{"id":13831,"date":"2017-08-13T14:57:47","date_gmt":"2017-08-13T14:57:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=13831"},"modified":"2017-08-13T14:57:47","modified_gmt":"2017-08-13T14:57:47","slug":"ministro-da-economia-e-financas-senti-me-um-militante-e-servidor-da-causa-do-meu-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=13831","title":{"rendered":"Ministro da Economia e Finan\u00e7as:\u00a0&#8220;SENTI-ME UM MILITANTE E SERVIDOR DA CAUSA DO MEU PA\u00cdS&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>[ENTREVISTA] O ministro da Economia e das Finan\u00e7as, Jo\u00e3o Alage Mamadu Fadia, disse que se sente como um militante e servidor da causa do seu pa\u00eds, tendo frisado, no entanto, que em nenhuma circunst\u00e2ncia hesitou em servir a sua p\u00e1tria. Fadia falava durante uma entrevista exclusiva ao seman\u00e1rio \u2018O Democrata\u2019 para abordar a quest\u00e3o do desempenho das finan\u00e7as p\u00fablicas que mereceu a confian\u00e7a dos parceiros financeiros internacionais, nomeadamente o Fundo Monet\u00e1rio Internacional e o Banco Mundial.<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel da pasta da Economia e Finan\u00e7as explicou que o Banco Mundial financiou um programa estrat\u00e9gico para o pa\u00eds para quatro anos, em 90 milh\u00f5es de Euros. Acrescentou que o Banco Mundial financiou tamb\u00e9m um projeto que vai ser implementado agora, de 25 milh\u00f5es de Euros, destinado ao setor da \u00e1gua e energia aqui em Bissau, assim como na restrutura\u00e7\u00e3o da EAGB.<\/p>\n<p>Para o ministro, a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno que tem prejudicado e muito o pa\u00eds, assegurando que \u00e9 preciso criar condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para as institui\u00e7\u00f5es de combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o de forma a poderem trabalhar para erradicar esse mal na Guin\u00e9-Bissau.<\/p>\n<p><strong>Jornal O Democrata (OD): Pode-se dizer, Senhor Ministro, que \u00e9 uma pedra no lugar certo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Alage Mamadu Fadia (JAMF): <\/strong>N\u00e3o! Eu sou um cidad\u00e3o guineense, bolamense, tamb\u00e9m bissauense, que desde muito jovem se senti comprometido com seu pa\u00eds. Eu n\u00e3o costumo falar muito disso, mas quando tinha 17 anos de idade, dei a minha contribui\u00e7\u00e3o ao meu pa\u00eds, inclusive fui incorporar-me nas For\u00e7as Armadas onde servi durante 15 meses. Cumpri o meu servi\u00e7o em Candjafra, no Sul da Guin\u00e9-Bissau. Portanto, fiquei um ano sem estudar, mas fi-lo com muita dignidade, porque associei-me aos mais velhos, homens e mulheres que estavam a lutar pela independ\u00eancia do nosso pa\u00eds e pelo progresso do nosso pa\u00eds. E senti-me um militante e servidor da causa do meu pa\u00eds! Nunca hesitei!<\/p>\n<p><strong>OD: O que estamos a ver hoje no pa\u00eds, parece que chegou tarde ao Minist\u00e9rio da Economia e Finan\u00e7as. Como estruturou tudo isso? <\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>\u00c9 bom que se diga. O pa\u00eds tem que aproveitar e capitalizar as experi\u00eancias. N\u00e3o sou o melhor e nem serei o melhor, mas o fato de ter j\u00e1 acumulado bastante experi\u00eancia, nomeadamente a n\u00edvel do Banco Central, onde fui diretor durante oito anos e meio, numa institui\u00e7\u00e3o como BCEAO que \u00e9 muito exigente. E tamb\u00e9m por ter sido, quer administrador, quer inspetor-geral, quer diretor no antigo Banco Central da Guin\u00e9-Bissau. Permitam-me, de fato, hoje, dar uma melhor contribui\u00e7\u00e3o do que outrora. Al\u00e9m da experi\u00eancia, \u00e9 preciso ter uma firmeza e alguma convic\u00e7\u00e3o naquilo que devemos fazer em prol de todos. Porqu\u00ea? Porque gerir o minist\u00e9rio das finan\u00e7as na Guin\u00e9 e em qualquer parte do mundo \u00e9 um compromisso e um engajamento que se deve ter com a popula\u00e7\u00e3o, porque s\u00e3o as pessoas que pagam os impostos.<\/p>\n<p>Os recursos que gerimos pertencem \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e n\u00f3s estamos aqui apenas para redistribuir e reentreg\u00e1-los. E n\u00f3s aqui fazemos isso com rigor, com firmeza e coragem que isso acarreta. Quando temos que dizer N\u00c3O, dizemos N\u00c3O e quando temos que dizer SIM, dizemos SIM.<\/p>\n<p><strong>OD: Senhor Ministro, o Governo garante sal\u00e1rios aos funcion\u00e1rios p\u00fablicos todos os meses. Quais s\u00e3o fontes de rendimento que permitem o pagamento regular dos sal\u00e1rios, sem apoio da parte dos parceiros financeiros internacionais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>At\u00e9 aqui s\u00e3o as receitas das Alf\u00e1degas, s\u00e3o as receitas dos Impostos e um pouco das receitas das Pescas. Isto \u00e9 que n\u00f3s juntamos pomos num s\u00edtio certo que \u00e9 o Banco Central. E na base de uma hierarquia de despesas priorit\u00e1rias, fazemos a boa distribui\u00e7\u00e3o. Naturalmente, o sal\u00e1rio na hierarquia das despesas \u00e9 primeiro que aparece e temos cumprido regularmente.<\/p>\n<p><strong>OD: Fala-se que o executivo recebe secretamente dinheiro proveniente dos pa\u00edses \u00e1rabes, que \u00e9 usado para as despesas p\u00fablicas. Confirma essas informa\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>Digo-lhe frontalmente que n\u00e3o! Digo-lhe frontalmente que n\u00e3o!<\/p>\n<p><strong>OD: As institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais (IMF e Banco Mundial) falam do bom desempenho das finan\u00e7as e uma boa gest\u00e3o do tesouro p\u00fablico. Quais s\u00e3o os mecanismos usados para o referido \u201ccontrolo rigoroso\u201d das finan\u00e7as p\u00fablicas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>Hoje socorremo-nos de um instrumento ou de um mecanismo que j\u00e1 existia. Era apenas uma quest\u00e3o de operacionaliza\u00e7\u00e3o que \u00e9 um Comit\u00e9 de Tesouraria. Este Comit\u00e9 de Tesouraria re\u00fane-se as ter\u00e7as e quintas-feiras, analisa as propostas das despesas e v\u00ea os recursos que tem e na base disso toma as decis\u00f5es sobre a melhor afeta\u00e7\u00e3o destas receitas.<\/p>\n<p><strong>OD: Actualmente qual \u00e9 a massa salarial mensal da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>Neste momento est\u00e1 em quatro bilh\u00f5es e um milh\u00e3o de francos CFA, mas em termos m\u00e9dios, est\u00e1 em tr\u00eas bilh\u00f5es e sete milh\u00f5es de francos CFA, porque h\u00e1 professores contratados que vamos pagar at\u00e9 final do m\u00eas de julho. E a partir da\u00ed a tabela volta aos tr\u00eas bilh\u00f5es e sete milh\u00f5es de francos CFA.<\/p>\n<p><strong>OD: Qual \u00e9 o n\u00famero total dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF:<\/strong> trinta e dois mil funcion\u00e1rios, destes trinta e dois mil, o setor da educa\u00e7\u00e3o tem doze mil.<\/p>\n<p><strong>OD: Qual \u00e9 o sector do Estado que absorve maior fatia da massa salarial?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>\u00c9 o setor da Educa\u00e7\u00e3o. S\u00f3 o setor da educa\u00e7\u00e3o leva mais de um bilh\u00e3o de francos CFA.<\/p>\n<p><strong>OD: O segundo semestre de 2017 foi marcado pela subida dos pre\u00e7os dos produtos de primeira necessidade. Algumas vozes falam da press\u00e3o da carga fiscal ou do custo de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o. Que an\u00e1lise o minist\u00e9rio sob sua tutela faz sobre do aumento do pre\u00e7o?\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>Para j\u00e1, nas alf\u00e2ndegas n\u00e3o aumentamos nenhuma taxa no m\u00eas de junho. Repito, n\u00e3o aumentamos nenhuma taxa no m\u00eas de junho. Portanto, o disparo do pre\u00e7o como tem sido constatado de fato, tem a ver com o aspeto especulativo. Ouvi dizer que o quiabo (candja) agora custa 250 francos CFA. O que motivou esta subida para 250 francos? S\u00f3 isto explica tudo! \u00c9 especulativo. O pre\u00e7o do combust\u00edvel n\u00e3o aumentou, o pre\u00e7o dos transportes tamb\u00e9m n\u00e3o, o da eletricidade, as alfandegas&#8230; <strong>N<\/strong>enhuma taxa aduaneira aumentou. Ent\u00e3o, o que \u00e9 que explica isso? \u00c9 especula\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p><strong>OD: Quais s\u00e3o as medidas que o Governo pretende tomar em rela\u00e7\u00e3o a infla\u00e7\u00e3o dos produtos como arroz e outros?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>A aposta \u00e9 no sentido de baixar a taxa aduaneira do arroz. Mas isto \u00e9 uma perda para o Estado. S\u00e3o menos recursos para o Estado fazer uma boa aplica\u00e7\u00e3o. \u00c9 menos receita para os hospitais, \u00e9 menos receita para as estradas, \u00e9 menos receita para a energia, mas n\u00f3s estamos a ponderar isso.<\/p>\n<p><strong>OD: A Guin\u00e9-Bissau depara-se com problemas de press\u00e3o fiscal. Nem sequer consegue alcan\u00e7ar a meta de 25 por cento estabelecida pela UEMOA. O pa\u00eds consegue apenas arrecadar 16 por cento de impostos cobrados. Senhor ministro, como pretende mudar este indicador?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF:<\/strong> De fato, a Guin\u00e9-Bissau apresenta uma taxa muito baixa em rela\u00e7\u00e3o a todos outros pa\u00edses. A Guin\u00e9-Bissau e o N\u00edger apresentam a taxa mais baixa da press\u00e3o fiscal. S\u00f3 dois pa\u00edses \u00e9 que conseguem estar dentro deste limite, o Senegal e o Togo. Portanto, n\u00e3o \u00e9 que a Guin\u00e9-Bissau seja tamb\u00e9m o \u00fanico mau aluno. Depende muito da administra\u00e7\u00e3o fiscal, de fuga ao fisco e at\u00e9 da consci\u00eancia dos cidad\u00e3os em pagar impostos. Vejam s\u00f3. Se apertamos um pouco, dir\u00e3o que aumentaram isto e mais aquilo e teremos reclama\u00e7\u00f5es que nunca mais acabam.<\/p>\n<p>Eu quero dizer e afirmar que de fato h\u00e1 evas\u00e3o fiscal, mas h\u00e1 pouca ader\u00eancia volunt\u00e1ria ao processo de pagamento ao fisco. Mas digo tamb\u00e9m que isto \u00e9 um estudo mundial que o diz, quanto mais a taxa da press\u00e3o fiscal, mas \u00e9 a tentativa de fuga ao fisco. Isto \u00e9 mundial, n\u00e3o \u00e9 apenas na Guin\u00e9-Bissau. Mas vamos fazer o nosso melhor para ir melhorando cada vez mais no sentido de podermos controlar e recolher aquilo que os contribuintes devem ao fisco.<\/p>\n<p><strong>OD: Senhor ministro, muitos guineenses ficam com d\u00favidas quando se fala do crescimento da economia do pa\u00eds, tendo em conta a perman\u00eancia do fraco poder de compra dos cidad\u00e3os. Qual \u00e9 a sua explica\u00e7\u00e3o para o cidad\u00e3o comum em rela\u00e7\u00e3o ao significado real do crescimento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF:<\/strong> Tenho uma boa explica\u00e7\u00e3o para isso! Na Guin\u00e9-Bissau, quando se diz que o crescimento econ\u00f3mico \u00e9 real, \u00e9 verdade. Se viajar at\u00e9 Gab\u00fa, Buruntuma, Pirada, ou at\u00e9 Cacheu, S\u00e3o Domingos e Canchungo, h\u00e1-de reparar que num n\u00famero maior (e cada vez maior) de casas com telhados de zinco e (cada vez) menos palhotas. Veja a mudan\u00e7a que se operou em rela\u00e7\u00e3o h\u00e1 dez ou quinze anos. Aquela popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o recebeu nenhum donativo para ter casas cobertas com chapas de zinco. Foi fruto do seu trabalho. As pessoas trabalharam e produziram riqueza. Essa riqueza deu origem a um rendimento para fazer o investimento. Hoje, h\u00e1 tabancas onde as pessoas t\u00eam pain\u00e9is solares. Em Gab\u00fa por exemplo, h\u00e1 muitas motorizadas. No entanto, essas pessoas n\u00e3o receberam nenhum donativo. Foi resultado dos seus trabalhos. Produziram e ganharam riqueza. O rendimento \u00e9 que justifica isso.<\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o de vida do guineense em geral melhorou e tem melhorado. Imagina quantos plantadores de cajueiros temos no pa\u00eds! Por toda Guin\u00e9, h\u00e1 muitos plantadores de cajueiros, ou seja, por toda a Guin\u00e9-Bissau cada pessoa tem seu pr\u00f3prio pomar. Por exemplo, na zona norte n\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico plantador que contrate outros e pessoas para trabalhar no seu pomar. Este ano o pre\u00e7o m\u00ednimo foi de 500 francos CFA e a riqueza dos plantadores amentou em dobro. Ou seja, no ano passado, com dez sacos recebeu 250 mil francos CFA e este ano com a mesma quantidade recebe 500 mil. Isto \u00e9, o seu rendimento aumentou e a sua riqueza. Consequentemente, o Produto Interno Bruto aumentou.<\/p>\n<p>Quando a riqueza aumenta, fazemos uns c\u00e1lculos complicados para dizer que o Produto Interno aumentou. N\u00e3o apenas no setor agr\u00edcola, tem que se tomar em conta toda produ\u00e7\u00e3o da economia. Se quisermos ver quanto entrou no setor da constru\u00e7\u00e3o, pode se fazer atrav\u00e9s de cimentos e ferros. Vamos ver o que \u00e9 se investiu no setor da constru\u00e7\u00e3o civil, atrav\u00e9s de constru\u00e7\u00e3o de novas casas, assim como calcular os carros importados, tudo isso entra para este c\u00e1lculo. Veja o n\u00famero dos carros hoje! Quando comecei a trabalhar, vinha de bicicleta e hoje tenho dois carros, um para mim e outro para a minha mulher. O meu rendimento aumentou. A riqueza na Guin\u00e9 tem aumentado de fato!<\/p>\n<p><strong>OD: Nota-se grandes obras de reabilita\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de estradas a n\u00edvel do pa\u00eds, que est\u00e3o a ser efetuadas pelo Governo e suportadas economicamente pelo Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as. Pode-nos explicar como foi poss\u00edvel executar estas obras\u00a0?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF:<\/strong> Coloc\u00e1mos, atrav\u00e9s do Fundo Rodovi\u00e1rio, alguns recursos. Hoje j\u00e1 investimos 610 Milh\u00f5es para reabilitar algumas estradas em terra-batida. Por exemplo, eu usava a estrada de Bancul\u00e9m para sair do bairro de Luanda, mas esta estrada deixou de ser praticada h\u00e1 muitos anos. Agora conseguiu-se compact\u00e1-la e renov\u00e1-la em aterro e permitir a entrada e sa\u00edda de viaturas. Tamb\u00e9m outras estradas, tais como a de Empantcha, Bairro d\u2019Ajuda, \u00e0 Volta de Bissau e Luanda. A \u00fanica estrada que ainda n\u00e3o foi tratada \u00e9 a de B\u00f4r, que precisa de um tratamento especial, ou seja, de um trabalho mais consistente. Isso n\u00e3o se faz de um dia para outro, tendo em conta que aquela zona \u00e9 uma zona de arrozais (bolanhas). Claro que as estradas reabilitadas ter\u00e3o buracos devido \u00e0s chuvas. Mas no pr\u00f3ximo ano, naturalmente, o investimento necess\u00e1rio para as p\u00f4r em ordem n\u00e3o ser\u00e1 assim t\u00e3o elevado.<\/p>\n<p>Investimos na estrada e investimos na agricultura. Demos 300 Milh\u00f5es para o Minist\u00e9rio da agricultura comprar sementes para distribuir \u00e0s popula\u00e7\u00f5es. Demos algum dinheiro para aquisi\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel e demos dinheiro para pagar os tratoristas. H\u00e1 tratores em todas as regi\u00f5es. Podem ser alugados a um pre\u00e7o moderado para trabalhar a terra, isso tudo s\u00e3o investimentos.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a sa\u00fade, investimos no Hospital Nacional Sim\u00e3o Mendes, na reabilita\u00e7\u00e3o do Banco de Socorros. Se l\u00e1 for, ver\u00e1 que o antigo Banco de Socorros n\u00e3o estava a funcionar. Atualmente, decidimos ligar as duas partes do r\u00e9s-do-ch\u00e3o do edif\u00edcio principal atrav\u00e9s de uma rampa, para que o conjunto das dua partes passe a funcionar como os servi\u00e7os da urg\u00eancias. Fazia-se consultas externas e passamos isto para antiga maternidade, ao lado da Farm\u00e1cia. Investimos tamb\u00e9m na alimenta\u00e7\u00e3o dos doentes no Hospital Nacional Sim\u00e3o Mendes, num valor de 50 milh\u00f5es por m\u00eas, ainda climatizamos a Unidade dos Cuidados Intensivos que n\u00e3o tinha climatiza\u00e7\u00e3o e onde as pessoas deixavam as janelas abertas.<\/p>\n<p>No dom\u00ednio da energia, conseguimos pagar as d\u00edvidas aos Fundos \u00c1rabes e com base nisso, conseguimos obter um financiamento para aquisi\u00e7\u00e3o de um grupo de gerador de 20 Megawatts. Portanto, cobre Bissau a cem por cento e vai ser instalado at\u00e9 maio de 2018. Para al\u00e9m disso, devido ao bom relacionamento, vamos receber em agosto uma visita de \u2018Saudi Fund\u2019 que vir\u00e1 diagnosticar as \u00e1reas do investimento. \u2018Kuwait Fund\u2019 tamb\u00e9m manifestou o interesse de fazer a estrada do Aeroporto at\u00e9 Jugudul. E temos o BID que est\u00e1 aberto a financiar. O Banco Mundial, como podem ver, acabou de financiar um programa estrat\u00e9gico para o pa\u00eds para quatro anos em 90 milh\u00f5es de Euros. Financiaram um projeto que vai ser implementado agora de 25 milh\u00f5es de Euros destinado ao setor de \u00e1gua e energia aqui em Bissau, assim como na restrutura\u00e7\u00e3o da EAGB. J\u00e1 assinamos, com o banco Mundial, uma segunda fase para a cria\u00e7\u00e3o de uma empresa que vai gerir o projeto do Cabo Submarino. Isso representa uma soma de 25 milh\u00f5es de D\u00f3lares norte-americanos.<\/p>\n<p>Portanto, neste momento, al\u00e9m dos esfor\u00e7os internos que estamos a fazer para fazer os investimentos, tamb\u00e9m estamos a conseguir financiamentos externos.<\/p>\n<p><strong>OD: Al\u00e9m dos investimentos, o governo conseguiu pagar todas as d\u00edvidas aos t\u00e9cnicos de sa\u00fade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF:<\/strong> Os t\u00e9cnicos de sa\u00fade mandaram aqui uma soma de 561 milh\u00f5es e pagamos integralmente. Agora apresentaram uma nova conta, assim como recebemos uma nova conta do sector do sindicato dos professores. Estamos a analisar, porque n\u00e3o podemos pagar, pensando que tudo est\u00e1 pago e amanh\u00e3 voltar ao in\u00edcio. Temos que acabar com isso definitivamente. Vamos apurar os valores vamos assinar um memorando para dizer que o montante \u00e9 isto e foi totalmente pago, para que quem vier amanh\u00e3 gira o presente e n\u00e3o o passado.<\/p>\n<p>Relativamente ao setor do ensino, fala-se de mais de 200 professores que n\u00e3o tinham recebido. Quando \u00a0se consegue pagar num universo de 12 mil toda a d\u00edvida, ser\u00e3o os duzentos professores que n\u00e3o iriamos pagar? Trazem hoje um n\u00famero, depois de uma semana voltam com um outro n\u00famero. Isso tem que acabar. Depois de ter tudo pago, voltar outra vez com outras situa\u00e7\u00f5es. Por isso, decidimos analisar tudo ao pormenor e vamos sair com um memorando de entendimento. Ser\u00e1 pago tudo e n\u00e3o haver\u00e1 mais reclama\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>OD: A Reabilita\u00e7\u00e3o das escolas n\u00e3o faz parte dos planos do governo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>J\u00e1 falamos com o ministro da educa\u00e7\u00e3o e prometemos que nos pr\u00f3ximos tempos, vamos identificar as escolas sobretudo, aquelas que est\u00e3o com problemas de telhados. Vamos financi\u00e1-las imediatamente. Gagaranto-vos que se for necess\u00e1rio investir 50, 100 ou 200 milh\u00f5es para acabar com as escolas de barraca, financiaremos imediatamente. Estamos em condi\u00e7\u00f5es de fazer isso!<\/p>\n<p><strong>OD: O minist\u00e9rio das finan\u00e7as vai entrar com financiamento no processo de servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio que o minist\u00e9rio da defesa leva a cabo este ano?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>Sim, n\u00f3s financiamos isso. Se passar pelo aquartelamento de Amura, onde funciona o estado Maior General das For\u00e7as Armadas, ver\u00e1 os novos telhados que est\u00e3o a ser feitos nos edif\u00edcios que est\u00e3o descobertos desde 1998. Financiamos a cem por cento e vamos com isso at\u00e9 ao fim e voc\u00eas ver\u00e3o os resultados depois. Suportamos as despesas da alimenta\u00e7\u00e3o e de combust\u00edvel normalmente, sem problemas. Tamb\u00e9m pagamos as nossas d\u00edvidas com a EAGB.<\/p>\n<p><strong>OD: O bom desempenho do minist\u00e9rio das finan\u00e7as, segundo FMI, deve-se ao melhor controlo sobre o fluxo dos fundos p\u00fablicos. Como foi poss\u00edvel atingir estes resultados num governo sem Or\u00e7amento Geral de Estado (OGE)?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF:<\/strong> Voc\u00ea cobra as receitas que tem que cobrar. Entra aqui e faz as despesas como deve ser, despesas de qualidade, respeitando as regras de uma gest\u00e3o transparente e rigorosa, contando com o aux\u00edlio do Comit\u00e9 de Tesouraria que re\u00fane todas as ter\u00e7as e sextas-feiras. Tamb\u00e9m como processamos e filtramos as despesas, sobretudo despesas de qualidade, n\u00e3o temos tido grandes dificuldades. Desde que chegamos aqui, acab\u00e1mos com as despesas n\u00e3o tituladas, porque eram despesas que n\u00e3o seguiam os tr\u00e2mites or\u00e7amentais. Agora se tiver direito de receber qualquer valor, tem que apresentar os pap\u00e9is, o suporte e tudo o que for necess\u00e1rio para o efeito e fica contabilizado, o FMI ficou impressionado com isso.<\/p>\n<p><strong>OD: Qual \u00e9 o setor que mais gera rendimento econ\u00f3mico?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF:<\/strong> Alf\u00e2ndegas.<\/p>\n<p><strong>OD: Quanto \u00e9 que Alf\u00e2ndega rende mensalmente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF:<\/strong> Depende de picos. Nesta altura m\u00eas de julho, no m\u00eas passado e no m\u00eas anterior rende entre sete e oito bilh\u00f5es, mas h\u00e1 momentos em que descemos at\u00e9 quatro, cinco bilh\u00f5es. Varia, na exporta\u00e7\u00e3o a receita \u00e9 muito boa.<\/p>\n<p><strong>OD: Qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica junto aos credores?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF:<\/strong> Aqui vou fazer um par\u00eanteses. A d\u00edvida externa ao Banco Mundial, FMI, BAD estamos a pag\u00e1-la regularmente. O atrasado est\u00e1 reestruturado. Relativamente \u00e0 Banca aqui de Bissau, quando chegamos eram d\u00edvidas para tudo quanto era s\u00edtio, incluindo t\u00edtulos e resgates. No total eram oitenta e oito bilh\u00f5es. Em junho descemos para setenta e nove bilh\u00f5es. Mas acabamos com d\u00edvidas descobertas. Hoje, as d\u00edvidas que temos nos bancos s\u00e3o de dois tipos, ou s\u00e3o t\u00edtulos que j\u00e1 existiam que n\u00f3s renovamos ou d\u00edvidas reestruturais escalonadas em empr\u00e9stimos. N\u00e3o em descoberto, em conta corrente. Essas d\u00edvidas tinham 12 por cento das taxas de juro e hoje pagamos 6,5 por cento, porque reestruturamo-las para tr\u00eas anos. O minist\u00e9rio da economia e finan\u00e7as n\u00e3o est\u00e1 a aumentar as d\u00edvidas, mas sim \u00e9 um devedor que est\u00e1 a reduzir as d\u00edvidas todos os meses.<\/p>\n<p><strong>OD: O que motivou a emiss\u00e3o de bilhetes de tesouro em abril do corrente ano? Deve-se \u00e0 necessidade de amortizar os Bilhetes do Tesouro dos governos anteriores ou pelo d\u00e9fice or\u00e7amental corrente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>N\u00e3o. O que estamos a fazer \u00e9 refinanciar os t\u00edtulos de outros governos que venceram. Portanto, como n\u00e3o temos para pagar esses t\u00edtulos, agora e o objectivo \u00e9 emprestar novamente e com o produto deste emprestimo pagar o que j\u00e1 venceu e dar mais um prazo.\u00a0 <strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>OD: Senhor ministro, podia-nos citar os <\/strong><strong>sectores da produ\u00e7\u00e3o que mais crescem nos \u00faltimos tempos na Guin\u00e9-Bissau?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>No produto interno bruto, temos os sectores prim\u00e1rios, secund\u00e1rios etc&#8230; nos \u00faltimos dois anos todos os sectores tiveram de facto um bom desempenho. O sector agr\u00edcola, o pre\u00e7o de caju em 2014, 2015, 2016 e 2017 continuou a aumentar. No ano passado, houve uma ligeira diminui\u00e7\u00e3o que n\u00e3o afectou muito o sector da produ\u00e7\u00e3o cereal\u00edfera.<\/p>\n<p>No sector secund\u00e1rio, temos a empresa \u2018EAGB\u2019 que produz a energia sempre a subir, agora est\u00e3o com 15 MW em Bissau. A taxa de crescimento entre os anos 2013, 2014 e 2015 tem vindo aumentar. Estamos ainda na ordem de cinco por cento em cada ano, portanto os sectores est\u00e3o equilibrados.<\/p>\n<p><strong>OD: A EAGB constituiu sempre uma dor de cabe\u00e7a para os \u00faltimos governos que eram obrigados a injectar milh\u00f5es de francos cfa para cobrir algumas despesas da empresa e n\u00e3o conseguia auto-sustentar-se. Senhor ministro, como \u00e9 que lida com o caso da EAGB\u00a0? Subsidia tamb\u00e9m a empresa com milh\u00f5es de francos cfa para o seu funcionamento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>N\u00e3o. N\u00f3s pagamos a nossa factura, ou seja, pagamos a nossa factura do consumo da energia el\u00e9ctrica como qualquer cliente da empresa. Em janeiro deste ano, pagamos uma factura de 400 milh\u00f5es de francos cfa mensalmente e a partir de junho a despesa subiu para 500 milh\u00f5es de francos cfa, mensalmente.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora n\u00e3o contra\u00edmos nenhum emprestimo que pode nos levar a \u2018subvencionar\u2019 a Empresa da Electricidade e \u00c1gua da Guin\u00e9-Bissau, a fim de cobrir as suas despesas. Pag\u00e1mos a nossa factura regular. Na primeira semana de cada m\u00eas, pagamos a nossa factura.<\/p>\n<p><strong>OD: \u00a0O governo n\u00e3o disponibiliza nenhum franco cfa para a subven\u00e7\u00e3o da EAGB?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>O governo n\u00e3o disponibiliza nenhuns francos para a EAGB e apenas pagamos o nosso consumo que acertamos com a empresa.<\/p>\n<p><strong>OD: O uso do dinheiro de \u2018FUNPI\u2019 \u00e9 um assunto que continua a merecer a preocupa\u00e7\u00e3o de todos os guineenses, sobretudo quando se diz que o pr\u00f3prio Estado usou-o para o pagamento de sal\u00e1rios em diversas ocasi\u00f5es. O que pode-nos falar deste fundo neste momento, como titular de pasta das Finan\u00e7as?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF:<\/strong> O FUNPI foi um imposto criado e suportado pelos exportadores, que rendeu muito dinheiro. E acho que acumulou cerca de 17 mil milh\u00f5es de francos cfa, dos quais apenas o Estado da Guin\u00e9-Bissau, atrav\u00e9s do tesouro p\u00fablico, consumiu mais de nove mil milh\u00f5es para as suas despesas e pagamento de sal\u00e1rios. O resto foi aplicado para alguns operadores economicos que pediram fundos emprestados. Outra parte estimada em cerca de 600 milh\u00f5es de francos cfa foi para o funcionamento da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Ind\u00fastria, Agricultura e Servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Notou-se que o objectivo da cria\u00e7\u00e3o do fundo n\u00e3o estava a ser cumprido. Portanto, conclui-se e as autoridades da altura sugeriram a sua suspens\u00e3o. Quer o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) quer o Banco Mundial sempre opuseram-se a forma como aquele imposto estava a ser gerido. Repara que o pre\u00e7o da exporta\u00e7\u00e3o de caju era fixado num determinado valor. N\u00e3o podemos dizer ao exportador que tem que nos pagar dois mil d\u00f3lares por quilo. N\u00e3o se pode, porque \u00e9 o mercado que fixa o pre\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>OD: Diz-se que se a cobran\u00e7a do imposto de FUNPI n\u00e3o tivesse sido suspensa, muitas pessoas iriam parar na caadeia. Ent\u00e3o, essa foi a raz\u00e3o da sua suspens\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>N\u00e3o. Pelo facto deste imposto n\u00e3o estar a ser cobrado agora, n\u00e3o significa que iliba alguma pr\u00e1tica do passado. No entanto, compete ao Minist\u00e9rio P\u00fablico, se assim o entender, fazer a investiga\u00e7\u00e3o e tirar as suas conclus\u00f5es, portanto uma coisa n\u00e3o impede outra.<\/p>\n<p><strong>OD: Quanto \u00e9 que este governo viu nas contas do FUNPI?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>Eu estava no banco central, mas nesta conta n\u00e3o estava l\u00e1 nenhum franco. Zero. Mas nos bancos comerciais, acho que estava um bilh\u00e3o e mais qualquer coisa. \u00c9 para esquecer\u2026<\/p>\n<p><strong>OD: Este executivo n\u00e3o usou o dinheiro de FUNPI para as suas despesas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>Nem vou pensar nisso, ali\u00e1s, nem sei se existe! Para mim, o que existe s\u00e3o a Direc\u00e7\u00e3o das Alf\u00e2ndegas, Direc\u00e7\u00e3o da Contribui\u00e7\u00e3o e Impostos e o minist\u00e9rio das Pescas.<\/p>\n<p><strong>OD: Quando se fala da corrup\u00e7\u00e3o na Guin\u00e9-Bissau, o minist\u00e9rio das finan\u00e7as \u00e9 logo apontado como exemplo. Na sua opini\u00e3o, o que facilita a end\u00e9mica corrup\u00e7\u00e3o nas finan\u00e7as p\u00fablicas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>A corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno, n\u00e3o \u00e9 apenas guineense. Ou melhor, n\u00e3o \u00e9 praticada apenas por um determinado pa\u00eds. \u00c9 um fen\u00f3meno geral. A corrup\u00e7\u00e3o pode ser pequena ou grande, mas \u00e9 corrup\u00e7\u00e3o. N\u00f3s, na Guin\u00e9-Bissau, fechamos os olhos \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s, todos n\u00f3s aceitamos a corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O exemplo disso \u00e9 que se formos a um servi\u00e7o pedir um documento, quando percebemos que o funcion\u00e1rio faz \u2018mole-mole\u2019, disponibilizamos-lhe mil francos, para que possa agir mais depressa. Isso \u00e9 corrup\u00e7\u00e3o que estamos a promover cegamente, porque normalmente, ele devia fazer o seu trabalho sem pedir nenhuma contrapartida, dado que recebe o seu sal\u00e1rio mensalmente.<\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno end\u00e9mico praticado cegamente na Guin\u00e9-Bissau. Eu n\u00e3o gosto de falar deste assunto, mas hoje vou abrir uma excep\u00e7\u00e3o porque \u00e9 uma realidade que se constata todos os dias neste pa\u00eds. Agora n\u00e3o se limita ao n\u00edvel apenas dos governantes. Estende-se at\u00e9 a \u00faltima camada da sociedade guineense. Imagina\u00a0! At\u00e9 um guarda pr\u00e1tica a corrup\u00e7\u00e3o, porque permite ser corrompido com mil francos e aceita receber o dinheiro. Se o guarda pede mil francos, qui\u00e7\u00e1 os governantes v\u00e3o querer 100 mil francos ou mais.<\/p>\n<p>Uns dos pecados que cometemos e que ajudou muito na pr\u00e1tica da corrup\u00e7\u00e3o nesta terra \u00e9 que n\u00e3o gostamos de respeitar a lei rigorosamente. Quem \u00e9 rigoroso na aplica\u00e7\u00e3o da lei \u00e9 considerado uma pessoa m\u00e1. Portanto, apenas aqueles que facilitam \u00e9 que s\u00e3o consideradas boas pessoas. Aceitamos dar cinco mil francos cfa \u00e0 uma pessoa para nos deixar passar livremente ou que nos facilite num determinado assunto.<\/p>\n<p>Esta pr\u00e1tica se regista todos os dias e hoje \u00e9 uma doen\u00e7a na nossa sociedade, mas infelizmente at\u00e9 agora ningu\u00e9m teve a ousadia de a repudiar.<\/p>\n<p>A pessoa vai ao hospital e inclusive compra medicamentos aos t\u00e9cnicos de sa\u00fade, mas isso n\u00e3o \u00e9 bom!<\/p>\n<p><strong>OD: O que \u00e9 preciso fazer para estancar a corrup\u00e7\u00e3o que hoje \u00e9 tida como uma \u2018doen\u00e7a\u2019 na sociedade guineense?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>\u00c9 end\u00e9mica e abrange toda a nossa sociedade! Isto n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno f\u00e1cil de combater, mas a grande verdade \u00e9 que temos uma institui\u00e7\u00e3o a n\u00edvel do pa\u00eds encarregue de fazer este trabalho. H\u00e1 um gabinete de luta contra a corrup\u00e7\u00e3o. \u00b4R criar-lhe meios e permitir que funcione, mas \u00e9 bom que eles consigam detetar situa\u00e7\u00f5es que sejam traduzidas a justi\u00e7a e que a justi\u00e7a funcione.<\/p>\n<p>Quem tem que estancar isso \u00e9 a justi\u00e7a guineense, ningu\u00e9m mais. Pode-se repudiar ou condenar uma pessoa pela pr\u00e1tica da corrup\u00e7\u00e3o verbalmente, mas isso n\u00e3o chega. \u00c9 preciso que a justi\u00e7a aplique a lei.<\/p>\n<p><strong>OD: Falou-se que a quest\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o que se regista na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica em particular nas finan\u00e7as, levou o senhor a pedir \u2018Carta-branca\u2019 ao executivo para formar o seu \u2018staff\u2019. Confirma?\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>Sim confirmo\u2026<\/p>\n<p><strong>OD: Isso deve-se ao sucesso que se regista nas finan\u00e7as p\u00fablicas hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>Pediram-me para aceitar integrar-me no executivo. Ent\u00e3o pedi-lhes que me permitissem formar a minha equipa de trabalho. Eu disse: <em>d\u00eam-nos \u2018Carta-branca\u2019 e cobrem-nos o resultado daqui a seis meses<\/em>.<\/p>\n<p><strong>OD: N\u00e3o faz parte de nenhuma sensibilidade pol\u00edtica, mas diz-se que ocupou as finan\u00e7as por indica\u00e7\u00e3o do Presidente Jos\u00e9 M\u00e1rio Vaz?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF<\/strong>: \u00c9 verdade e n\u00e3o h\u00e1 nenhum segredo sobre isso.<\/p>\n<p><strong>OD: Pensa aderir a pol\u00edtica activa no futuro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>Aos 17 anos aderi uma causa nacional para liberta\u00e7\u00e3o do meu pa\u00eds. Hoje continuo numa causa nacional, portanto isso n\u00e3o significa que tenho que estar num partido pol\u00edtico. O importante \u00e9 que tenho que estar disponivel para trabalhar para o meu pa\u00eds. N\u00e3o preciso estar afiliado numa forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Essa senhora, a Secret\u00e1ria de Estado do Tesouro, n\u00e3o est\u00e1 afiliada em nenhum partido. Este senhor, o Secret\u00e1rio de Estado de Or\u00e7amento e Assuntos Fiscais, tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 afiliado em nenhum partido e o Jos\u00e9 Biai tamb\u00e9m n\u00e3o pertence a nenhuma forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Mas trabalhamos arduamente para o interesse da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que \u00e9 ser pol\u00edtico? Afinal \u00e9 um cidad\u00e3o que se disponibiliza na sociedade e que quer trabalhar para toda a agente. Se eu n\u00e3o me afiliar num partido, n\u00e3o deixo de ser um cidad\u00e3o disponivel para trabalhar para o interesse nacional.<\/p>\n<p><strong>OD: O Governo consegue pagar sal\u00e1rios p\u00fablicos todos os meses e inclusive financia a reabilita\u00e7\u00e3o de algumas estradas. J\u00e1 agora como \u00e9 que o executivo lida com o processo das privatiza\u00e7\u00f5es das empresas p\u00fablicas de telecomunica\u00e7\u00f5es, designadamente a Guin\u00e9 Telecom, Guin\u00e9 Tel e os Correios?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>Isto \u00e9 um dossier do minist\u00e9rio de Transportes e Telecomunica\u00e7\u00f5es. Eu n\u00e3o posso pronunciar-me sobre isso, porque eu n\u00e3o tenho acesso e nem dominio deste dossier.<\/p>\n<p><strong>OD: \u00c9 poss\u00edvel que o governo assuma a injec\u00e7\u00e3o de um fundo que permita o funcionamento destas empresas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>Governo em si n\u00e3o. Se houver uma parceria p\u00fablica e privada, porque n\u00e3o? Os poucos recursos que temos s\u00e3o para as despesas de qualidade. Para as despesas de qualidade, onde temos que investir em algo que possa apresentar alguma melhoria nas vidas das popula\u00e7\u00f5es. Perguntou-me da escola, como eu disse: j\u00e1 pedimos ao ministro da Educa\u00e7\u00e3o para identificar as escolas que precisam da interven\u00e7\u00e3o urgente.<\/p>\n<p>Para a reabilita\u00e7\u00e3o das escolas vamos disponibilizar dinheiro, mas agora investir numa coisa que leva tempo para regenerar o rendimento, sobretudo hoje que h\u00e1 efeitos de substitui\u00e7\u00f5es&#8230; H\u00e1 MTN e ORANGE a funcionar, portanto n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o urgente investir no sector das telecomunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>OD: O Governo conseguiu liquidar algumas d\u00edvidas pendentes com os funcion\u00e1rios da Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade. Mas em rela\u00e7\u00e3o aos funcion\u00e1rios dos Correios, o que se pretende fazer?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>Correios e a Guin\u00e9 Telecom s\u00e3o empresas p\u00fablicas, portanto n\u00e3o s\u00e3o integrados no Or\u00e7amento Geral do Estado. Isso s\u00f3 explica tudo, portanto h\u00e1 que encontrar um mecanismo, mas o Estado j\u00e1 investiu muito na Guin\u00e9 Telecom. Ali\u00e1s, lembro que em junho de 2016, o ent\u00e3o governo fez um emprestimo de 13 bilh\u00f5es de francos cfa atrav\u00e9s da emiss\u00e3o dos t\u00edtulos e pegou nove bilh\u00f5es para pagar uma divida em nome da Guin\u00e9 Telecom. Uma coisa que eu n\u00e3o faria, porque esta divida existe ainda e vamos renov\u00e1-la\u2026<\/p>\n<p>Eu talvez preferiria outras solu\u00e7\u00f5es. Porque s\u00e3o empresas que t\u00eam patrim\u00f3nio. Ent\u00e3o privatiza-las-ia ou criaria uma parceria p\u00fablico-privada, mas n\u00e3o endividaria o governo para investir numa empresa que acabou por n\u00e3o dar nenhum resultado at\u00e9 neste momento. Isto \u00e9 op\u00e7\u00e3o de cada ministro, mas eu n\u00e3o faria isso.<\/p>\n<p><strong>OD: As Finan\u00e7as pode assumir os custos das elei\u00e7\u00f5es legislativas, se forem marcadas?\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF:<\/strong> Lembro-me que em 2014\/2015, eu estava no minist\u00e9rio das Finan\u00e7as e discuti muito e trabalhei muito no processo eleitoral. Por\u00e9m, gerimos o que pudemos gerir naquela altura. Agora neste momento, quero informar aqui que j\u00e1 investimos mais de 200 milh\u00f5es de francos cfa com o Gabinete de t\u00e9cnico de apoio ao processo eleitoral (GTAPE) que est\u00e1 fazer a cartografia eleitoral. H\u00e1 dois meses investimos nisso. Tenho comigo o contrato que assinamos.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os no processo eleitoral devia ser um acto de cidadania, mas esta \u00e9 a minha opini\u00e3o. N\u00e3o significa que n\u00e3o podemos criar pequenas condi\u00e7\u00f5es para quem est\u00e1 numa mesa de voto de manh\u00e3 at\u00e9 a tarde. Infelizmente isso agora \u00e9 tido como um neg\u00f3cio para as pessoas que concorrem para ir para a mesa. Portanto \u00e9 uma correria de um lado para outro e cobra-se um certo montante.<\/p>\n<p>Penso que deveremos organizar as elei\u00e7\u00f5es, n\u00f3s mesmos e utilizando os meios que temos. Se tivermos um bilh\u00e3o, vamos organizar as elei\u00e7\u00f5es com esse dinheiro. Confesso aqui que envergonha-me estarmos a pedir dinheiro para realizar as nossas elei\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p><strong>OD: Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social, a r\u00e1dio nacional n\u00e3o tem nada. Parece que o governo esqueceu-se dos \u00f3rg\u00e3os da comunica\u00e7\u00e3o social. H\u00e1 pessoas nos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos que fizeram mais de dez anos em est\u00e1gio. O que o governo pensa fazer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social? <\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>Al\u00e9m dos sal\u00e1rios dos jornalistas que est\u00e1 agora no or\u00e7amento, tamb\u00e9m h\u00e1 um subs\u00eddio que pagamos, nomeadamente: \u00e0 r\u00e1dio nacional, ag\u00eancia nacional de informa\u00e7\u00e3o, televis\u00e3o e o jornal, ou seja, aos \u00f3rg\u00e3os da comunica\u00e7\u00e3o social p\u00fablica. O que lhes coloca acima da media do que \u00e9 praticado na fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Aceitamos isto e fazemos-lo religiosamente!<\/p>\n<p>Chegou-me aqui um dossier do Embaixador de Senegal sobre a obra realizada nas instala\u00e7\u00f5es da r\u00e1dio, que se estima em 87 milh\u00f5es de francos cfa.<\/p>\n<p>Sobre os meios de trabalho, lembro que quando estava no banco central, mandei oferecer dois computadores \u00e0 r\u00e1dio nacional. O computador n\u00e3o \u00e9 uma coisa cara hoje, portanto n\u00f3s podemos p\u00f4r l\u00e1 cinco ou seis computadores. Mas \u00e9 preciso que as pessoas prepararem um dossier bem feito sobre as necessidades.<\/p>\n<p>A televis\u00e3o tinha preparado um dossier com um custo estimado em 30 mil Euros, mas depois surgiu aquela oferta do Senegal e outra de uma organiza\u00e7\u00e3o que apoiou com C\u00e2maras de filmagem. Se a r\u00e1dio preparar um dossier de quatro ou cinco milh\u00f5es para aquisi\u00e7\u00f5es de materiais de trabalho muito bem organizado, portanto assumo aqui vamos financiar isso sem problemas.<\/p>\n<p>Quando houve essa situa\u00e7\u00e3o da suspens\u00e3o das emiss\u00f5es da RDP e RTP\/Africa no pa\u00eds, o ministro da Comunica\u00e7\u00e3o Social veio aqui a correr para explicar das dificuldades que poderiam ter no concernente a compra de combust\u00edvel para o funcionamento de gerador da emissora de Nhacra. Porque era as delega\u00e7\u00f5es daqueles \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social lusa que pagavam o combust\u00edvel e com a suspens\u00e3o de acordo, deixariam de comprar gas\u00f3leo.<\/p>\n<p>Como \u00e9 que um pa\u00eds soberano n\u00e3o consegue garantir o funcionamento do seu centro emissor principal atrav\u00e9s de aquisi\u00e7\u00e3o de 300 litros de gas\u00f3leo por dia? Francamente \u201c\u00e9s i lebisimenti pa n\u00f3 cab\u00e9\u00e7a pr\u00f3pri \u2013 isto \u00e9 faltamo-nos ao respeito a n\u00f3s mesmos\u201d. Eu sei o que \u00e9 a independ\u00eancia, eu vivi no mato durante 15 meses e sei como custou-nos a nossa independ\u00eancia. N\u00e3o havia sal\u00e1rio, roupas novas nem comida. Sacrificamo-nos para a liberta\u00e7\u00e3o do nosso pa\u00eds, de formas a podemos viver livremente. H\u00e1 coisas que s\u00e3o uma quest\u00e3o de dignidade, por isso assumimos o engajamento de fornecer combust\u00edvel ao nosso centro emissor de Nhacra.<\/p>\n<p><strong>OD: Qual \u00e9 o montante exacto em causa para a aquisi\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel? <\/strong><\/p>\n<p><strong>JAMF: <\/strong>S\u00e3o no total nove milh\u00f5es de francos cfa por m\u00eas para fazer funcionar os centros emissor de Nhacra, Gab\u00fa e Cati\u00f3. Assumimos isso e at\u00e9 agora n\u00e3o temos tido problemas de combust\u00edvel. Portanto isso \u00e9 uma coisa que n\u00f3s mesmos podemos assumir, sem pedir nada \u00e0 ningu\u00e9m.<strong>\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>Quero explicar que o governo atrav\u00e9s, das Finan\u00e7as, subsidia a UNTG com uma soma estimada em mais de dois milh\u00f5es de francos cfa mensalmente para garantir o seu funcionamento. O sindicato independente recebe 1.400 000 (um milh\u00e3o e quatro centos mil) francos cfa por m\u00eas. Na nossa gest\u00e3o inclu\u00edmos a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil que recebe do governo um subs\u00eddio de tr\u00eas milh\u00f5es de francos cfa por m\u00eas, que lhe permite funcionar. Agora tamb\u00e9m fixamos um subs\u00eddio para ACOBES, de forma ajudar-lhe no seu funcionamento.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por: Assana Samb\u00fa, Ant\u00f3nio Nhaga e Sene Camar\u00e1<\/strong><\/p>\n<p><strong>Foto: Marcelo Na Ritche<\/strong><\/p>\n<p>julho 2017<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[ENTREVISTA] O ministro da Economia e das Finan\u00e7as, Jo\u00e3o Alage Mamadu Fadia, disse que se sente como um militante e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":13824,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,23],"tags":[],"class_list":["post-13831","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-inicio","category-economia","wpcat-6-id","wpcat-23-id"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - 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