{"id":1852,"date":"2014-09-23T23:09:44","date_gmt":"2014-09-23T23:09:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=1852"},"modified":"2014-09-23T23:13:18","modified_gmt":"2014-09-23T23:13:18","slug":"transportar-a-energia-eletrica-de-kaleta-e-mais-barrato-que-construir-barragem-em-saltinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=1852","title":{"rendered":"\u201cTRANSPORTAR A ENERGIA EL\u00c9TRICA DE KALETA \u00c9 MAIS BARRATO QUE CONSTRUIR BARRAGEM EM SALTINHO\u201d"},"content":{"rendered":"<p>GRANDE ENTREVISTA:<\/p>\n<p>O t\u00e9cnico da energia el\u00e9trica, Eng. Ant\u00f3nio Samba Bald\u00e9, disse, na rubrica da grande entrevista do jornal \u201cO Democrata\u201d, que \u201ctransportar a energia el\u00e9trica de Kaleta (Guin\u00e9e-Conakri), \u00e9 mais barato, em lugar de construir a barragem em Saltinho (sul do pa\u00eds).<\/p>\n<p>Este especialista da energia afirmou ainda que em termos econ\u00f3micos e humanos o transporte da corrente el\u00e9trica a partir da barragem de Kaleta (Guin\u00e9-Conacri) vai custar ao pa\u00eds menos, em vez de construir uma barragem pr\u00f3pria que carretar\u00e1 mais custo ao pa\u00eds, uma vez que vai-se precisar de construir reservat\u00f3rios de \u00e1gua para injetar as tribunas na \u00e9poca da seca e estes t\u00eam elevados custos, entre outros.<\/p>\n<p>Nesta entrevista com este t\u00e9cnico da energia, igualmente l\u00edder de uma forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na oposi\u00e7\u00e3o, ao falar daquilo que motivou o Presidente JOMAV a libertar os presos militares envolvidos no caso 21 de Outubro, disse que \u201cse houver ainda alguma coisa subjacente no gesto, ent\u00e3o ele acha que a ideia n\u00e3o est\u00e1 correta. Porque a liberta\u00e7\u00e3o dos detidos \u00e9 da responsabilidade dos tribunais\u201d.<\/p>\n<p><strong>Democrata (D): A cidade de Bissau registou um pouco de melhoria em termos da energia el\u00e9ctrica fornecida pela Empresa de Eletricidade e \u00c1gua da Guin\u00e9-Bissau (EAGB) nos \u00faltimos dois meses. Mesmo assim alguns bairros da capital continuam a deparar-se com a falta da energia, como tamb\u00e9m a pr\u00f3pria empresa que continua a confrontar-se com problema de redes de distribui\u00e7\u00e3o. Acha que neste ritmo de funcionamento a empresa est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de fornecer a corrente el\u00e9ctrica para toda a cidade, incluindo algumas cidades perif\u00e9ricas da capital?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Samba Bald\u00e9 (ASB):<\/strong> Acho que hoje n\u00e3o deveriamos falar da energia el\u00e9ctrica, porque estamos em pleno s\u00e9culo XXI. Na verdade, houve certa melhoria em algumas zonas da capital Bissau no que diz respeito a fornecimento deste bem indispens\u00e1vel numa sociedade. Para mim, isso n\u00e3o foi o objectivo principal da empresa, ou ent\u00e3o, dos sucessivos governos que passaram neste pa\u00eds. O objectivo era de levar a corrente el\u00e9ctrica para todo o pa\u00eds, mas n\u00e3o apenas para alguns bairros da cidade de Bissau.<\/p>\n<p>A corrente el\u00e9ctrica n\u00e3o s\u00f3 vai nos permitir estar em competitividade a n\u00edvel sub-regional, mas tamb\u00e9m a n\u00edvel nacional vai-nos permitir ter mais capacidade de produ\u00e7\u00e3o e ao mesmo tempo trabalhar para desenvolver a nossa terra. Agora respondendo a sua pergunta, se neste ritmo a empresa estar\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de fornecer a energia para toda a cidade de Bissau, incluindo algumas cidades perif\u00e9ricas, sinceramente digo que nestas condi\u00e7\u00f5es, em que a empresa est\u00e1 a funcionar, \u00e9 imposs\u00edvel fornecer a energia para toda a cidade de Bissau, e muito menos para algumas cidades pr\u00f3ximas da capital.<\/p>\n<p>Neste momento a empresa apostou na solu\u00e7\u00e3o paliativa. Isto \u00e9, preocupar-se a resolver problemas correntes de pequeno grupo de consumidores nas pequenas necessidades. A energia el\u00e9ctrica \u00e9 uma coisa que se projecta para 100 e 200 anos, n\u00e3o \u00e9 uma coisa que se faz apenas para servir pequenas necessidades.<\/p>\n<p>Quero dizer que n\u00e3o estou a minimizar os esfor\u00e7os da actual administra\u00e7\u00e3o, que at\u00e9 por sinal fez alguma coisa, mas a maior verdade \u00e9 que actual autoridade tem que come\u00e7ar a projectar o fornecimento da energia para toda a cidade de Bissau, bem como criar as condi\u00e7\u00f5es de levar a energia para as regi\u00f5es que tamb\u00e9m precisam, porque, como deve ser do conhecimento de todos, a corrente el\u00e9ctrica n\u00e3o \u00e9 um luxo para ningu\u00e9m no s\u00e9culo XXI, portanto deve ser um produto que devemos usar no sentido de ajudar a resolver os nossos problemas do dia-a-dia.<\/p>\n<p>A melhoria que se regista neste momento \u00e9 baseado na produ\u00e7\u00e3o via combust\u00e3o diesel, quer dizer, p\u00f4r gas\u00f3leo e fazer o gerador funcionar a fim de fornecer a energia. Penso que devemos come\u00e7ar a preconizar para que a corrente el\u00e9ctrica nos traga mais-valia para a produ\u00e7\u00e3o de riqueza, mas para isso \u00e9 necess\u00e1rio repensar seriamente a empresa e a sua forma de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>D: Alguns meses atr\u00e1s, a empresa nem sequer conseguia fornecer a energia com regularidade, mas hoje registou-se essa melhoria assim como a estrutura da direc\u00e7\u00e3o-geral. O que acha, a seu ver, pode estar por detr\u00e1s desta melhoria em termos de fornecimento da energia el\u00e9ctrica?<\/strong><\/p>\n<p>ASB: Est\u00e1 a referir-se a um passado de cinco a seis meses. Naquela altura est\u00e1vamos numa situa\u00e7\u00e3o an\u00f3mala, porque o pa\u00eds se encontrava na situa\u00e7\u00e3o de golpe de Estado. Quando se gere o pa\u00eds numa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o leg\u00edtima, como o nosso caso, certamente que n\u00e3o se pode contar com os apoios de parceiros de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Para dizer aquilo que est\u00e1 por detr\u00e1s da melhoria que se verifica neste momento na empresa, acho que a pr\u00f3pria empresa j\u00e1 come\u00e7a a estar em condi\u00e7\u00f5es de dar essa informa\u00e7\u00e3o. Quero aproveitar a ocasi\u00e3o para louvar a actual administra\u00e7\u00e3o da empresa, porque realmente registou melhorias. Acho que isso tem a ver com o indiv\u00edduo que est\u00e1 a gerir o sector da energia neste momento, \u00e9 ele, quem trouxe a melhoria que se regista na empresa.<\/p>\n<p><strong>D: A central el\u00e9ctrica continua a deparar-se com a falta de capacidade t\u00e9cnica de alimentar toda a cidade. Qual \u00e9 a capacidade em mega dos geradores que s\u00e3o necess\u00e1rios para alimentar a cidade de Bissau, no seu ponto de vista?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASB:<\/strong> Neste momento n\u00e3o temos as ind\u00fastrias ou grandes empresas que consomem certa quantidade da energia. Apenas o grande consumidor da energia neste momento \u00e9 a administra\u00e7\u00e3o do Estado, que, por sinal, \u00e9 o mau pagador deste servi\u00e7o. Acho que, de momento, precisamos de um gerador de 20 mega que pode fornecer a energia el\u00e9ctrica at\u00e9 nas cidades perif\u00e9ricas de Bissau, designamente Safim.<\/p>\n<p>Se estivermos a pensar numa coisa mais s\u00e9ria, que pode fornecer a energia para f\u00e1bricas e grandes empresas para a transforma\u00e7\u00e3o dos seus produtos, temos que projectar uma coisa com maior capacidade que pode fornecer a energia el\u00e9ctrica, n\u00e3o s\u00f3 para a cidade de Bissau, mas tamb\u00e9m para todo o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Isto \u00e9, estamos j\u00e1 a falar de central de 120 a 130 mega que vai permitir a empresa fornecer todo o pa\u00eds a corrente el\u00e9ctrica. Isto vai permitir o pa\u00eds ter excedentes, no momento da recep\u00e7\u00e3o do produto, e vai dar garantias de que noutra sa\u00edda j\u00e1 tem uns 30 ou 40 mega \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o na eventualidade do que pode vier acontecer em termos de consumo.<\/p>\n<p><strong>D: Outra preocupa\u00e7\u00e3o que se pode levantar sempre tem a ver com as linhas de distribui\u00e7\u00e3o da corrente el\u00e9ctrica da EAGB e os postos de transforma\u00e7\u00f5es de corrente. Existem vozes que defendem a remodela\u00e7\u00e3o das linhas de distribui\u00e7\u00e3o da corrente e dos postos de transforma\u00e7\u00f5es. <\/strong><strong>O senhor comunga essa opini\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASB:<\/strong> Para que a corrente el\u00e9ctrica chegue bem nas nossas casas, \u00e9 preciso s\u00e9rias coisas, portanto \u00e9 necess\u00e1rio termos uma boa rede de distribui\u00e7\u00e3o de corrente, que tamb\u00e9m deve estar em boas condi\u00e7\u00f5es. A rede tem de ter a fiabilidade. No entanto, se a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 fi\u00e1vel acho tamb\u00e9m que a rede tem de ser fi\u00e1vel no sentido de poder ter um produto acabado e que chegue \u00e0s casas dos consumidores em melhores condi\u00e7\u00f5es para uso.<\/p>\n<p>Eu defendo sempre que seja removida a antiga linha de distribui\u00e7\u00e3o da corrente, e em seu lugar que sejam instaladas outras, sobretudo as subterr\u00e2neas. Se n\u00e3o fizerem isso, ent\u00e3o ainda n\u00e3o se conseguiu resolver o problema da distribui\u00e7\u00e3o da corrente. E \u00e9 isso que deve ser feito, pelas pessoas que est\u00e3o a dirigir o sector neste momento, mas tamb\u00e9m se n\u00e3o se remover a linha antiga que saibam que ainda n\u00e3o se resolveu o problema da distribui\u00e7\u00e3o, porque mais cedo ou tarde ter\u00e3o que o fazer.<\/p>\n<p><strong>D: Fala-se muito nos \u00faltimos tempos na restrutura\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria empresa, a fim de dar mais dinamismo e qualidade a mesma. Como t\u00e9cnico na energia, acha que \u00e9 necess\u00e1ria a restrutura\u00e7\u00e3o da empresa para resolver o problema energ\u00e9tico na Guin\u00e9-Bissau?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASB:<\/strong> Sou uma das pessoas que at\u00e9 a certo momento acha que a solu\u00e7\u00e3o da EAGB passa pela privatiza\u00e7\u00e3o. Actualmente cheguei a conclus\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 preciso privatiz\u00e1-la para resolver o problema com que se depara, mas sim \u00e9 necess\u00e1rio que se proceda uma restrutura\u00e7\u00e3o profunda no seu seio.<\/p>\n<p>A Empresa da Electricidade e \u00c1gua da Guin\u00e9-Bissau tem problema da restrutura\u00e7\u00e3o e da gest\u00e3o, portanto para mim isso \u00e9 extremamente importante. Nesta primeira fase devemos reestruturar \u00e0 empresa de raiz, temos que ver aqueles que n\u00e3o s\u00e3o rent\u00e1veis na empresa, indemniz\u00e1-los e depois mand\u00e1-los para casa. Isso vai permitir a empresa respirar de al\u00edvio do encargo que tinha nas costas em termos de gastos financeiros, porque paga muitas pessoas e a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o correspende com as despesas.<\/p>\n<p>Depois recrutava-se pessoas s\u00e9rias, que independentemente de serem t\u00e9cnicas da energia ou n\u00e3o. Mas que sejam pessoas que v\u00e3o trabalhar na gest\u00e3o da empresa e que permitir\u00e3o a mesma render mais e que ela fa\u00e7a as despesas de acordo com a sua capacidade de produ\u00e7\u00e3o. Acho que \u00e9 isso que est\u00e1 a faltar a EAGB uma restrutura\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, a fim de permitir que a empresa marche com os seus pr\u00f3prios p\u00e9s.<\/p>\n<p><strong>D: Actualmente todo o pa\u00eds est\u00e1 esperan\u00e7ado no projecto da energia proveniente da barragem de Kaleta, na Guin\u00e9e-Conakri, onde o pa\u00eds est\u00e1 inserido atrav\u00e9s da OMVG. Conforme os t\u00e9cnicos da \u00e1rea, s\u00e3o necess\u00e1rios um montante de 100 milh\u00f5es de Euros (65 bilh\u00f5es de francos cfa) para a constru\u00e7\u00e3o de uma rede de mais de 200 quil\u00f3metros para a condu\u00e7\u00e3o da corrente el\u00e9ctrica da Kaleta at\u00e9 a Guin\u00e9-Bissau. Acha que o pa\u00eds deve engajar-se neste projecto, tendo em conta o custo estimado pelos t\u00e9cnicos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASB:<\/strong> Qualquer projecto energ\u00e9tico desta dimens\u00e3o, sobretudo da produ\u00e7\u00e3o da corrente el\u00e9ctrica, se for a energia h\u00eddrica, \u00e9 muito mais rent\u00e1vel, para que pa\u00edses que t\u00eam menos extens\u00e3o territorial e populacional, juntarem-se numa coisa s\u00e9ria que os permite aproveitar a produ\u00e7\u00e3o daquele produto, a fim de poderem servir do mesmo da melhor forma poss\u00edvel. Portanto, acho que a Guin\u00e9-Bissau deve engajar-se muito bem neste projecto, porque \u00e9 mais rent\u00e1vel para n\u00f3s.<\/p>\n<p>No meu ponto de vista, \u00e9 menos custoso transportar a corrente el\u00e9ctrica de 130 mega em fun\u00e7\u00e3o daquilo que foi projectado para todo o pa\u00eds, a partir da barragem de Kaleta atrav\u00e9s da rede de destribui\u00e7\u00e3o da corrente. Se a Guin\u00e9-Bissau pretende construir a barragem em Saltinho, \u00e9 muito mais custoso em rela\u00e7\u00e3o ao transporte da corrente a partir da Guin\u00e9-Conakri.<\/p>\n<p>Transportar energia el\u00e9ctrica de Kaleta \u00e9 mais barato, em vez de construir a barragem em Saltinho. Em termos econ\u00f3mico e humanos a transporta\u00e7\u00e3o da corrente a partir de Kaleta vai custar ao pa\u00eds menos, em vez de construir uma barragem. Da\u00ed que \u00e9 mais vi\u00e1vel negociar ao n\u00edvel sub-regional, onde toda gente se vai envolver no projecto e na sua protec\u00e7\u00e3o. Toda gente ter\u00e1 o interesse de ver as instala\u00e7\u00f5es \u00e0 funcionar durante muitos anos, porque \u00e9 ali que est\u00e1 as suas vidas.<\/p>\n<p><strong>D: Se percebo, no seu ponto de vista, tecnicamente n\u00e3o \u00e9 rent\u00e1vel a constru\u00e7\u00e3o da barragem de Saltinho neste momento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASB:<\/strong> \u00c9 necess\u00e1rio construirmos uma barragem para um espa\u00e7o de 36 mil km2 e uma popula\u00e7\u00e3o de aproximadamente 1,7 milh\u00e3o de habitantes? N\u00e3o \u00e9 rent\u00e1vel economicamente, no meu ponto de vista. A constru\u00e7\u00e3o de barragem tem custos elevad\u00edssimos, sobretudo no momento em que se regista a queda da \u00e1gua no leito do rio Geba, que alimenta a zona de Saltinho, que deminuiu quase 50 por cento.<\/p>\n<p>Se construirmos a barragem de Saltinho, neste momento, vamos ser obrigados a construir grandes reservat\u00f3rios de \u00e1gua de compensa\u00e7\u00e3o cuja \u00e1gua ser\u00e1 utilizada no per\u00edodo da seca, a fim de injectar nas turbinas de forma a poderem trabalhar. Isso j\u00e1 \u00e9 um custo igual a constru\u00e7\u00e3o da barragem, portanto no nosso caso vamos acabar que construir duas barragens. A constru\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios da \u00e1gua para alimentar as tribunas na \u00e9poca da seca tem custos que quase chega a 50 por cento do or\u00e7amento para a constru\u00e7\u00e3o de barrragem.<\/p>\n<p><strong>D: O projecto da constru\u00e7\u00e3o da barragem de Saltinho \u00e9 assegurado por uma empresa chinesa. Acha que mesmo assim, a prioridade deveria ser o transporte da corrente el\u00e9ctrica a partir da barragem de Kaleta?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASB:<\/strong> No meu ponto de vista, devemos apostar mais na barragem de Kaleta, em vez de construirmos uma barragem que nos vai acarretar mais custos. A barragem de Kaleta \u00e9 um projecto sub-regional, al\u00e9m disso, a sua capacidade de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 muito superior a consumo s\u00f3 da Guin\u00e9-Conacri, por isso muitos pa\u00edses estar\u00e3o interessados em procurar a energia el\u00e9ctrica de Kaleta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da barragem exige custos enormes, independentemente de quem vai constru\u00ed-la, se s\u00e3o chineses, japoneses ou americanos. A minha maior preocupa\u00e7\u00e3o continua a ser os enormes custos que tal acarreta, portanto a quest\u00e3o \u00e9 o seguinte: quem \u00e9 que vai suportar os custos da constru\u00e7\u00e3o da barragem de Saltinho? Quem est\u00e1 disposto a negociar com a Guin\u00e9-Bissau na constru\u00e7\u00e3o da barragem de Saltinho neste momento que depara com problema da queda da \u00e1gua, depois em benef\u00edcio de quem? Penso que essas quest\u00f5es todas precisam de respostas para depois come\u00e7armos a pensar se \u00e9 bom continuar na implementa\u00e7\u00e3o do projecto ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Confesso tamb\u00e9m que n\u00e3o tenho o dossier da constru\u00e7\u00e3o da barragem de Saltinho. Eu gostava de ver os custos da constru\u00e7\u00e3o da barragem de Saltinho, de forma a poder continuar a defender a tese de transporte de corrente el\u00e9ctrica a partir de Kaleta em vez de construirmos uma barragem na nossa terra.<\/p>\n<p><strong>D: Acha que as autoridades ter\u00e3o a capacidade de obter o montante de 100 milh\u00f5es de Euros, para a constru\u00e7\u00e3o da rede de transporte da corrente a partir da barragem de Kaleta?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASB:<\/strong> Este \u00e9 a responsabilidade do Governo, por isso, deve ter a capacidade de mobilizar os fundos junto dos parceiros. Para a execu\u00e7\u00e3o de um grande projecto como aquele da constru\u00e7\u00e3o da rede de transporte da corrente que exige grandes recursos financeiros. Para mim o executivo tem de fazer uma grande projec\u00e7\u00e3o no futuro que o vai permitir mobilizar os recursos da parte dos parceiros.<\/p>\n<p>Quem vai buscar o financiamento e como vai consegu\u00ed-lo tudo isso \u00e9 da responsabilidade do Governo. Para obter apoios em termos de empr\u00e9stimo de 100 milh\u00f5es de Euros, \u00e9 preciso apresentar ao parceiro um projecto muito s\u00e9rio, onde vai mostrar a forma como pensa execut\u00e1-lo, para depois conseguir ganhar o dinheiro e consequentemente pagar a d\u00edvida.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m vai conceder um empr\u00e9stimo de 100 milh\u00f5es de Euros, apenas para dar corrrente \u00e0s pessoas nas casas, a fim de assistir televisor ou refrescar as bebidas. Temos que apresentar o projecto ambicioso com as ind\u00fastrias e grandes f\u00e1bricas que precisam da energia para funcionar, porque se as ind\u00fastrias est\u00e3o a funcionar muito bem, o Estado vai buscar os impostos que o v\u00e3o permitir criar a riqueza.<\/p>\n<p><strong>D: Tendo em conta a crise da corrente el\u00e9ctrica com que a cidade de Bissau se depara, surgiu algumas iniciativas de fornecimento da energia el\u00e9ctrica atrav\u00e9s de pequenos grupos de geradores, mas que est\u00e3o a funcionar com grandes dificuldades em termos de distribui\u00e7\u00e3o da corrente el\u00e9ctrica. At\u00e9 que ponto \u00e9 que isso pode constituir um perigo para a sociedade, devido \u00e0 forma como efectuam as suas liga\u00e7\u00f5es nos bairros?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASB:<\/strong> Isso \u00e9 a falta de autoridade de Estado, porque se houvesse, na verdade, a autoridade de Estado, isso n\u00e3o podia acontecer. O Estado n\u00e3o deve permitir as coisas que n\u00e3o est\u00e3o correctas, portanto mesmo se o produto est\u00e1 dar falta e em nenhumas circunst\u00e2ncias n\u00e3o se pode admitir o funcionamento daquela iniciativa nas condi\u00e7\u00f5es em que est\u00e3o a funcioar.<\/p>\n<p>Mesmo a olhos nus v\u00ea-se as liga\u00e7\u00f5es da corrente el\u00e9ctrica mal feitas. O mais grave \u00e9 que os pr\u00f3prios respons\u00e1veis da \u00e1rea sabem disso e nada fazem para parar a pr\u00e1tica. Certamente que est\u00e3o a esperar at\u00e9 que isso d\u00ea mal, ou seja, que haja estragos causados pela m\u00e1 liga\u00e7\u00e3o feita nos mercados e nas resid\u00eancias para depois come\u00e7arem a andar de um lado para outro, para acabar com aquilo.<\/p>\n<p>Essas pessoas que vendem a corrente el\u00e9ctrica \u00e0 popula\u00e7\u00e3o nas tabancas, a maioria nem sequer t\u00eam a licen\u00e7a que as permite fazer esse tipo de neg\u00f3cio, ou seja, n\u00e3o pagam impostos. Ou quem sabe se calhar, pagam na m\u00e3o de um fulano ou beltrano da empresa para os permitir funcionar sem que sejam inspeccionadas?<\/p>\n<p>Mesmo a situa\u00e7\u00e3o do roubo de combust\u00edvel que se verifica na EAGB, muita gente sabia como se fazia aquilo, mas n\u00e3o estavam e nem est\u00e3o interessados em acabar com aquilo. Se assim for, \u00e9 porque est\u00e3o envolvidos nisso tamb\u00e9m. O Estado deve preocupar-se muito na reorganiza\u00e7\u00e3o ou restrutura\u00e7\u00e3o da EAGB, como tamb\u00e9m na forma\u00e7\u00e3o dos seus t\u00e9cnicos. Porque, actualmente o sistema est\u00e1 totalmente sofisticado, pelo que \u00e9 preciso formar os t\u00e9cnicos a fim de compreenderem a forma de trabalhar nos aparelhos.<\/p>\n<p>Sen\u00e3o se fizer isso, os t\u00e9cnicos ter\u00e3o problema de trabalhar nos aparelhos de distribui\u00e7\u00e3o da corrente el\u00e9ctrica que se perspectiva fazer atrav\u00e9s de transporte da mesma a partir de Kaleta. Mesmo se transportarmos bem a corrente a partir da barragem, mas, se for mal gerida por falta de quadros que possam trabalhar nos aparelhos, \u00e9 imposs\u00edvel fazer chegar a corrente em boas condi\u00e7\u00f5es nas casas ou nas empresas e isso vai causar preju\u00edzos enormes.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 que defendo sempre que a EAGB precisa de uma restrutura\u00e7\u00e3o profunda. S\u00e3o necess\u00e1rios, no m\u00e1ximo, 200 trabalhadores na EAGB que ser\u00e3o instru\u00eddos ou preparados para fazer todo o tipo de servi\u00e7os. Tendo j\u00e1 um n\u00famero reduzido dos funcion\u00e1rios vai permitir a empresa fazer um controlo eficiente dos mesmos e garantindo-lhes um bom sal\u00e1rio e condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>Devem ser criadas as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e ao mesmo tempo exigi-los para produzirem e responsabiliz\u00e1-los, a fim de poderem saber que os produtos que est\u00e3o a vender \u00e9 um produto vital e transversal para toda a sociedade. Por isso, \u00e9 que devem fazer um bom trabalho no transporte do produto, de forma a permitir que o mesmo chegue de forma normal e em bom uso aos consumidores. Isso \u00e9 que se deve fazer naquela empresa de fornecimento da energia el\u00e9ctrica, por que, sen\u00e3o, \u00e9 imposs\u00edvel esperar bons resultados da parte da mesma.<\/p>\n<p><strong>D: O senhor \u00e9 l\u00edder do Partido Social Democrata (PSD)&#8230; O Governo do PAIGC, onde se integram igualmente outras forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas com assento no Parlamento, vai completar no fim deste m\u00eas 90 dias. Pode fazer um pequeno balan\u00e7o de tr\u00eas meses do executivo liderado por Domingos Sim\u00f5es Pereira?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASB:<\/strong> Como sabe, sou o pol\u00edtico que gosta de fazer cr\u00edtica e ao mesmo tempo apontando as poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es. O que percebi \u00e9 que o Primeiro-Ministro parece uma pessoa com as ideias, mas tem grande dificuldade de implement\u00e1-las, devido \u00e0s quest\u00f5es eleitorais, da hierarquia a n\u00edvel do partido e da pr\u00f3pria m\u00e1quina do PAIGC.<\/p>\n<p>Tendo em conta a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, pretende levar toda agente ao governo, porque acha que aquilo \u00e9 que \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o definitiva. Infelizmente, tem o seu partido que \u00e9 uma m\u00e1quina que funciona mal e, doutro lado, tem o PRS que n\u00e3o \u00e9 melhor que outro&#8230; Sinceramente, tenho pena do Primeiro-Ministro. Sei que ele \u00e9 capaz e, acima de tudo, tem ideias e a vontade de querer ajudar, mas estou muito reticente quanto a isso.<\/p>\n<p>O balan\u00e7o que gostaria de fazer \u00e9 que estamos na fase inicial. Ele conseguiu arrancar o motor na primeira, mas precisa p\u00f4r a viatura na segunda, para depois seguir para a terceira velocidade, a fim de fazer chegar a viatura ao destino. Se a dificuldade de andar de mais depressa tem a ver com aquela estrutura pesada, complicada e corrupta do PAIGC, ent\u00e3o \u00e9 dificil.<\/p>\n<p><strong>D: O Primeiro-ministro apresentou ao Parlamento o Or\u00e7amento Retificativo de 2014 que \u00e9 estimado em mais de 150 bili\u00f5es de francos cfa. Tem algum comet\u00e1rio a fazer sobre o assunto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASB:<\/strong> N\u00e3o tenho coment\u00e1rio a fazer, porque esse \u00e9 o Or\u00e7amento poss\u00edvel neste momento. Acho que vai passar sem problema nenhum, tendo em conta a composi\u00e7\u00e3o do Parlamento.<\/p>\n<p><strong>D: Fala-se que a participa\u00e7\u00e3o do Partido da Renova\u00e7\u00e3o Social no executivo em companhia de outras forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas acabou por minar a oposi\u00e7\u00e3o. \u00c9 verdade que agora j\u00e1 n\u00e3o existe a oposi\u00e7\u00e3o na Guin\u00e9-Bissau?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASB:<\/strong> N\u00e3o estou de acordo com a opini\u00e3o de que a oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe. O facto de estar a falar neste assunto demonstra claramente que estou a fazer a opois\u00e7\u00e3o, porque sou o l\u00edder de uma forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Infelizmente n\u00e3o conseguimos tomar parte nas elei\u00e7\u00f5es devido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o que tivemos com o Supremo Tribunal da Justi\u00e7a e que \u00e9 do seu conhecimento. O povo acha que o PAIGC est\u00e1 mais bem colocado para dirigir o destino do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para mim, os renovadores deveriam abdicar do Governo, de forma a poderem fazer uma oposi\u00e7\u00e3o mais s\u00e9ria. Se entenderem que, nas suas estrat\u00e9gias, devem ir ao governo para poder ajudar, portanto n\u00e3o tenho objec\u00e7\u00e3o para fazer. Estamos aqui para ver depois de completarem 120 dias, a fim de fazer umas an\u00e1lises profundas sobre o que fizeram e o que n\u00e3o conseguiram fazer.<\/p>\n<p>Ele fez muita promessa durante a campanha eleitoral, portanto vamos dar-lhe o benef\u00edcio de d\u00favida para depois ver se conseguiu alguma coisa ou n\u00e3o. Penso que a oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 aniquilada, depois de tr\u00eas meses vamos fazer um pequeno balan\u00e7o do exerc\u00edcio do governo l\u00edderado pro Eng. Domingos Sim\u00f5es Pereira.<\/p>\n<p><strong>D: Retecentemente o Presidente da Rep\u00fablica instaurou o crit\u00e9rio da quota \u00e9tnica na corpora\u00e7\u00e3o do Batalh\u00e3o da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Tem um coment\u00e1rio a fazer sobre isso&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASB:<\/strong> No meu entendimento se o Presidente da Rep\u00fablica tinha a inten\u00e7\u00e3o de fazer isso, ent\u00e3o que o fa\u00e7a sem coment\u00e1rios. No meu ponto de vista o Presidente falhou na tentativa de fazer isso e mostrando ao povo que pretendia instaurar a quota \u00e9tnica daquela forma. O que n\u00e3o percebo de tudo isto \u00e9 o seguinte:<\/p>\n<p>Quem \u00e9 que o Presidente da Rep\u00fablica quer visar com isso? Ou seja, o que \u00e9 que ele quer com isso? Ser\u00e1 que a conviv\u00eancia entre diferentes grupos \u00e9tnicos criou problema nesta terra? Se ele quer instaurar a quota \u00e9tnica na Presid\u00eancia com o intuito de fazer com que todo o grupo \u00e9tnico seja representado na Presid\u00eancia, ent\u00e3o que seja de uma forma natural.<\/p>\n<p><strong>D: O que quer dizer com a forma natural?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASB:<\/strong> Forma natural significa para mim atrav\u00e9s de um Decreto Presidencial. Podia fazer isso de uma forma democr\u00e1tica, atrav\u00e9s do decreto presidencial.<\/p>\n<p><strong>D: O Presidente pediu a liberta\u00e7\u00e3o de todos os presos militares que se envolveram no caso 21 de Outrubro, inclusive o l\u00edder do grupo capit\u00e3o Pansau Intchama. Quer fazer um coment\u00e1rio sobre isso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASB:<\/strong> Penso que a \u00fanica entidade competente para a liberta\u00e7\u00e3o dos detidos s\u00e3o os tribunais. Se algu\u00e9m for para o calabou\u00e7o via judici\u00e1ria, portanto quando vai sair \u00e9 atrav\u00e9s da via de justi\u00e7a tamb\u00e9m. O que \u00e9 que aconteceu que levou o Presidente da Rep\u00fablica a ajudar na liberta\u00e7\u00e3o dos militares presos que estiveram envolvidos numa tentativa de subvers\u00e3o da ordem constitucional?<\/p>\n<p>H\u00e1 um aspecto do Presidente da Rep\u00fablica que a lei confere certos poderes, mas tamb\u00e9m temos que ter em conta o aspecto nacional. Ser\u00e1 que se libertarmos as pessoas, sem dizer que foram culpadas ou n\u00e3o, n\u00e3o v\u00e3o trazer mais problema&#8230;? Se o Presidente tomar essa iniciativa no quadro das suas prerrogativas, na qualidade do Primeiro Magistrado da Na\u00e7\u00e3o, a fim de criar bases de uma estabilidade permanente para que n\u00e3o haja desturbios nos pr\u00f3ximos tempos, estarei inteiramente de acordo com ele nisso. Se n\u00e3o for isso, ent\u00e3o \u00e9 da sua responsabilidade. Ali\u00e1s, se houver ainda alguma coisa subjacente que o motivou a libertar os presos militares, penso que alguma coisa n\u00e3o est\u00e1 correcta, porque a liberta\u00e7\u00e3o dos detidos \u00e9 da inteira e exclusiva responsabilidade dos tribunais.<\/p>\n<p><strong>Por: Assana Samb\u00fa<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GRANDE ENTREVISTA: O t\u00e9cnico da energia el\u00e9trica, Eng. 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