{"id":10703,"date":"2016-11-13T12:38:22","date_gmt":"2016-11-13T12:38:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=10703"},"modified":"2016-11-13T12:38:22","modified_gmt":"2016-11-13T12:38:22","slug":"ecossistema-em-risco-de-extincao-na-guine-bissau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=10703","title":{"rendered":"ECOSSISTEMA EM RISCO DE EXTIN\u00c7\u00c3O NA GUIN\u00c9-BISSAU"},"content":{"rendered":"<p>A Guin\u00e9-Bissau \u00e9 um pa\u00eds muito vulner\u00e1vel \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, sobretudo no que se refere \u00e0 sua configura\u00e7\u00e3o costeira e a natureza do seu relevo. Sendo um pa\u00eds com mais de metade do seu territ\u00f3rio em superf\u00edcie plano, se houver uma subida do n\u00edvel da \u00e1gua do mar podemos perder todo o ecossistema nacional que se encontra na zona costeira.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o do Director Geral do Instituto da Biodiversidade e das \u00c1reas Protegidas (IBAP), Alfredo Sim\u00e3o da Silva, o ecossistema de que o pa\u00eds disp\u00f5e, para al\u00e9m de mangais (tarrafes), o resto n\u00e3o tem capacidade de adapta\u00e7\u00e3o a uma inunda\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Director-Geral-do-IBAP-Alfredo-Sim\u00e3o-da-Silva.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-10684\" src=\"http:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Director-Geral-do-IBAP-Alfredo-Sim\u00e3o-da-Silva-258x300.jpg\" alt=\"director-geral-do-ibap-alfredo-simao-da-silva\" width=\"258\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Director-Geral-do-IBAP-Alfredo-Sim\u00e3o-da-Silva-258x300.jpg 258w, https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Director-Geral-do-IBAP-Alfredo-Sim\u00e3o-da-Silva-768x891.jpg 768w, https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Director-Geral-do-IBAP-Alfredo-Sim\u00e3o-da-Silva-882x1024.jpg 882w, https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Director-Geral-do-IBAP-Alfredo-Sim\u00e3o-da-Silva.jpg 1244w\" sizes=\"auto, (max-width: 258px) 100vw, 258px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cSe o n\u00edvel de \u00e1gua do mar aumentar, o resto da floresta que temos, ou seja, florestas que n\u00e3o conseguem viver na \u00e1gua, corre s\u00e9rios riscos de desaparecer. Certamente, poder\u00e1 aparecer posteriormente outro tipo de floresta resistente \u00e0 \u00e1gua que possa crescer na zona, mas que n\u00e3o ter\u00e1 o mesmo valor comercial como o atual ecossistema da Guin\u00e9-Bissau. A fauna e as esp\u00e9cies desaparecer\u00e3o\u201d, alerta o Ge\u00f3grafo que dirige o IBAP.<\/p>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas poder\u00e3o acabar com as esp\u00e9cies nacionais, dando origem a outro tipo de peixes, diferentes dos que dispomos atualmente. Os produtos florestais tamb\u00e9m desaparecer\u00e3o, a terra para agricultura desaparecer\u00e1 e todo o servi\u00e7o ecossist\u00e9mico vai desaparecer. No entender de Alfredo da Silva, tudo isso constitui o principal problema da Guin\u00e9-Bissau, caso seja afetada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Essas mudan\u00e7as ir\u00e3o mexer directamente com a vida das comunidades, da popula\u00e7\u00e3o guineense em geral e com a biodiversidade nacional. Por isso, Alfredo Sim\u00e3o da Silva aconselha os guineenses no sentido de se esfor\u00e7arem e come\u00e7arem a fazer algumas correc\u00e7\u00f5es, mesmo n\u00e3o chegando a fase cr\u00edtica das altera\u00e7\u00f5es ambientais. Temos de adoptar medidas com vista a evitar o pior.<\/p>\n<p>Alfredo da Silva apontou alguns sinais vis\u00edveis de mudan\u00e7as nos arredores da capital Bissau. Por exemplo, a estrada de <em>Sacor<\/em>, que atualmente em per\u00edodos de cheias, \u00e9 galgada pelas \u00e1guas do <em>Rio Geba<\/em>. A estrada de <em>Coqueiro <\/em>n\u00e3o foge a regra. Muitas outras vias da volta da capital est\u00e3o com ind\u00edcios de altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O culpado das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas que amea\u00e7am o povo da Guin\u00e9-Bissau \u00e9 o mau comportamento do homem, no uso irracional dos recursos naturais. A constru\u00e7\u00e3o de armaz\u00e9ns e outras infraestruturas impede a \u00e1gua de seguir livremente seu curso normal para o mar, criando inunda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A Guin\u00e9-Bissau n\u00e3o era um pa\u00eds inundado, assim como a sua capital, mas as constru\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00f5es nas zonas h\u00famidas, no caminho de rios e de correntes de \u00e1gua, na zona dos mangais, toda essa m\u00e1 gest\u00e3o do espa\u00e7o traz as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, melhor dito, mudan\u00e7as negativas na din\u00e2mica da natureza. Isso poder\u00e1 criar enormes problemas ao pa\u00eds, da\u00ed toda a necessidade de trabalhar com intuito de mudar o rumo das coisas com pol\u00edticas voltadas para a prote\u00e7\u00e3o do ambiente.<\/p>\n<p>A din\u00e2mica negativa do ambiente devido aos maus comportamentos humanos est\u00e1 vis\u00edvel na Guin\u00e9-Bissau. Outro exemplo, a vila de Varela, no Norte do pa\u00eds, onde a eros\u00e3o est\u00e1 patente. A cada ano que passa o mar ganha terreno e a terra desaparece.<\/p>\n<p><strong>VARELA E BUBAQUE ESPELHAM A EROS\u00c3O NA GUIN\u00c9-BISSAU<\/strong><\/p>\n<p>Algumas infraestruturas constru\u00eddas na zona costeira de Varela foram consumidas pela \u00e1gua do Oceano Atl\u00e2ntico. At\u00e9m disso, mesmo a planta\u00e7\u00e3o de eucaliptos com vista a estancar o desgaste da terra tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e1 a sofrer da eros\u00e3o extremamente forte.<\/p>\n<p>A eros\u00e3o de Varela tem a ver com o pr\u00f3prio homem, devido \u00e0 falta de uma boa pol\u00edtica de planifica\u00e7\u00e3o costeira. Na opini\u00e3o do Ge\u00f3grafo Alfredo Sim\u00e3o da Silva, a constru\u00e7\u00e3o do estabelecimento hoteleiro que n\u00e3o chegou a ser conclu\u00edda na vila de Varela foi mal concebida, precipitando a eros\u00e3o do mar e acelerando a eros\u00e3o da terra. Reiterou ainda que <em>a terra est\u00e1 a desaparecer e o ch\u00e3o tamb\u00e9m, incluindo a planta\u00e7\u00e3o de eucaliptos que visa a protec\u00e7\u00e3o da costa de Varela est\u00e1 praticamente dentro da \u00e1gua.<\/em><\/p>\n<p>Na zona costeira insular do pa\u00eds, a Ilha de Bubaque sofre forte eros\u00e3o. A localidade onde se situa o <em>Hotel Inst\u00e2ncia <\/em>tem os dias contados, segundo as explica\u00e7\u00f5es do ge\u00f3grafo guineense. A Ilha de Maio que apresenta pequenas eros\u00f5es e as outras ilhas n\u00e3o s\u00e3o imunes as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Em alguns casos, a interven\u00e7\u00e3o errada dos homens na natureza est\u00e1 na base, por exemplo, da subida do n\u00edvel da \u00e1gua do mar causado pelo corte desenfreado dos <em>mangais <\/em>pelos homens para <em>fumar pescado<\/em>, levando \u00e0s cheias nas bolanhas, facto vis\u00edvel no <em>Djiu [ilh\u00e9u] de Porco<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 outra quest\u00e3o ligada \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, tangente \u00e0 cheia. Isto \u00e9, a subida do n\u00edvel das \u00e1guas do mar que danificou os diques em algumas ilhas, em consequ\u00eancia das quais muitas bolanhas foram inundadas. Por exemplo, no <em>Djiu de Porco<\/em>, a semelhan\u00e7a das outras ilhas, os pescadores cortaram os <em>tarrafes<\/em> demasiadamente para secar o pescado, originando o desaparecimento de algumas delas<em>\u201d, <\/em>revela Sim\u00e3o da Silva.<\/p>\n<p>Todo o mau comportamento humano na natureza pode ter como consequ\u00eancia as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, o que provocar\u00e1 a subida do n\u00edvel das \u00e1guas, o desaparecimento das esp\u00e9cies e a extin\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio homem!<\/p>\n<p>\u201cA maior consequ\u00eancia da inunda\u00e7\u00e3o \u00e9 o desaparecimento do ser humano, porque n\u00e3o estamos habituados a viver numa zona inundada. Quando a zona onde vivemos ficar inundada, certamente se n\u00e3o sa\u00edmos de l\u00e1 vamos morrer, as casas onde habitamos v\u00e3o cair, porque n\u00e3o s\u00e3o habita\u00e7\u00f5es com estruturas para suportar a \u00e1gua. O exemplo disso s\u00e3o as situa\u00e7\u00f5es que acontecem nos arredores de Bissau quando chove muito, porque as pessoas constroem nas zonas h\u00famida, dentro da \u00e1gua\u201d, frisou da Silva.<\/p>\n<p>Quase toda a zona h\u00famida da capital, Bissau est\u00e1 lotada de constru\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00f5es que agora est\u00e3o a provocar problemas.<\/p>\n<p><strong>COP22 &#8211; COMO BOL\u00c3O DE OXIG\u00c9NIO PARA O MUNDO<\/strong><\/p>\n<p>Vinte e um (21) anos depois, quase vinte e dois (22), o mundo poder\u00e1 iniciar um novo ciclo relativamente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, caso as partes zelem pela implementa\u00e7\u00e3o do \u2018Acordo de Paris 2015\u2019 sobre a redu\u00e7\u00e3o em dois por cento (2%) da emiss\u00e3o de <em>carbono, <\/em>rebaixando em dois por cento a temperatura do mundo. Cerca de duzentos pa\u00edses estar\u00e3o em Marraquexe, Marrocos, para tentar p\u00f4r na pr\u00e1tica o compromisso assumido na capital francesa.<\/p>\n<p>O mundo assinou um acordo hist\u00f3rico na vig\u00e9sima primeira (21\u00aa) Confer\u00eancia das Partes sobre o Clima (COP21) em Paris, Fran\u00e7a em Dezembro de 2015, e mais tarde muitos pa\u00edses ratificaram o mesmo documento sobre o clima, em Setembro deste ano [2016] no decurso da Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>Agora, no m\u00eas em curso em Marrocos, as partes ir\u00e3o discutir os moldes de implementar o compromisso que assumiram em Paris, que at\u00e9 aqui est\u00e1 a ser dif\u00edcil de implementar pelas partes.<\/p>\n<p><strong>GUIN\u00c9-BISSAU LEVA A SUA CONTRIBUI\u00c7\u00c3O \u00c0 COP22<\/strong><\/p>\n<p>A Guin\u00e9-Bissau leva na bagagem \u00e0 COP22 a sua contribui\u00e7\u00e3o relativa \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o do \u2018Acordo de Paris\u2019 no mundo, na \u00c1frica Ocidental e na Guin\u00e9-Bissau em particular. O pa\u00eds ser\u00e1 representado por uma forte delega\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos ligados aos diferentes dom\u00ednios ambientais. H\u00e1 j\u00e1 um grupo avan\u00e7ado de t\u00e9cnicos que se encontra em Marraquexe para os trabalhos preliminares da confer\u00eancia, depois os peritos nacionais em ambiente ser\u00e3o seguidos de uma delega\u00e7\u00e3o ministerial.<\/p>\n<p>O Chefe de Estado, Jos\u00e9 M\u00e1rio Vaz dever\u00e1 estar presente na confer\u00eancia mundial sobre as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas que visa obrigar os pa\u00edses a implementarem o documento assinado em Paris, para a redu\u00e7\u00e3o da temperatura mundial em dois por cento.<\/p>\n<p>Da Silva aponta que a COP22 centrar-se-\u00e1 mais nos debates sobre a forma de p\u00f4r na pr\u00e1tica o \u2018Acordo de Paris\u2019 \u2013 facto que mexer\u00e1 com algumas economias, porque implicar\u00e1 o fecho de algumas f\u00e1bricas, salientou que os pa\u00edses como a Guin\u00e9-Bissau, que n\u00e3o emitem carbono, n\u00e3o t\u00eam problemas, mas os pa\u00edses industrializados como a Inglaterra, os Estados Unidos da Am\u00e9rica, a Fran\u00e7a, s\u00e3o os que ter\u00e3o mais problemas. De seguida a China, R\u00fassia, \u00cdndia, \u00c1frica de Sul e Brasil \u2013 chamados pa\u00edses emergentes que n\u00e3o disp\u00f5em de tecnologias de ponta, mas produzem muito e emitem muita temperatura.<\/p>\n<p>\u201cOs emergentes n\u00e3o queriam reduzir, porque para eles seria um trav\u00e3o para desenvolvimento dos seus pa\u00edses. Por seu lado, os pa\u00edses desenvolvidos disseram que se reduzissem, seriam alcan\u00e7ados pelos emergentes, exigindo uma redu\u00e7\u00e3o conjunta do carbono. Por \u00faltimo, o grupo dos emergentes pediu que os pa\u00edses desenvolvidos colocassem \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o novas tecnologias para substituir as actuais que emitem muito carbono\u201d, explica a forma como fora alcan\u00e7ado acordo em Paris.<\/p>\n<p><strong>GUIN\u00c9-BISSAU DISP\u00d5E DE ESTRAT\u00c9GIA NACIONAL SOBRE O CLIMA<\/strong><\/p>\n<p>A Guin\u00e9-Bissau j\u00e1 disp\u00f5e de estrat\u00e9gia nacional para fazer face \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u2013 \u2018Plano de Ac\u00e7\u00e3o Nacional de Adapta\u00e7\u00e3o as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas\u2019, tendo na forja diferentes directrizes, por exemplo, alguns projectos a implementar rapidamente para p\u00f4r cobro as manifesta\u00e7\u00f5es de altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas cujos efeitos j\u00e1 s\u00e3o claramente vis\u00edveis.<\/p>\n<p>Foram realizadas v\u00e1rias comunica\u00e7\u00f5es sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no pa\u00eds, assim como foi criado um programa nacional sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Igualmente existe um projecto de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas a n\u00edvel do interior da Guin\u00e9-Bissau, sob os ausp\u00edcios da Secretaria do Estado do Ambiente, cujo objetivo \u00e9 atenuar os efeitos negativos da din\u00e2mica da natureza sobre a popula\u00e7\u00e3o. O efeito das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas j\u00e1 s\u00e3o vis\u00edveis e o seu reflexo v\u00ea-se na economia do pa\u00eds, porque podem come\u00e7ar na popula\u00e7\u00e3o, de seguida na economia do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cAs inunda\u00e7\u00f5es podem acabar com as bolanhas, as estradas, as habita\u00e7\u00f5es, a fauna, a flora, as florestas, outras infraestruturas e demais bens, provocando perdas econ\u00f3micas. Se tudo isso acontecer, o qu\u00ea da popula\u00e7\u00e3o guineense?\u201d, questionou Alfredo Sim\u00e3o da Silva, acrescentando de seguida que, \u201cvejam s\u00f3, chovia muito na Guin\u00e9-Bissau, mas agora n\u00e3o chove muito durante seis meses e a chuva concentra-se em tr\u00eas meses &#8211; <em>Julho, Agosto e Setembro <\/em>e quando chove, cai com grande intensidade, provocando danos enormes \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Agora os guineenses s\u00e3o obrigados a adoptar <em>sementes ou variedades de ciclo curto <\/em>para a agricultura, sementes que adequados ao ciclo atual, para n\u00e3o perder a chuva nos tr\u00eas meses em que chove. Se isso n\u00e3o acontecer, as pessoas passar\u00e3o fome, al\u00e9m da chuva torrencial a que as comunidades s\u00e3o expostas agora\u201d.<\/p>\n<p>Quando chove torrencialmente, a chuva provoca inunda\u00e7\u00f5es e danos impressionantes como tem acontecido um pouco por toda a Guin\u00e9-Bissau nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Instituto da Biodiversidade e das \u00c1reas Protegidas (IBAP), existem outras organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais que actuam no dom\u00ednio da sensibiliza\u00e7\u00e3o sobre as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas atrav\u00e9s das r\u00e1dios e demais meios adequados para o efeito, tentando consciencializar as pessoas para a preserva\u00e7\u00e3o do ambiente. As ONG\u2019s como a <em>Tiniguena, Ac\u00e7\u00e3o para Desenvolvimento (AD), Associa\u00e7\u00f5es de Base e outras entidades ambientais <\/em>fazem as suas sensibiliza\u00e7\u00f5es e educa\u00e7\u00e3o ambiental, mostrando \u00e0s comunidades os efeitos negativos que a interven\u00e7\u00e3o irracional do homem tem na vida comunit\u00e1ria, nacional e mundial.<\/p>\n<p>Por exemplo, a ONG <em>Palmerinha <\/em>em colabora\u00e7\u00e3o com o IBAP, tem um programa nas diferentes escolas do pa\u00eds, onde forma professores, de seguida os professores passam os conhecimentos adquiridos aos seus alunos, mesmo assim, da Silva considera que a mudan\u00e7a de mentalidade \u00e9 um processo paulatino, afian\u00e7ando que o resultado que se espera \u00e9 a longo prazo.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas constituem uma enorme amea\u00e7a ao desaparecimento da biodiversidade. A biodiversidade depende da chuva, mas de uma chuva equilibrada, porque se houver muita chuva a biodiversidade vai desaparecer \u2013 <em>n\u00e3o se pode cultivar num solo cheio de \u00e1gua e algumas esp\u00e9cies n\u00e3o conseguem sobreviver num s\u00edtio cheio de \u00e1gua, na natureza tudo precisa estar equilibrado!<\/em><\/p>\n<p><strong>GUINEENSES VIVEM DA BIODIVERSIDADE<\/strong><\/p>\n<p>Se cada guineense reflectir bem de manh\u00e3 e a noite, olhando a sua dieta alimentar, concluir\u00e1 que a sua vida est\u00e1 intrinsecamente ligada \u00e0 biodiversidade. Os habitantes das zonas urbanas podem at\u00e9 menosprezar esse facto, porque podem comprar <em>leite, Iogurte, bolacha etc. Podem confundir, mas os habitantes de Bo\u00e9 \u2013 ber\u00e7o da independ\u00eancia nacional, Iemberem, Cati\u00f3, Cancalifa, Pitche e Pirada, <\/em>sabem mais do que ningu\u00e9m que t\u00eam uma vida abra\u00e7ada \u00e0 biodiversidade, desde aquilo que comem, vestem, os medicamentos tradicionais e at\u00e9 a economia que possuem vem da biodiversidade, quase o consumo dos produtos importados \u00e9 nulo nas referidas comunidades.<\/p>\n<p>Essas tabancas quase sem vias rodovi\u00e1rias usam a biodiversidade para curar doen\u00e7as, para comer e para gerar rendimento \u2013 <em>ca\u00e7am os animais, exploram \u00f3leo e vinho de palma, exploram mariscos e peixes no rio, quando adoecem v\u00e3o \u00e0 mata a procura de medicamento tradicional, o motivo de a Guin\u00e9-Bissau t\u00ea-la como sua riqueza \u2013 A Biodiversidade.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201c<\/em>Por isso, a Guin\u00e9-Bissau \u00e9 considerado pa\u00eds da Biodiversidade<em>, <\/em>as pessoas percebem a import\u00e2ncia da biodiversidade para a sua sobreviv\u00eancia. Na Mesa Redonda de Bruxelas, a Biodiversidade foi o ponto forte da Guin\u00e9-Bissau para mostrar que temos muita coisa boa para oferecer ao mundo\u201d, garante.<\/p>\n<p>A biodiversidade guineense torna o nosso pa\u00eds rico em mat\u00e9rias-primas para quem pretende montar ind\u00fastrias para transforma\u00e7\u00e3o de produtos que comp\u00f5em a biodiversidade nacional. Por exemplo, para transformar em sumo, Iogurte ou em compota: <em>o veludo, fole, mango, goiaba, mandipli, calabaceira, tambarina e demais produtos que dispomos ter\u00e1 um grande rendimento. Para quem pretende investir na pesca, o pa\u00eds tem diferentes tipos de peixe e de boa qualidade.<\/em><\/p>\n<p><strong>GUIN\u00c9-BISSAU QUER ALARGAR A SUA \u00c1REA PROTEGIDA DE 15% PARA 26,3 POR CENTO<\/strong><\/p>\n<p>A Guin\u00e9-Bissau tem uma \u00e1rea protegida estimada em quinze por cento (15%), mas pretende alarg\u00e1-la para 26,3% &#8211; cerca de vinte e sete por cento, para ajudar na manuten\u00e7\u00e3o do processo biog\u00e9nico \u2013 para que continuemos a ter recursos florestais, matas e frutas como fole, veludo, faroba, al\u00e9m de ter outra fun\u00e7\u00e3o de manter a seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>No interior das instala\u00e7\u00f5es do IBAP, v\u00ea-se nas paredes diferentes fotos que ilustram o potencial da biodiversidade nacional com imagens das pessoas que vivem nas \u00e1reas potencialmente biodiversificadas, que consomem produtos oriundos da biodiversidade, mas apresentam-se saud\u00e1veis e muito bem nutridos. A ilustra\u00e7\u00e3o \u00e9 da exposi\u00e7\u00e3o que o IBAP chama de \u2018\u00c1reas Protegidas, Biodiversidade e Seguran\u00e7a Alimentar\u2019.<\/p>\n<p>Tudo isso, leva as pessoas a mudarem as mentalidades, sobretudo os governantes, motivo pelo qual o pa\u00eds alargar\u00e1 a sua \u00e1rea protegida para cerca de vinte e sete por cento, gra\u00e7asa uma vontade pol\u00edtica do Governo.<\/p>\n<p><strong>USO RACIONAL PODE SALVAR A BIODIVERSIDADE GUINEENSE<\/strong><\/p>\n<p>Para manter o ecossistema da Guin\u00e9-Bissau, os guineenses precisam fazer uma gest\u00e3o racional da natureza, por exemplo, n\u00e3o ca\u00e7ar demasiadamente, porque os animais t\u00eam import\u00e2ncia, aconselhou Alfredo Sim\u00e3o da Silva, lembrando que para germinarem, algumas plantas t\u00eam que passar pelo est\u00f4mago dos animais, como \u00e9 o caso de palmeira natural que o pa\u00eds tem.<\/p>\n<p>Os animais e as florestas desempenham um papel fundamental na sociedade. No caso da floresta, se for toda cortada, o mundo n\u00e3o ter\u00e1 lenha, n\u00e3o haver\u00e1 fole, veludo, mandipli, a medicina tradicional vai acabar bem como o solo para cultivar. Deixar\u00e1 de chover normalmente e no fundo o homem como parte da biodiversidade desaparecer\u00e1.<\/p>\n<p>\u201cA popula\u00e7\u00e3o deve fazer um uso racional para deixar a biodiversidade para as gera\u00e7\u00f5es vindouras, se colocarmos casa dentro das \u00e1guas al\u00e9m de cair, os peixes v\u00e3o fugir. Tudo tem que estar equilibrado. Pe\u00e7o \u00e0s popula\u00e7\u00f5es que fa\u00e7am um uso racional daquilo que Deus nos deu. O sol que nos queima, o que faremos com ele se n\u00e3o tiver um s\u00edtio para nos abrigarmos? N\u00e3o devemos vender as nossas florestas por um valor de cem mil francos CFA por contentor de madeira de uma esp\u00e9cie de \u00e1rvores que leva trinta anos para atingir a sua maturidade. Se acabarmos com a floresta, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas vir\u00e3o com chuvas torrenciais e sol intenso\u201d, avisa o ge\u00f3grafo.<\/p>\n<p>A Guin\u00e9-Bissau \u00e9 vista como patrim\u00f3nio mundial da biodiversidade, devido a sua natureza que tem um pouco de tudo que o mundo tanto precisa, seja na \u00e1gua, assim como na terra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por: Sene Camar\u00e1<\/strong><\/p>\n<p><strong>Foto: O Democrata\/IBAP<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Guin\u00e9-Bissau \u00e9 um pa\u00eds muito vulner\u00e1vel \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, sobretudo no que se refere \u00e0 sua configura\u00e7\u00e3o costeira e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":10688,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,16],"tags":[],"class_list":["post-10703","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-inicio","category-sociedade","wpcat-6-id","wpcat-16-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10703","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10703"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10703\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10708,"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10703\/revisions\/10708"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10688"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10703"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10703"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10703"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}