Carnaval’2020: REGIÃO DE CACHEU VENCE DESFILE NACIONAL E LEVA PRÉMIO DE SEIS MILHÕES DE F.CFA

A região de Cacheu, norte da Guiné-Bissau, foi a grande vencedora do desfile nacional de carnaval 2020 na categoria de grupos, com 16,9 pontos e levou como prémio seis milhões (6.000.000) de Francos CFA. Em segundo lugar figurou a região de Quinará, sul do país, com 16,7 pontos e terá o direito a um prémio monetário de quatro milhões e meio (4.500.000) de Francos CFA. Na terceira posição, com 16, 6 pontos, ficou “Tchon de Papel Varela”  com o prémio  de dois milhões (2.000.000) de Francos CFA.

Na categoria de máscaras, a máscara N°. 21 de Bubaque liderou a lista de posições com 17 pontos e deve receber como prémio oitocentos mil (800.000) Francos CFA. Segundo classificado na mesma categoria foi a máscara N.° 28 do Bairro de Quelele com 16.5 valores e terá como prémio Seiscentos mil (600.000) Francos CFA. Em terceiro lugar figuram duas máscaras que tiveram a mesma pontuação de 15.2 pontos. Trata-se das máscaras N.° 08 de Quinará e 25 de Bolama. O prémio para o terceiro lugar na categoria das máscaras foi fixado em quatrocentos mil (400.000) Francos CFA.

A nível de rainhas não houve premiações. Contudo, as rainhas  de diferentes grupos concorrentes  foram críticas nas  suas mensagens, sobretudo em relação à atual situação política, à injustiça social e ao abandono a que algumas zonas do país foram submetidas. Apelos à união no seio dos guineenses, à exploração racional dos recursos do país e à proteção da biodiversidade e de valores culturais também não escaparam àobservação das rainhas.

Foram ao todo 12 grupos finalistas no desfile nacional de carnaval 2020, nomeadamente: a região de Oio (norte),  a região de Cacheu (norte), o grupo UNDEMOV das pessoas com deficiência, a região de Bolama Bijagós (zona insular do país), a região de Bafatá, a região de Gabú, ” Tchon de Papel Varela” (Bissau), o setor de Bubaque ( ilhas), o grupo cultural “Íris de Brá” (Bissau), a região de Biombo (norte), a região de Quinará e a região de Tombali, ambos no sul da Guiné-Bissau.

Cada grupo tinha 25 minutos para apresentar todo o trabalho preparado para desfile. Os grupos começaram a desfilar quando eram 18 horas e seis minutos no Estádio Nacional 24 de Setembro e só perto da meia-noite terminaram o concurso carnavalesco.

FILME DO DESFILE NACIONAL DO CARNAVAL 2020

O estádio nacional 24 de setembro de quinze mil espetadores foi o palco para a materialização do desfile de carnaval nacional que teve inicio às 18 horas e seis minutos com a atuação da banda musical da força aérea nacional. Foram doze grupos de diferentes regiões que compõem o território guineense, num ambiente de muita diversão e tranquilidade. Não houve incidentes de relevo que pudessem merecer motivos de grande reportagem.

As forças de segurança destacadas pelo Comissariado Nacional da Polícia da Ordem Pública (POP) tiveram controlo da situação e no estádio todo o mundo estava sentado comodamente a contemplar o ambiente com muita tranquilidade.  As equipas da cruz vermelha e dos Bombeiros Humanitários não tiveram praticamente grandes transtornos, devido ao civismo dos carnavalescos. Novidade ou não, a equipa de ambiente que esteve no terreno cuidou bem do estádio, recolhendo  minuto a minuto o lixo ou sacos plásticos que estavam no campo.    

Como não podia faltar, presente estava o secretário de Estado da Cultura, António Spencer Embaló, que não escondeu a sua satisfação e mostrou-se realizado por conseguir levar o desfile nacional ao estádio da independência que teve uma lotação de mais de treze mil guineenses. Ao seu lado, estiveram os seus homólogos doGoverno, o ministro da Educação Nacional, Dautarim Costa, o secretário de Estado do Desporto e a ministra Adiato DjalóNandigna. (consistência: função  + nome)

Durante o desfile, essas figuras do governo não cansaram de rir e de vez enquanto soltavam gargalhadas ou ficavam pelomurmúrio cada vez que se ouviam gritos de emoções na pista, pelas habilidades raras que elementos dos grupos exibiram. Apreciavam o desfile e comentavam a apresentação dos grupos regionais,pareciam  entender tudo da tradição de cada etnia que  se apresentava.  

Não cansaram de bater as palmas. Tambémfaziam gestos para explicar algo. Enquanto Spencer Embaló bebia água, Dautarim Costa passava o lenço no rosto. No terreno, um dos grupos concorrentes composto por jovens fez uma exibição extraordinária. Os jovens montavam-se uns nos outros para formar uma torre humana, tendo no cume uma criança. Ao observar a situação, António Spencer Embaló não segurou a emoção que carregava e gritou de pânico com as mãos na cabeça, talvez por medo que caíssem e se machucassem. Depois deste soberbo espetáculo, levantaram-se todos e aplaudiram a sorrir.

Os sete júris presididos por Miguel Barros tiveram que segurar cuidadosamente os corações das pessoas ansiosas até por volta das 23 horas para saber quem era o vencedor do carnaval nacional. 

Os 25 minutos disponibilizados pela comissão organizadora nacional para cada região foi tempo suficiente para a região de Cacheu poder depois transbordar o seu suor em felicidade e sentir o gosto do carnaval 2020, após um tempo intenso de ensaios. Cacheu de caminho de escravos apresentou dez danças de etnias diferentes com a representação de cansaré, cadjicura e levou para o palco do concurso três máscaras.

O verde do relvado do estádio 24 de setembro foi preservado para os heróis de quarto linhas. Entretanto, o desfile teve a cobertura record da imprensa guineense e estrangeira, com a participação da TV Globo.

Um forte dispositivo de segurança foi disponibilizado para assegurar o carnaval no campo e conseguiu orientar e manter a ordem. Um grupo de jovens ativistas distribuíram as camisinhas a todos os jovens que estavam no estádio (campo- campo agrícola). Como medidas de prevenção, logo à entrada do estádio estavam colocados no portão baldes de água com lixívia para a lavagem de mãos para evitar eventual contaminação através de aperto de mãos. Os jovens também prestaram serviço de recolha de lixo.

SECRETÁRIO DE ESTADO DE CULTURA: “CARNAVAL FOI UM PROCESSO MUITO DURO”

O secretário de Estado da Cultura, António Spencer Embaló, reconheceu que a organização do carnaval 2020 foi um “processo muito duro” e disse não se sentiu realizado, mas considerou o trabalho feito como “um passo importante”.

“Não fizemos nenhum feito extraordinário. A minha convicção desde 20216 era de que o carnaval funcionaria no estádio perfeitamente. É verdade que é uma novidade para a maior parte da população guineense que já estava habituada a assistir ou manifestar o carnaval em outroslugares. A minha grande inquietação era que as pessoas ou famílias não pudessem sentar-se cômodamente para ver o carnaval”, referiu.

António Spencer Embaló disse acreditar que no próximo ano haverá resistência em receber convite para assistir ao carnaval no estádio nacional 24 de setembro.

Para o presidente da comissão organizadora, Jorge Camilo Andem (Handem), o aspeto mais relevante do desfile nacional de carnaval 2020 foi a diversidade cultural demostrada por todos os grupos e o fato de os grupos concorrentes terem decidido não se limitar apenas às suas apresentações em elementos culturais das etnias predominantes em sua região.  Segundo Jorge Camilo Andem, essa demonstração revela que o desafio da coesão nacional lançado pela comissão foi acolhido, sobretudo no concernente à convivência conjunta, do reforço da identidade  e da coesão nacional.

“O Carnaval 2020 servirá como um momento de reflexão para pensarmos o nosso país. Aliás, é o único caminho, porque o foco da nossa união está nos nossos valores e no nosso país e é o quetemos que transmitir aos nossos filhos e à futura geração”, aconselhou Jorge Camilo Andem.

Por: Djamila da Silva/Filomeno Sambú

Fotos: Marcelo Na Ritch

One comment

  1. Salimato Sanha disse:

    Foi formidável

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