{"id":1939,"date":"2014-10-05T16:11:49","date_gmt":"2014-10-05T16:11:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=1939"},"modified":"2014-10-06T16:27:58","modified_gmt":"2014-10-06T16:27:58","slug":"alberto-zanbarlleti-povo-guineense-conhece-tambem-plantas-de-medicina-natural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=1939","title":{"rendered":"Alberto Zambarletti:  \u201cPOVO GUINEENSE CONHECE TAMB\u00c9M PLANTAS DE MEDICINA NATURAL\u201d"},"content":{"rendered":"<p>O Diretor-Geral da R\u00e1dio Sol Mansi Padre Alberto Zambarletti afian\u00e7ou, na Grande Entrevista no \u201cO Democrata\u201d, que o povo da Guin\u00e9-Bissau conhece as plantas medicinais que podem ser aproveitadas para o tratamento das doen\u00e7as e garantiu, ao nosso jornal, que a medida que a nossa popula\u00e7\u00e3o descobre mais plantas medicinais, o pa\u00eds vai trabalhando nos estudos com o intuito de as poder aplicar nos tratamentos das diversas e mais comuns doen\u00e7as que se verificam no nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Revelou ainda que h\u00e1 grupos de trabalho que est\u00e3o instalados, em Mansoa, nas tabancas e em algumas localidades do pa\u00eds que trabalha na recolha de informa\u00e7\u00f5es junto dos anci\u00f5es sobre determinadas plantas medicinais para tratamento de doen\u00e7as. Ainda nas suas palavras as informa\u00e7\u00f5es sobre plantas s\u00e3o levadas para um pequeno comit\u00e9 cient\u00edfico que tem o papel de analisar a import\u00e2ncia da referida planta e as suas aplica\u00e7\u00f5es nos tratamentos.<\/p>\n<p>\u201cComo se sabe um dos problemas da medicina tradicional \u00e9 a sua dosagem, porque n\u00e3o se pode dizer ao doente para fazer um ch\u00e1 com cinco ou dez folhas de uma planta\u201d, explicou Alberto Zambarletti acrescentando de seguida \u201co Comit\u00e9 Cientifico faz umas an\u00e1lises e estudos completos para determinar a dosagem dos rem\u00e9dios tradicionais, depois instruiu o grupo para a produ\u00e7\u00e3o do referido medicamento tradicional. Depois de todo o procedimento transformamos algumas folhas ou ra\u00edzes em comprimidos para ingerir, outros em xaropes e em pomadas\u201d.<\/p>\n<p><strong>O Democrata (D): Celebrou-se recentemente a Jornada Africana da Medicina Tradicional. Senhor Padre, o que \u00e9 a medicina tradicional?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alberto Zambarletti (AZ): <\/strong>Podemos definir a medicina tradicional como sendo aquela que \u00e9 utilizada o saber das popula\u00e7\u00f5es para o tratamento ou a cura de doen\u00e7as mais comuns. Em qualquer parte do mundo as popula\u00e7\u00f5es descobrem plantas medicinas que aproveitam para a cura ou tratamento de doen\u00e7as. Como se sabe h\u00e1 dois mil anos atr\u00e1s os chineses descobriram uma planta medicinal que actualmente se chama \u201cArtemisa\u201d que \u00e9 usada para a cura da mal\u00e1ria. Os chineses h\u00e1 muitos anos aproveitavam aquela planta para o tratamento e a cura da mal\u00e1ria.<\/p>\n<p>O povo guineense tamb\u00e9m tem esse conhecimento de plantas medicinais que podem ser aproveitados para o tratamento de doen\u00e7as. Portanto s\u00e3o coisas ligadas \u00e0 natureza e por isso s\u00e3o chamados da medicina natural. Na medida em que se a popula\u00e7\u00e3o descobrir mais plantas medicinais n\u00f3s vamos trabalhar nos seus estudos a fim de aplic\u00e1-las nos tratamentos de doen\u00e7as mais comuns.<\/p>\n<p><strong>D: Quais s\u00e3o os m\u00e9todos usados para a confe\u00e7\u00f5es dos medicamentos tradicionais e que tipos de medicamentos t\u00eam neste momento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ: <\/strong>Temos um grupo de trabalho que est\u00e1 concentrado em Mansoa bem como em algumas localidades do pa\u00eds. Este grupo de trabalho recolhe as informa\u00e7\u00f5es junto dos anci\u00f5es nas tabancas sobre determinadas plantas medicinais para tratamento de doen\u00e7as, depois as informa\u00e7\u00f5es e plantas s\u00e3o levadas para um pequeno comit\u00e9 cient\u00edfico que tem o papel de ver a import\u00e2ncia da referida planta e a forma do seu uso para o tratamento.<\/p>\n<p>Como se sabe um dos problemas da medicina tradicional \u00e9 a sua dosagem, porque n\u00e3o se pode dizer ao doente que fa\u00e7a um ch\u00e1 com cinco ou dez folhas de uma planta. O comit\u00e9 cient\u00edfico faz umas an\u00e1lises e estudo completo para determinar a dosagem dos rem\u00e9dios tradicionais, depois instrui o grupo para a produ\u00e7\u00e3o do referido medicamento tradicional atrav\u00e9s das plantas. Depois de todo o procedimento transformamos algumas folhas ou ra\u00edzes em comprimidos para ingerir outros em xaropes e pomadas para a pele.<\/p>\n<p>Temos tr\u00eas tipos de xaropes que s\u00e3o vendidos na nossa farm\u00e1cia, designadamente: temos a xarope de pau de sangue que \u00e9 usado para a anemia e o xarope para o apetite e o xarope para o tratamento de tif\u00f3ide que est\u00e1 a ser comprado muito pela popula\u00e7\u00e3o devido o seu resultado no tratamento.<\/p>\n<p><strong>D: A medicina convencional (moderna) usa certo procedimento ou processamento para chegar \u00e0 conclus\u00e3o na fabrica\u00e7\u00e3o dos rem\u00e9dios. Ser\u00e1 que os mesmos procedimentos s\u00e3o utilizados para a fabrico dos medicamentos tradicionais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ: <\/strong>Como se sabe a medicina tradicional em si na Guin\u00e9 n\u00e3o tem meios como a medicina convencional&#8230; At\u00e9 agora a medicina tradicional encontra-se nas m\u00e3os dos anci\u00f5es. Existe apenas uma grande vontade da parte de Grupo de Natureza que trabalha com o apoio de Caritas da Guin\u00e9-Bissau nesta mat\u00e9ria, mas n\u00e3o tem meios para esse tipo de trabalho.<\/p>\n<p>Esperamos que com a evolu\u00e7\u00e3o de tempo conhe\u00e7amos todas as caracter\u00edsticas e poderes das plantas medicinais que a natureza nos oferece, depois estaremos em condi\u00e7\u00f5es de fazer um estudo mais adequado sobre a sua aplica\u00e7\u00e3o. Descobrimos ultimamente uma planta que se chama de \u201cDjindjer\u201d que \u00e9 o nome pr\u00f3prio dado pelas popula\u00e7\u00f5es na zona leste do pa\u00eds e de acordo com as informa\u00e7\u00f5es recolhidas pela nossa gente aquela planta tem uma grande import\u00e2ncia no tratamento de algumas doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Conforme os estudos feitos, as suas ra\u00edzes s\u00e3o muito boas para o tratamento e a preven\u00e7\u00e3o do paludismo. Descobrimos que v\u00e1rios pa\u00edses africanos como Niger, Benin e Angola j\u00e1 usavam aquela planta e outras at\u00e9 as transformam em c\u00e1psulas.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o temos meios pr\u00f3prios para fazer o nosso estudo cient\u00edfico, resolvemos tomar os estudos cient\u00edficos feitos por outros pa\u00edses sobre a mesma planta a fim de podermos fabricar o medicamento. Ali\u00e1s, \u00e9 desta forma que estamos a funcionar, atrav\u00e9s dos estudos feitos por outros pa\u00edses. Se descobrirmos uma planta medicinal, fazemos umas an\u00e1lises para ver se j\u00e1 foi descoberta noutros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Estamos a usar um m\u00e9todo para ver o efeito dos medicamentos que produzimos \u00e9 um m\u00e9todo local e n\u00e3o \u00e9 cient\u00edfico. Por exemplo, se 100 pessoas utilizarem um determinado medicamento tradicional que produzimos e se todos elas conseguirem ser tratadas, ent\u00e3o chegamos a conclus\u00e3o que o referido medicamento al\u00e9m de ser bom para o uso indicado nem como consegue tratar as doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Quero apenas esclarecer uma coisa, um medicamento pode estar bom e comprovado, mas (pode) n\u00e3o conseguir ter efeitos esperados no tratamento das pessoas. Por isso \u00e9 que utilizamos esse met\u00f3do. Se o medicamento n\u00e3o consegue tratar as 100 pessoas que o utilizaram ent\u00e3o consideramos que \u00e9 bom, mas infelizmente n\u00e3o consegue tratar as pessoas e ai discutimos outras solu\u00e7\u00f5es. Esta \u00e9 a forma como funcionamos: sem grandes laborat\u00f3rios para fazer as pesquisas cient\u00edficas, porque aquilo precisa de mais meios or\u00e7ados em muito dinheiro que infelizmente n\u00f3s n\u00e3o temos.<\/p>\n<p><strong>D: Falou da exist\u00eancia de um grupo de trabalho que recolhe informa\u00e7\u00f5es sobre plantas medicinais junto dos anci\u00f5es nas tabancas. Como \u00e9 constituido esse grupo? s\u00e3o m\u00e9dicos modernos ou recrutaram pessoas simples nas tabancas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ: <\/strong>Escolhemos volunt\u00e1rios que trabalhavam connosco e que t\u00eam vontade de ajudar outras pessoas. S\u00e3o pessoas com certos conhecimentos sobre a medicina tradicional. Este grupo de trabalho \u00e9 constituido tamb\u00e9m por pessoas com (certo) nivel de escolaridade e algumas s\u00e3o professores,\u00a0 eles conseguem fazer trabalhos da recolha das informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Dentro deste grupo de trabalho de natureza temos um pequeno grupo de pessoas que constituem um comit\u00e9 cient\u00edfico, que t\u00eam a miss\u00e3o de fazer pequenos estudos cient\u00edficos de plantas medicinais descobertas.<\/p>\n<p>O referido comit\u00e9 \u00e9 composto por: um farmac\u00eautico, um bot\u00e2nico do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP), um m\u00e9dico formado na medicina convencional e um curandeiro tradicional com grande experi\u00eancia e conhecimento. O comit\u00e9 analisa todas as informa\u00e7\u00f5es das plantas medicinais recolhidas, de onde s\u00e3o extra\u00eddas informa\u00e7\u00f5es com as quais se produziu um livro sobre as plantas medicinais da Guin\u00e9-Bissau.<\/p>\n<p>Conseguimos produzir o primeiro volume do livro de 400 p\u00e1ginas, onde constam os nomes de todas as plantas que existem na Guin\u00e9-Bissau e que servem para fazer tratamentos. Publicamos o livro para ajudar as pessoas servirem\u2013se dele e poderem tirar o maior proveito dos tratamentos e medicamentos propostos.<\/p>\n<p><strong>D: H\u00e1 quanto tempo \u00e9 que este grupo de trabalho da medicina tradicional est\u00e1 na Guin\u00e9-Bissau?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ: <\/strong>A medicina tradicional j\u00e1 existe na Guin\u00e9 h\u00e1 muitos anos, ou melhor, desde os tempos dos nossos antepassados. N\u00f3s que somos da medicina convencional conseguimos descobrir a medicina tradicional h\u00e1 bem pouco tempo, sobretudo eu na qualidade de estrangeiro.<\/p>\n<p><strong>D: Estou a perguntar do grupo de trabalho da natureza&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ: <\/strong>Este grupo come\u00e7ou a trabalhar em Mar\u00e7o de 2000, em Bubaque (Bolama\/Bijag\u00f3s). Havia um grupo de irm\u00e3s que trabalhavam no centro de sa\u00fade de Bubaque e como havia dificuldades em conseguir medicamentos modernos, uma delas que tinha conhecimentos em medicina tradicional com os \u00edndios da Amazonia (America Latina) e resolveu usar a sua experi\u00eancia junto dos anci\u00f5es para a produ\u00e7\u00e3o de produtos de medicina tradicional para tratar pacientes com doen\u00e7as comuns.<\/p>\n<p>Naquela altura eu era o director das C\u00e1ritas. Seguiamos os trabalhos das irm\u00e3s em Bubaque. Depois de algum tempo resolvemos aplicar a experi\u00eancia das irm\u00e3s para ajudar a popula\u00e7\u00e3o que tinha dificuldades em conseguir medicamentos modernos.<\/p>\n<p>N\u00f3s das C\u00e1ritas resolvemos assumir o acompanhamento do grupo. \u00c9 por essa raz\u00e3o que o grupo de trabalho da natureza tem as suas instala\u00e7\u00f5es na sede das C\u00e1ritas. A popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 apostar na medicina tradicional e a procura dos medicamentos tradicionais pela popula\u00e7\u00e3o tem vindo a crescer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>D: Quais s\u00e3o os resultados obtidos at\u00e9 agora?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ: <\/strong>Gostaria que esta pergunta fosse respondida pelos colaboradores que temos no grupo de trabalho, porque eles mesmos t\u00eam-me dito que notam o apre\u00e7o que as autoridades nacionais t\u00eam para com os rem\u00e9dios da medicina tradicional.<\/p>\n<p>Uma vez fizemos uma exposi\u00e7\u00e3o num dos hot\u00e9is da capital. Registou-se uma enorme procura da parte das popula\u00e7\u00f5es e das grandes figuras do pa\u00eds. Agora nota-se a procura da medicina tradicional pelas altas figuras ao n\u00edvel do continente, porque actualmente todos os pa\u00edses africanos produzem rem\u00e9dios atrav\u00e9s das plantas medicinais.<\/p>\n<p>Actualmente os volunt\u00e1rios s\u00e3o procurados pelas popula\u00e7\u00f5es nas tabancas para verem os seus filhos doentes, como se fossem m\u00e9dicos da medicina convencional. Isto tudo aumenta a vontade e a paix\u00e3o dos volunt\u00e1rios pelo seu trabalho, porque sentem-se agora como pessoas importantes no seio da sociedade. Em termos econ\u00f3micos n\u00e3o ganham nada, mas em termos sociais conseguiram grande prest\u00edgio na sociedade e eles mesmos reconhecem isso.<\/p>\n<p>Quero real\u00e7ar que mesmo em termos econ\u00f3micos est\u00e1-se a registar um pouco de lucro, porque lembro-me que no ano passado fizemos uma exposi\u00e7\u00e3o e conseguimos obter quase dois mil Euros da venda dos medicamentos tradicionais. Este ano conseguimos atrav\u00e9s das exposi\u00e7\u00f5es ou vendas dos medicamentos uma soma de 1900 Euros. Para n\u00f3s isso demonstra o interesse que a popula\u00e7\u00e3o em geral tem j\u00e1 pelos medicamentos tradicionais.<\/p>\n<p>O que nos dificulta um pouco \u00e9 encontrar volunt\u00e1rios que tenham a mentalidade solid\u00e1ria, o bem das popula\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o a de aproveitar apenas para o seu interesse particular. H\u00e1 alguns jovens que j\u00e1 avan\u00e7aram com o pedido para entrarem no grupo e est\u00e3o a solicitar a forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea.<\/p>\n<p><strong>D: Como \u00e9 que se vendem os medicamentos tradicionais&#8230; Qualquer pessoa vai e compra ou \u00e9 necess\u00e1rio apresentar uma receita m\u00e9dica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ: <\/strong>N\u00f3s produzimos medicamentos apenas para as doen\u00e7as mais comuns&#8230; \u00c9 como acontece nas farm\u00e1cias que vendem os medicamentos da medicina convencional, porque ali quando se compra paracetamol e outros medicamentos para as doen\u00e7as comuns n\u00e3o \u00e9 preciso uma receita m\u00e9dica.<\/p>\n<p>\u00c9 assim tamb\u00e9m que funcionamos, porque produzimos apenas medicamentos tradicionais para as doen\u00e7as comuns. Agora se a pessoa tem um problema mais s\u00e9rio ent\u00e3o n\u00f3s ajudamos e instru\u00edmos essa mesma pessoa a procurar uma consulta m\u00e9dica nos hospitais, a fim de poder receber um tratamento mais espec\u00edfico feito por um especialista. Para n\u00f3s o mais importante \u00e9 que haja uma boa colabora\u00e7\u00e3o entre a medicina tradicional e a medicina convencional.<\/p>\n<p><strong>D: Ser\u00e1 que est\u00e1 optimista quanto ao futuro da medicina tradicional na Guin\u00e9-Bissau bem como na \u00c1frica em geral?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ: <\/strong>Sim estou muito optimista sobre o futuro da medicina tradicional na Guin\u00e9-Bissau e na \u00c1frica em geral. Lembro-me que quando comecei a trabalhar com a medicina tradicional em \u00c1frica nos anos de 1980, as pessoas diziam-me que j\u00e1 conheciam a medicina tradicional, mas preferiam os medicamentos da Europa, ou melhor, rem\u00e9dios da medicina moderna. Percebi que as pessoas n\u00e3o tinham valorizado os medicamentos tradicionais, mas actualmente as pessoas apreciam muito os medicamentos tradicionais.<\/p>\n<p><strong>D: Diz-se que as plantas medicinais t\u00eam entre 14 e 15 princ\u00edpios que a medicina moderna extrai para desenvolver nos laborat\u00f3rios. Ser\u00e1 que a medicina tradicional consegue tamb\u00e9m extrair esses princ\u00edpios para produzir rem\u00e9dios<\/strong> <strong>tradicionais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ: <\/strong>Quero explicar que o princ\u00edpio da medicina tradicional \u00e9 muito diferente dos princ\u00edpios da medicina convencional. Vou dar um exemplo. A artimiza, a tal planta medicinal usada pelos chineses h\u00e1 dois mil anos para o tratamento do paludismo, tem dentro de si 14 princ\u00edpios. A ind\u00fastria farmac\u00eautica tirou apenas um principio que conseguiu misturar com outro produto qu\u00edmico para fabricar o comprimido chamado \u201cCoarctem\u201d para o tratamento do paludismo.<\/p>\n<p>Neste caso extraiu-se apenas um princ\u00edpio activo para misturar com outro produto a fim de fabricar o rem\u00e9dio. Este princ\u00edpio activo tornou-se fraco porque sozinho n\u00e3o consegue fazer nada, mas se se pegar todos os 14 princ\u00edpios para produzir o rem\u00e9dio vai se ter sucesso. Por isso n\u00f3s recomendamos mais as pessoas para tomarem o ch\u00e1 de artemiza, porque tem todos os outros princ\u00edpios.<\/p>\n<p><strong>D: Qual \u00e9 a forma utilizada para a conserva\u00e7\u00e3o dos medicamentos, em termos de prazos de validade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ: <\/strong>Temos m\u00e9todos mais simples. Quando aconselhamos as pessoas a preparar o ch\u00e1 de uma planta, uma das recomenda\u00e7\u00f5es \u00e9 que o mesmo deve ser tomado apenas num dia. N\u00e3o devem ultrapassar essa recomenda\u00e7\u00e3o porque pode provocar outros problemas. Mesmo os medicamentos preparados em comprimidos, n\u00e3o damos validades superiores a um ano. Acho que na medicina tradicional n\u00e3o \u00e9 crucial a quest\u00e3o da validade, porque temos as matas e ali h\u00e1 muitas plantas e o mais importante \u00e9 a forma de prepara\u00e7\u00e3o dos medicamentos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m explicamos muito bem a dosagem. Por isso as pessoas que compram os medicamentos tradicionais devem ouvir muito bem as explica\u00e7\u00f5es dos nossos vendedores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dosagem.<\/p>\n<p><strong>D: O senhor \u00e9 um m\u00e9dico profissional formado na medicina convencional. Actualmente existem doen\u00e7as que n\u00e3o t\u00eam tratamento nem cura. Sida e cancro por exemplo. Tendo em conta a sua experi\u00eancia, acha que a medicina tradicional pode conseguir a solu\u00e7\u00e3o para a cura definitiva dessas doen\u00e7as? <\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ: <\/strong>Acho que se a medicina tradicional e a medicina convencional cooperarem pode-se chegar a um bom resultado. \u00c9 verdade que muitas das vezes preocupamo-nos em encontrar aquele princ\u00edpio activo que n\u00e3o conhecemos no sentido de tratar ou curar as doen\u00e7as cujos tratamentos ainda n\u00e3o dominamos.<\/p>\n<p>Temos um exemplo: o caso do v\u00edrus do \u00c9bola que se est\u00e1 a trabalhar afincadamente para descobrir os rem\u00e9dios que o conseguem curar. Temos o caso tamb\u00e9m da sida que ainda n\u00e3o tem um tratamento definitivo, mas acho que a medicina tradicional tem um grande contributo para dar neste caso. Por exemplo, h\u00e1 um estudo feito que indica que se a pessoa utiliza certos ch\u00e1s de planta que temos na Guin\u00e9, como a \u201cMoringa \u2013 Nene Badadji\u201d torna o sistema imunit\u00e1rio da pessoa mais forte e capaz de resistir \u00e0s bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>Uma das coisas que devemos fazer para proteger o nosso corpo \u00e9 refor\u00e7ar o nosso sistema imunit\u00e1rio atrav\u00e9s do consumo de ch\u00e1s das plantas medicinais que temos nesta terra. Porque n\u00e3o h\u00e1 nenhum medicamento neste mundo que sozinho pode combater uma doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando tomamos qualquer rem\u00e9dio antibi\u00f3tico ou anti-pal\u00fadico a finalidade \u00e9 ajudar o nosso corpo que tem j\u00e1 uma rea\u00e7\u00e3o do nosso sistema imunit\u00e1rio, por isso devemos consumir os ch\u00e1s das plantas para fortificar o nosso sistema imunit\u00e1rio. Uma das ajudas que a medicina tradicional pode dar \u00e0 medicina convencional \u00e9 o refor\u00e7o do sistema imunit\u00e1rio atrav\u00e9s do consumo dos ch\u00e1s de plantas medicinais.<\/p>\n<p><strong>D: J\u00e1 agora acha que pode ser encontrada a cura definitiva para o v\u00edrus do \u00c9bola que se regista na \u00c1frica atrav\u00e9s da medicina tradicional por meio de uma pesquisa profunda das plantas&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ: <\/strong>\u00c9 dif\u00edcil afirmar isso, porque a verdade \u00e9 que at\u00e9 hoje n\u00e3o foram encontradas curas para doen\u00e7as de origem viral.\u00a0 Talvez a \u00fanica coisa que podemos fazer \u00e9 aquilo que referi acima, isto \u00e9 fortificar o nosso sistema imunit\u00e1rio atrav\u00e9s de boa nutri\u00e7\u00e3o bem como do consumo das folhas das plantas.<\/p>\n<p>Estes v\u00edrus s\u00e3o seres biol\u00f3gicos que n\u00e3o t\u00eam muita for\u00e7a em si, mas conseguem ganhar for\u00e7as quando estamos debilitados, por causa de falta de uma boa nutri\u00e7\u00e3o. Muitas pessoas deixaram de se alimentar com folhas de plantas e passaram a usar apenas produtos das lojas, mas qualquer um de n\u00f3s e mesmo os mais pobres t\u00eam a possibilidade de conseguir as folhas de morringa (Nene Badadji) para fazer um bom prato de comida bastante nutritivo, porque encontramo-la nas nossas casas. Infelizmente apenas os cabritos \u00e9 que se alimentam dessa planta.<\/p>\n<p><strong>D: Tendo em conta a sua experi\u00eancia, acha que est\u00e1 longe ainda de se encontrar medicamentos para o tratamento da doen\u00e7a da \u00c9bola atrav\u00e9s da medicina convencional e tradicional?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ: <\/strong>Conforme informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis, h\u00e1 laborat\u00f3rios no mundo que produzem medicamentos, mas n\u00e3o foram ainda testados. O Jap\u00e3o anunciou que tem medicamentos para tratar 20 mil pessoas, a R\u00fassia e os Estados Unidos de Am\u00e9rica anunciaram igualmente que t\u00eam medicamentos.<\/p>\n<p>Alguns destes medicamentos foram testados nos laborat\u00f3rios em animais, portanto ainda n\u00e3o foram atestados seres humanos. Por isso n\u00e3o podemos ficar iludidos que os medicamentos que conseguem funcionar em animais podem funcionar igualmente nos humanos.<\/p>\n<p>Agora resta fazer os testes em humanos para apurar se na verdade esses medicamentos podem ser usados para o tratamento da doen\u00e7a de \u00c9bola. Precisa-se ensaiar o tratamento em centenas de milhares das pessoas para se certificar o seu efeito. No entanto s\u00f3 quando se conseguir tratar a maioria das pessoas \u00e9 que se pode afirmar que o medicamento \u00e9 eficaz. Tamb\u00e9m h\u00e1 outro problema que \u00e9 o caso dos efeitos colaterais dos medicamentos, porque um medicamento pode ser eficaz no tratamento de uma doen\u00e7a, mas pode provocar outro problema chamado de efeitos colaterais.<\/p>\n<p>Sempre no momento do estudo de um medicamento deve-se ter em conta essas situa\u00e7\u00f5es e evitar os efeitos colaterais que podem criar nos pacientes problemas graves. \u00c9 preciso um estudo muito s\u00e9rio na prepara\u00e7\u00e3o dos medicamentos e isso exige muito tempo. Infelizmente estamos numa situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia em que \u00e9 necess\u00e1ria uma resposta r\u00e1pida e eficaz. Nesta circunst\u00e2ncia a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade \u00e9 a \u00fanica entidade que pode pronunciar-se para afirmar que o medicamento est\u00e1 em condi\u00e7\u00e3o de uso ou n\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>D: Qual \u00e9 o maior m\u00e9todo que deve ser utilizado para a preven\u00e7\u00e3o do v\u00edrus da \u00c9bola na Guin\u00e9-Bissau, no seu ponto de vista?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ:<\/strong> Para mim as medidas adoptadas pelas autoridades nacionais est\u00e3o muito bem pensadas. E uma das primeiras medidas \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o de contactos com as fontes atrav\u00e9s do encerramento das fronteiras com os pa\u00edses onde j\u00e1 registaram casos da doen\u00e7a de \u00c9bola. A pr\u00e1tica de lavar as m\u00e3os com lix\u00edvia tamb\u00e9m \u00e9 uma boa medida, mas acho que uma medida muito importante que deve ser aplicada \u00e9 o refor\u00e7o do nosso sistema de sa\u00fade, sobretudo ao n\u00edvel dos centros de sa\u00fade que est\u00e3o nas zonas fronteiri\u00e7as.<\/p>\n<p>Imagina: se conseguimos ter um bom sistema imunit\u00e1rio atrav\u00e9s de uma boa alimenta\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m se tivermos bons centros de sa\u00fade que conseguem tratar infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias ou outras doen\u00e7as j\u00e1 conhecidas e se restar s\u00f3 o \u00c9bola, o nosso corpo vai conseguir resistir porque j\u00e1 temos um sistema imunit\u00e1rio eficaz que consegue resistir.<\/p>\n<p>Entendemos que \u00e9 muito importante refor\u00e7ar o nosso sistema sanit\u00e1rio. E a terceira medida \u00e9 trabalhar afincadamente na sensibiliza\u00e7\u00e3o das pessoas sobre as medidas de preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. N\u00f3s aqui na R\u00e1dio Sol Mansi temos um programa de sensibiliza\u00e7\u00e3o sobre a preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, mas tamb\u00e9m vamos introduzir um pouco do conhecimento da medicina tradicional onde vamos recomendar as pessoas para utilizarem os ch\u00e1s das plantas medicinais.<\/p>\n<p><strong>D: Uma das estrat\u00e9gias fortes da medicina convencional \u00e9 a comunica\u00e7\u00e3o. Qual \u00e9 a estrat\u00e9gia que pretendem usar para a divulga\u00e7\u00e3o dos resultados alcan\u00e7ados pela medicina tradicional?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ: <\/strong>Efectivamente este \u00e9 um sector ainda fraco. Lembro-me que no passado tinhamos uma pessoa que apresentava um programa radiof\u00f3nico nas antenas da R\u00e1do Sol Mansi, sobre a medicina tradicional. Tendo em conta as dificuldades que estamos a enfrentar paramos o programa, mas temos em perspectiva a iniciativa de retom\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Produzimos um livro sobre a medicina tradicional e a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 formar pessoas em medicina tradicional, incluindo nos centros de sa\u00fade e at\u00e9 nas escolas. Estamos a fazer uma mobiliza\u00e7\u00e3o de pessoas porta a porta sobre o uso de medicamentos tradicional, porque ainda n\u00e3o temos meios para publicitar os nossos medicamentos.<\/p>\n<p><strong>D: Actualmente ouvimos publicidades nas r\u00e1dios de curandeiros estrangeiros que alegam que podem curar v\u00e1rias doen\u00e7as e at\u00e9 mesmo aquelas doen\u00e7as para as quais a medicina convencional ainda n\u00e3o encontrou tratamento. Tamb\u00e9m as pessoas que recorrem ao tratamento destes curandeiros acabam por n\u00e3o conseguir tratamento e \u00e0s vezes os seus estados de sa\u00fade pioram muito com medicamentos tomados. At\u00e9 que ponto essa situa\u00e7\u00e3o vos preocupa, tendo em conta a vossa experi\u00eancia? <\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ: <\/strong>Acho que toda agente que trata doen\u00e7a num determinado pa\u00eds t\u00eam uma refer\u00eancia clara, isto \u00e9, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que a meu ver \u00e9 a entidade que deveria regulamentar e ao mesmo tempo controlar o sector. Para mim nenhuma pessoa deve agir autonomamente, sobretudo no sector de sa\u00fade que \u00e9 muito complexo.<\/p>\n<p>N\u00f3s estamos a trabalhar afincadamente n\u00e3o s\u00f3 para sermos reconhecidos pelas autoridades, mas tamb\u00e9m que haja condi\u00e7\u00f5es para trabalharmos junto com os enfermeiros nos hospitais. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade deve adoptar um crit\u00e9rio que permita o funcionamento legal de qualquer curandeiro tradicional na Guin\u00e9-Bissau.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade hoje em dia tem apoio de algumas institui\u00e7\u00f5es que o podem ajudar na regulamenta\u00e7\u00e3o do sector, designadamente o Instituto Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica que pode ajudar muito no estabelecimento de regras que permitam o melhor funcionamento do sector. Assim tamb\u00e9m o Laborat\u00f3rio Nacional de Sa\u00fade tem um papel muito importante que pode jogar neste aspecto em colabora\u00e7\u00e3o com os curandeiros que alegam ter um determinado medicamento tradicional para o tratamento das doen\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>D: As C\u00e1ritas da Guin\u00e9-Bissau em colabora\u00e7\u00e3o com as C\u00e1ritas de Alemanha sempre promoveram o desenvolvimento da medicina tradicional na Guin\u00e9. Ser\u00e1 que as autoridades nacionais prestam alguma aten\u00e7\u00e3o especial a medicina tradicional? <\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ: <\/strong>Estamos a trabalhar neste projecto com uma pessoa da Alemanha que n\u00e3o faz parte das C\u00e1ritas daquele pa\u00eds, portanto n\u00e3o \u00e9 C\u00e1ritas. Digo sempre que se promovermos as exposi\u00e7\u00f5es contamos com bom acolhimento do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Aquela senhora nos apoiou muito neste sector a partir da Alemanha. Ela trabalhava na Guin\u00e9 nos anos 80 na sa\u00fade materna infantil, portanto ela \u00e9 uma das m\u00e9dicas que faz a confec\u00e7\u00f5es de cart\u00f5es de consulta das mulheres gr\u00e1vidas. Convidamos sempre as autoridades sanit\u00e1rias do pa\u00eds e a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade para todas as exposi\u00e7\u00f5es dos medicamentos que fazemos, porque como se sabe \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o africana na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade que lan\u00e7ou a iniciativa da jornada africana da medicina tradicional.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o outros parceiros que t\u00eam, em termos de apoios t\u00e9cnicos e financeiros para a produ\u00e7\u00e3o dos medicamentos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ: <\/strong>O apoio que temos \u00e9 apenas atrav\u00e9s da doutora S\u00f3nia que nos ajuda em termos de forma\u00e7\u00f5es das pessoas e na produ\u00e7\u00e3o de manuais. A doutora S\u00f3nia trabalhava na Guin\u00e9, por isso criou uma organiza\u00e7\u00e3o na Alemanha sem fins lucrativos com o nome de \u201cTabanka\u201d, a fim de ajudar as pessoas.<\/p>\n<p>Apoios financeiros n\u00e3o s\u00e3o precisos por enquanto, porque os recursos est\u00e3o aqui na Guin\u00e9-Bissau. A forma da produ\u00e7\u00e3o dos medicamentos \u00e9 bastante simples que n\u00e3o requer nenhum investimento. Precisamos \u00e9 de um apoio t\u00e9cnico, sobretudo de uma pessoa que em termos cient\u00edficos vai ajudar-nos no desenvolvimento dos estudos. N\u00e3o temos grandes parceiros no momento e o grupo funciona nas instala\u00e7\u00f5es das C\u00e1ritas, pelo que a C\u00e1ritas ocupa-se de algumas coisas.<\/p>\n<p><strong>D: O senhor j\u00e1 fez mais de 40 anos na Guin\u00e9-Bissau, sempre apostou na luta para o desenvolvimento deste pa\u00eds. Qual \u00e9 a raz\u00e3o da sua motiva\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ:<\/strong> Vim para a Guin\u00e9 depois da independ\u00eancia no \u00e2mbito de uma miss\u00e3o no sentido de vir ajudar o pa\u00eds para crescer nas diferentes \u00e1reas, nomeadamente sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o. Eu tinha a prepara\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da sa\u00fade, pelo que me colocaram naquela \u00e1rea. No in\u00edcio colocaram-me no sector de Bo\u00e9, onde trabalhei juntamente com outros enfermeiros do nosso instituto durante cinco anos.<\/p>\n<p>Conseguimos descobrir durante os tempos que fizemos al\u00ed que a medicina simplesmente curativa n\u00e3o dava, no entanto chegamos \u00e0 conclus\u00e3o que era preciso o envolvimento das popula\u00e7\u00f5es no sentido de dotar-lhes de certos conhecimentos, mas acima de tudo consciencializ\u00e1-las que devem procurar os hospitais sempre que come\u00e7arem a sentir febres ou qualquer outra doen\u00e7a.<\/p>\n<p>A grande verdade \u00e9 que conseguimos crescer tamb\u00e9m com eles. Cont\u00e1vamos com os apoios de alguns organismos internacionais. Lembro-me que chegou uma altura em que trabalhei com cinco m\u00e9dicos na regi\u00e3o de Gab\u00fa, portanto tudo isso \u00e9 uma grande experi\u00eancia. Penso que podemos ser testemunhas da nossa f\u00e9 atrav\u00e9s desta pequena obra, sobretudo no meio da popula\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana, onde trabalhei muitos anos.<\/p>\n<p><strong>D: Senhor \u00e9 o director-geral da esta\u00e7\u00e3o emissora R\u00e1dio Sol Mansi que promove cidadania e a consolida\u00e7\u00e3o da paz na Guin\u00e9-Bissau. Acha que isso dever\u00e1 ser igualmente uma aposta para outros \u00f3rg\u00e3os da comunica\u00e7\u00e3o social na Guin\u00e9-Bissau?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ: <\/strong>Os \u00f3rg\u00e3os da comunica\u00e7\u00e3o social desenvolveram-se muito na Guin\u00e9. Para mim esta multiplica\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os da comunica\u00e7\u00e3o social no pa\u00eds nos \u00faltimos 15 anos \u00e9 uma grande sorte. Cada qual tem a sua linha editorial que o permite funcionar ao servi\u00e7o do povo. A R\u00e1dio Sol Mansi procurou aquela caracter\u00edstica de trabalhar para a paz e o di\u00e1logo. Como \u00e9 do conhecimento de todos, a R\u00e1dio Sol Mansi foi criada pelo padre David, durante o per\u00edodo do conflito militar de 1998.<\/p>\n<p>Ele dizia que se a r\u00e1dio \u00e9 utilizada para ganhar a guerra, porque \u00e9 que n\u00e3o se faz a r\u00e1dio para ganhar a paz. Hoje em dia o tipo de jornalismo que estamos a fazer que \u00e9 o da promo\u00e7\u00e3o da paz, do di\u00e1logo e do desenvolvimento est\u00e1 a ser apreciado muito fora da Guin\u00e9-Bissau. H\u00e1 dois meses um grupo de cinco jornalistas da nossa r\u00e1dio foi convidado por uma universidade norte-americana, a fim de ir discutir com eles durante um m\u00eas este novo tipo do jornalismo.<\/p>\n<p>Actualmente no mundo grandes canais de televis\u00f5es, r\u00e1dios e jornais fazem um tipo de jornalismo de sensacionalismo, onde fazem coberturas de guerras para informar a opini\u00e3o p\u00fablica. Tudo isso cria medo \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, no entanto n\u00f3s estamos convencidos que podemos trabalhar para uma sociedade mais convencida.<\/p>\n<p><strong>D: Como v\u00ea os la\u00e7os da confraterniza\u00e7\u00e3o entre as diferentes confiss\u00f5es religiosas, uma coisa que \u00e9 rara noutra parte do mundo&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ: <\/strong>Acho que \u00e9 uma coisa muito positiva de que este povo deve orgulhar-se. Trabalhei muitos anos em Bo\u00e9, onde quase toda agente \u00e9 mu\u00e7ulmana e naquela altura entendemos que n\u00e3o havia nenhuma raz\u00e3o para abrir uma concorr\u00eancia com o prop\u00f3sito de roubar alguns fi\u00e9is e convert\u00ea-los ao cristianismo.<\/p>\n<p>Quando cheguei \u00e0 Mansoa juntamente com o Padre David, conheci aquele que \u00e9 actualmente o presidente de Associa\u00e7\u00e3o dos Imames Mu\u00e7ulmanos. Trabalhamos juntos em algumas ac\u00e7\u00f5es de desenvolvimento e na forma\u00e7\u00e3o das pessoas, mas tamb\u00e9m v\u00e1rias vezes trocamos informa\u00e7\u00f5es sobre alguns aspectos da religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Sempre estamos juntos tanto os mu\u00e7ulmanos e a igreja evang\u00e9lica, portanto soubemos lidar com as nossas diferen\u00e7as sem problemas nenhuns. Quando o padre David criou a r\u00e1dio fez os mu\u00e7ulmanos e os evang\u00e9licos criarem um programa na r\u00e1dio, onde passam as suas mensagens.<\/p>\n<p>Quando os mu\u00e7ulmanos tamb\u00e9m criaram uma r\u00e1dio em Mansoa fizeram o mesmo e deram-nos um espa\u00e7o para apresentarmos o nosso programa. Penso que A rela\u00e7\u00e3o de amizade e de proximidade existente entre as diferentes comunidades religiosas na Guin\u00e9-Bissau deve servir de exemplo hoje para os outros pa\u00edses no mundo.<\/p>\n<p><strong>D: Qual \u00e9 o seu sonho para a Guin\u00e9-Bissau?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AZ:<\/strong> Quando cheguei \u00e0 Guin\u00e9 na d\u00e9cada\u00a0 de ,1970 o meu primeiro sonho era de ver um pa\u00eds desenvolvido, mas na altura havia muitas dificuldades. O analfabetismo era muito elevado e tamb\u00e9m n\u00e3o havia estruturas de sa\u00fade. Trabalhou-se muito para combater o analfabetismo e a cria\u00e7\u00e3o das estruturas de sa\u00fade atrav\u00e9s de apoios de v\u00e1rios parceiros internacionais.<\/p>\n<p>Passamos muitos anos na cria\u00e7\u00e3o de diferentes estruturas, registaram-se v\u00e1rios problemas que deram num conflito armado. Fic\u00e1mos muito decepcionados. Mas o senhor Ferazzetta, primeiro Bispo de Bissau, ensinou-nos uma coisa&#8230; Ele disse, \u201colha, n\u00f3s preocupamo-nos muito com as estruturas de base, mas n\u00e3o nos preocupamos em preparar os homens\u201d. O meu maior sonho para a Guin\u00e9-Bissau, passa pela forma\u00e7\u00e3o do homem guineense.<\/p>\n<p><strong>Por: Assana Samb\u00fa<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fotos: Marcelo N\u00b4canha Na Rithe<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Diretor-Geral da R\u00e1dio Sol Mansi Padre Alberto Zambarletti afian\u00e7ou, na Grande Entrevista no \u201cO Democrata\u201d, que o povo da&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":1735,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,18],"tags":[],"class_list":["post-1939","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-inicio","category-entrevista","wpcat-6-id","wpcat-18-id"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Alberto Zambarletti: \u201cPOVO GUINEENSE CONHECE TAMB\u00c9M PLANTAS DE MEDICINA NATURAL\u201d - 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