Festival de Cacheu: ESPECIALISTAS PEDEM O RESGATE E A VALORIZAÇÃO DA CULTURA GUINEENSE  

Os especialistas nacionais e estrangeiros em diferentes áreas académicas foram unanimes em pedir o resgate e a valorização urgente da cultura guineense. A ideia foi defendida durante a Conferência sobre a História da Escravatura e do Tráfico Negreiro em Cacheu e Perspectivas Futuras do seu Desenvolvimento Socioeconómico e Cultural, que decorreu de 25 a 27 do mês em curso naquela cidade norte do país.

A conferência foi realizada no âmbito do Vº Festival Cultural de Cacheu, sob auspícios da Organização Não Governamental – Acção para o Desenvolvimento (AD) no quandro do projecto “Cacheu di si cultura i istoria”, e contou com um financiamento da União Europeia, no valor estimado em 577 mil Euros (aproximadamente mais de 300 milhões de francos cfa).

O Projecto com a duração de quatro anos tem como objetivo enquadrar e impulsionar a história e a cultura de Cacheu no panorama global do desenvolvimento integral e harmonioso da cidade e dinamizar a vida econômica e cultural local, promovendo o surgimento de novas empresas de auto emprego familiar, crescimento econômico e a luta contra a pobreza.

O evento contou com a participação de diferentes grupos culturais e diferentes manifestações étnico-culturais da região de Cacheu e músicos, bem como a realização de uma feira de produtos naturais locais transformados pelas pequenas cooperativas que operam no país e financiados pela União Europeia.

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Os temas que foram abordados na conferência foram o enquadramento histórico e reflexão teórica, as raízes da tina na construção da identidade guineense, a importância do Pano de Pinti, o seu papel durante a escravatura e a sua política a luz da convenção para a proteção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural da UNESCO entre outros.

Falando na cerimônia de abertura do Festival, Rachid Djaló, em representação do governador da região de Cacheu, disse que o governo regional está empenhado e determinado em apoiar e acompanhar todas as atividades levadas a cabo pela ONG AD e outras organizações, para que a população de Cacheu possa alcançar um desenvolvimento sustentável.

Rachid Djaló assegurou que o festival cultural de Cacheu descreve a pirâmide histórica da cidade para que não possamos esquecer o seu passado, buscando assim a renascença e a história da cidade, desde os tempos remotos da sua fundação.

O Deputado do sector de Cacheu, Helder de Barros, agradeceu a AD pelo que tem feito por Cacheu e pela Guiné-Bissau em geral. ˝Hoje em dia, Cacheu tem um memorial que fala da história de escravatura, onde os jovens podem adquirir conhecimentos suficientes sobre Cidade histórica de Cacheu.

O Secretário executivo da ONG Acção para O Desenvolvimento (AD), Tumane Camará, anunciou que a sua organização está a preparar–se para organizar um simpósio internacional de escravatura e tráfico negreiro na cidade de Cacheu em 2018, onde tomarão parte os chamados Quilombolas do Brasil, cientistas e sociólogos, para melhor aprofundar a história de escravatura, já passados já 400 anos.

Tumane Camará informou que o projecto lançado ˝Cacheu di si Cultura i Istoria˝ vem consolidar as atividades que o projecto anterior, denominado ˝Cacheu caminho de Escravos˝, estava a executar e implementar algumas dinâmicas que foram abraçadas e apropriadas pela população.

˝O memorial de escravatura e tráfico negreiro de Cacheu vai ter três complexos. Poderemos encontrar exposições permanentes da escravatura, Centro de formação para jovens e um auditório com a capacidade para 200 pessoas e bem equipados, com equipamentos de qualidades para os eventos˝ notou.

Em representação da delegação da União Europeia, Pablo Leunda explicou que a história e a cultura são importantes, sobretudo para jovens e crianças, de maneira que é preciso resgatar tudo o que é bom para o povo guineense e em particular, para a população de Cacheu.

 

 

Por: Aguinaldo Ampa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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