Editorial: POLITIZAÇÃO DO MINISTÉRIO DO INTERIOR: UMA AMEAÇA À SEGURANÇA DO PAÍS

As sagas de nomeações baseadas em relações de pendor  parentesco, religioso e partidário,  fomentadas pelos nossos políticos medíocres nas últimas décadas, deixam os guineenses assustados. Regista-se a cada dia nos diferentes Ministérios, com destaque no Ministério do Interior,  em particular a nível das estruturas do Comissariado da Polícia de Ordem Pública, do Comando da Guarda Nacional e do Serviço de Segurança de Estado, nomeações questionáveis.  São removidos quadros técnicos do Ministério e substituídos por “militantes partidários”. 

No Ministério do Interior, à semelhança de outras instituições públicas, as suas estruturas deveriam ser dirigidas por quadros competentes e comprometidos em servir o país e o seu povo. Por isso é que as nomeações dos seus quadros bem como a atribuições de patentes deveriam ser feitas com base em critérios de competência e mérito, não por meio de bajulação,  relações étnicas e partidárias. 

O que se assiste hoje tanto no Ministério do Interior como noutros Ministérios [por exemplo o da economia e finanças]  e empresas de capital público deixa qualquer guineense intrigado com a falta de noção e sentido de responsabilidade da nossa classe política que, infelizmente, mais uma vez não consegue agir de forma diferente.  Demostram cada vez mais, através das suas atitudes, que continuam ensombrados por um sistema político podre sustentado pela incompetência e bajulação.

O fenómeno da partidarização das forças de seguranças com nomeações baseadas no “cartão” de militância partidária em detrimento do critério da meritocracia leva-nos para um caminho muito perigoso e com consequências imprevisíveis, sobretudo tratando-se de um setor sensível como o da segurança que deveria ser  privilegiado e dirigido por quadros altamente competentes, tendo em conta às ameaças de organizações criminosas e terroristas que escurecem a nossa sub-região e que requer uma resposta eficaz das estruturas do Ministério do Interior. 

Vivemos no passado recente e sentimos na pele a politização e etnização da Administração Pública e das forças de defesa e segurança que, infelizmente, até hoje estão a ser ofuscadas por esta prática perigosa. A politização ou etnização das forças da defesa e  segurança são fórmulas usadas por políticos despidos de visão para reinarem tranquilamente sob a protecção dos seus clãs. A grande verdade é que estas fórmulas usadas no passado recente para segurar o poder transformaram-se num instrumento de chantagem que faz dos políticos guineenses reféns dos generais das forças da defesa e segurança. 

Reativar os mesmos esquemas como um meio para tirar certos proveitos inconfessos é perigoso e capaz de pôr em causa a segurança bem como a paz social que ainda se encontra em fase de consolidação! Essa atitude “abençoada” pelo chefe do governo e quiçá por todos os partidos que constituem o executivo “mata” a esperança do povo guineense depositada nos atuais líderes políticos, que demostram as suas (in)capacidades de unir os guineenses divididos pela política e uni-los com o propósito de enfrentar um inimigo comum, a miséria que vem destruindo vidas.

Já não temos tempo para “brincadeiras de circo”, nem facilitismo, porque o desafio do desenvolvimento é gigantesco.  O executivo tem a obrigação de promover a competência de quadros nas instituições para assegurar a governação no combate ao tráfico da droga. O combate ao crime organizado deve ser dirigido pelos homens íntegros e competentes, não por pessoas com históricos duvidosos, sem  a mínima preparação técnica e académica.   

É chegada a hora de o país aproveitar o vento do desenvolvimento que sopra nos países da sub-região, se na verdade o nosso objetivo é fazer que a terra arranque definitivamente através de um motor que nunca mais pare! 

Por: Assana Sambú

Chefe de Redação

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