Editorial: É CRUCIAL ESTANCAR ‘HEMORRAGIA POLÍTICA’ PARA EVITAR A CALAMIDADE

Ficou mais do que claro que a realização das eleições legislativas e os resultados ditados pelo povo não conseguiram sarar as feridas nem sequer curar a epidemia de ódio que afeta a classe política guineense, com o propósito de atenuar o sentimento de “matchundadi”. O ódio e a cultura de “matchundadi” usados como ‘machado de guerra’ durante a nona legislatura deveriam ser enterrados com a realização das legislativas, mas infelizmente, a nova crise que se regista no parlamento sobre a formação da mesa da ANP evidencia o sentimento de ódio e a vontade de revanche da parte dos dirigentes políticos, que se autoproclamaram publicamente inimigos ferrenhos para uma luta de “vida ou morte” e da qual quem sair vitorioso dessa encurralada ‘viverá’ e quem perder, simplesmente ‘morrerá.

A luta política no mundo civilizado faz-se pela demonstração ou através de programas de desenvolvimento para o bem do país e da sua população, onde as partes se encarram como adversários e não inimigos. Portanto, o ‘time’ da democracia vivida nesta terra é suficiente para sairmos do amadorismo e tornarmo-nos num verdadeiro Estado. Infelizmente, a posição de extremismo assumida pelos políticos associada à  incapacidade de diálogo mina cada vez mais a esperança do povo de ver concretizado o “Projeto de Estado” cultivado pelos gloriosos combatentes.

A radicalização de posições dos dois campos políticos, de um lado, do grupo de partidos que constituem a maioria parlamentar liderados pelos libertadores (PAIGC) e de outro, a minoria parlamentar (MADEM e PRS) patrocinados pelo Chefe de Estado, José Mário Vaz, faz crescer a tensão política e semeia o medo no seio da população, tendo em conta a radicalização dos dirigentes e militantes do partido perante um olhar pávido do Ministério do Interior. 

Hoje, todos os líderes políticos das principais formações políticas andam com batedores polícias armados, para além de milícias armadas que semeiam o terror no seio desta população fustigada pelas crises sociais e económicas. Esta crise social, económica e política que afeta seriamente a vida das populações, em particular aquelas que vivem no interior e que dependem essencialmente da agricultura e da comercialização da castanha de caju, deixou transparecer a incapacidade deste governo fracassado que já não tem nada a dar aos guineenses bem como da liderança do próprio Primeiro-ministro, que nem sequer consegue sentar-se a mesma mesa com as organizações sindicais, muito menos encontrar uma solução que consiga estancar a crise económica e social que poderá perigar o futuro deste país, se a castanha não for comprada a um preço aceitável, ou seja, o preço indicativo fixado pelo governo de Aristides Gomes.  

A situação do nosso país está esdrúxula neste momento e requer uma atenção especial do Chefe de Estado, na qualidade de garante da Constituição e da Estabilidade, que em primeiro lugar deverá ser cumpridor das leis e promotor do diálogo franco e da paz. É verdade que a decisão do Supremo Tribunal que indeferiu o requerimento do MADEM tornou inútil quaisquer argumentos em defesa dos interesses obscuros para tirar o proveito da situação baseada na solução política defendida pela minoria parlamentar.

Urge sairmos desta crise política patrocinada pelo Chefe de Estado, de forma a evitar as consequências derivadas das crises sociais, económicas e políticas que se registam a cada dia. É crucial a nomeação do novo primeiro-ministro em nome da paz e da estabilidade política, que passará a assumir o leme e a dialogar com as organizações sindicais na busca de soluções para suspender as ondas de reivindicações. É ridículo acreditar que o Chefe de Estado pense numa solução fora da nomeação do novo Primeiro-ministro indicado pelo partido vencedor das eleições legislativas de 10 de março. Que fique claro para o Chefe de Estado que quaisquer soluções baseadas nas engenharias políticas fora da nomeação do Primeiro-ministro a ser indigitado pelo partido vencedor de eleições é simplesmente a violação da Constituição da República, como também a inviabilização das eleições consideradas por todos livres, justas e transparentes.

Acima de tudo, ir contra a vontade do povo manifestada nas urnas. Assim, é salutar dizer aqui que o atual impasse político requer urgentemente uma intervenção das comunidades nacional, sub-regional e internacional, no sentido de fazer vincar as leis da República e, sobretudo, resgatar o povo feito refém da classe política.  É verdade que somos um país soberano, mas que fique claro que nenhum dirigente tem o direito de perturbar a paz social e criar situações que ponham em risco a segurança da sub-região. Deve-se estancar esta “hemorragia” socio-política com o propósito de salvar um país atolado numa crise social, económica e política capaz de arrastá-lo ao conflito.

Assana Sambú

Chefe de Redação

asambu81@gmail.com

One comment

  1. amisson quessangue disse:

    Sr. jornalista chefe de redacao era ba bom antes de bu screve pa u riviba constituicon na parte sobre numeacon de primeiro ministro pa parte de presidente da republica de que tendenciosamente bata deturpa o desinforma bu leitores .Se coonstituicon fala proposta de partido q ganha y significa cuma presidente pudi cetal suma tan y pudi negal y ,consequentemente pidi utru alguim-proposta .

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