Com apoio da polícia internacional: POLÍCIA JUDICIÁRIA INTENSIFICA LUTA CONTRA CARTEL DE DROGA E SEUS CORRIDORES NA GUINÉ-BISSAU

[REPORTAGEM_Outubro 2019] O cartel de droga colombiano com ligações à organização terrorista que opera na África do Norte (Al-Qaeda do Magreb), através das suas células no Mali e no Níger, usa o território guineense para a passagem de estupefacientes para depois serem transportados para alguns países da África e da Europa. A célula do referido cartel desmantelada pela Polícia Judiciária guineense em setembro último através da operação “Navarra” descarregou no país cerca de duas toneladas da cocaína.

Mil oitocentos sessenta e nove (1869) quilogramas de cocaína apreendidos no dia 02 de setembro último e incinerados pelas autoridades na presença da comunidade internacional e da media pertenciam ao cartel colombiano que opera na África Ocidental e do Norte. A droga saiu, segundo fontes policiais, da Colômbia para Venezuela, transportada de barco para a Guiné-Bissau e feito o transbordo no alto mar (águas territoriais guineenses).

A célula no país encarregou-se do transbordo do produto no alto mar para o porto de Dabatiar, no setor de Bula, região de Cacheu no norte do país. A descarga da droga foi feita por jovens nacionais da confiança do grupo, contratados para realizar a operação, e foram supervisionados por colombianos.

CARTEL DE DROGA DESMANTELADO PELA POLÍCIA OPERA HÁ SETE ANOS NO PAÍS

O cartel desmantelado pela Polícia Judiciária em colaboração com outras forças policiais de diferentes países bem como a Interpol, UNODC e a DEA dos Estados Unidos de América tinha uma célula muito bem segmentada, de acordo com as informações recolhidas de fontes fidedignas. Atingiu diferentes estruturas das instituições governamentais, privadas, do exército, da segurança, do Comando da Guarda Nacional, da Brigada Costeira e inclusive do Poder Judicial, onde o cabecilha do cartel no país tinha infiltrada uma pessoa que se encarregava dos “dossiês” ligados aos membros do cartel.

O grupo dos traficantes que opera entre a África Ocidental (Guiné-Conacri, Mali e Níger) e da África do Norte começou a intensificar as suas ações na Guiné-Bissau a partir de 2012, ou seja, operava no país há sete anos através de uma estrutura coordenada internamente pelo luso guineense, Braima Seide Bá.

O grupo aproveitou a ‘morte’ do outro cartel colombiano que era dirigido por Juan Pablo Camacho, desmantelado em 2009 na operação “SOMEC”, na qual foram apreendidas armas de fogo, munições e um mapa cartográfico que indicava a localização da residência de altas chefias militares e titulares de órgãos da soberania. A ‘morte’ do cartel representado por “Camacho” permitiu a instalação do cartel de Braima Seide Bá e Ricardo Ariza Monjes (Ramon), apelidados pelos serviços da inteligência policial de “Barrões” da droga em África.

O cartel representado na Guiné-Bissau pelo luso guineense, Braima Seide Bá, desde o pretérito ano 2008, usou o território nacional para a passagem da droga por meio de vários canais, desde jatos que aterravam em pistas improvisadas e por via marítima. Uma das ações deste cartel, recordada pela nossa fonte, foi a aterragem de uma avioneta na estrada que liga a aldeia de Amedalai e Zugudul em 2012 (sector de Mansoa), onde foi descarregada uma quantidade de droga, segundo a explanação da fonte da polícia.

A polícia judiciária naquela altura (2012) efetuou buscas para apreensões dos suspeitos do tráfico de droga no país e deteve cinco cidadãos colombianos, dentre os quais Jonh Fredy Valência Duqui, tido como um dos “pensadores” do cartel na Guiné-Bissau. Os cinco cidadãos colombianos detidos naquela época por suspeitas de tráfico de droga no território nacional foram mais tarde libertados e fugiram do país.

Jonh Fredy Valência Duqui voltou mais tarde ao país, através de Braima Seide Bá, com o intuito de agilizar as ações da célula e depois de vários anos voltou a ser detido pela PJ na madrugada do dia 01 de setembro do ano em curso, no âmbito da Operação “Navarra” no bairro de Quelele. Ele (Fredy) era um dos suspeitos da PJ e estava sob a vigilância da polícia na sequência da entrada de uma certa quantidade da droga no país.

PORTO DE DABATIAR EM BULA USADO PARA DESCARGA DE DROGA

Os pontos de descarga de droga usados pelos traficantes eram as ilhas através de barcos ou a droga era lançada por aviões no mar, bem como antigas pistas no sul do país [região de Tombali, antiga base aérea de Cufar usada para descarga da droga entre 2006/2008] e depois a região de Biombo, onde uma grande quantidade foi lançada no mar. Devido à perseguição recorrente das forças policiais, os traficantes mudaram a estratégia e desta vez fazem-na, usando o porto de Dabatiar.

Uma zona da qual as autoridades não suspeitavam, mas os serviços da inteligência da Polícia Judiciária, de acordo com as nossas fontes, tinham informações da entrada de uma grande quantidade da droga no país por via marítima, mas não sabiam onde tinha sido descarregada. Para acompanhar as operações dos traficantes, seguiram alguns cidadãos nacionais e estrangeiros suspeitos e sob a vigilância, o que levou à detenção de alguns deles logo na madrugada do dia 01 de setembro em Bissau, nos bairros de Penha e Quelelé. 

O produto (droga) descarregado no porto de Dabatiar foi transportado do mar por uma lancha rápida (bote) que tem uma potência de 1500 kva, a partir de um barco no alto mar (águas nacionais) e descarregado naquele porto, onde foi retirado em viaturas para ser estocada nas cidades de Canchungo e Caió.

A primeira carga foi guardada numa casa arrendada pelo cidadão luso guineense, Braima Seide Bá, suspeito de tráfico internacional de droga e dado como fugitivo e o seu sócio, o cidadão colombiano, Ricardo Ariza Monjes (Ramon), contra quem a Interpol e outros serviços de polícia de combate à droga emitiram o mandado de captura internacional. A casa encontra-se no bairro de Binhante Madina, antes da Aldeia SOS de Canchungo para quem sai da capital Bissau.

Foram retirados daquela casa, 1605 kg de cocaína escondidos numa parede falsa. A droga era vigiada pelo cidadão nacional Avito Domingos Vaz detido no local pelos agentes da Unidade de combate à droga. Outra carga estimada em 264 kg de cocaína, a primeira descoberta, foi guardada na casa de Braima Seide Bá, na cidade de Caió.

Um dos membros de família de Braima Seide Bá [que se identificou como o tio de Braima], residente em Caió, confirmou a’O Democrata que os agentes da Polícia Judiciária retiraram da casa do seu sobrinho vários pacotes de droga que lá estavam escondidos. Contudo, confessou que não conhece cocaína, apenas viu os agentes a retirarem sacos da casa e que lhes disseram que era droga.

“Como viu, eu moro em frente à casa do meu sobrinho. Confesso que não sei de nada e muito menos se é ou não traficante de droga ou que escondia a droga aqui. Aliás, ele não costumava vir aqui, apenas vinha algumas vezes com a família para alguns dias e depois voltava. Eu estava presente no dia da apreensão da droga nesta casa e o meu sobrinho, Saido Seide Bá, irmão mais velho de Braima Seide Bá, também estava em casa. Ele (Saido Seide Bá) vive sozinho nesta casa e foi levado pela polícia no mesmo dia, mas nunca mais voltou”, relatou.

Questionado se via frequentemente movimentações de viaturas para descarregar o produto ou se constatava a presença de brancos (colombianos ou mexicanos) naquela casa, respondeu que não. E explicou que a casa sempre estava fechada e que nem mesmo os familiares próximos frequentavam-na. Apenas uma pessoa morava lá.

“Não vimos nenhuma descarga de embalagens retiradas naquele dia pelos agentes da polícia e nem sabíamos se estavam na casa. Também não vimos a presença de brancos. Eu sou velho e não costumo sair, mas garanto que não vi a presença de brancos aqui”, contou.

DINÂMICA DE TRAFICANTES ULTRAPASSA A POLÍCIA GUINEENSE QUE FAZ INVESTIGAÇÃO TRADICIONAL

O Democrata soube junto da fonte do Ministério Público e de outra da Unidade de Combate a Droga da Polícia Judiciária, que os traficantes tiveram garantia de proteção das pessoas ligadas ao poder e ao exército que permitiram o descarregamento da droga no porto de Dabatiar. Porém, a fonte de O Democrata não avançou nenhum pormenor relativamente a um eventual envolvimento de pessoas ligadas ao poder e de altos oficias do exército bem como da Brigada da Guarda Fiscal e do Comando da Guarda Nacional, porque o caso se encontra ainda na fase de investigação.

Os narcotraficantes, de acordo com as informações avançadas por um magistrado do Ministério Público que pediu anonimato, para operacionalizarem as suas atividades no país, trabalharam com alguns cidadãos nacionais que serviram de “ponte” com as pessoas ligadas ao poder, bem como algumas figuras do exército guineense e de outras corporações de segurança, que deram “bênção” ou proteção aos traficantes, permitindo assim a entrada dos produtos narcóticos no país.

“Os traficantes entram no país como empresários que fazem prospeção do mercado nacional para investimento. Quando se instalam no país o que fazem primeiramente é estudar a estrutura do Estado para conhecer os titulares dos órgãos repressivos e quem são as pessoas próximas desses órgãos. Entram em contato com essas pessoas e estas por sua vez conduzem-nos para os responsáveis ou titulares dos órgãos de Estado para estabelecer contatos. Usam grande quantidade do dinheiro para comprar o silêncio dos responsáveis que por sua vez, garantem a proteção dos produtos dos traficantes a fim de usarem o território nacional para a passagem da droga para a Europa”, contou o magistrado.

Avançou ainda que qualquer investigador criminal sabe que uma grande quantidade da droga não pode entrar num país sem conhecimento ou a proteção de alguns responsáveis máximos do país, tendo sublinhado que é preciso muita coragem e determinação da Polícia Judiciária e inclusive dos magistrados que conduzem o processo a fim de chegarem aos responsáveis máximos, que, segundo disse, abusaram das suas funções para facilitar a entrada daquela quantidade de droga em território nacional.

“Qual a dificuldade da investigação na Guiné-Bissau? Porque é que a Polícia Judiciária não chega à cúpula? Porque são eles quem conduzem a investigação…O governo infelizmente não criou condições de trabalho para o poder judiciário, porque em qualquer parte do mundo para combater a droga e grandes crimes são indispensáveis aparelhos de escuta e da recepção telefónica. A polícia e o Ministério Público fazem uma investigação muito tradicional, mas é do conhecimento de todos que a dinâmica dos criminosos nos ultrapassou muito”, espelhou o magistrado, que acusou ainda o governo de negar comprar os referidos materiais para facilitar o trabalho da Polícia Judiciária.   

COLOMBIANOS DA CÉLULA INTERNA DETIDOS PODEM REVELAR “CARAS” DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS E PRIVADAS

No âmbito da operação “Navarra”, a polícia deteve seis cidadãos guineenses, incluindo os dois irmãos de traficante fugitivo, Braima Sede Bá. Trata-se de Mussa Seide Bá e Saido Seide Bá, este último vivia na Europa. Os restantes cidadãos nacionais detidos nesta operação e suspeitos do tráfico de droga são: Domingos José Biaguê, Apolinário Mendes, Avito Domingos Vaz e José Henrique, piloto da lancha rápida (bote) usada para o transporte da droga do alto mar para o porto de Dabatiar.

Os seis cidadãos nacionais detidos são todos considerados pela polícia de operários, ou seja, pessoas contratadas para a prestação de serviço e que não têm nenhum papel no cartel. A polícia deteve igualmente cinco cidadãos estrangeiros suspeitos de tráfico da droga na Guiné-Bissau, designadamente: Armando Forero Ortiz, colombiano; Jonh Fredy Valência Duqui, colombiano; Pedro Nel Mahecha, colombiano, Abdulai Coulibaly, maliano e mais um cidadão mexicano. Entre os colombianos detidos, cada um tinha um papel específico que desempenhava internamente ao serviço do cartel, sob a coordenação de Braima Seide Bá, representante recepcionista interno da droga e Ricardo Ariza Monjes (Ramon), que segundo a Polícia Judiciária, era o representante do cartel na África.

Ricardo Ariza Monjes, conhecido no mundo do tráfico por Ramon (um dos barrões da droga em África), de acordo com a polícia, é um dos suspeitos envolvidos no pouso de um Boeing 727 com drogas no norte de Mali, em 2009. O caso é apelidado pela imprensa maliana na altura de “Affair Air Cocaïni”. E durante aquele período, Ramon, de nacionalidade colombiana, vive entre Conacri e Bissau.

Em Bissau obteve uma residência “Tipo P”, n.° 22076/2018, emitido pelo ministério da Administração Interna através dos Serviços de Estrangeiros e Fronteiras, em 29 de Janeiro de 2015. No âmbito da operação “Navarra”, Ramon é suspeito do tráfico internacional de droga no país, associação criminosa e o branqueamento de capital na Guiné-Bissau, mas o traficante conseguiu fugir no dia da operação. A Polícia e a Interpol emitiram um mandado de captura internacional contra o traficante. 

A segunda figura do cartel no país é o luso guineense, Braima Seide Bá, que, segundo a fonte da polícia, coordena todo o trabalho e é o contato do seu grupo na Guiné-Bissau. O traficante é tido pelos serviços da inteligência da polícia como “Barrão” da droga na África, juntamente com o seu sócio, Ricardo Ariza Monjes. O luso guineense fora igualmente detido várias vezes no país sob a suspeita de diversos crimes, entre os quais, a primeira em 2008, por posse da cisterna de combustível de avião (JET), que no entendimento das autoridades na altura era usado para o abastecimento de avionetas que pousavam no território nacional com droga.

Braima Seide Bá voltou a ser detido pela PJ em dezembro de 2014, pelo crime de sequestro de um individuo, que, segundo a polícia, tinha levado certa quantidade da droga do cartel de Braima Seide Bá, mas recusou pagar. Um grupo comandado por Braima Seide Bá sequestrou o jovem e torturou-o, mas a PJ deteve o luso guineense naquela altura e que mais tarde acabaria por ser libertado pela justiça guineense.

Outra figura influente do cartel detido pela PJ nesta operação trata-se de Armando Forero Ortiz, que, de acordo com as informações apuradas, ocupava-se dos contatos com as estruturas do Estado e personalidades influentes do país. Ainda de acordo com as informações, Ortiz, para além do tráfico de droga, é acusado ainda do crime de branqueamento de capitais, através da empresa de que é sócio, AVISUL, SARL, a empresa de produção e comercialização de aves de capoeira.

Uma fonte da polícia confidenciou a’O Democrata, que este traficante tinha os nomes de algumas figuras ligadas às instituições públicas e privadas na sua folha do pagamento. A Polícia Judiciária deteve Armando Forero Ortiz com uma soma em dinheiro estimada em 20 milhões de Francos CFA (aproximadamente, 31 mil Euros), valor que usava para os efeitos de contatos e outras despesas.

A fonte informou ainda que Pedro Nel Mahecha Marentes, outro cidadão colombiano detido nesta operação, é um especialista na construção dos fundos falsos em viaturas e outros meios de transporte. E foi contratado para preparar veículos que iriam transportar a droga do país para fora. A PJ deteve o Pedro Nel Mahecha Marentes na posse de quatro mil Euros, correspondentes a 2.600 000 (dois milhões e seiscentos mil) Francos CFA.

O Democrata apurou neste particular que no âmbito desta operação, a Unidade de combate à droga deteve 17 viaturas de diferentes marcas, a maioria de luxo. Bem como um bote com uma enorme capacidade. Uma das 17 viaturas apreendidas foi tirada da casa de uma mulher que trabalha numa das agências das Nações Unidas, em Bissau e que segundo a polícia é uma das “esposas” do traficante Braima Seide Bá. A fonte da Polícia Judiciária, informou ainda que a esposa do traficante alega que é proprietária legitima da viatura, mas, não conseguiu apresentar à polícia nenhum documento que comprova que ela é a dona da referida viatura.

Outra viatura (Range Rover) azul escuro apreendida na casa do ex-ministro Orlando Viegas, de acordo com a fonte da Interpol, faz parte das duas viaturas roubadas em Itália e que a célula do cartel usava em Bissau, mas que acabou por parar nas mãos daquele antigo governante, que também não conseguiu apresentar à polícia os documentos que comprovam que é proprietário legitimo daquela viatura (Range Rover) avaliada em cerca de 20 milhões de Francos CFA.

As viaturas apreendidas no âmbito desta operação e outros materiais móveis e imóveis usados pelos traficantes, de acordo com as informações, serão identificados bem como apreendidos e serão revertidos ao favor do Estado guineense e distribuídos para as corporações policiais e outras entidades do combate ao crime.

A perda dos materiais apreendidos no tráfico de droga a favor do Estado foi confirmada pelo Procurador-Geral da República, Ladislau Embassa, durante uma entrevista a’O Democrata publicada na Edição N° 331, na qual afirma que “todos os bens móveis e imóveis em conexão com a atividade do crime em causa (tráfico de droga) vão ser apreendidos e solicitado ao juiz do processo o seu perdimento a favor do Estado”.  Sublinhou, no entanto, que é importante existir sinergias entre o Ministério Público e a Polícia Judiciária, porque “é o que decorre da lei”.

NARCOTRAFICANTES CRIAM EMPRESAS DE “FACHADA” COM GUINEENSES PARA LAVAGEM DE DINHEIRO

Os narcotraficantes para facilitarem as suas atividades no país avançaram com a criação de empresas de comercialização de produtos alimentícios, comercialização da castanha de caju, madeira e os seus derivados, pesca industrial e artesanal. Durante a investigação levada a cabo pela PJ, suspeitou-se do envolvimento das três empresas nacionais nos crimes da prática de tráfico de droga, associação criminosa e o branqueamento de capitais, que são: GB Intercontinental LDA; Palmeiras Company Impor & Export – Busines Center, SARL e AVISUL, SARL.

O Democrata soube que a Empresa GB Intercontinental foi registada no Ministério da Justiça e constituída em 20 de agosto de 2010. O proprietário da empresa é o cidadão luso guineense, Braima Seide Bá, declarado “Barrão” de droga pelas autoridades policiais. No entanto, a GB Intercontinental faz atividade do comércio de produtos alimentícios, arroz, óleo alimentar e comercialização da castanha de caju.

A empresa “Palmeiras Company Import & Export – Busines Center, SARL”, também suspeitada dos crimes acima mencionados, é uma sociedade devidamente registada no Centro de Formalização das Empresas da Guiné-Bissau, a 11 de janeiro de 2019. É administrada pelo cidadão colombiano, Ricardo Ariza Monjes (Ramon), igualmente declarado “Barrão” de droga também com mandado de captura internacional emitido pela Interpol em colaboração com as entidades policiais guineenses pelo envolvimento no tráfico de cerca de duas toneladas da droga no país.

O colombiano Ricardo Ariza Monjes tem como o co-proprietário da empresa o luso guineense, Braima Seide Bá. A empresa localiza-se na Avenida dos Combatentes da Liberdade de Pátria, concretamente no Bairro de Hafia, no edifício de dois pisos pintado amarelo. A empresa faz atividades de importação e exportação dos géneros alimentícios, a comercialização da castanha de caju, pesca industrial e artesanal, turismo, exportação de madeiras e seus derivados, bem como a venda a grosso e a retalho de produtos.A terceira e a última empresa acusada da prática de tráfico de droga, associação criminosa e branqueamento de capitais é a empresa AVISUL, SARL. É uma empresa devidamente registada sob o número 0111. E foi criada a 24 de agosto de 2011.  A Avisul, SARL localiza-se no bairro de Empantcha e opera nas áreas de produção e comercialização de aves de capoeira, bem como a venda de frangos de carne e ovos de consumo.   

O proprietário da empresa é um cidadão nacional, Umaro Baldé, com a residência em Bissau, no bairro de Empantcha e de acordo com as informações apuradas, a PJ não tem ainda nenhum indício do seu envolvimento no tráfico de droga, mas a polícia prossegue com os trabalhos da investigação. Um dos sócios da empresa chama-se Armando Forero Ortiz, detido pela Polícia Judiciária por suspeitas de tráfico de droga e do crime de branqueamento de capital.

Por: José Augusto Silva

Correspondente de O Democrata

2 comments

  1. Luisa Piette disse:

    Parabéns, José Augusto Silva, por este artigo tão bem escrito e informativo! Esta informação permitirá tanto às autoridades como a todos os guineenses (que queiram ajudar a eliminar esta maldita ligação da Guiné-Bissau com cartéis de droga da Colômbia e do México) uma base para levar a cabo um trabalho sério, que incluirá angariação de fundos junto aos cidadãos nacionais e às autoridades internacionais contra o tráfico de drogas, para abastecer e modernizar os recursos da Polícia Judiciária Nacional!

  2. Maria Moura disse:

    Com todos esses indícios, esperamos que se de condições a PJ pra facilitar seu trabalho é muito importante sabermo que o tráfico afeita grandemente a nossa sociedade ,nossos filhos e netos terão graves problemas amanhã si não paramos hoje e se prendam todos os envolvidos força PJ e Interpol ADE acabem com esses malfeitores

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