Região de Bafatá: SECRETÁRIO EXECUTIVO DA “ANAJOSA” DENUNCIA AMEAÇAS À SEGURANÇA ALIMENTAR

[ENTREVISTA agosto_2019] O secretário executivo da Associação Nacional de Jovens para a Segurança Alimentar (Anajosa), Caba Sambú, que intervém  especificamente na área da segurança alimentar e nutricional, denuncia que há grandes riscos à segurança alimentar na região de Bafatá. Segundo a sua explanação, tudo deve-se à má nutrição e às dificuldades relacionadas com acesso a alimentos. Sublinhou ainda que paradoxalmente, a região de Bafatá é uma das regiões da Guiné-Bissau com maiores potencialidades para fazer grande produção de alimentos, em duas épocas do ano (período das chuvas e da seca), o que poderia contribuir fortemente no combate e na redução da insegurança alimentar na região, graças às potencialidades agrícolas do Rio Geba.

Contudo, sustenta  que “infelizmente, na época seca a sua bacia é pouco explorada, com exceção da bolanha de Campossa e Contubuel”. Adianta ainda que “apenas algumas pequenas iniciativas privadas conseguem produzir na época da seca, por exemplo, a empresa Agro-Geba, que por inciativa própria, produz arroz”.  

ATIVISTA RECOMENDA AOS POPULARES A PRESERVAÇÃO E O BOM APROVEITAMENTO DO RIO GEBA (BAFATÁ)

Em relação aos serviços de ecossistemas florestais a nível da região de Bafatá, Caba Sambú lembrou que no período de transição, a região foi fortemente abalada pelo abate descontrolado de árvores. Revelou ainda que, no âmbito da estratégia montada para o escoamento dos troncos, presume-se que haja ainda indícios, embora a moratória de cinco anos ainda estar em vigor, possa existir pessoas a aproveitar-se dessa situação para o corte clandestino de árvores, violando todas as regras estabelecidas pelo governo.

“É um conjunto de problemas que temos estado a gerir, porque se não nos engajarmos fortemente, sobretudo no que tem a ver com a segurança alimentar, futuramente teremos problemas. Se não gerirmos bem as nossas florestas, teremos problemas de seca. Mesmo a nível  do nosso rio, o rio Bafatá, tem que haver uma intervenção rigorosa na gestão das suas águas”, alertou.

Caba Sambú referiu, no entanto, que na Guiné-Bissau existiam rios com grandes caudais, mas devido à ação do homem acabaram por se secar. Ou seja, a ação do homem sobre o ecossistema  marinho teve consequências nesses rios. Por isso, recomenda no sentido de o caudal do rio de Bafatá ser preservado e aproveitado da melhor maneira possível a favor as atividades agrícolas da população local.

Segundo Caba Sambú, apesar de parcos meios e da falta da capacidade de resposta aos desafios, a Anajosa perspetiva mobilizar parceiros no sentido de produzirem alimentos tanto na época das chuvas como no período da seca. Acrescentou que em dois mil e dezasseis (2016), a Associação Nacional de Jovens para a Segurança Alimentar lançou uma iniciativa piloto de produção de arroz na época seca, mas fracassou devido a dificuldades financeiras.

Apesar dessa iniciativa fracassada, Caba Sambú disse estar determinado na sua luta e anunciou que na próxima época seca, Anajosa vai lançar outra iniciativa semelhante na comunidade de Candemba Uri e em paralelo vai promover o projeto de cria de pequenos ruminantes e aves, introduzindo uma inciativa de granja avícola na mesma comunidade, para servir de elemento fundamental no equilíbrio e na melhoria da dieta alimentar e, consequentemente, reduzir o nível de má nutrição existente ao nível da região de Bafatá.

“Pouco a pouco temos estado a contribuir na mudança de mentalidade das pessoas”, assinalou o secretário executivo de ANAJOSA.

O ativista revelou ainda que, no âmbito da atuação da organização, descobriu que existem residentes em zonas banhadas pelo rio Geba com hectares e hectares de pomares de cajú que numa só campanha de comercialização, conseguem vender cinco a seis toneladas do produto, mas que o dinheiro resultante da venda desse produto é usado mal, mas poderia ser aproveitado melhor para a compra de  motobombas de um ou talvez dois milhões de francos CFA para o sistema de irrigação, para cultivar arrozais ou outros produtos no período da seca.

“Porque o cultivo da bolanha não tem grandes custos, apenas com uma moto-bomba e canais de irrigação bem-feitos a bolanha ficaria automaticamente inundada. Portanto, são conjuntos de técnicas que estamos a ensinar e colocar à disposição das pessoas no terreno no sentido de a população sentir que a solução, ou seja, ela própria pode ser solução para os diferentes problemas que as comunidades rurais enfrentam”, explicou.

Para Caba Sambú, é urgente as comunidades rurais sentirem que, através das suas iniciativas internas, podem ser úteis e remédios para vários problemas. Por isso, na sua perspetiva, a população rural tem de se engajar na preservação dos recursos florestais, ou melhor, dos ecossistemas tanto florestais como marinhos, através de uma gestão durável, permitindo que esses mesmos recursos sirvam também de sustento para as gerações vindouras.  

O secretário executivo da Associação Nacional de Jovens para a Segurança Alimentar (Anajosa) explicou também que a organização promove atividades no setor da agricultura, com um enfoque na produção de alimentos, controlo de qualidade dos mesmos e gestão florestal, enquanto uma das fortes componentes da segurança alimentar, isto é, em relação aos serviços de ecossistema florestal a nível nacional e do seu impacto na economia, alimentação e na própria nutrição. 

Em paralelo a isso, a organização atua em matéria da educação, sobretudo no concernente à alfabetização de adultos, com incidência nas mulheres. Consciencializá-las a praticarem mais atividades agrícolas nos seus mais variados domínios, enquanto pessoas que lidam mais tempo com crianças em casa.

Por: Filomeno Sambú

Foto: Cortesia de Quemo Dabó

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