Consenso entre comunidades: GOVERNO INAUGURA ESPAÇO PARA O REASSENTAMENTO DE POPUALRES DE DJOBEL EM SUZANA

O governo guineense através do ministro da Administração Territorial e Poder Local, Fernando Dias, inaugurou, no sábado, 27 de junho de 2020, os trabalhos de preparação do espaço cedido pelas comunidades da Arame e da Elia para o reassentamento dos populares de Djobél, pequeno ilhéu em ameaça de ser submerso há vários anos pela subida do nível de água do mar.

O novo espaço, que outrora era foco de conflitos entre as comunidades locais (Elia e Arame), duas localidades da secção de Suzana que haviam sido apontadas como ameaças a um eminente conflito na zona litoral de Suzana, tinha sido cedido e delimitado pelas anteriores autoridades, mas no momento de preparação do terreno teria havido violação do limite delimitado, o que levou a choque de interesses entre as partes (Elia e Arame).

Depois de várias sessões de negociações promovidas nos últimos tempos, envolvendo as próprias comunidades, as ONG’S vocacionadas na resolução de conflitos sociais, as organizações juvenis e as autoridades regionais, as partes decidiram, finalmente, no último sábado, abdicar das anteriores contestações e devolveram a parcela às autoridades para reassentar a comunidade de Djobél, que corre sérios de riscos de desaparecer a qualquer momento, em consequência da subida do nível das águas do mar.

A parcela apenas está a ser delimitada neste momento, e posteriormente uma equipa do Ministério das Obras Pública e Urbanismo, que está a seguir os trabalhos, traçará um plano urbanístico assim que o terreno for limpo, para poder definir a superfície total da área.

O futuro território da população de Djobél será cortada ao meio pela estrada que liga o setor de São Domingos à aldeia de Varela.

O Democrata soube de fonte local que uma das comunidades da secção de Suzana terá resistido a todas as pressões porque queria que a comunidade de Djobél esclarecesse os motivos que a terão levado a abandonar o terreno. Imagens recolhidas no local ilustram que na sequência de conflitos, algumas famílias que viviam nas áreas limítofres das fronteiras entre Djobél Elia, Djobél Arame e Djobél Cassu, comunidades com as quais faz fronteiras, terão abandonado os espaços que ocupavam por temerem ser vítimas das consequências dos recorrentes conflitos entre Elia aliada a Djobél e a aldeia de Arame aliada a Cassu.

Na reunião de concertação promovida pelo ministro da Administração Territorial e Poder Local, Fernando Dias foi crîtico contra atitudes extremistas assumidas por ambas as comunidades, tendo avisado que jamais deixaria que a autoridade de Estado fosse suplantado por quem que fosse.

“A autoridade de Estado deve funcionar e o serviço de informação não poderá ficar também intato, porque o Estado não pode ser subalternizado”, frisou, lembrando que a oportunidade dada às comunidades ou a cada tabanca não significa que o Estado tenha sido relegado a outros planos e alerta que qualquer resistência isolada “terá a sua devida resposta”.

Na reunião, os representantes das tabancas de Elia, Djobél, Arame e Cassu, foram unânimes em querer  salvar a comunidade de Djobél. Porém, apesar desta abertura, o representante de Amare, Lobo Djibugue teceu duras críticas aos Populares de Djobél e acusou-os de esconder a verdade quanto a sua verdadeira necessidade, “e surpreendentemente Djobél aparece com as autoridades regionais e policiais para reivindicar o terreno, Djobél nunca solicitara uma única reunião”, acusou.

Em reação, Fernando Dias elogiou a colaboração das comunidades da secção em ceder espaço aos populares de Djobel, mas alerta que os representantes do poder local (régulos e comités) de diferentes tabancas serão os garantes da paz e estabilidade efetiva da zona, “caso contrário serão responsabilizados judicial e penalmente, ser houver novo derramamento de sangue”, rematou.

Por: Filomeno Sambú

Foto: F.S

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