JOMAV CONVIDA GUINEENSES PARA REFLECTIREM SOBRE GANHOS E FALHAS COMETIDAS AO LONGO DO SEU MANDATO

O Chefe do Estado, José Mário Vaz convidou hoje aos guineenses para reflectirem ou fazer um balanço sobre os ganhos dos seus cinco anos do mandato, mas sem descurar analisar as falhas cometidas, para melhor corrigir os próximos passos. José Mário Vaz, que oficialmente termina o seu mandato de cinco anos hoje, 23 de junho de 2019, conseguiu ser o primeiro Chefe de Estado da Guiné-Bissau a terminar o seu mandato de cinco anos em 25 anos da democracia, facto que mereceu destaque no seu discurso e no qual, sustenta que “este é um marco histórico, pleno de significado e de simbolismo no processo de consolidação e estabilização do nosso regime democrático”.

Vaz enfatizou que durante os cinco anos, o seu trabalho como ” Presidente de Todos os Guineenses”, contribuiu pelo resgate da Constituição e das leis, pela reafirmação do Estado como património de todos e não apenas de uma elite.

“Tenho como horizonte a reconciliação nacional, exorto aos representantes do povo na Assembleia Nacional Popular ao entendimento, ou seja, que nas próximas sessões da Assembleia Nacional Popular possa haver entendimento para a constituição da mesa e cumprindo escrupuloso do regimento daquele Órgão, em prol do bem-estar do povo guineense”, advertiu  José Mário Vaz, que entretanto, aproveitou a ocasião para realçar a comunicação social guineense, que segundo ele, funciona num registo de pluralidade e plena liberdade de imprensa e de expressão. 

Criticou, no entanto, que “essa liberdade até tem sido abusivamente usada em campanhas de difamação e injúria contra o mais Alto Magistrado da Nação, algo que era impensável antes do meu mandato como Presidente. Mas a tolerância é apanágio de quem dirige um povo com justiça e bom coração.

Elogiou ainda o papel das forças da defesa e segurança, que diz desempenharem um papel determinante para a ” Guiné de Paz e de Liberdade que hoje vivemos e com muito orgulho.

Eis na íntegra o discurso à nação do Presidente José Mário Vaz :


Povo da Guiné-Bissau,

Irmãos e Amigos da Nossa Pátria Amada,

Parceiros Internacionais da Guiné-Bissau,

Hoje 23 de Junho de 2019, celebramos cinco anos do meu mandato enquanto Presidente da República da Guiné-Bissau. Sou o Primeiro Presidente da República, após 25 anos da abertura democrática, a concluir o seu mandato. Este é um marco histórico, pleno de significado e de simbolismo no processo de consolidação e estabilização do nosso regime democrático.

Por isso, saúdo e felicito a todos e a cada um dos Guineenses que, com sentido de responsabilidade e de patriotismo, contra ventos e marés, contra investidas desestabilizadoras em catadupa constante, contra a tentação da resposta fácil à provocação daqueles que não amam verdadeiramente este país, prestaram o seu contributo abnegado para a concretização deste importante desiderato. A todos esses democratas e patriotas, o meu muito obrigado!

Nesta data, convido a todos a uma reflexão, a fazer um balanço, parar, pensar, e sobretudo analisar quais foram os ganhos destes cinco anos, sem descurar as falhas cometidas, para melhor corrigir os próximos passos.

Caros Compatriotas,

Defender a Constituição é dever fundamental do Presidente da República, que é o garante da Constituição e das demais Leis da República. Esse tem sido, nestes cinco anos, o meu trabalho como Presidente de Todos os Guineenses, pelo resgate da Constituição e das Leis, pela reafirmação do Estado como património de todos e não apenas de uma elite. Essa tem sido a minha luta, a razão de tanta incompreensão e de tantos ataques das elites à figura institucional do Presidente da República.

Hoje e como sempre ao longo destes cinco anos, falo-vos na condição de Presidente de Todos os Guineenses, um Presidente eleito na expectativa de mudanças profundas no país e na vida do nosso povo. Foi para isso que os Guineenses me elegeram, para mudar e dar Novo Rumo ao país, trazer tranquilidade e bem-estar para cada família, para cada cidadão, devolvendo a esperança aos Guineenses.

Os momentos de crises político-institucional que vivemos inscrevem-se no quadro desta minha luta pelo primado da Lei e pela igualdade dos cidadãos, não podendo haver um grupo que seja detentor de todo o poder e de toda a riqueza e outro vasto contingente de cidadãos que apenas tem deveres e estão condenados à subserviência e a viver dos “restos” dos outros.

Este nosso país tem de ser de todos e para todos, não pode haver cidadãos de primeira e cidadãos de segunda. Por isso, lutamos contra interesses instalados que impediu a Guiné-Bissau de avançar nos últimos 46 anos, sobretudo a corrupção daí o meu apelo “Dinheiro do Estado no Cofre de Estado”.

Foi para ajudar a cumprir este desiderato, realizar a igualdade e a justiça, que, há cinco anos, o cidadão José Mário Vaz assumiu o cargo de Presidente da República. Nisto consiste o essencial do meu programa político, um programa simples, para o simples cidadão da terra que eu amo.

Como todos testemunharam, foi um combate difícil. Mas hoje, apesar das vozes que se erguem contra a Constituição e as Leis, como se de propriedade privada de alguns se tratasse, nós temos todas as ferramentas para fazer avançar o nosso país.

Passados cinco anos, a nossa Guiné-Bissau é um país de PAZ e da LIBERDADE. As imagens do passado transmitiam conflitos, assassinatos, violência, terror e comoviam o mundo. Muitas vidas foram perdidas por divergências políticas.

  • Revisitando 23 de Junho de 2014 à presente data, posso dizer, orgulhosamente, que o nosso país mudou, hoje vive-se um ambiente de Paz civil e estabilidade interna;
  • Durante os cinco anos do meu mandato não houve um único tiro nos quarteis, pela primeira vez, não houve tentativas de golpe de estado;
  • As questões de desrespeito pelo direitos humanos hoje não se colocam, porque não há́ registo de violações de direitos humanos, embora em muitas ocasiões houve tentativa de manipular e ou “inflamar” a opinião pública nacional e internacional, através de envio de fortes mensagens para a comunidade internacional e para os nossos irmãos da diáspora, através de forte campanha de desinformação e até mesmo apelos à desobediência civil e incentivos à violência e à insurreição militar;
  • No nosso país há total liberdade de manifestação;
  • Durante o meu mandato acabámos com a prepotência e o velho principio de quero, posso e mando “bu sibi mê quim ku na pabia ku el” ou “bu sibi a mi i kim”?
  • Tenho dito que os meus maiores legados são a PAZ e a LIBERDADE. Durante o meu mandato os Guineenses, finalmente, conheceram dias e noites sem sobressaltos e sem medo, porque ninguém foi morto ou espancado, nem tivemos crianças órfãs ou mulheres viúvas por questões políticas, não houve prisões arbitrarias, já não temos exilados políticos, acabaram-se as perseguições por questões políticas ou por alguém discordar de alguma decisão.
  • A comunicação social Guineense funciona num registo de pluralidade e plena liberdade de imprensa e de expressão;

Essa liberdade até tem sido abusivamente usada em campanhas de difamação e injúria contra o mais Alto Magistrado da Nação, algo que era impensável antes do meu mandato como Presidente. Mas a tolerância é apanágio de quem dirige um povo com justiça e bom coração.

Estas foram as verdadeiras mudanças.

Sei que, para a maioria dos Guineenses que viveram a dor e a angústia de perder alguém no passado, e quando falo nestas questões reabremse as feridas, o sentimento de revolta, pelos que partiram de forma prematura e violenta , cujo único crime foi o de divergirem de um sistema e por isso muitas vidas foram ceifadas na luta pela mudança democrática no nosso país.

Povo da Guiné-Bissau,

Irmãos e Amigos da Nossa Pátria,

É verdade que a paz não é palpável, mas é visível. Nós sentimos na vivência do nosso dia-a-dia o clima de paz civil e de tranquilidade interna com que coabitamos nas nossas casas, com os nossos vizinhos, nas bancadas e até mesmo nos convívios familiares e sociais, com total liberdade de dizer publicamente o que pensamos em qualquer lugar sem que a nossa opinião se transforme num pesadelo. Esta mudança consubstancia a LIBERDADE, finalmente conquistada pelos Guineenses durante o meu mandato.

Devemos defender e preservar esta conquista que muito nos custou.

A Guiné-Bissau construiu o caminho da PAZ e da LIBERDADE, agora temos que percorrer o caminho do desenvolvimento. Através de muito trabalho, determinação e com “Mon-na-Lama”, eu acredito que conseguiremos tudo o que sonhamos para a nossa terra e para o nosso povo.

Já avançámos passos largos na consolidação e estabilização da democracia e liberdade, mas é preciso fazer mais. Mas esta conquista é dos Guineenses que tiveram papel chave e decisivo neste processo, sem esquecer as nossas forças de defesa e segurança que se afastaram das crelas políticas, dando espaço aos políticos para que na arena própria cada um possa defender os seus pontos de vista com total liberdade.

A partir de hoje, cada criança que nasce conhecerá uma sociedade diferente, ou seja, um país sem violência. Este é o trabalho que eu fiz para dar uma nova esperança ao cidadão novo, a uma nova geração. E este é um sinal de nova esperança para o nosso país, para o nosso futuro coletivo.

Caros Irmãos,

Vamos renovar a Confiança nas nossas capacidades, sem a qual nenhuma política, nem nenhuma obra se sustenta;

Continuaremos a apelar à unidade nacional, que é a fonte de onde vem a força do nosso povo;

Esta é a Nova Guiné que estamos a construir.

Enquanto Presidente da República, sinto-me orgulhoso pelo contributo que prestei a esta causa.

A crise que vivemos nos últimos anos permitiu aos nossos políticos crescerem, ou seja ganhar maior capacidade para dialogar, maturidade e sobretudo conseguimos fazer política sem recorrer a violência.

Também é importante referir que a Guiné-Bissau esta no caminho certo, e continuará a ser, um país de PAZ e de LIBERDADE.

Caros Compatriotas;

Não poderia fazer o balanço destes cinco anos sem vos falar do estado da actual situação política e os continuados esforços para mudar o paradigma de relacionamento entre a classe política, com o objetivo de acabar definitivamente com as crises constantes e conseguir ultrapassar os desafios colocados ao país.

Em 10 de Março último, realizamos eleições legislativas, consideradas pela comunidade internacional como livres, justas e transparentes, o PAIGC foi o partido com maior número de mandatos na Assembleia Nacional Popular e de acordo com a constituição foi convidado a indicar o nome do Primeiro Ministro.

Cumpridos os procedimentos constitucionais, realizamos a auscultação aos partidos políticos com assento parlamentar com vista à nomeação do Primeiro Ministro e nessa senda o PAIGC indigitou o Dr. Aristides Gomes para o cargo de Primeiro Ministro. E ontem foi empossado o novo Chefe do Executivo para os próximos quatro anos.

Com vista à marcação da data das eleições presidenciais, foram ouvidos todos os partidos políticos legalmente constituídos e após auscultação foi fixada a data de 24 de Novembro do corrente ano, como data para a ida às urnas onde o povo poderá escolher livremente o novo Presidente da Republica para os próximos cinco anos.

Tendo como horizonte a reconciliação nacional, exorto aos representantes do povo na Assembleia Nacional Popular ao entendimento, ou seja, que nas próximas sessões da Assembleia Nacional Popular possa haver entendimento para a constituição da mesa e cumprindo escrupulosamente o regimento daquele Órgão, em prol do bem-estar do povo Guineense.

Guineenses,

Irmãos e Amigos da Guiné-Bissau,

Hoje completo cinco anos do início do meu mandato como Presidente da República. A Lei Eleitoral prevê que as eleições só se devem realizar entre 23 de Outubro e 25 de Novembro , do ano em que termina um mandato regular.

Muitas vezes , na história da nossa Democracia, as eleições foram realizadas fora desse período consagrado na lei, devido às constantes rupturas ou crises constitucionais. Porém, pela primeira vez poderemos realizar eleições presidenciais sem rupturas ou excepções e o mandato do Presidente da Republica terminará com a tomada de posse do novo presidente eleito em 24 de Novembro de 2019.

Povo da Guiné-Bissau,

Irmãos e Amigos da Nossa Pátria Amada,

Parceiros Internacionais da Guiné-Bissau,

Antes de terminar, gostaria de aproveitar mais uma vez esta oportunidade para saudar a todos os Guineenses, e em especial aos nossos irmãos da diáspora, longe de casa, da família e do país que os viu nascer, “terra di djinti ka sabi, kasa di djinti casabi”. Só nô terra ki sabi pá nós, pabi di quila nô djunta mon pa nô kumpu Guiné.

Aos cidadãos estrangeiros que escolheram a Guiné-Bissau como terra de residência e de trabalho, o nosso obrigado porque para muitos foi um desafio viver na Guiné-Bissau, mas hoje podem testemunhar as mudanças dos últimos cinco anos.

Venho agradecer, igualmente, a todos os governos que nos acompanharam ao longo destes cinco anos e face aos desafios que se nos colocam, fomos obrigados a mudar de vários governos em busca de soluções e que melhor servissem o momento político, a bem do nosso país e do nosso povo.

Ainda na janela de reconhecimentos, quero agradecer a todos os nossos parceiros internacionais e regionais, aos países e organizações, que estiveram sempre ao lado da Guiné-Bissau, apoiando o nosso país na busca de caminhos para a consolidação da estabilidade e promoção do desenvolvimento.

Permitam-me uma saudação muito especial às nossas Forças de Defesa e Segurança, os nosso Militares e Paramilitares, o vosso papel foi determinante para a Guiné de PAZ e de LIBERDADE que hoje vivemos e com muito orgulho vos louvo, enalteço e agradeço, enquanto Comandante Supremo das Forças Armadas. Vós cumpristes o vosso papel constitucional.

Uma saudação especial e uma palavra de apreço às mulheres e homens que integram a missão da ECOMIB, que continuam a prestar um serviço exemplar no nosso país.

Irmãos Guineenses,

Renovo todos os dias a minha crença no meu país, esta Guiné onde todos testemunhámos a mudança nestes cinco anos e proponho-vos que continuemos a trabalhar juntos, para mantermos as nossas conquistas de paz e segurança, e, juntos, construirmos um país de Igualdade, Justiça e Desenvolvimento.

Um agradecimento especial às equipas que comigo trabalharam em condições muito adversas.

Um agradecimento à minha família, à minha esposa e aos meus filhos e netos, que comigo sofreram as injúrias e as provações de quem ousa promover a mudança, contra ventos e marés.

Obrigado a todos os Guineenses e amigos que me acompanharam e encorajaram ao longo desta caminhada, e igualmente a todos os que me criticaram ou discordaram comigo ao longo destes cinco anos de luta por um Novo Rumo e uma Nova Guiné-Bissau ki nô djunta.

Caros Compatriotas, o caminho faz-se caminhando e muitas vezes com espinhos no nosso percurso, mas quando se luta pelo bem da maioria e com convicção, os obstáculos são ultrapassáveis.

Obrigado por me acompanharem!

Viva a PAZ! Viva a LIBERDADE!

Viva o Povo da Guiné-Bissau!

Que Deus abençoe a Guiné-Bissau hoje

e sempre!

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