{"id":20083,"date":"2019-03-25T12:07:39","date_gmt":"2019-03-25T12:07:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=20083"},"modified":"2019-03-25T12:07:42","modified_gmt":"2019-03-25T12:07:42","slug":"especialista-em-direito-penal-internacional-grande-dificuldade-da-guine-e-a-efetivacao-das-leis-e-preciso-reivindicar-e-exigir-o-seu-cumprimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=20083","title":{"rendered":"Especialista em direito penal internacional: &#8220;GRANDE DIFICULDADE DA GUIN\u00c9 \u00c9 A EFETIVA\u00c7\u00c3O DAS LEIS! \u00c9 PRECISO REIVINDICAR E EXIGIR O SEU CUMPRIMENTO&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[ENTREVISTA 1\/2] A especialista guineense em Direito Internacional dos Direitos Humanos e Direito Internacional Penal, Aua Bald\u00e9, disse que a grande dificuldade da Guin\u00e9-Bissau \u00e9 a efetiva\u00e7\u00e3o das leis existentes. Para isso, aconselhou a sociedade civil guineense bem como as organiza\u00e7\u00f5es que zelam pela defesa dos direitos humanos que \u00e9 preciso reivindicar mais e exigir das autoridades o cumprimento das leis existentes. A jovem especialista que esteve no pa\u00eds para participar numa confer\u00eancia internacional de ativismo em fevereiro do ano em curso respondia assim \u00e0 quest\u00e3o se os instrumentos jur\u00eddicos do pa\u00eds s\u00e3o suficientes para a promo\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Acho que h\u00e1 um sistema legal\nbastante bom na Guin\u00e9-Bissau. A grande dificuldade \u00e9 a efetiva\u00e7\u00e3o das leis\nexistentes e \u00e9 preciso reivindicar mais e exigir o seu cumprimento. Este sempre\nfoi o maior desafio em qualquer um dos pa\u00edses africanos e a Guin\u00e9-Bissau n\u00e3o \u00e9\numa exce\u00e7\u00e3o. H\u00e1 organiza\u00e7\u00f5es que est\u00e3o a fazer um trabalho interessante,\nnomeadamente a Liga Guineense dos Direitos Humanos, mas lan\u00e7o-lhes um desafio.\nA Liga foi muito ativa no in\u00edcio dos anos 90 e penso que poder\u00e1 voltar a ter\nesse papel relevante, sobretudo se usar meios para l\u00e1 dos dom\u00e9sticos&#8221;,\nreal\u00e7ou para de seguida criticar os sucessivos governos que segundo a sua\nexplica\u00e7\u00e3o, nunca produziram relat\u00f3rios sobre a situa\u00e7\u00e3o dos direitos humanos\npara a Comiss\u00e3o Africana. Encorajou neste particular as organiza\u00e7\u00f5es da\nsociedade civil a come\u00e7arem a produzir relat\u00f3rios para a Comiss\u00e3o Africana.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bald\u00e9, que \u00e9 igualmente especialista em\ndireito penal internacional, falou durante a entrevista dos mecanismos legais\nque os cidad\u00e3os africanos podem usar para chegar ao Tribunal Africano e \u00e0\nComiss\u00e3o Africana. Explicou, no entanto, que a Comiss\u00e3o Africana permite que\norganiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil produzam &#8220;Relat\u00f3rios Sombra&#8221; sobre a\nsitua\u00e7\u00e3o dos direitos humanos num determinado pa\u00eds. Acrescentou ainda que \u00e0s\nvezes, o uso desses mecanismos com o tempo pode exercer press\u00e3o localmente e\najudar na corre\u00e7\u00e3o de alguma coisa&#8230; <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O Democrata (OD): Lan\u00e7ou, no pa\u00eds, o livro\nda sua autoria que fala do \u201cSistema Africano de Direitos Humanos e a\nExperi\u00eancia dos Pa\u00edses Africanos de L\u00edngua Oficial Portugu\u00eas\u201d. Pode explicar de\nforma sint\u00e9tica o interesse de versar sobre o sistema africano dos direitos\nhumanos, num continente onde a justi\u00e7a ainda \u00e9 uma miragem e os direitos\nhumanos, para os ativistas e cr\u00edticos, se resumem apenas aos papeis ou na\nprote\u00e7\u00e3o das elites e pol\u00edticos no poder?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Aua Bald\u00e9 (AB): <\/strong>O meu interesse\npelos direitos humanos n\u00e3o \u00e9 uma coisa recente. Neste campo dos direitos\nhumanos, h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada que tenho tentado intervir tanto numa abordagem\nte\u00f3rica bem como com trabalhos pr\u00e1ticos. \u00c9 verdade que os direitos humanos, do\nmodo geral, n\u00e3o s\u00f3 em \u00c1frica, mas talvez mais acentuadamente em \u00c1frica, a\nefetiva\u00e7\u00e3o dos direitos humanos representa um desafio e isso n\u00e3o significa que\nn\u00e3o seja uma \u00e1rea que possa suscitar um interesse que deva ser estimulado. Dai\nque tenha tido a ideia de elaborar este livro que foi um projeto muito antigo,\nque surgiu h\u00e1 cerca de uma d\u00e9cada. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto\nestudante destas quest\u00f5es, havia poucas disponibilidades, sobretudo em l\u00edngua\nportuguesa, de manuais ou livros que versassem sobre esta quest\u00e3o. Esta foi a\nraz\u00e3o pela qual decidi iniciar a pesquisa a t\u00edtulo individual, sem colabora\u00e7\u00e3o\nde nenhuma institui\u00e7\u00e3o. Na primeira fase, estive como investigadora no\n&#8220;SOAS \u2013 <strong>School of Oriental\nand African Studies: <\/strong>Escola de Estudos Orientais e\nAfricanos de Londres&#8221;, sob al\u00e7ada da\nFunda\u00e7\u00e3o <strong>&#8220;Mo&#8221; Ibrahim<\/strong>\n[Mohammed Ibrahim\n\u00e9 um&nbsp;empres\u00e1rio&nbsp;<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Billionaire\">bilion\u00e1rio&nbsp;<\/a><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sudan\">sudan\u00eas-<\/a>brit\u00e2nico que criou a&nbsp;<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mo_Ibrahim_Foundation\">Funda\u00e7\u00e3o denominada &#8220;Mo Ibrahim<\/a>&#8220;,&nbsp;para incentivar uma melhor governan\u00e7a na \u00c1frica.\nCriou tamb\u00e9m o \u00cdndice &#8220;Mo Ibrahim&#8221;, para avaliar o desempenho das\nna\u00e7\u00f5es.&nbsp;\u00c9 membro do Conselho Consultivo Regional de \u00c1frica da&nbsp;<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/London_Business_School\">London Business School<\/a>] que patrocinou a pesquisa inicial\npara a composi\u00e7\u00e3o do livro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que diz respeito a \u00c1frica Lus\u00f3fona ou ao mundo\nPALOP, senti que havia na altura um desconhecimento total sobre o sistema\nafricano: Como funcionam os mecanismos regionais de promo\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o dos\ndireitos humanos. Na verdade, quando iniciei a pesquisa para a composi\u00e7\u00e3o do\nlivro, n\u00e3o havia um \u00fanico livro que debatesse estas quest\u00f5es. Da\u00ed justamente o\nmeu interesse e o que senti que poderia ser o meu contributo. Percebi que,\ntendo feito uma especializa\u00e7\u00e3o em direito internacional dos direitos humanos em\n<strong>Harvard<\/strong>, isso poderia ser um contributo\nadicional uma vez que j\u00e1 tinha as ferramentas para entender melhor o pr\u00f3prio\nsistema. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O objetivo do livro sempre foi ajudar\nacad\u00e9micos, estudantes ou ativistas dos direitos humanos no terreno. Como sabe,\nno mundo lus\u00f3fono africano n\u00e3o h\u00e1 uma cultura daquilo que \u00e9 a advocacia para os\ndireitos humanos. Entendi que, havendo um instrumento que explica um bocadinho\nesta quest\u00e3o, talvez isso poder\u00e1 suscitar interesse das diversas entidades que\ntrabalham nestas quest\u00f5es em como poder\u00e3o, de forma mais sistem\u00e1tica, olhar\npara o lado dos seus, numa tentativa de maior prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OD: At\u00e9 que ponto este livro pode ajudar na &#8220;luta&#8221;\ntravada pelos ativistas dos direitos humanos na Guin\u00e9-Bissau, que muitas vezes veem\nos seus direitos restringidos pelas autoridades nacionais, certas vezes\nreprimidos por for\u00e7as de seguran\u00e7a\u2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AB: <\/strong>Espero que seja uma chamada de aten\u00e7\u00e3o, porque o que sinto \u00e9\nque olhamos muito para os mecanismos internos, ou seja, os mecanismos dom\u00e9sticos\nde cada pa\u00eds. Espero que o livro sirva de ferramenta para os ativistas poderem\nentender que quando falham os mecanismos dom\u00e9sticos, que existe um sistema\nregional que permite reivindicar esses direitos a n\u00edvel supranacional. \u00c9 esse o\nobjetivo.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OD: Acha que os instrumentos jur\u00eddicos (leis) existentes s\u00e3o\nsuficientes para a promo\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o dos direitos na Guin\u00e9-Bissau?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AB: <\/strong>Acho que h\u00e1 um sistema legal bastante bom na Guin\u00e9-Bissau. A\ngrande dificuldade \u00e9 a efetiva\u00e7\u00e3o das leis existentes! \u00c9 preciso reivindicar\nmais e exigir o seu cumprimento. Isso sempre foi o desafio em qualquer um dos\npa\u00edses africanos e a Guin\u00e9-Bissau n\u00e3o \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o. H\u00e1 organiza\u00e7\u00f5es que est\u00e3o\na fazer um trabalho interessante, nomeadamente a Liga Guineense dos Direitos\nHumanos, mas lan\u00e7o-lhes outro desafio. A Liga foi muito ativa no in\u00edcio dos\nanos 90 e penso que poder\u00e1 voltar a ter esse papel relevante, sobretudo se usar\nmeios para l\u00e1 dos dom\u00e9sticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Justamente os meios que referi no livro.\nMas independentemente disso, acho que existe um sistema e apraz-me saber que\nmesmo a n\u00edvel da juventude guineense e da sociedade civil, as pessoas est\u00e3o\nmuito alertas. Penso que o mecanismo existe e que dever\u00e1 haver uma\nreivindica\u00e7\u00e3o e que independentemente daquilo que seja a rea\u00e7\u00e3o das autoridades,\ndevemos persistir no caminho de uma maior reivindica\u00e7\u00e3o dos direitos humanos na\nGuin\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OD: Critica-se muito o sistema judicial guineense, considerado\nfr\u00e1gil e que bloqueia a atividade dos ativistas dos direitos humanos. Como\nespecialista de direito internacional e dos direitos humanos, o que se pode\nfazer para a promo\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos neste sentido?&nbsp;&nbsp; <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AB: <\/strong>Eu pergunto-me se o sistema \u00e9 fr\u00e1gil? Ou ser\u00e1 que h\u00e1 mecanismos\nque bloqueiam o sistema. Ser\u00e1 que \u00e9 essa a quest\u00e3o!? Eu acho que a solu\u00e7\u00e3o\npassa pela reivindica\u00e7\u00e3o e uso dos mecanismos existentes para fazer valer esses\ndireitos. Parece-me que os instrumentos legais existem e que h\u00e1 uma <em>corela\u00e7\u00e3o<\/em> de for\u00e7as, mas isso n\u00e3o dever\u00e1\nfazer com que os guineenses e os ativistas dos direitos humanos, em particular,\nrecuem. Devem persistir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OD: O que bloqueia o sistema judicial guineense, do seu ponto\nde vista?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AB: <\/strong>Eu acho que h\u00e1 v\u00e1rios fatores e um deles \u00e9 o posicionamento\ndas autoridades face \u00e0quilo que s\u00e3o os direitos humanos. Mas n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno\nlocal. H\u00e1 sempre uma tentativa de resist\u00eancia das autoridades face ao que \u00e9 a\npromo\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e isso n\u00e3o \u00e9 uma coisa necessariamente guineense.\nPenso que isso n\u00e3o dever\u00e1 servir de entrave e que, independentemente de\nexistirem resist\u00eancias ou tentativa de bloqueio no concernente \u00e0s quest\u00f5es do\nexerc\u00edcio do direito \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o ou outro tipo de liberdades e garantias,\ndever\u00e1 haver persist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora podemos usar imensos meios de\ncomunica\u00e7\u00e3o, nomeadamente as redes socias, para divulgar as iniciativas. Penso\nque devemos fazer uso disso, porque \u00e0s vezes podem servir como forma de press\u00e3o\ncontra as atitudes de bloqueio das autoridades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OD: Voltando ao livro, qual \u00e9 o papel da Comiss\u00e3o Africana e\ndo Tribunal Africano na promo\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos no nosso\ncontinente?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AB:<\/strong> Tanto a Comiss\u00e3o Africana como o Tribunal Africano s\u00e3o\nessenciais na prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos. Quando se criou a Carta Africana\ndos Direitos Humanos e nos in\u00edcios quando se discutiu a quest\u00e3o dos direitos\nhumanos no continente, houve certa resist\u00eancia dos pr\u00f3prios Estados a cria\u00e7\u00e3o\ndo Tribunal. O Tribunal surgiu em momento posterior, ou seja, d\u00e9cadas depois da\nefetiva\u00e7\u00e3o da carta e do come\u00e7o do trabalho da Comiss\u00e3o Africana. Nesse\nsentido, podemos dizer que a Comiss\u00e3o Africana est\u00e1 mais tempo no terreno e,\nportanto, tem desenvolvido um trabalho mais proeminente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quero aproveitar para explicar que h\u00e1\ndois papeis fundamentais da Comiss\u00e3o Africana, por um lado o da promo\u00e7\u00e3o dos\ndireitos humanos que tem muito a ver com a divulga\u00e7\u00e3o e a sensibiliza\u00e7\u00e3o em\nmat\u00e9ria dos direitos humanos no continente. Por outro lado, existe a pr\u00f3pria\nprote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos que faz com que na pr\u00f3pria carta exista o\nmecanismo de queixa em que os individuais ou os cidad\u00e3os dos Estados membros da\nUni\u00e3o Africana podem dirigir-se a Comiss\u00e3o Africana e apresentar queixas de\nviola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos nos seus pa\u00edses ou abusos a que tenham sidos\nsujeitas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 preciso esclarecer uma quest\u00e3o, apesar\nde ser t\u00e9cnica. \u00c9 bom explicar que todo o trabalho que a Comiss\u00e3o faz, quando\nchega ao fim de um processo de queixa, emite uma decis\u00e3o. Essa decis\u00e3o \u00e9 na\nverdade uma recomenda\u00e7\u00e3o para os pa\u00edses, ou seja, a Comiss\u00e3o chega ao fim e diz\nque um certo pa\u00eds, em fun\u00e7\u00e3o de uma queixa, violou um tal direito e recomenda o\nreferido pa\u00eds o que deve fazer para colmatar essa viola\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Comiss\u00e3o n\u00e3o tem for\u00e7a vinculativa, ou\nmelhor, as suas decis\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o vinculativas. Por isso tem havido certa\nresist\u00eancia aos mecanismos do Tribunal, cujas decis\u00f5es deveriam ser\nnecessariamente vinculativas. Isso por o tribunal ter surgido num momento posterior.\nNeste momento existe realmente um Tribunal cujas decis\u00f5es s\u00e3o vinculativas para\nos Estados. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem v\u00e1rias salvaguardas a fazer e a\nprimeira \u00e9 que o Tribunal n\u00e3o \u00e9 de acesso direto aos cidad\u00e3os dos pa\u00edses\nsignat\u00e1rios, a n\u00e3o ser que os pa\u00edses assinem uma declara\u00e7\u00e3o aquando da\nratifica\u00e7\u00e3o do protocolo do Tribunal a permitir esse acesso direto.&nbsp; E poucos pa\u00edses fizeram-no. Para j\u00e1, a Guin\u00e9\nainda nem sequer ratificou o protocolo. H\u00e1 um protocolo para a cria\u00e7\u00e3o do\nTribunal que \u00e9 anexo, uma vez que o Tribunal surgiu no momento posterior. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 um protocolo adicional e h\u00e1 v\u00e1rios\npa\u00edses africanos que j\u00e1 o assinaram. Por\u00e9m, mesmo assinando para permitir a\njurisdi\u00e7\u00e3o do Tribunal Africano ou para dar o acesso direto aos cidad\u00e3os, \u00e9\npreciso p\u00f4r l\u00e1 uma cl\u00e1usula na qual se dir\u00e1 que permitimos que, nos termos do\nartigo 36\u00ba, etc\u2026 que os cidad\u00e3os tenham acesso a esse mecanismo diretamente.\nPor\u00e9m, a maioria dos pa\u00edses n\u00e3o o faz. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto para mim \u00e9 uma manobra do pr\u00f3prio\nlegislador. Na verdade, quanto muito, o que deveria ter feito era ter dito no\ncaso de n\u00e3o haver nenhuma declara\u00e7\u00e3o expressa, os cidad\u00e3os t\u00eam acesso em vez de\nfazer passar pelos Estados para permitir acesso ao Tribunal. Obviamente que a\nmaioria dos Estados n\u00e3o o permitem. Como podemos contornar esse mecanismo? \u00c9\npreciso fazer todo um processo de queixa atrav\u00e9s da Comiss\u00e3o Africana e quando\na Comiss\u00e3o faz uma recomenda\u00e7\u00e3o, isso \u00e9 a sua decis\u00e3o, como disse\nanteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a Comiss\u00e3o faz uma recomenda\u00e7\u00e3o e\nse o Estado n\u00e3o cumpre, ent\u00e3o a Comiss\u00e3o pode tornar-se parte do processo e\napresentar uma queixa em nome do particular ao Tribunal Africano. Acho que isso\ndist\u00e2ncia o cidad\u00e3o dos pa\u00edses africanos daquilo que \u00e9 um Tribunal com for\u00e7a de\nefetivar as decis\u00f5es, enfim\u2026 Mas \u00e9 o mecanismo que existe! Olhando para a\nevolu\u00e7\u00e3o, acho que \u00e9 um passo dado. Eu desafio os nossos governantes a\nratificarem o protocolo que d\u00ea acesso direto aos guineenses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OD: Esses obst\u00e1culos n\u00e3o criam dificuldades imensos ao\nfuncionamento do Tribunal que deveria oferecer um bom servi\u00e7o aos cidad\u00e3os\nafricanos, de acordo com a sua experi\u00eancia no direito internacional?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AB: <\/strong>Este \u00e9 um dos grandes entraves no funcionamento do tribunal. <a>Tribunal Africano tem v\u00e1rias dificuldades de funcionamento,\nmas eu diria que h\u00e1 uma hist\u00f3ria de resist\u00eancia a efetiva\u00e7\u00e3o dos direitos\nhumanos no nosso continente da parte dos nossos dirigentes, atrav\u00e9s de\ninstrumentos que aprovam e isso reflete-se n\u00e3o s\u00f3 na resist\u00eancia inicial \u00e0\nCarta Africana. Nota-se tamb\u00e9m nesses mecanismos de bloqueio. Mas penso que\ndevemos persistir e independentemente disso, devemos estar em alerta e\nreivindicar porque s\u00f3 engajando com o sistema \u00e9 que podemos fazer com que o\nsistema funcione. <\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quero ilustrar outro exemplo. <a>Os pa\u00edses africanos devem, em princ\u00edpio, elaborar um\nrelat\u00f3rio bianual sobre a situa\u00e7\u00e3o dos direitos humanos. Mas raramente fazem\nesses relat\u00f3rios, ali\u00e1s, se n\u00e3o estou em erro, a Guin\u00e9 at\u00e9 ao momento ainda n\u00e3o\nfez nenhum relat\u00f3rio. H\u00e1 uma outra componente neste livro e que me interessa\nque os ativistas dos direitos humanos percebam. H\u00e1 um sistema chamado\n&#8220;Relat\u00f3rio Sombra&#8221; que as pr\u00f3prias organiza\u00e7\u00f5es interessadas na\npromo\u00e7\u00e3o de direitos humanos num determinado pa\u00eds podem elaborar. Podem\napresentar um &#8220;Relat\u00f3rio Sombra&#8221; perante a Comiss\u00e3o Africana, sobre a\nsitua\u00e7\u00e3o dos direitos humanos no pa\u00eds. Eu acho que \u00e0s vezes se usarmos esses\nmecanismos, com o tempo pode ser que exer\u00e7a press\u00e3o localmente. <\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OD: Relat\u00f3rio Sombra, significa o qu\u00ea de concreto?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AB: <\/strong>Os Governos deveriam submeter, a cada dois anos, um relat\u00f3rio\nsobre a situa\u00e7\u00e3o dos direitos humanos \u00e0 Comiss\u00e3o Africana. Ou seja, \u00e9 um\nmecanismo que se abriu para que possa haver uma discuss\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 na verdade uma\ncritica, porque o objetivo da submiss\u00e3o do relat\u00f3rio \u00e9 iniciar o di\u00e1logo no\nqual o pa\u00eds relata em que situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 no que concerne aos direitos humanos, o\nque permitiria aos especialistas da Comiss\u00e3o Africana consultar o relat\u00f3rio e\ndar orienta\u00e7\u00f5es para melhorar alguns aspetos. O objetivo \u00e9 estabelecer um\ndi\u00e1logo no sentido de melhorar a situa\u00e7\u00e3o dos direitos humanos no continente\nafricano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OD: Ent\u00e3o, cabe \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es dos direitos humanos fazer o\n&#8216;Relat\u00f3rio Sombra&#8217;?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AB: <\/strong>Exatamente. As organiza\u00e7\u00f5es dos direitos humanos podem engajar-se\nnesse processo, apresentando o relat\u00f3rio sombra. Porque normalmente a vers\u00e3o\noficial, de acordo com a minha experi\u00eancia, \u00e9 uma vers\u00e3o mais colorida\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OD: Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Guin\u00e9-Bissau, nem as organiza\u00e7\u00f5es dos\ndireitos humanos e nem a liga conseguiram usar este mecanismo, ou seja,\nproduzir um relat\u00f3rio sombra para a Comiss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AB: <\/strong>Infelizmente, n\u00e3o! N\u00e3o h\u00e1 at\u00e9 ao momento este tipo do\nrelat\u00f3rio da parte das organiza\u00e7\u00f5es dos direitos humanos da Guin\u00e9-Bissau. E \u00e9\num dos mecanismos que podemos usar e est\u00e1 ao nosso alcance. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OD: A possibilidade de produ\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio sombra pelas\norganiza\u00e7\u00f5es dos direitos humanos foi debatida durante a confer\u00eancia de\nativistas que decorreu no INEP?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AB: <\/strong>Debateu-se apenas a quest\u00e3o do ativismo em geral, porque\nv\u00e1rias pessoas apresentaram perspetivas diferentes, desde ativismo ambiental,\ncultural, todo o tipo de ativismo. Portanto, n\u00e3o foi uma quest\u00e3o concreta. Mas\n\u00e9 um mecanismo que existe e que eu acho que vale a pena pensarmos num f\u00f3rum e\ncomo podemos articular e fazer valer esses mecanismos, porque d\u00e1 visibilidade \u00e0\nquest\u00e3o localmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OD: A n\u00edvel da nossa sub-regi\u00e3o, existe um tribunal que\noferece servi\u00e7os aos cidad\u00e3os dos pa\u00edses membros da CEDEAO. Como \u00e9 que se pode\nrecorrer ao tribunal da CEDEAO para a resolu\u00e7\u00e3o de diferendos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AB: <\/strong>A quest\u00e3o interessante em rela\u00e7\u00e3o ao continente africano \u00e9 justamente\nessa, que temos os mecanismos dom\u00e9sticos, aquilo que eu chamo sub-regionais,\ndesignadamente a CEDEAO e os outros mecanismos. Depois temos o mecanismo\nregional. Na verdade, \u00e9 por isso que eu acabo por pensar que existem\ninstrumentos, ou melhor, existe uma verdadeira plataforma de reivindica\u00e7\u00e3o desses\ndireitos e que poder\u00e3o ser usados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tribunal da CEDEAO tem sido muito\nprogressista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 algumas decis\u00f5es, nomeadamente houve uma decis\u00e3o\nsobre o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o que foi muito celebrada na comunidade que defende os\ndireitos humanos, por ser uma decis\u00e3o muito progressista. Enquanto uma pessoa que\nobserva esses fen\u00f3menos, penso que o recurso at\u00e9 as estruturas mais pr\u00f3ximas de\nn\u00f3s e mesmo que supranacionais, por exemplo, a CEDEAO \u00e9 \u00fatil. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A CEDEAO tem todo um contexto e a Guin\u00e9\nest\u00e1 mais pr\u00f3xima desta realidade e pode ser que at\u00e9 exer\u00e7a mais press\u00e3o do que\no Tribunal Africano que \u00e9 j\u00e1 uma terceira via. Mas \u00e9 bom frisar que nenhumas\ndessas vias impede a utiliza\u00e7\u00e3o da outra e pode haver uma utiliza\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea\ndas duas. Como disse, n\u00e3o se pode recorrer diretamente ao tribunal africano,\nmas o tribunal da CEDEAO \u00e9 de um acesso mais direto, portanto \u00e9 o mecanismo que\npodemos usar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OD: H\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o que \u00e9 incompreens\u00edvel para um cidad\u00e3o\ncomum africano. O julgamento dos l\u00edderes africanos acusados pelos crimes de\nguerra e crimes contra a humanidade\u2026A Senhora dedica-se aos estudos e \u00e0\npesquisa na \u00e1rea dos direitos humanos e o direito internacional penal. O\nTribunal Africano n\u00e3o tem compet\u00eancia para julgar esses crimes de guerra de que\ns\u00e3o julgados os l\u00edderes africanos no Tribunal Penal Internacional?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AB: <\/strong>O meu interesse pelo direito internacional penal vem\njustamente da\u00ed, porque a \u00c1frica tem sido a grande <strong><em>vil\u00e3<\/em><\/strong> do sistema de\njusti\u00e7a internacional. A minha pesquisa de doutoramento visa justamente essa\n\u00e1rea. Na verdade, eu olho para a quest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre os Estados e o\nTribunal Penal Internacional e tive a sorte e o privil\u00e9gio de poder trabalhar\ncomo &#8220;Visiting Professional \u2013 Visitante Profissional&#8221; no Gabinete da\nProcuradora, a gambiana, Fatou Bensouda, durante seis meses em Haia (Holanda)\nh\u00e1 dois anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a quest\u00e3o, eu acho que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3\npara um cidad\u00e3o comum africano, tamb\u00e9m para mim enquanto jurista \u00e9 isso que me\ninteressa abordar. A quest\u00e3o pol\u00edtica por detr\u00e1s da justi\u00e7a internacional. \u00c9 uma\nan\u00e1lise que fa\u00e7o do ponto de vista jur\u00eddico e filos\u00f3fico e a minha tese reflete\nsobre a quest\u00e3o pol\u00edtica por detr\u00e1s. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que posso dizer em rela\u00e7\u00e3o a isso, uma\nvez que n\u00e3o existe um tribunal africano que possa tomar a dianteira nessas\nquest\u00f5es? Devo dizer que a Uni\u00e3o Africana em 2014, adotou o protocolo de Malabo\n(Capital, da Guin\u00e9-Equatorial) em que d\u00e1 jurisdi\u00e7\u00e3o penal internacional ao\nTribunal Africano dos Direitos Humanos. No papel, existe essa previs\u00e3o de o\nTribunal Africano poder conhecer as quest\u00f5es dos crimes de guerras e crimes\ncontra a humanidade, etc\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Houve uma rea\u00e7\u00e3o muito antag\u00f3nica a essa\ndecis\u00e3o do Tribunal Africano, uma vez que neste mesmo protocolo que d\u00e1 essa\njurisdi\u00e7\u00e3o penal, houve a inser\u00e7\u00e3o de um artigo em que se dava imunidade aos\ndirigentes. Isso gerou muita pol\u00eamica. O que se entendeu na comunidade\ninternacional que estuda esses fen\u00f3menos no direito internacional penal \u00e9 que\nn\u00e3o foi uma tentativa genu\u00edna de engajar e de trazer essa jurisdi\u00e7\u00e3o penal para\no continente, mas mais uma forma de dar imunidade a certas pessoas! Eu acho que\ndepois da segunda guerra mundial e de julgamentos de Nuremberg, a\nquest\u00e3o da imunidade ficou clara. Portanto, se uma pessoa, independentemente do\nlugar que ocupa, comete ou incita ao cometimento de crimes contra a humanidade\nou crimes de guerra, dever\u00e1 necessariamente responder por isso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o tr\u00eas aspetos\nque quero real\u00e7ar aqui. A segunda \u00e9 que h\u00e1 uma coisa chamada jurisdi\u00e7\u00e3o\nuniversal. Lembra-se do caso de antigo Presidente Hiss\u00e8ne Habr\u00e9 do Tchad, que foi\njulgado no Senegal. Foi julgado ali porque h\u00e1 um princ\u00edpio de jurisdi\u00e7\u00e3o\nuniversal em que determinadas pessoas que cometam certos crimes, qualquer pa\u00eds\npode chegar-se \u00e0 frente e julgar o caso, independentemente de todos estes\nmecanismos que referimos. E foi isso que o Senegal fez e do meu ponto de vista,\nfoi uma boa rea\u00e7\u00e3o na medida em que demostrou que o continente \u00e9 realmente\ncapaz de lidar com quest\u00f5es como essas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A terceira parte tem a ver com a\nrela\u00e7\u00e3o entre o Tribunal Penal Internacional e os Estados (este aspeto \u00e9 a\nparte central da minha investiga\u00e7\u00e3o). Eu devo dizer que na base do princ\u00edpio da\ncomplementaridade no Estatuto de Roma, o Tribunal Penal Internacional s\u00f3 dever\u00e1\nintervir nos casos em que os pa\u00edses que fazem parte do Estatuto de Roma n\u00e3o possam\nou n\u00e3o queiram intervir. O sistema do Tribunal Penal Internacional chama\naten\u00e7\u00e3o que a primeira responsabilidade por estas quest\u00f5es \u00e9 dos Estados onde\nocorreram os crimes. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas ao mesmo reconhece-se que\nmuitas vezes pode ser numa situa\u00e7\u00e3o p\u00f3s-conflito em que as estruturas jur\u00eddicas\nestejam fragilizadas e que n\u00e3o h\u00e1 possibilidades de tratar dessas quest\u00f5es\ninternamente, ou at\u00e9 quando existe certa resist\u00eancia dos pr\u00f3prios Estados em lidar\ncom essas quest\u00f5es. Nesse caso, a jurisdi\u00e7\u00e3o passa para o Tribunal Penal\nInternacional. Podemos ver isso se olharmos para v\u00e1rias decis\u00f5es do tribunal recentemente\ncomo por exemplo o caso de Jean-Pierre\nBemba Gombo [Bemba \u00e9 um pol\u00edtico da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. Foi um dos\nquatro vice-presidentes do Governo de Transi\u00e7\u00e3o da RDC de 17 de julho de 2003 a\ndezembro de 2006. Bemba tamb\u00e9m liderou o Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o do Congo, um\ngrupo rebelde que se tornou partido pol\u00edtico. Foi julgado pelo tribunal penal\ninternacional por crimes contra a humanidade e tr\u00eas acusa\u00e7\u00f5es de crimes de\nguerra e condenado em mar\u00e7o de 2016. Em junho de 2018, foi absolvido pelo\ntribunal que o tinha condenado a 18 anos de pris\u00e3o por crimes de guerra contra\na humanidade].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso de antigo Presidente de Costa de Marfim,\nLaurent Gbagbo [ex-presidente de Costa do Marfim de\n26 de outubro de 2000 a 4 de dezembro de 2010. O seu mandato foi marcado por\numa guerra civil que, por v\u00e1rios anos, dividiu o pa\u00eds em dois. Foi acusado de\ncrime de guerra e julgado pelo Tribunal Penal Internacional que acabou por\nabsolve-lo dado que as provas apresentadas eram insuficientes para\nprovar&nbsp;os crimes de que era acusado]. O meu apelo neste caso seria dizer que n\u00e3o devemos olhar para o tribunal\ncom o receio. Devemos engajarmo-nos com o tribunal, porque na verdade a\nprioridade somos n\u00f3s e se n\u00f3s engajarmos com o tribunal, os nossos dirigentes\nn\u00e3o ir\u00e3o para o tribunal e trataremos das quest\u00f5es localmente. Ou mesmo se\nestiveram l\u00e1, se houver o mecanismo de engajamento, existe toda uma serie de\ngarantias no tribunal que faz com que os processos sejam transparentes. A\nresist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 para mim a solu\u00e7\u00e3o. O engajamento \u00e9 a op\u00e7\u00e3o \u2026 <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8212; Entrevista continua na pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por: Assana Samb\u00fa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Foto: A.S<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mar\u00e7o de 2019<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[ENTREVISTA 1\/2] A especialista guineense em Direito Internacional dos Direitos Humanos e Direito Internacional Penal, Aua Bald\u00e9, disse que a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":20082,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,18,16],"tags":[],"class_list":["post-20083","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-inicio","category-entrevista","category-sociedade","wpcat-6-id","wpcat-18-id","wpcat-16-id"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Especialista em direito penal internacional: &quot;GRANDE DIFICULDADE DA GUIN\u00c9 \u00c9 A EFETIVA\u00c7\u00c3O DAS LEIS! 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