Opinião : GUINÉ-BISSAU – APRENDIZADO E O PROCESSO DE MUDANÇA

Foi o antigo filósofo grego, Heráclito, que afirmou que não se passa pelo mesmo rio duas vezes. 

É claro que a maioria das pessoas interpreta essa declaração como indicativa de que o rio – quer dizer, o mundo exterior – nunca permanece o mesmo, está sempre mudando: é um fluxo constante de mudanças. 
Temos dois modos de reagir às mudanças: as mudanças que acontecem no mundo exterior e as mudanças que acontecem em nosso mundo interior, subjetivo. 
Muito frequentemente, são as reações subjetivas às mudanças externas que se mostram um campo mais fértil para descobertas, e geralmente é nesse terreno que encontramos os motivos pelos quais as mudanças exteriores são bem-sucedidas ou fracassam.

O APRENDIZADO E O POCESSO DE MUDANÇA 

Buchanan (1985) define o aprendizado como “o processo de obter conhecimento por meio de experiências que levam a uma mudança de comportamento”. O aprendizado não é simplesmente uma aquisição de conhecimento, mas a aplicação do conhecimento fazendo alguma coisa diferente no mundo.

Há muitas situações de mudança em que somos confrontados a aprender algo novo, ou que se ajuste a uma nova maneira de agir, ou que se desaprenda algo.

 O povo guineense procura a todo custo justificar os males a partir de outros males; justifica seus fracassos a partir dos fracassos alheios; se contenta com atitudes “estúpidas” criando outras atitudes “estúpidas”; repete a história como se história de tempo não se tratasse; comunga energias e sinergias para fazer mal aos seus conterrâneos, em benefício dos interesses estranhos; esquece tão rapidamente do seu ponto de partida.

Enfim, somos efetivamente um povo “sui generis”…

Uma maneira conveniente de tentar entender o que acontece quando passamos por uma mudança é considerar o que acontece quando começamos a aprender algo novo.

Consideremos o exemplo quando aprendemos a dirigir um carro novo. Para muitas pessoas, o prazer de ter um carro é influenciado pelo nervosismo de dirigi-lo pela primeira vez. Ocupar o assento do motorista do seu antigo carro é uma reação automática.

No entanto, isso é apenas o começo, porque quando vais conduzir o teu carro, todas as maneiras como as coisas acontecem vão exigir uma reação instantânea.

DILEMA GUINEENSE?

Repetição do “status quo” de forma sistemática. Na medida em que, no campo do poder e das suas metamorfoses, o povo guineense tem se pautado pela “pobreza do espírito”, pois ele justifica os erros, fracassos e golpes dos nossos líderes por outros erros, fracassos e golpes aos novos líderes, senão vejamos a nossa história recente:

– Em 1999-2000, justificou-se a eleição de Kumba Iala em nome do golpe ao regime do General João Bernardo Vieira.

– Em 2003-2004, justificou-se a transição do senhor Henrique Pereira Rosa em nome do golpe ao Kumba Iala.

– Em 2005, justificou-se a eleição do General João Bernardo Vieira em nome do golpe que ele mesmo fora alvo em 1998-1999.

Em 2009, justificou-se a eleição do senhor Malam Bacai Sanha em nome da derrota “mal digerida” face ao general João Bernardo Vieira em 2005.

– Em 2012, justificou-se a “interrupção” das eleições presidenciais em nome do golpe de que o senhor Kumba Iala fora alvo, em 2003, com mais um outro golpe.

– Em 2014, justificou-se, em parte, a eleição do senhor José Mário Vaz em nome do golpe (2012) de que ele também fora alvo (então ministro da economia e finanças).

Portanto, em 2019, nas próximas eleições presidenciais que se avizinham, será que o povo vai, mais uma vez, justificar os erros, fracassos e golpes em nome destes para premiar novo PR?

Enquanto passamos por esse processo, uma auto-avaliação do NOSSO PERCURSO HISTÓRICO torna-se necessária, porquanto essa avaliação poderia contribuir para ajudar que evitássemos os mesmos erros eleitorais,  em nome de outros males que possam justificar futuros males…

Portanto, penso que os 20 anos de sobressaltos constituem um tempo mais que suficiente para mudarmos o rumo das coisas…


Apenas uma opinião!

Por : Santos FERNANDES

4 comments

  1. Prof.Dr. Iaia Cuma disse:

    Valeu Santos, esta é uma das mais sadia reflexão se não a melhor em relação a situação política e social da Guiné-Bissau nos últimos 20 anos!! Parabéns maninho!!

  2. Wilmsn disse:

    Muitas das vezes Nós (guineense) justificamos o nosso falhanço com « ignorância do povo », na verdade o maior ignorante é aquelas pessoas que têm conhecimento mas depois passam informações maldosamente para os que não sabem.

    Infelizmente podemos correr esse risco de colher « mal justificado com males do passado » nas próximas eleições presidenciais

    Para finalizar, é para dizer que concordo com a sua opinião e merece toda atenção do público guineense e da Guiné-Bissau.

    Abraços

  3. Marlei Penaque disse:

    O povo da Guiné-Bissau sempre é um povo falhados temos varias oportunidades pra mudar a nossa Guiné,más sempre custa-nós muitos pra nós, vamos continuar pagar até quando mudança tem que existir num país que querem desenvolver neste século.fingindo não ver o mundo.o mundo está na nossa espera sempre?

  4. Ussumane Joãozinho Ufalá disse:

    Concordo plenamente, a outra questão é fazer a rotura de atual constituição da República, o nível de sistema de governo que temos formalmente na nossa constituição não conduna com a realidade sócio cultura e político do nosso país, muitos dizem que o sistema está bem, mas as pessoas que não percebam o sistema, se isso é verdade, então devemos procurar o sistema que as pessoas vão perceber, porque a final das contas o sistema de governo, deve corresponder a realidade de cada povo…..

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