SINDICATO DE PROFESSORES DEFENDE NULIDADE DO ANO LETIVO TRANSATO NAS ESCOLAS PÚBLICAS DO PAÍS

O vice-presidente do Sindicato Democrático dos Professores (SINDEPROF), Eusébio Có, afirmou no passado dia 30 de setembro de 2019, que, enquanto técnico ligado ao setor,é de opinião que o ano letivo transato 2018/2019 deveria ser invalidado e assim permitir que o executivo, em colaboração com todos os parceiros que atuam no sector educativo,  trabalhem  no novo ano letivo, iniciando no mês de setembro de forma segura para ter um ano letivo 2019/2020 completo.  

Eusébio Có fez esta observação numa entrevista exclusiva ao semanário O Democrata para falar da reabertura do ano escolar 2018/2019 que havia sido interrompido devido às sucessivas paralisações dos dois sindicatos da classe, mas que por decisão do governo deverá agora estender-se  até dezembro do ano em curso. 

Segundo Eusébio Có, os sindicatos dos professores decidiram envolver-se seriamente e estarem mais  benevolentes, porque a única coisa que governo conseguiu  fazer foi pagar dois meses  de salários aos professores novo ingresso e dois meses aos contratados e a implementação da careira docente a partir de  setembro, mas de acordo com Eusébio Có,  até à produção deste artigo, o processo não tinha começado, ou seja, não estava a ser  uma realidade.

“Os professores realmente responderam ao apelo dos sindicatos e voltaram às salas de aulas para fazerem os seus trabalhos. Apenas os alunos não estão a comparecer em massa nas escolas públicas. Mas mesmo assim vamos continuar com a mesma  dinâmica, marcando as nossas presenças e esperar o evoluir da negociação entre sindicatos e o patronato, neste caso, o ministério da educação, para se não dizer depois que somos radicais, portanto abrimos a porta para negociar”, indicou.

Porém, apesar das  posições tomadas em diversos momentos, Eusébio Có afirmou que o sindicato que representa está muito preocupado com a situação do ensino na Guiné-Bissau na medida em que as escolas públicas estão a perder alunos cada dia que passa e teme que no futuro os estabelecimentos do ensino público fiquem desertos se a situação que durajá há uma eternidade se mantiver.

Para Eusébio Có, o cumprimento cabal do memorando de entendimento assinado entre governo e sindicatos e falta de comparência dos alunos nas escolas não será motivo para sua organização voltar a paralisar as escolas públicas e defende que os professores não são culpados por tudo o que se passa nas escolas públicas e responsabiliza o governo por não ter criado a motivação para os alunos voltarem às salas de aulas.

“O governo viu que a situação de ensino está muito degradada e não fez nada para evitar essa situação. Nós estamos aqui  apenas para lecionar e não vamos atirar paus à vaca moribunda, porque acabamos por ser cumplices de uma situação que não é da nossa responsabilidade, portanto a melhor forma de evitar essa complicação é não tocar na vaca”, enfatizou. 

Eusébio Có  informou ainda ao jornal O Democrata que neste momento em todo o território nacional os professores participam em massa nas salas de aulas, apesar de nem todas as escolas reunirem as condições necessárias para funcionar nesta época chuvosa, uma situação  associada à falta de presença dos alunos nas escolas, com exceção dos  do 12º ano que  estão apenas preocupados em concluir o ano letivo e prosseguir os seus estudos superiores  tanto no país como no estrangeiro, deixando de lado a componente mais importante, que é a qualidade do ensino que estão a ter.

Por: Aguinaldo Ampa

Foto: A.A      

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