MINISTRO CONDENA POLITIZAÇÃO DE PROBLEMAS SOCIAIS E COMUNITÁRIOS EM SUZANA

O ministro da Administração Territorial e Poder Local, Fernando Dias, condenou esta sexta-feira, 26 de junho de 2020, o que chamou de politização de problemas sociais e comunitários de algumas tabancas da secção de Suzana, setor de São Domingos, região de Cacheu e defendeu que o mais importante neste momento seria lutar para o desenvolvimento local, construindo infraestruturas sociais (escolas e centros de saúde) e garantindo água potável para essas comunidades.

Fernando Dias fez essa advertência na comunidade de Djobel, uma pequena ilha cercada de água, durante um encontro de caráter informativo e de sensibilização sobre as últimas orientações das autoridades nacionais para a deslocação dessa comunidade da ilha para a parte continental.

O ministro qualificou como preocupante e lamentável a situação dos habitantes de Djobel e defendeu que é urgente solucionar o problema e reassentá-los na parte continental. Sublinhou ainda que é uma situação que requer de todos um sentido de solidariedade na luta para salvar as vidas dos habitantes daquela zona que vivem num pedaço da terra submersa pela água, o que não permite que continuem a viver naquela zona, porque corre enormes riscos de inundação. Fernando Dias disse ter recebido orientações do Presidente da República e do chefe de governo no sentido de desalojar aquela comunidade da ilha e reassentá-la numa outra localidade, na parte continental.

“O que estamos a fazer neste momento é informar essas comunidades (Djobel, Elia e Arame), ocupantes tradicionais, de que parte da terra ocupada por eles será cedida à comunidade de Djobel”, afirmou.

Fernando Dias indicou que a ” operação ” de limpeza do espaço já identificado começa no sábado e termina no domingo, delimitando as fronteiras entre as localidades de Arame e Djobel, Djobel Elia, Djobel Cassu, assim sucessivamente.

O ministro da Administração territorial diz acreditar que não haverá resistência das outras aldeias em ceder espaço para o reassentamento dos populares de Djobel, porque” é um trabalho acabado e não é a primeira vez que se estava a reunir sobre o assunto, que já tínham realizado várias sessões e encontros, na perspetiva de sensibilizar e informar as comunidades sobre a necessidade de se ter um sentimento de solidariedade para salvar a vida de um irmão e de um próximo”. 

Conflitos derivados da posse de terra entre essas comunidades da secção de Suzana (Arame e Elia) resultou na perda de vida de duas pessoas.

Nos últimos tempos a disputa pela posse de terra em diferentes localidades da Guiné-Bissau tem sido recorrente. Sobre o assunto, Dias anunciou que já há um projeto lei que brevemente vai ser aprovado e promulgado pelo Presidente da República e através do qual espera poder acabar com disputas derivadas da posse da terra, porque “a lei passará a determinar como é que a pessoa pode adquirir uma parcela de terra”.

Questionado sobre o fim de conflitos entre as tabancas, Dias frisou que é difícil afirmar que conflitos entre as comunidades da secção terminaram, porque são derivados de diferentes interesses e necessidades e “quanto mais interesse, mais conflitos vamos ter, mas o mais importante é termos a capacidade de ultrapassar esses conflitos”.

“Independentemente de recorrermos ou não um fórum judicial, é possível ultrapassar os problemas. Não pode haver conflitos entre nós, sobretudo quando se trata de tabancas que outrora eram de pais e mães”, aconselhou.

No final dos trabalhos, Fernando Dias entregou aos responsáveis da comunidade quatro lotes de roupa usada e cinco mil e quinhentas folhas de zinco.

De referir que Fernando Dias fez-se acompanhar do Secretário de Estado da Ordem Pública, Mário Fambé, do presidente da Câmara Municipal de Bissau e dos representantes do Ministério Público, das Obras Públicas e Urbanismo e da Mulher, Família e Solidariedade Social.


Por: Filomeno Sambú

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