em chefe optou por vestir a capote de um simples chefinho de banda. Aliás, nunca teve autoridade nenhuma.

Perante câmeras e micros de jornalistas, o Primeiro-ministro quis forjar a imagem de capitão com autoridade no barco, mas na realidade foi um fiasco. Tudo não passou de um espectáculo que mais uma vez ruinou a tão machucada imagem de Estado. Como pode um Chefe de governo promover troca de mimos com um ministro em público? Se o Primeiro Ministro estimar que a actuação da polícia é da tamanha gravidade que não tinha solução no gabinete, porque não ter a coragem de propor ao Presidente da República a demissão do ministro do Interior? Num Estado digno, com uma classe dirigente responsável, quando se perde a autoridade de pilotar uma instituição pede se a demissão em prol da ética política, pois a autoridade não se reclama, exerce se!

Ficará registado nas páginas da nossa história política o infeliz episódio entre o Primeiro-ministro e o Ministro do Interior. Este último,    estrondosamente incoerente, foi infeliz ao tentar jusitficar o injustificável. A acção da retirada do arroz do armazém só foi possível com a presença da Polícia da Intervenção Rápida. Se o Ministro do Interior não soube da operação, quem autorizou então o envio dos homens fardados ao local? Enquanto titular do pelouro, qual é a sua responsabilidade? O ministro recebeu ou não uma ordem do magistrado do Ministério Público para a retirada do arroz do armazém? Respostas a estas interrogações eram e são imperativas, caso contrário, o ministro do Interior perdeu toda credibilidade de manter a frente de uma instituição importante e crucial como o Ministério do Interior. Já é tempo de pararmos com prémio de incompetência neste país. Um ministro é ministro quando assume as suas responsabilidades. Este povo já pagou muitas facturas de banalização de instituições de Estado em nome de interesses secundários de grupinhos.

Perante inúmeros problemas sociais, atraso de pagamento de salários aos funcionários públicos, ano lectivo tecnicamente invalidado, campanha de comercialização de castanha de caju na beira de fiasco, o governo com liderança em deriva multipla cenas de  teatralização.

Por seu turno, o Chefe de Estado parece mais que nunca viver na sua ilha isolada. A alguns dias do fim do seu mandato, confirma a ausência total de liderança e contenta-se com o papel do Pôncio Pilatos. Não quer assumir culpa nenhuma. “Pa ê ka bin fala i ami, pera nka pui mon”. O Impasse no Parlamento, a nomeação de Primeiro Ministro, a marcação da data das eleições presidenciais? O Chefe de Estado quer ajuda porque sozinho não tem soluções. Que fazer?

Por: Redação

One comment

  1. nadilé disse:

    É preciso uma manifestação popular forte dura e persistente na Guiné Bissau para que eles nos matam duma vez e para sempre ou então mudamos o cenário duma vez e para sempre.

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