{"id":18035,"date":"2018-08-26T14:51:07","date_gmt":"2018-08-26T14:51:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=18035"},"modified":"2018-08-26T14:51:07","modified_gmt":"2018-08-26T14:51:07","slug":"opiniao-que-estatuto-teria-o-filho-de-combatente-se-nao-o-fosse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=18035","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: QUE ESTATUTO TERIA O FILHO DE COMBATENTE, SE N\u00c3O O FOSSE?"},"content":{"rendered":"<p>Com certeza, \u00e9 uma quest\u00e3o que no fundo requer muita reflex\u00e3o ou muitas respostas, dependendo das circunst\u00e2ncias e da forma como a quest\u00e3o \u00e9 encarada no seio dos que a dramatizam ou protagonizam a \u201cnova classe de cidad\u00e3os\u201d que se criou tanto nos bastidores quanto na sociedade guineense, bem como nas organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, at\u00e9 mesmo nas fam\u00edlias que aparentemente se mostram serem l\u00facidas. Mas que fen\u00f3meno?!<\/p>\n<p>Quando digo \u201cnova classe de cidad\u00e3os\u201d com certo pendor de realce, \u00e9 porque esta quest\u00e3o foi e est\u00e1 a ser dramatizada como se, sem a luta armada, o pa\u00eds nunca teria chegado a sua independ\u00eancia por via pac\u00edfica. Quando se desencadeou o processo de luta de liberta\u00e7\u00e3o nacional at\u00e9 ao primeiro tiro em 1963, em Tite, sul da Guin\u00e9-Bissau, muitos pa\u00edses africanos (Eti\u00f3pia, Arg\u00e9lia, Togo, Gana, Senegal&#8230;) estavam j\u00e1 nas v\u00e9speras das suas independ\u00eancias. \u00c9 claro que as circunst\u00e2ncias eram bem diferentes. Na Guin\u00e9-Bissau chegamos ao ponto a que chegamos talvez por culpa de ningu\u00e9m ou por neglig\u00eancia de algu\u00e9m. Mas n\u00e3o \u00e9 a hora de nos crucificarmos ou sermos bombeiros que agem com medidas ou, at\u00e9 ostensivamente, ateiam as casas dos vizinhos \u00e0s escondidas e a seguir aparecem a oferecer os seus servi\u00e7os para apagar o inc\u00eandio. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 altura de imputar responsabilidades a algu\u00e9m. Saibamos esquecer os erros, desenhar novos horizontes e produzir ideias novas e pensamentos positivos&#8230;<\/p>\n<p>Contudo, levantei este \u201cdebate\u201d justamente para procurar conhecer diferentes manifesta\u00e7\u00f5es ou sentimentos ou at\u00e9 mesmo respostas que possam dissipar d\u00favidas ou acabar com os sentimentos que movem certas pessoas ao ponto de se negarem, ignorantemente, encarando cegamente o estatuto do combatente com se s\u00ea-lo \u00e9 heredit\u00e1rio. N\u00e3o. E nunca ser\u00e1 assim, quer gostem quer n\u00e3o! Ser antigo combatente na Guin\u00e9-Bissau \u00e9 um orgulho, pelos feitos que nos foram transmitidos dos nossos gloriosos homens que deram a sua juventude pela causa nacional. Mas \u00e9 um feito pr\u00f3prio dos combatentes e \u00e9 intransmiss\u00edvel, por mais que algu\u00e9m queira orgulhar-se dele! Por isso, fazer parte dessas figuras heroicas \u00e9 um orgulho nacional inquebrant\u00e1vel. O estatuto de antigo combatente \u00e9 ineg\u00e1vel a quem deve t\u00ea-lo, mas deve ser entendido e interpretado plenamente e nos moldes pr\u00f3prios, nunca fora do contexto ou do \u201cprotagonismo volunt\u00e1rio\u201d, para que o cidad\u00e3o comum possa compreender melhor o conceito de antigo combatente.<\/p>\n<p>Muitos guineenses que se vangloriam de filhos de antigos combatentes, n\u00e3o podiam ter outro estatuto? N\u00e3o podiam ter outras conquistas que n\u00e3o sejam as de vestir o \u201ccapote\u201d de filhos de antigos combatentes? S\u00e3o apenas perguntas ret\u00f3ricas que fa\u00e7o. Porqu\u00ea e para qu\u00ea tanta insist\u00eancia?<\/p>\n<p>Tudo isso n\u00e3o seria criar uma cultura de amontondadi ou clube de mandri\u00f5es? Ou abdicar-se de conquistas pr\u00f3prias e viver \u00e0 sombra, sangue e suor desses valentes homens de forma parasital? Porque gozar do privil\u00e9gio de filho de antigo combatente \u00e9 mesma coisa que ser filho de um campon\u00eas, professor, enfermeiro, eletricista&#8230; Mas nunca se deve confundir as duas coisas. Ou seja, gozar \u00e9 uma coisa, mas encarn\u00e1-lo \u00e9 outra bem diferente. \u00c0s vezes dou-vos raz\u00e3o, porque essa confus\u00e3o s\u00f3 pode caber numa sociedade como a nossa, mas em sociedades onde o debate nacional sobre diferentes assuntos \u00e9 recorrente, esta quest\u00e3o teria sido discutida abertamente e dissipadas as d\u00favidas.<\/p>\n<p>Fazer parte de qualquer classe social \u00e9 um orgulho para quem a pertence e desde que saiba encar\u00e1-la como tal, mas n\u00e3o aqueles que, a todo custo, querem mesmo a mil qul\u00f3metros ou milhas, que sejam vistos ou identificados como filhos de antigos combatentes, como cidad\u00e3os da primeira categoria ou de outro planeta, n\u00e3o como cidad\u00e3os nacionais que, do nosso ponto de vista, podem fazer parte de outras classes sociais, ter outros estatutos e outras conquistas diferentes que os pais.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos ter uma sociedade homog\u00eanea (onde nada se diverge), \u00fanica e dependente. Sociedades desta natureza desaparecem quando essa classe (monop\u00f3lio ou privilegiada) se torna impotente e improdutiva. Temos que aceitar ser diferentes uns dos outros, sentirmo-nos capazes de sermos s\u00f3s e realizar conquistas para o bem comum. Na diversidade constru\u00edmos maravilhas. N\u00e3o podemos ser todos filhos de antigos combatentes e ao mesmo tempo ficarmos cegamente \u00e0 sombra deste argumento pobre e a ver o pa\u00eds estagnar. Sim, o pa\u00eds precisava porque o contexto era outro. Mas agora a tend\u00eancia \u00e9 produzir homens em diferentes setores para cumprir o \u201c programa maior \u201d &#8211; Am\u00edlcar Lopes Cabral.<\/p>\n<p>Caros leitores de o O Democrata! N\u00e3o quero, com esta minha vis\u00e3o cr\u00edtica, dizer que os filhos de antigos combatentes n\u00e3o devem e nem podem exigir que o Estado crie condi\u00e7\u00f5es\u00a0 aos combatentes, n\u00e3o. N\u00e3o, longe disso. Ali\u00e1s, \u00e9 um imperativo que o Estado n\u00e3o devia deixar de lado, porque \u00e9 sua miss\u00e3o. Queremos que essa miss\u00e3o fique sob responsabilidade do Estado e n\u00f3s avancemos para o desafio maior \u2013 o desenvolvimento da Guin\u00e9-Bissau.<\/p>\n<p>Quem seriam, se n\u00e3o fossem filhos de antigos combatentes? Bom, \u00e9 uma quest\u00e3o ret\u00f3rica que tamb\u00e9m lan\u00e7o para an\u00e1lise de todos.<\/p>\n<p>Se ser combatente fosse um crime tipificado no C\u00f3digo de Processo Penal guineense (CPP), algu\u00e9m estaria em condi\u00e7\u00f5es de encarnar o estatuto de antigo combatente como se fosse dele ou feito conquistado? \u00c9 mais uma quest\u00e3o ret\u00f3rica. Porqu\u00ea e para qu\u00ea tudo isto?<\/p>\n<p>A luta de liberta\u00e7\u00e3o nacional, que culminou com a independ\u00eancia unilateral do pa\u00eds em 1973 e um ano mais tarde (1974) reconhecida por Portugal, foi uma conquista comum e indel\u00e9vel. E cada cidad\u00e3o na altura assumiria qualquer coisa, sem olhar para os riscos. Porque? &#8211; Porque estava em causa a soberania nacional. E outro motivo seria, porque o povo estava sob jugo colonial infernal dos colonizadores (portugueses).<\/p>\n<p>Este pa\u00eds, que nos orgulha a todos, n\u00e3o pode avan\u00e7ar se continuarmos a sentir que n\u00e3o podemos \u201candar com os nossos pr\u00f3prios p\u00e9s e guiados pela nossa cabe\u00e7a\u201d &#8211; Am\u00edlcar Lopes Cabral.<\/p>\n<p>O que quer dizer que temos que come\u00e7ar a sentirmo-nos homens realiz\u00e1veis na aus\u00eancia de tudo e todos. Ou seja, <strong>si nha pape ou nha mame ka sta, ami i omi, ami n pudi fasi pa nha kabesa<\/strong>. Um homem com esta determina\u00e7\u00e3o dificilmente perde \u201cbatalhas\u201d no seu quotidiano.<\/p>\n<p>A sociedade moderna com pensamento moderno, n\u00e3o se constr\u00f3i de dia para a noite. \u00c9 preciso tempo, mas \u00e9 este tempo que n\u00e3o temos. Apesar de tudo, \u00e9 bom ainda acreditar que mais tempo ou menos tempo vamos progressivamente abandonar certos comportamentos individualistas e conhecer mudan\u00e7as de v\u00e1ria ordem, sobretudo a de mentalidade de <strong>Kumpu Tera<\/strong> para o bem-estar de todos.<\/p>\n<p>Por que encarar filho de antigo combatente, \u201cuma brilhante identidade\u201d, como se de cart\u00e3o de servi\u00e7o ou bilhete de identidade de algu\u00e9m se tratasse?<\/p>\n<p>Os m\u00e9dia t\u00eam um papel fundamental neste \u201cdebate\u201d, atrav\u00e9s de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. Porque mesmo nas sociedades modernas e democraticamente reconhecidas, o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o \u00e9 pedra basilar, por, pelo menos, duas raz\u00f5es:<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, garante que os cidad\u00e3os fa\u00e7am escolhas respons\u00e1veis e informadas, em vez de agirem na ignor\u00e2ncia ou mal informados.<\/p>\n<p>Em segundo, servem uma \u201cfun\u00e7\u00e3o de verifica\u00e7\u00e3o\u201d, garantindo que os representantes eleitos mantenham as suas promessas e cumpram os desejos daqueles que os elegem.<\/p>\n<p>Em algumas sociedades, uma rela\u00e7\u00e3o antag\u00f3nica entre os meios de comunica\u00e7\u00e3o e o governo representa um elemento vital e saud\u00e1vel das democracias em pleno funcionamento.<\/p>\n<p>Em sociedades em situa\u00e7\u00f5es de p\u00f3s-conflito ou etnicamente homog\u00e9neas, as rela\u00e7\u00f5es tensas podem n\u00e3o ser apropriadas, mas o papel da imprensa ou dos m\u00e9dias em disseminar informa\u00e7\u00e3o como forma de media\u00e7\u00e3o entre o Estado e as facetas da sociedade civil continua a ser cr\u00edtico!. \u00c9 urgente agirmos!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por: Filomeno Samb\u00fa, Jornalista<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com certeza, \u00e9 uma quest\u00e3o que no fundo requer muita reflex\u00e3o ou muitas respostas, dependendo das circunst\u00e2ncias e da forma&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":17732,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,25],"tags":[],"class_list":["post-18035","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-inicio","category-opinioes","wpcat-6-id","wpcat-25-id"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Opini\u00e3o: QUE ESTATUTO TERIA O FILHO DE COMBATENTE, SE N\u00c3O O FOSSE? 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