{"id":12364,"date":"2017-04-02T15:09:32","date_gmt":"2017-04-02T15:09:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=12364"},"modified":"2017-04-02T15:09:32","modified_gmt":"2017-04-02T15:09:32","slug":"matadouro-de-gabu-uma-mina-de-contaminacao-de-doencas-ignorada-pelas-autoridades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=12364","title":{"rendered":"MATADOURO DE GAB\u00da \u2013 UMA \u2018MINA\u2019 DE CONTAMINA\u00c7\u00c3O DE DOEN\u00c7AS IGNORADA PELAS AUTORIDADES\u00a0"},"content":{"rendered":"<p>[REPORTAGEM] Mais de 41 mil habitantes da cidade de Gab\u00fa, no leste do pa\u00eds, segundo o \u00faltimo senso do Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE) de 2009 e, em particular, os grandes consumidores de carne correm o risco de contrair doen\u00e7as atrav\u00e9s do consumo de carne de vaca e cabra, que s\u00e3o abatidas no matadouro daquela que \u00e9 considerada a segunda maior cidade econ\u00f3mica do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Apesar do \u2018visto\u2019 dado pelos m\u00e9dicos veterin\u00e1rios relativamente \u00e0 quest\u00e3o da sa\u00fade dos animais, permitindo o seu abate, o que escapa \u00e0s \u2018lentes\u2019 dos m\u00e9dicos veterin\u00e1rios \u00e9 a falta de higiene do matadouro. Isso potencia uma amea\u00e7a \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o da carne por bact\u00e9rias, dado que o matadouro n\u00e3o disp\u00f5e de condi\u00e7\u00f5es de higiene que o permita funcionar. Ali\u00e1s, uma conclus\u00e3o chegada pelos pr\u00f3prios m\u00e9dicos veterin\u00e1rios.<\/p>\n<p>O matadouro da cidade de Gab\u00fa foi constru\u00eddo na \u00e9poca colonial e encontra-se situado no bairro de \u2018Laiballa\u2019, junto \u00e0 bolanha.<\/p>\n<p><strong>MATADOURO DE GAB\u00da TRANSFORMADO EM CASA DE BANHO DE ABUTRES E CIRCO PARA C\u00c3ES \u00a0<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/jagudis-no-matadouro-de-Gabu.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-12359\" src=\"http:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/jagudis-no-matadouro-de-Gabu-300x201.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"201\" srcset=\"https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/jagudis-no-matadouro-de-Gabu-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/jagudis-no-matadouro-de-Gabu-768x516.jpg 768w, https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/jagudis-no-matadouro-de-Gabu-1024x687.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O matadouro da cidade de Gab\u00fa constitui uma enorme amea\u00e7a \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o local e encontra-se numa situa\u00e7\u00e3o de quase abandono, no que refere \u00e0 quest\u00e3o de higiene. Para al\u00e9m de n\u00e3o ter \u00e1gua canalizada, o que permitiria uma melhor limpeza, transformou-se numa casa de banho para os abutres que ali fazem as suas necessidades, bem como em circo e ao mesmo tempo zona de ca\u00e7a para os c\u00e3es.<\/p>\n<p>A \u00e1gua \u00e9 quase inexistente no matadouro. Apesar de um pequeno po\u00e7o feito ao lado das instala\u00e7\u00f5es, nota-se que a \u00e1gua \u00e9 insuficiente para manter a higiene do lugar de onde saiem as carnes consumidas pela popula\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, o po\u00e7o \u00e9 uma poss\u00edvel \u2018fonte de contamina\u00e7\u00e3o\u2019, conforme constatou a equipa de reportagem, visto que apresenta sinais de uma degrada\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada e sem nenhumas condi\u00e7\u00f5es de higiene.<\/p>\n<p>O po\u00e7o est\u00e1 sem cobertura e a \u00e1gua que dali sai \u00e9 de uma cor dif\u00edcil de descrever. Seria preciso um aparelho ou um microsc\u00f3pio para se conseguir determinar a cor da \u00e1gua que \u00e9 usada para lavar a carne. O ch\u00e3o do matadouro agora transformou-se em cor preta devido ao sangue.<\/p>\n<p>A falta de higiene do matadouro fez com que o lugar se transformasse numa casa das moscas. O cheiro \u00e9 nauseabundo e n\u00e3o se entende se \u00e9 por causa da lima que inunda o local ou se sai mesmo do esgoto.<\/p>\n<p>Alguns populares abordados pela equipa de reportagem estranham a forma como os magarefes continuam a abater os animais no matadouro, tendo em conta as condi\u00e7\u00f5es desumanas que apresenta. N\u00e3o tem port\u00f5es que mantenham a sua seguran\u00e7a durante o dia e a noite, impedindo a entrada de estranhos. O matadouro de Gab\u00fa est\u00e1 a \u2018merc\u00ea\u2019 de qualquer pessoa que chegue ao local, assim como de bichos perigosos.<\/p>\n<p>A prova da sua vulnerabilidade \u00e9 a forma como os abutres se apoderam dele e transformam-no em sua casa, onde fazem as suas necessidades. Um exemplo disso \u00e9 a quantidade de fezes espalhadas por toda a parte no seu interior.<\/p>\n<p>Os arredores do matadouro tamb\u00e9m se encontram sujos, cheios de fezes de bovinos e palhas. Na altura da realiza\u00e7\u00e3o desta reportagem havia uns couros de vacas estendidos no ch\u00e3o, no exterior do matadouro. Quem visita o s\u00edtio provavelmente deixar\u00e1, por enquanto, de consumir a carne abatida em Gab\u00fa.<\/p>\n<p><strong>CARRINHOS DE M\u00c3O SEM HIGIENE TRANSPORTAM CARNE EM GAB\u00da<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Carne-transportada-em-carrinha-de-m\u00e3o-e-sem-prote\u00e7\u00e3o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-12356\" src=\"http:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Carne-transportada-em-carrinha-de-m\u00e3o-e-sem-prote\u00e7\u00e3o-300x201.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"201\" srcset=\"https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Carne-transportada-em-carrinha-de-m\u00e3o-e-sem-prote\u00e7\u00e3o-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Carne-transportada-em-carrinha-de-m\u00e3o-e-sem-prote\u00e7\u00e3o-768x516.jpg 768w, https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Carne-transportada-em-carrinha-de-m\u00e3o-e-sem-prote\u00e7\u00e3o-1024x687.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O transporte das carnes n\u00e3o foge \u00e0 regra, da falta de higiene. Por falta de um meio adequado para o transporte da carne, os operadores do matadouro recorrem muitas vezes aos carrinhos de m\u00e3o, sem higiene.<\/p>\n<p>Para transportar a carne para o mercado usam carros puxados por burros e carrinhos de m\u00e3o, sem nenhuma protec\u00e7\u00e3o. Apenas colocam cart\u00f5es por baixo e colocam a carne, que deixam a \u2018merc\u00ea\u2019 do p\u00f3 e moscas, at\u00e9 ao mercado. Toda essa situa\u00e7\u00e3o de falta de cuidado com a carne vendida \u00e0 popula\u00e7\u00e3o \u00e9 do conhecimento das autoridades locais que simplesmente alegam \u2018Djitu ka ten\u2019.<\/p>\n<p>A nossa equipa de reportagem soube, atrav\u00e9s de uma pessoa pr\u00f3xima dos operadores do matadouro, que os carrinhos de m\u00e3o que fazem a remo\u00e7\u00e3o do lixo \u00e9 que s\u00e3o igualmente usados para transportar carnes, do matadouro para o mercado.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao mercado, numa visita a maior feira, a nossa reportagem constatou uma situa\u00e7\u00e3o que reflete a desorganiza\u00e7\u00e3o da cadeia de abate e venda de carne em Gab\u00fa. Viu as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es higi\u00e9nicas do talho. Os vendedores de carne sentam-se sobre as mesas constru\u00eddas em cimento e destinadas para deitar a carne. Mas agora, al\u00e9m da carne, tamb\u00e9m os vendedores deixam-se estar sobre as mesas que tamb\u00e9m est\u00e3o sujas e a cor ireconhec\u00edvel, facto que espelha a falta de higiene do talho.<\/p>\n<p>J\u00e1 o novo mercado de Gab\u00fa, que fica situado no bairro de \u2018Algod\u00e3o\u2019, possui melhores condi\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a antiga. O talho do novo mercado tem melhores condi\u00e7\u00f5es para a venda de carne, mas a maior parte dos comerciantes gabuenses prefere continuar no mercado velho.<\/p>\n<p><strong>AUTORIDADES ENCERAM NOVO MATADOURO CONSTRU\u00cdDO\u00a0PELO PNUD POR FALTA DE \u00c1GUA<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/novo-matadouro-PNUD.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-12361\" src=\"http:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/novo-matadouro-PNUD-300x201.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"201\" srcset=\"https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/novo-matadouro-PNUD-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/novo-matadouro-PNUD-768x516.jpg 768w, https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/novo-matadouro-PNUD-1024x687.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A curiosidade da equipa de reportagem do seman\u00e1rio \u2018O Democrata\u2019 \u00e9 ver o novo matadouro que fica lado a lado do atual. Tem melhores condi\u00e7\u00f5es que o atual, mas ainda com os port\u00f5es encerrados.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do novo matadouro contou com o financiamento do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) atrav\u00e9s da ag\u00eancia AJEOP, que contratou uma empresa de constru\u00e7\u00e3o para fazer a obra.<\/p>\n<p>O novo matadouro foi inaugurado em Novembro de 2016, mas as suas portas continuam encerradas por causa da falta de \u00e1gua, o que facilitaria os trabalhos dos magarefes.<\/p>\n<p>A ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas (PNUD) financiou tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o do novo talho no mercado novo. Esse tem melhores condi\u00e7\u00f5es de funcionamento em rela\u00e7\u00e3o ao do mercado principal, mas igualmente est\u00e1 encerrado.<\/p>\n<p>Uma fonte da administra\u00e7\u00e3o local contou ao rep\u00f3rter que a raz\u00e3o do encerramento do novo matadouro \u00e9 que as autoridades estavam a espera de outro financiamento do PNUD para fazer um furo da \u00e1gua, junto das instala\u00e7\u00f5es do matadouro e que ajudaria na manuten\u00e7\u00e3o da higiene do mesmo.<\/p>\n<p>A fonte reclama que o novo matadouro e o talho constru\u00eddos pelo PNUD continuam encerrados, deixando as popula\u00e7\u00f5es expostas \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o por doen\u00e7as que podem apanhar atrav\u00e9s da carne de animais abatidos no atual matadouro que n\u00e3o oferece nenhuma condi\u00e7\u00e3o de higiene.<\/p>\n<p><strong>DELEGADO VETERIN\u00c1RIO PEDE ENCERRAMENTO URGENTE DO MATADOURO \u00a0<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Delegado-regional-da-Veterin\u00e1ria-Nicolau-da-Silva.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-12357\" src=\"http:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Delegado-regional-da-Veterin\u00e1ria-Nicolau-da-Silva-300x201.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"201\" srcset=\"https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Delegado-regional-da-Veterin\u00e1ria-Nicolau-da-Silva-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Delegado-regional-da-Veterin\u00e1ria-Nicolau-da-Silva-768x516.jpg 768w, https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Delegado-regional-da-Veterin\u00e1ria-Nicolau-da-Silva-1024x687.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O delegado regional da veterin\u00e1ria, Nicolau da Silva, explicou na entrevista concedida ao rep\u00f3rter que a miss\u00e3o da \u2018Veterin\u00e1ria\u2019 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 garantir a sa\u00fade do animal, mas tamb\u00e9m analisar muito bem a carne dos animais abatidos, para que esta possa chegar em boas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade ao mercado.<\/p>\n<p>Assegurou ainda que outra miss\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o que representa \u00e9 inspecionar as carnes verdes, junto dos postos de abate, para que n\u00e3o sejam uma fonte de transmiss\u00e3o de doen\u00e7as \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Acrescentou ainda que est\u00e3o sempre vigilantes no controlo dos animais para que n\u00e3o sejam infectados por doen\u00e7as que igualmente poderiam prejudicar a sa\u00fade humana, atrav\u00e9s do consumo da sua carne e ou leite.<\/p>\n<p>Lamenta, no entanto, a falta de condi\u00e7\u00f5es de trabalho da delega\u00e7\u00e3o regional que permitam a mobilidade dos t\u00e9cnicos para o controlo dos postos que existem um pouco por todo o sector. Frisou que, para al\u00e9m do matadouro central da cidade de Gab\u00fa, existem ainda postos aleat\u00f3rios de abate que operam sem condi\u00e7\u00f5es e que abatem o gado sem que os mesmos sejam inspecionados pelos seus agentes.<\/p>\n<p>&#8220;Esfor\u00e7amo-nos para controlar o matadouro e alguns postos aleat\u00f3rios, mas n\u00e3o temos meios para nos deslocarmo-nos para as diferentes zonas. Nos \u00faltimos tempos, optamos por recensear os magarefes identificados a n\u00edvel da regi\u00e3o e tentar sensibiliz\u00e1-los sobre a import\u00e2ncia ou a raz\u00e3o da inspe\u00e7\u00e3o do gado antes que seja abatido. Pedimos a colabora\u00e7\u00e3o dos magarefes neste sentido e em particular, de informar sempre aos agentes de veterin\u00e1ria quando querem matar o gado\u201d, notou o respons\u00e1vel da delegacia regional da Veterin\u00e1ria.<\/p>\n<p>Relativamente \u00e0 cidade de Gab\u00fa, informou que n\u00e3o \u00e9 apenas o matadouro que n\u00e3o est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de continuar a funcionar por raz\u00f5es de higiene, mas tamb\u00e9m o pr\u00f3prio local de venda (o talho) que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es por falta de higiene. Avan\u00e7ou que o talho deve sempre estar limpo para n\u00e3o permitir a contamina\u00e7\u00e3o das carnes verdes, porque isso pode prejudicar a sa\u00fade humana.<\/p>\n<p>Questionado se defende as vozes dos cidad\u00e3os locais que pedem o encerramento do matadouro por falta de higiene, Nicolau da Silva respondeu que sim, mas pediu abertura urgente do novo matadouro.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 um matadouro novo ao lado, com melhores condi\u00e7\u00f5es. O \u00fanico problema \u00e9 a falta da \u00e1gua. \u00c9 preciso que haja \u00e1gua canalizada para facilitar os trabalhos dos magarefes. Mas espera-se uma nova iniciativa para financiar o projeto de furo da \u00e1gua. O edif\u00edcio foi muito bem constru\u00eddo e re\u00fane as condi\u00e7\u00f5es de funcionamento e tem um sistema de canaliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua muito bem instalado\u201d, contou o respons\u00e1vel, que entretanto, asseverou que diariamente podem ser abatidos at\u00e9 dez animais no novo matadouro.<\/p>\n<p><strong>DELEGADO DE VETERIN\u00c1RIA PEDE COLABORA\u00c7\u00c3O DE POPULARES PARA A VACINA\u00c7\u00c3O DO GADO<\/strong><\/p>\n<p>O delegado regional explicou neste particular que uma das maiores preocupa\u00e7\u00f5es da sua delegacia tem a ver com as doen\u00e7as dos animais, tantos aves, grupos de pequenos dominantes (cabras e carneiros) e inclusive grupos de grandes dominantes (vacas).<\/p>\n<p>Informou ainda que a delegacia consegue cobrir quatro sectores dos cinco que constituem a regi\u00e3o de Gab\u00fa, atrav\u00e9s dos postos de vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica instalados em alguns sectores como Pirada, Sonaco, Pitche e o sector de Gab\u00fa.<\/p>\n<p>Lamentou o facto de n\u00e3o conseguirem cobrir o sector de Bo\u00e9, tendo em conta a sua situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica. Contou ainda que sua delegacia formou os t\u00e9cnicos chamados \u2018para-veterin\u00e1rio\u2019 que trabalham como auxiliares nos sectores, pelo que um dos agentes que est\u00e1 naquela zona receber\u00e1 orienta\u00e7\u00f5es para cobrir o sector.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante ter reconhecido que apenas uma pessoa n\u00e3o consegue cobrir todo sector que \u00e9 muito grande, adiantou que no momento \u00e9 tudo que podem fazer devido a insufici\u00eancia de meios para materializar os trabalhos.<\/p>\n<p>&#8220;Temos poucos m\u00e9dicos e pessoal auxiliar para cobrir uma regi\u00e3o muito grande. O pessoal aqui faz um esfor\u00e7o enorme no concernente ao trabalho de inspe\u00e7\u00e3o de animais, porque sabemos que esta regi\u00e3o tem o maior n\u00famero de animais a n\u00edvel do pa\u00eds. Aqui temos nove pessoas que trabalham na delegacia. Imagina se \u00e9 poss\u00edvel, com esse n\u00famero, fazer uma cobertura de mais de 500 mil vacas! \u00c9 muito dif\u00edcil, mas conseguimos formar mais pessoas que trabalham como auxiliares\u201d, precisou.<\/p>\n<p>Avan\u00e7ou que a forma\u00e7\u00e3o dos t\u00e9cnicos foi administrada por m\u00e9dicos portugueses que estiveram na regi\u00e3o e que trabalharam com o delegado regional. Frisou que, devido \u00e0s dificuldades, n\u00e3o conseguiram ficar com todo o pessoal formado. Por isso foram obrigados a deixar alguns, mas que s\u00e3o recrutados apenas no per\u00edodo da campanha de vacina\u00e7\u00e3o dos animais.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s zonas da linha de fronteira com o Senegal e a Guin\u00e9-Conacri, assegurou que conseguiram colocar pessoas na linha da fronteira, sobretudo nos sectores de Pitche e Pirada, que trabalham na inspe\u00e7\u00e3o dos animais.<\/p>\n<p>&#8220;Temos para-veterin\u00e1rios nas aldeias pr\u00f3ximas das linhas de fronteiras que trabalham na identifica\u00e7\u00e3o dos casos. Eles trabalham com m\u00ednimas condi\u00e7\u00f5es e, sobretudo est\u00e3o munidos de meios de comunica\u00e7\u00e3o que usam para passar informa\u00e7\u00f5es sobre a exist\u00eancia de novos casos\u201d, observou.<\/p>\n<p>Interrogado se o sector de Bo\u00e9 que est\u00e1 um pouco mais colado a vizinha Guin\u00e9-Conancri n\u00e3o constitui preocupa\u00e7\u00e3o da sua delegacia e em rela\u00e7\u00e3o aos riscos de contamina\u00e7\u00f5es que os gados daquela zona pode correr, respondeu que a situa\u00e7\u00e3o do sector Bo\u00e9 preocupa e muito a sua delegacia.<\/p>\n<p>&#8220;Os criadores de gado conacri-guineense neste momento entram no territ\u00f3rio nacional atrav\u00e9s daquela zona a procura de alimentos para os seus animais, isso demostra a vulnerabilidade daquela zona que corre o risco de ver os seus animais atacados por doen\u00e7as, a partir dos animais provenientes daquele pa\u00eds vizinho\u201d, advertiu.<\/p>\n<p>Nicolau da Silva disse que, tendo em conta os riscos da contamina\u00e7\u00e3o que aquela zona enfrenta, envia sempre os t\u00e9cnicos para o controlo e a inspe\u00e7\u00e3o dos animais. Por\u00e9m, afian\u00e7ou que recebem igualmente apoio dos elementos da Guarda Nacional instalados naquele sector, o que facilita a desloca\u00e7\u00e3o dos seus t\u00e9cnicos. Sublinhou ainda que usa a r\u00e1dio comunit\u00e1ria local para passar os programas de sensibiliza\u00e7\u00e3o sobre as doen\u00e7as de animais.<\/p>\n<p>Relativamente \u00e0s doen\u00e7as mais frequentes registadas na regi\u00e3o, o delegado regional de Veterin\u00e1ria assegurou que para a melhor compreens\u00e3o, as doen\u00e7as s\u00e3o divididas em esp\u00e9cies de animais. Para as galinhas (aves) regista-se com a frequ\u00eancia a doen\u00e7a chamada \u2018Peste de Aves\u2019 que acaba por matar grande quantidade de galinhas, prejudicando assim a economia dos criadores. Por isso desencadeiam campanhas de vacina\u00e7\u00e3o de aves para prevenir a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>A n\u00edvel do grupo de pequenas ruminantes, deparam-se com o problema chamados \u2018Pestes de Caprinos\u2019, que tamb\u00e9m \u00e9 uma doen\u00e7a grave que causa cerca de 90 a 95 por cento de mortes de cabras e carneiros.<\/p>\n<p>Sustentou ainda que consideram \u2018Peste de Caprino\u2019 de uma doen\u00e7a neglicencial, provocada por um v\u00edrus e que \u00e9 contagiosa de animal para animal. Contudo informou que o mesmo n\u00e3o tem consequ\u00eancias para a sa\u00fade humana, mas prejudica a economia dos criadores.<\/p>\n<p>&#8220;Essa situa\u00e7\u00e3o leva ao empobrecimento dos criadores. Por isso \u00e9 que pedimos sempre a colabora\u00e7\u00e3o dos criadores para a vacina\u00e7\u00e3o do gado, de forma a evitar doen\u00e7as\u201d, disse.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao grupo de grandes ruminantes, nota-se duas grandes doen\u00e7as. O carbuncro hem\u00e1tico, considerado tamb\u00e9m de \u2018Antrax\u2019 e \u00e9 muito perigoso, dado que contamina o homem e mata rapidamente. Enquanto o carbuncro sintom\u00e1tico \u00e9 menos violento e n\u00e3o consegue contaminar o homem.<\/p>\n<p>&#8220;Apareceu tamb\u00e9m uma nova doen\u00e7a chamada \u2018Febre Aftosa\u2019. \u00c9 contagiosa entre as vacas, como tamb\u00e9m pode afetar o homem e sem causar nenhum dano. Estamos a verificar a doen\u00e7a na nossa regi\u00e3o. A doen\u00e7a saiu da regi\u00e3o de Bafat\u00e1, devido a movimenta\u00e7\u00e3o das pessoas com os animais, sobretudo para a venda\u201d, referiu.<\/p>\n<p>Lembrou neste particular que h\u00e1 quatro anos a regi\u00e3o de Gab\u00fa sofreu casos da doen\u00e7a de carbuncro que matou muitas vacas, tendo acrescentado que a referida situa\u00e7\u00e3o fora registada numa vila que est\u00e1 a sete quil\u00f3metros da cidade de Gab\u00fa.<\/p>\n<p>Sublinhou que para combater a doen\u00e7a e aumentar a capacidade de vigil\u00e2ncia beneficiaram de apoio da Uni\u00e3o Econ\u00f3mica e Monet\u00e1ria Oeste Africana (UEMOA), que permitiu-lhes intensificar os trabalhos de controlo de preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>MUDAN\u00c7A DE CRIADORES DE GADO PARA CAMPO AGR\u00cdCOLA EM BO\u00c9 NO PER\u00cdODO DA CHUVA DIFICULTA VETERIN\u00c1RIOS<\/strong><\/p>\n<p>Os trabalhos de inspec\u00e7\u00e3o feitos na \u00e9poca da chuva n\u00e3o conseguem contemplar o sector de Bo\u00e9, dado que naquela altura \u00e1gua da chuva corta todos os tro\u00e7os que d\u00e3o acesso as tabancas. Tamb\u00e9m a maioria da popula\u00e7\u00e3o, em particular os criadores de gado, muda-se para a zona da lavoura e fica ali at\u00e9 ao fim das colheitas.<\/p>\n<p>Os veterin\u00e1rios s\u00e3o obrigados a esperar at\u00e9 o fim da chuva e at\u00e9 ao fim da colheita para deslocarem-se \u00e0quela zona e prosseguir com os trabalhos de inspe\u00e7\u00e3o dos animais e aves, para as campanhas de vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 quinze dias atr\u00e1s fizemos um trabalho. Levamos uma quantia de 40 plafom de vacina contra o Carbuncro sintom\u00e1tico. Uma caixa de vacina contra o Carbuncro \u2018Antrax\u2019 que \u00e9 considerado o mais perigoso. A equipa conseguiu fazer o trabalho de vacina que correu muito bem. Queremos cobrir o sector Bo\u00e9, mas como sabem, \u00e9 um dos maiores sectores da Guin\u00e9-Bissau e tem as suas particularidades. \u00c9 uma zona de dif\u00edcil acesso e isso tudo dificulta os trabalhos\u201d, notou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por: Assana Samb\u00fa\/Sene Camar\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>Fevereiro\/mar\u00e7o de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[REPORTAGEM] Mais de 41 mil habitantes da cidade de Gab\u00fa, no leste do pa\u00eds, segundo o \u00faltimo senso do Instituto&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":12360,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,16],"tags":[],"class_list":["post-12364","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-inicio","category-sociedade","wpcat-6-id","wpcat-16-id"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>MATADOURO DE GAB\u00da \u2013 UMA \u2018MINA\u2019 DE CONTAMINA\u00c7\u00c3O DE DOEN\u00c7AS IGNORADA PELAS AUTORIDADES\u00a0 - 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