Eleições presidenciais: CONFISSÕES RELIGIOSAS DA GUINÉ-BISSAU APELAM AO RESPEITO DA VONTADE POPULAR NAS URNAS

As três confissões religiosas do país, nomeadamente: a Igreja Católica e o Conselho das Igrejas Evangélicas e as três associações da religião muçulmana (Conselho Nacional Islâmico, Conselho Superior Islâmico e Associação dos Imames da Guiné-Bissau) apelaram esta sexta-feira, 01 de novembro de 2019,  aos  responsáveis dos órgãos da soberania e dirigentes políticos a respeitarem a vontade do povo manifestada nas eleições. Como também respeitar as leis do país, “instrumentos orientadores de como se deve viver em democracia”.

O apelo das três confissões, as igrejas católica e Evangélica e as três associações da comunidade muçulmana, foi tornado público numa mensagem  dos líderes religiosos lida por Dom José Camnate Na Bissign, Bispo de Bissau, por ocasião  das eleições presidenciais de 24 de novembro. Na mesma mensagem, os representantes religiosos da Guiné-Bissau deixaram uma mensagem  de reflexão  escrita em crioula da Guiné-Bissau:- Garandis Kuma “ fidju de si n´sibiba nunca ka padidu” (pensar antes de agir).  Ou seja, querem com esta frase transmitir que as ações dos dirigentes políticos devem ser antecedidas de fortes reflexões para o bem-estar do povo.

“Se há uma vontade manifestada pelo povo e há um governo saído de eleições, esse governo deve merecer respeito de todos e deixa-lo trabalhar durante o perídio para qual foi confiado a governação do país. Além de respeitar a vontade do povo, as leis do país também devem ser respeitas, porque são instrumentos orientadores de como se deve viver em democracia”, lê-se na mensagem conjunta. 

No mesmo documento, os líderes religiosos avisam que com o aproximar-se do novo pleito “ está a fazer aparecer alguns sinais e fatos preocupantes com as tendências  vincadas  de instrumentalização  religiosa étnica, uso frequente  de linguagem de violação e desrespeito dos princípios democráticos ”. 

Como também recurso à difamação  e desinformação  e a “vontade deliberada de dividir para reinar”. Enfim, ou seja, seguir a lógica segundo a qual, “os fins justificam os meios”.

Ao povo guineense, em particular os eleitores, pedem que, como no passado, demostrem novamente o seu tradicional espírito patriótico e o elevado grau de civismo e a sua participação ativa e democrática no dia da votação. Em relação aos candidatos concorrentes, recomendam que, diante dos resultados, saibam aceitá-los com o espírito de Far Play democrático e que em caso de contestação recorram unicamente às vias legais, que a lei lhes reserva.

Os apelos foram também extensivos aos profissionais de Comunicação Social, sobretudo no concernente ao respeito a sua deontologia profissional e que através da sua informação estimule a disciplina, a ordem, o respeito do outro, favorecendo um clima de justiça e paz social. 

À Comunidade Internacional, que continue a manifestar a sua uniforme solidariedade para com o povo da Guiné-Bissau e, consequentemente, permitir que num futuro próximo a nação guineense esteja em condições de assumir seu lugar nesta rede de cooperação internacional.

Por: Filomeno Sambú

Foto: Marcelo Na Ritchi

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