Cipriano Cassamá­­: “NUNCA TRAÍ DOMINGOS SIMÕES PEREIRA, PELO CONTRÁRIO DEFENDI-O E DEI A MINHA VIDA AO PARTIDO”

O primeiro vice-presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Cipriano Cassamá, insurgiu-se contra o presidente do seu próprio partido, negando que alguma vez tenha traído Domingos Simões Pereira. Afirmou que, pelo contrário defendeu-o e deu a sua própria vida ao partido e ao seu líder em diversas ocasiões, mas sempre dentro de quadro legal, inclusive quando houve tentativa de o prender. Sustentou igualmente que não há nada que tenha feito no partido sem conhecimento de Domingos Simões Pereira ou da Comissão Permanente. Cipriano Cassamá fez esta observação no passado fim-de-semana, num encontro com os veteranos do partido libertador, no qual afirmou que tudo o que fez no partido foi do conhecimento de Domingos Simões Pereira.

Apesar de manifestar o seu respeito a combatentes da liberdade da pátria, Cassamá declarou que a sua candidatura às presidenciais de 24 novembro próximo “é irreversível”, alertando ao mesmo tempo que jamais desistirá da sua intenção, porque assim é que funciona e assim é que se faz política.

“DOMINGOS SIMÕES PEREIRA SABE MUITO BEM DA MINHA CANDIDATURA”

Afirmou igualmente não ter feito nada sobre a sua intenção de se candidatar às presidenciais de novembro próximo à margem dos estatutos do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo-Verde. E lembrou  que no congresso de Cacheu foi aconselhado a abdicar da liderança do partido a favor de Domingos Simões Pereira, mas foi bastante claro e relutante de que não conhecia o DSP. No encontro tido com os antigos combatentes da liberdade da pátria, Cassamá expressou o seu sentimento e o respeito aos veteranos da guerra e afirma ser um homem de princípios que há mais de quarenta anos no partido nunca traiu ninguém, por isso ameaça responder com a mesma moeda a quem o trair e humilhar.

“Sou militante do partido desde 1971. Nunca fui militante doutro partido e nem saí doutro para o PAIGC, que fique claro. Durante a convenção do PAIGC tive a oportunidade de falar pessoalmente com o presidente Domingos Simões Pereira e disse-me que a sua ambição política era ficar apenas na liderança do partido e Primeiro-ministro, não concorrer às presidenciais. Em resposta garanti-lhe que continuaria a ter a minha fidelidade total tanto a que teve em Cacheu como em qualquer momento”, explicou.

Sem entrar em grandes detalhes, Cipriano Cassamá afirmou que, quando manifestou a DSP a sua intenção de se candidatar às presidenciais, foi orientado pelo mesmo Simões Pereira para seguir certas orientações que não especificou, como também foi orientado por Domingos Simões Pereira a fazer contatos no exterior, no Comité Central e a Comissão Permanente do partido.

 “Portanto, apenas estou a fazer o meu trabalho e em todas as comissões deixei claro que sou candidato. No Bureau Político, na presença do presidente do partido e perante todas as pessoas que estavam na reunião,  deixei também claro que sou candidato às presidenciais. Fui pedido para assegurar o parlamento apenas por algum período, mas na altura deixei claro que a minha pretensão não era ser presidente do parlamento, mas obedecendo a princípios aceitei a proposta e quando a aceitei fiz  questão de entregar uma carta à  Comissão Permanente com uma mensagem muito clara de que sou candidato às presidenciais”, contou.

 O dirigente do partido dos libertadores disse ainda ter reafirmado a sua intenção a Domingos Simões Pereira durante uma audiência que ele próprio solicitou no dia em que ia à Angola para participar na Assembleia Parlamentar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), mas em reação DSP mostrou-lhe que tinha também o interesse em concorrer ao posto.

Face a esta situação, Cipriano Cassamá apela a maior responsabilidade dentro do partido e nega ter bloqueado em nenhum momento o funcionamento do parlamento, mas apenas cumpriu o que está na lei e na Constituição da República. Contudo, afirmou que não é único o dirigente ou guineense que pode assumir a Assembleia Nacional Popular. Mas fê-lo porque tem a honra e a dignidade e porque também tem bastante respeito aos combatentes da liberdade da pátria.

Em reação à acusação do Madem G15, Cipriano Cassamá afirmou que nunca “protegeu bandidos” no parlamento, mas protegeu, sim,  pessoas no parlamento e dentro do quadro legal, ou seja, dentro da lei e questionou por que razão não poderia ser útil na Presidência se os próprios antigos combatentes tiveram coragem de reconhecer que foi determinante e peça fundamente na ANP durante a crise política institucional.

Cipriano Cassamá defende, no entanto, que a justiça seja feita dentro do partido e acusa Domingos Simões Pereira de o colocar fora de circuito do partido e que, enquanto primeiro-vice presidente do PAIGC, nunca sabe das agendas de Domingos Simões Pereira, dos seus contatos ligados ao partido nem das suas siadas. E o mais grave faz carta e nomeia um substituto.

“Estão a dar bolsas a Cidade Santa de Meca sem conhecimento do primeiro vice-presidente e pedi informações, ninguém foi capaz de me contar o que exatamente está a acontecer. É justo funcionar assim?”, questiona Cipriano Cassamá. Referiu, contudo, se os veteranos da guerra quiserem estragar o partido, ele não está interessado em fazê-lo. Lembrou igualmente que no último congresso, o IX, abdicou mais uma vez de se candidatar à liderança do partido, deixando DSP ser único candidato numa única lista “a solidária” e ter ainda deixado operar algumas mudanças nos estatutos do partido.

“Bom se foi essa intenção de deixar alterar os estatutos do partido para depois me tratar mal, está a ser bem conseguida”, notou, assegurando que apesar da ambição de cada homem, nunca colocará em causa o interesse da nação, o de salvar o país. Sem apontar nomes, Cipriano Cassamá revelou que os deputados foram corrompidos para votar contra o programa de governação de Carlos Correia. Afirmou nesse sentido que é candidato tanto para respeitar a Constituição da República a espírito e a letra e deixar o governo legitimado nas urnas governar como também o de ganhar eleições e nomear Domingos Simões Pereira Primeiro-ministro como um ato de justiça e de reconhecimento, não de traição.

Em reação ao pedido dos antigos combatentes para se abdicar da corrida à Presidência da República, o primeiro vice-presidente do PAIGC esclareceu que nunca desistirá da sua luta, porque há figuras no partido que podem substituí-lo e conseguir exercer o cargo na ANP com sucesso, pois assim funciona o partido.

“Quando o seu nome foi rejeitado pelo Presidente José Mário Vaz, por que razão não enviou o nome do primeiro vice-presidente ou segundo, assim sucessivamente… Assumo que estou metido na luta de JOMAV por causa de do meu partido”, observou.

Cipriano Cassamá garante que não fará nada fora das leis internas do partido e quando decidiu candidatar-se às presidenciais teve a consciência clara que deverá  passar primeiro pelas primárias do partido.

Por: Filomeno Sambú

4 comments

  1. labo disse:

    “coitado dos combatentes!” sao citados em todas as ocasioes e ninguem faz nada por eles basta chegar ao poder “caput” acabou.

  2. Mais uma crise a vista nos libertadores com essa situação ou conflito entre Domingos e Cipriano que pode afectar a governação ou seja a x legislatura.
    Mais palavras para quê? MANTENHAS

  3. Juel disse:

    Só não consigo enxergar quando o povo entrará na história… O discurso no geral se assenta apenas nos interesses do partido e combatentes da liberdade da pátria. O que Azagaia chamaria de “combates da fortuna”. O país está nesta furada a quase cinco décadas e povo já cansou de fazer a mesma pergunta, até quando????

  4. A Guiné está coberto por bondade de Deus…

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