Opinião: EM HONG KONG, DEVE PREVALECER O ESTADO DE DIREITO E A ORDEM SOCIAL

As constantes manifestações em Hong Kong, muitas vezes violentas e algumas até se tornaram em tumultos, têm atraído atenção mundial. Alguns dos meus amigos guineenses me interpelam sobre o incidente, por isso acho oportuno apresentar o meu parecer com o intuito de esclarecer algumas dúvidas dos meus amigos e de caros leitores de O Democrata, visto que eu vivi por vários anos em Macau, um território vizinho da Região Administrativa Especial de Hong Kong (RAEHK).

É sobre a democracia?

A origem das manifestações deve-se a revisão dum decreto-lei que visa resolver a questão de impunidade dos crimes cometidos fora de Hong Kong e por conseguinte colmar uma lacuna legislativa no processo judicial penal. No entanto, essa iniciativa legislativa foi mal interpretada por uma parte de jovens e, consequentemente, bem aproveitada pela oposição de RAEHK. Uma das 5 “exigências” dos manifestantes diz respeito ao sufrágio directo do chefe executivo e dos membros da Assembleia da RAEHK, o que leva uma grande parte de Comunicação Social dos países ocidentais a denominar essas como “manifestações pro-democracia”.

No entanto, Hong Kong que nunca teve a democracia sob a administração colonial britânica, teve, depois de transferência de poder de 1997, uma oportunidade verdadeira em 2007 de poder eleger já em 2017 o seu chefe executivo através de sufrágio directo e infelizmente o projecto de lei que precisava da maioria 2/3(dois terços) para a sua aprovação teve o bloqueio dessa mesma oposição. Como é possível que os autoproclamados “democratas” votem contra um projecto de lei que traria mais democracia para Hong Kong?

É curioso que a oposição de Hong Kong que devia preocupar-se mais com os assuntos de Hong Kong estejam a posicionar-se categoricamente contra o governo central da China. Em vez de ser uma oposição responsável que contribui positivamente para o desenvolvimento e prosperidade de Hong Kong, tem sido uma força para desestabilizar Hong Kong e contrariar o Governo Chinês. A oposição sempre sonhou em “governar” Hong Kong, mas é mesmo aconselhável entregar_lhe a administração de RAEHK? Nas recentes manifestações já se soam mais slogans separatistas que defendem a “independência de Hong Kong”. Certamente não vamos correr o risco mínimo hipotecando a estabilidade e a prosperidade de Hong Kong.

E a Interferência Externa?

Hong Kong é bem conhecido pelo primado de lei e pela eficiência administrativa. Por isso é alarmante notar que as manifestações contenham um crescente componente de violência e ilegalidade, designadamente ataques aos agentes e postos policiais, manifestações não autorizadas, ocupação ilegal da sede da Assembleia, do Aeroporto, das estações, de Metro… até já se registaram casos de perseguição dos familiares dos agentes policiais incluindo os seus filhos nas escolas!

No entanto, essas mesmas manifestações receberam calorosos apoios dos governantes e políticos americanos. Os líderes da oposição e mentores das manifestações foram pomposamente recebidos pelos governantes em Washington, as declarações que elogiam e encorajam as manifestações, a líder dos congressistas americanos, Sra. Nancy Pelosi até elogiou-as como uma bela vista! Certamente os objectivos não justificam os meios, e a violência e os crimes devem ser repudiados por todos.

Os senadores, congressistas e governantes americanos poderiam aceitar a ocupação ilegal do Capitol Hill e do Aeroporto Internacional de Dulles em Washington? Duvido! É isso que se chama “duas medidas e dois padrões”! É isso que me faz lembrar da estratégia americana de “evolução pacífica”, das famosas “revoluções de cor” e da “primavera Árabe” que trouxeram para os respectivos países grandes transformações mais pela negativa do que pela positiva.

Se é isso que as autoridades americanas pretendem para Hong Kong, e que sirva como um bastião contra o Governo da China, penso que eles escolheram mal não só o adversário mas também o terreno!

Mas o que é que está mal, afinal?

As manifestações foram orquestradas pela oposição e encorajadas pelos EUA, mas há certamente um descontentamento dos manifestantes particularmente dos jovens. Esse descontentamento deve-se ao mau desempenho da economia de Hong Kong. Com o abrandamento da economia e o preço demasiado alto do sector imobiliário, os jovens de Hong Kong não vêem um futuro risonho.

A desaceleração de crescimento económico é efectivamente um fenómeno generalizado das economias desenvolvidas e encontramos situações semelhantes nos outros “pequenos dragões”— Singapura, a província de Taiwan e a Coreia do Sul. E mais ainda, com o alto crescimento económico das outras províncias da China, Hong Kong tem vindo a perder o seu estatuto especial de ser a única porta de entrada do mercado chinês. As consecutivas manifestações e a sua consequente instabilidade não constituem de maneira nenhuma solução para o problema. A saída reside em reforço do centro financeiro internacional e do primado de lei, bem como na criação de novos pólos de desenvolvimento apostando fortemente em inovação.

Em suma, a solução passa obrigatoriamente pela maior integração na economia chinesa.

Por: Jin Hongjun

Embaixador da República Popular da China na Guiné-Bissau 

Bissau, 10 de Setembro de 2019

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