{"id":20970,"date":"2019-06-27T01:52:57","date_gmt":"2019-06-27T01:52:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=20970"},"modified":"2019-06-27T14:02:06","modified_gmt":"2019-06-27T14:02:06","slug":"welket-considera-guine-bissau-diamente-em-bruto-para-a-producao-cinematografica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=20970","title":{"rendered":"WELKET CONSIDERA GUIN\u00c9-BISSAU &#8220;DIAMANTE EM BRUTO&#8221; PARA A PRODU\u00c7\u00c3O CINEMATOGR\u00c1FICA"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[ENTREVISTA] O jovem realizador e argumentista luso guineense, Welket Bungu\u00e9, disse que a Guin\u00e9-Bissau ainda \u00e9 um \u201cdiamante em bruto\u201d para o seu trabalho de produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, sobretudo pelas \u201cHist\u00f3rias\u201d que tem do seu passado e da pr\u00f3pria escrita e \u201cHist\u00f3rias\u201d da cultura guineense, sobretudo de ponto de vista do seu potencial funcional. Welket Bungu\u00e9, que estreou no passado m\u00eas de maio o seu filme de curta-metragem intitulado &#8220;Arriaga&#8221; que estreou no IndieLisboa (Festival Internacional de Cinema 2019), esteve no pa\u00eds no \u00e2mbito da semana de \u201cKrioulofonia\u201d que se realizou, em Bissau, no m\u00eas de maio \u00faltimo e para acompanhar tamb\u00e9m o dia a dia dos guineenses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o assunto, o cineasta revelou em entrevista conjunta concedida ao seman\u00e1rio O Democrata, \u00e0 Radiodifus\u00e3o Portuguesa\/\u00c1frica (RDP \u2013 \u00c1frica) e \u00e0 R\u00e1dio Jovem que, a parte da semana da \u201cKrioulofonia\u201d, que j\u00e1 aconteceu, sentiu a necessidade de fazer um registo (filme) sobre o estado em que se encontra a cidade Bissau para mostrar ao mundo o quotidiano dos citadinos de Bissau.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ou seja, na sua constata\u00e7\u00e3o, \u00e9 um aspeto que vai para al\u00e9m de se tratar de apenas uma coisa bonita ou menos bonita. Disse que o que est\u00e1 a tentar fazer \u00e9 dar cobertura \u00e0quilo que \u00e9 a rotina quotidiana das pessoas em Bissau, tentar perceber determinados lugares por onde tem passado, nomeadamente: o Ilh\u00e9u do Rei, o Memorial da Escravatura em Cacheu, o projeto da Irm\u00e3 Solange, em Canchungo e a imagem de uma crian\u00e7a que vive no bairro de Cuntum Madina, bairro tradicional nas imedia\u00e7\u00f5es de Bissau e sobretudo as imagens registadas na capital sobre a din\u00e2mica que acontece no centro, um projeto que o levou a descobrir e perceber como \u00e9 que as pessoas reagem quando veem algu\u00e9m com uma c\u00e2mera na m\u00e3o e que de alguma maneira quer captar aquilo que de mais belo h\u00e1 no dia-a-dia delas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica guineense, Welket Bungu\u00e9 disse que o cinema guineense est\u00e1 numa fase embrion\u00e1ria, n\u00e3o obstante ter uma estrutura reflexo na cinematografia de Flora Gomes e Sana Na N&#8217;Hada. Sustentou que \u00e9 uma cinematografia que tem como objetivo resgatar os valores da cultura guineense atrav\u00e9s de produ\u00e7\u00f5es feitas localmente ou fora da Guin\u00e9-Bissau.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>WELKET QUER RETRATAR A ROTINA DI\u00c1RIA DOS ESTRANGEIROS QUE ESCOLHERAM A GUIN\u00c9-BISSAU<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No fundo, um dos objetivos do realizador \u00e9 compilar uma recorda\u00e7\u00e3o sobre essa Guin\u00e9 em permanente desenvolvimento que tem uma gera\u00e7\u00e3o de pessoas que, embora tenham ido l\u00e1 para fora, t\u00eam cada vez mais vontade de investir no pa\u00eds. Welket Bungu\u00e9 esclarece que decidiu escolher o bairro de Cuntum Madina porque estava a acompanhar a sua pareceira Kristin Bethge (Fot\u00f3grafa) que recebeu uma encomenda de uma revista alem\u00e3 para seguir o cotidiano de uma crian\u00e7a ou de uma fam\u00edlia tradicional guineense. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para, al\u00e9m disso, destaca que tamb\u00e9m tinha ido l\u00e1 visitar a sua fam\u00edlia e percebeu que o bairro tem algo. Decidiu ent\u00e3o escolh\u00ea-lo para ver e acompanhar como as pessoas sobrevivem e tentar perceber os seus h\u00e1bitos e como contornam algumas precariedades que o bairro tem e que enfrentam no seu dia a dia, do ponto de vista estrutural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cIsso para n\u00f3s que viemos de fora, onde a princ\u00edpio temos tudo como um dado adquirido e garantido, mas quando fomos conforntados com a realidade do pa\u00eds percebemos que h\u00e1 uma grande contradi\u00e7\u00e3o. Perceber que h\u00e1 ainda pessoas que t\u00eam muito pouco e que ainda assim conseguem levar a acabo as suas rotinas e as suas necessidades\u201d, observou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto realizador e argumentista, Welket Bungu\u00e9 acredita que a Guin\u00e9-Bissau ainda \u00e9 um \u201cdiamante em bruto\u201d para o seu trabalho, sobretudo pelas \u201cHist\u00f3rias\u201d do seu passado e a pr\u00f3pria escrita e \u201cHist\u00f3rias\u201d da cultura guineense, sobretudo do ponto de vista do seu potencial funcional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTemos v\u00e1rios lugares que s\u00e3o aut\u00eanticas paisagens cinematogr\u00e1ficas. \u00c9 o caso de tudo o que vemos no dia-a-dia dos guineenses enquanto acontecimentos e gestos de corporalidade. Literariamente, se captarmos o que as pessoas dizem e a forma digo, muito especial, que o guineense t\u00eam de se dirigir a outro ou ent\u00e3o de tratar assuntos s\u00e9rios com uma certa poesia, atrav\u00e9s do uso dos ditos e ditados, s\u00e3o esses aspetos que fazem com que esta cultura tenha muito potencial para algu\u00e9m que produz cinema\u201d, real\u00e7ou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>REALIZADOR LEVA A IMAGEM DO QUOTIDIANO DE BISSAU PARA OS ECR\u00c3S DO MUNDO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para al\u00e9m dos aspetos iniciais mencionados no in\u00edcio da entrevista, o argumentista quis narrar uma hist\u00f3ria, um document\u00e1rio de fic\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de imagens filmadas que, na produ\u00e7\u00e3o do filme, ser\u00e3o intercaladas com depoimentos de cidad\u00e3os guineenses, mulheres, homens e crian\u00e7as) de diversos setores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTemos pessoas que trabalham com canoas que v\u00eam deixar, por exemplo, castanhas de caj\u00fa diariamente nos portos de Bissau e que t\u00eam que dormir aqui porque n\u00e3o t\u00eam como voltar para as suas casas no mesmo dia. Depois s\u00e3o obrigadas a carregar os barcos para voltar com carga (e rentabilizar o servi\u00e7o). Temos o caso de um alfaiate que se formou no Senegal e que veio montar o seu neg\u00f3cio em Bissau, mas que n\u00e3o conseguiu progredir. Mora no bairro de Sintra, Bissau, um bairro tradicional. Temos ainda uma captura de imagens que retrata o mercado de Bandim, uma feira que tem muitos negociantes que vendem seus produtos em muitos lugares. \u00c9 interessante saber como lidam no seu dia-a-dia comunitariamente, sobretudo quando um n\u00e3o consegue vender. A quest\u00e3o \u00e9 como conseguem, de alguma maneira, apoiarem-se mutuamente, porque depois, numa outra altura, poder\u00e1 ser outro a precisar de ajuda para conseguir vender\u201d, detalhou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Relata que a capital Bissau tem ainda outra situa\u00e7\u00e3o que lhe \u00e9 carater\u00edstica, a quest\u00e3o das curtas desloca\u00e7\u00f5es. Nesse caso coloca-se, de alguma maneira, a quest\u00e3o das acessibilidades em Bissau, muito condicionadas. As pessoas acabam por ter de viajar de t\u00e1xi ou de Toca-tocas e a sinaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 prec\u00e1ria nas estradas. Por \u00faltimo, destaca a situa\u00e7\u00e3o da juventude, sen\u00e3o mesmo da inf\u00e2ncia guineense, em que se tenta perceber como brincam as crian\u00e7as, quais os seus sonhos e para onde querem ir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Welket Bungu\u00e9 diz acreditar que no fim, poder\u00e1 encerrar todas essas val\u00eancias e paralelamente a isso far\u00e1, com certeza, uma leitura do estado da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSomos muito aben\u00e7oados, porque neste per\u00edodo em que aqui estamos presenciamos uma ou duas greves na fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica e paralisa\u00e7\u00f5es em v\u00e1rios setores, que foi algo \u00fanico. Presenciamos tamb\u00e9m alguns dias do Ramad\u00e3o na Guin\u00e9-Bissau e a retoma da vida ap\u00f3s o Ramad\u00e3o. Portanto, do ponto de vista de imagem, s\u00e3o muito ricos os momentos que consegui captar aqui da cidade. \u00c9 claro que ser\u00e1 um trabalho muito \u00e1rduo. Vou levar o filme para a Europa e terei que ser eu a fazer a montagem porque foi filmado com uma t\u00e9cnica muito espec\u00edfica, minha, e farei o m\u00e1ximo poss\u00edvel para que o resultado final seja dignificante para a cidade Bissau\u201d, assegurou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O argumentista luso guineense revelou que sempre foi sua preocupa\u00e7\u00e3o retratar a rotina di\u00e1ria dos estrangeiros que escolheram a Guin\u00e9-Bissau como sua segunda p\u00e1tria e disse que a Christine, a sua colega de equipa, quando vinha \u00e0 Guin\u00e9-Bissau sabia, naturalmente, que vinha captar imagens da beleza guineense. E o fato de o pa\u00eds ter acolhido a exposi\u00e7\u00e3o da Christine no Centro Cultural Portugu\u00eas, em Bissau, representa algo especial e \u00fanico, porque ela tem gravado na Alemanha, sobretudo no Brasil, v\u00e1rias realidades e chegou a vez de gravar imagens de Bissau para que estivessem naquela exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEste \u00e9 o tipo de trabalho de prazer que temos e felizmente, o fato de conseguirmos viajar muito em trabalho proporciona-nos estas d\u00e1divas. Temos contatos com pessoas, podemos captur\u00e1-las e dentro das nossas possibilidades, evidenciar para o mundo aquilo que de melhor h\u00e1 naqueles lugares, para desconstruir estigmas que h\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o a determinadas classes sociais, pessoas e territ\u00f3rios\u201d, notou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Welket Bungu\u00e9, a curta-metragem \u201cBASTIEN\u201d, primeira pe\u00e7a do realizador luso guineense, nasceu de um estudo ou inten\u00e7\u00e3o art\u00edstica de discutir quais os problemas das di\u00e1sporas africanas nas \u00e1reas perif\u00e9ricas de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNeste filme, temos uma multiculturalidade, porque assim \u00e9 que se convive naquelas \u00e1reas. Temos pessoas brancas, mulatas, negras e nativas de determinados lugares e, do ponto de vista narrativo, o problema que se coloca s\u00e3o os sonhos que muitas vezes s\u00e3o hipotecados, a juventude deixa de poder levar avante o seu sonho ou desejo em deterimento de uma estrutura social que, aparentemente, existe para proteger e defender o interesse dessa minoria vulner\u00e1vel, mas no fundo n\u00e3o \u00e9 o que acontece\u201d, observou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Welket Bungu\u00e9, essas estruturas sociais e pol\u00edticas fazem com que essas pessoas sejam cada vez mais marginalizadas, porque de in\u00edcio n\u00e3o conseguem legalizar-se devido a muitos entraves e como fam\u00edlias acabam por ficar disfuncionais, sobretudo no concernente \u00e0 falta de emprego, de acesso a determinados lugares que empoder\u00e1-las e permiti-las ter poder de decis\u00e3o sobre as suas vidas, para sobretudo influenciar outras pessoas para que lhes possam fazer chegar aquilo que elas tamb\u00e9m precisam, acabam por resvalarem para caminhos contr\u00e1rios ao destino, que \u00e9 o caso do \u201cBASTIEN\u201d, ele quer ser pintor, mas para conseguir pintar teve que se meter em situa\u00e7\u00f5es litigiosas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPortanto, na altura em que ele estava para dar o passo e ser reconhecido como tal e, se calhar ter sucesso, ele tinha que pagar uma d\u00edvida que contraiu. O filme \u00e9 visto em primeira inst\u00e2ncia como uma quest\u00e3o simplesmente vivencial, mas n\u00e3o. O que quero dizer aqui \u00e9 falar das diferen\u00e7as estruturais e institucionais que favorecem mais uma classe e menos outras\u201d, detalhou, criticando, contudo, a forma como a terceira gera\u00e7\u00e3o da di\u00e1spora africana \u00e9 tratada em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entendimento de argumentista luso guineense, essa gera\u00e7\u00e3o s\u00e3o pessoas que nasceram em Portugal, ou seja, negros africanos portugueses, nasceram l\u00e1. Neste sentido, defende que sejam considerados portugueses, n\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista legal como tamb\u00e9m de direitos e de viv\u00eancias. Mas, segundo disse, como essas pessoas est\u00e3o a ser permanentemente empurradas para uma situa\u00e7\u00e3o de desigualdade, isto justifica muitas vezes as tomadas de decis\u00f5es que lhes colocam em lugares errados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>&#8220;N\u00c3O POSSO SER PULSEIRA DE UM PA\u00cdS, PORQUE SOMOS MUITOS E PODEMOS SER MUITO MAIS SE AJUDARMO-NOS&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Solicitado a pronunciar-se sobre a crise pol\u00edtica e governativa que tem abalado a Guin\u00e9-Bissau, Welket Bungu\u00e9 disse que prefere falar mais da arte do que da pol\u00edtica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo fez algumas observa\u00e7\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do pa\u00eds e lan\u00e7a um repto no qual diz &#8220;se algu\u00e9m neste momento est\u00e1 acomodado ou passivo perante a situa\u00e7\u00e3o em que nos encontramos, ent\u00e3o \u00e9 porque essa pessoa n\u00e3o tem consci\u00eancia de onde o guineense pode chegar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se estamos contentes com o lugar onde estamos neste momento, \u00e9 porque n\u00f3s n\u00e3o temos no\u00e7\u00e3o de onde podemos chegar. Eu tenho sido muitas vezes parabenizado na rua, mas n\u00e3o \u00e9 isso que quero ouvir! Eu n\u00e3o posso ser pulseira de um pa\u00eds, porque somos muitos e podemos ser muito mais se ajudarmo-nos uns aos outros na dire\u00e7\u00e3o certa. Muitas coisas aconteceram nesta terra para n\u00f3s cidad\u00e3os comuns entendermos que o Estado \u00e9 respons\u00e1vel pela estagna\u00e7\u00e3o do nosso pa\u00eds e que n\u00e3o consegue sair da situa\u00e7\u00e3o. N\u00f3s, enquanto cidad\u00e3os desta terra, devemo-nos unir para reivindicarmos o nosso direito, porque n\u00e3o podemos deixar apenas aqueles que beneficiam da posi\u00e7\u00e3o de elite ou de uma posi\u00e7\u00e3o prestigiante tomarem decis\u00f5es que nos impliquem&#8221;, espelhou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assegurou que, enquanto realizador e artista, vai trabalhar na sua \u00e1rea para o desenvolvimento daquele setor, por isso apela que cada cidad\u00e3o dentro do seu setor d\u00ea a sua contribui\u00e7\u00e3o para o crescimento do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Questionado sobre a produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica guineense, Welket Bungu\u00e9 disse que o cinema guineense est\u00e1 numa fase embrion\u00e1ria, n\u00e3o obstante ter uma estrutura reflexo da cinematografia de Flora Gomes e Sana Na N&#8217;Hada. Contudo, sustentou que \u00e9 uma cinematografia que tem como objetivo resgatar os valores da cultura guineense atrav\u00e9s de produ\u00e7\u00f5es feitas localmente ou fora da Guin\u00e9-Bissau.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O desafio que deixo aqui \u00e9 tentar perceber quem s\u00e3o essas pessoas que produzem cinema e assinam enquanto guineenses? Que filmes existem? Para entendermos que filmes podem ainda ser feitos e, sobretudo, entender que ramos como cinema ou pintura, m\u00fasica e todos os ramos art\u00edsticos em geral que s\u00f3 fazem sentido se houver uma representa\u00e7\u00e3o honesta da popula\u00e7\u00e3o de quem se fala. Muitas vezes n\u00f3s artistas criadores, estando numa situa\u00e7\u00e3o de precariedade, prometemos mundo de fundos \u00e0s pessoas que nos apoiam, mas quando estamos no topo, \u00e0s vezes faltamos com os nossos compromissos que s\u00e3o justamente dar vozes \u00e0s pessoas que nos apoiam&#8221;, notou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PERCURSO PROFISSIONAL DE WELKET BUNGU\u00c9<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/4F56D9CC-EFEC-4D2B-BE89-A95CA95115D2-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20929\" srcset=\"https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/4F56D9CC-EFEC-4D2B-BE89-A95CA95115D2-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/4F56D9CC-EFEC-4D2B-BE89-A95CA95115D2-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/4F56D9CC-EFEC-4D2B-BE89-A95CA95115D2.jpeg 1125w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O realizador luso guineense nasceu no sector de Xitole, regi\u00e3o de Bafat\u00e1, no leste da Guin\u00e9-Bissau. Aos tr\u00eas anos de idade deixou o pa\u00eds e foi viver para a Lisboa (Portugal), em 1991 na companhia dos seus pais que emigraram a procura de uma vida melhor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cresceu em Lisboa e depois foi enviado pelos seus pais para um internado no sul de Portugal. Entrou no mundo da arte aos 19 anos atrav\u00e9s de apresenta\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as teatrais. Devido ao talento demostrado, conquistou os realizadores que o convidaram para o mundo de s\u00e9tima arte (cinema), para participar num filme portugu\u00eas &#8220;EQUADOR&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2002 mudou-se para o Brasil, para a cidade do Rio de Janeiro, onde nos \u00faltimos tempos tem trabalhado mais com os produtores brasileiros na produ\u00e7\u00e3o de filmes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esteve no festival do filme na Alemanha com o filme &#8220;JOAQUIM&#8221;, no qual desempenhou o papel de protagonista principal, em 2017. O filme retrata o per\u00edodo pr\u00e9-abolicionista no Brasil e foi seleccionado para a competi\u00e7\u00e3o naquele festival de Alemanha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2018 participou no filme de longa metragem alem\u00e3o que tem estreia ainda este ano e que considera o projeto da sua vida neste momento. Come\u00e7ou a trabalhar como realizador do filme em 2014, mas j\u00e1 escrevia argumentos do filme h\u00e1 muitos anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Realizou a Curta-Metragem \u201cBASTIEN\u201d e integrou o elenco de \u201cJoaquim\u201d de Marcelo Gomes, como tamb\u00e9m o do filme \u201cKAMINEY\u201d do realizador indiano Vishaal Bahardwaj.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recebeu o \u2018Pr\u00e9mio AEGBL\u2019 de Artista Revela\u00e7\u00e3o pela Associa\u00e7\u00e3o de Estudantes Guineenses em Lisboa na Faculdade de Letras de Lisboa, em 2011. Em 2012 foi distinguido com o \u201cPr\u00e9mio de Melhor Ator\u201d em \u201cMUTTER\u201d, no Primeiro Festival de Cinema Quinta Praia \u2013 ESMERIZ. Em 2017 foi nomeado para os Pr\u00e9mios de Cinema Cineuphoria na categoria de melhor Ator em Curta-Metragem pela sua interpreta\u00e7\u00e3o no filme \u2018BASTIEN\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De 2006 a 2017 interpretou personagens em duas dezenas de filmes (cinema), 8 telenovelas e 8 teatros. Welket \u00e9 fluente em portugu\u00eas, crioulo e ingl\u00eas. Bungu\u00e9 \u00e9 tamb\u00e9m locutor para entidades internacionais, bem como desenvolve Escritas Dram\u00e1ticas, Argumentos de Cinema e Performances.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por: Assana Samb\u00fa\/Filomeno Samb\u00fa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Foto: A.S<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Junho de 2019<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[ENTREVISTA] O jovem realizador e argumentista luso guineense, Welket Bungu\u00e9, disse que a Guin\u00e9-Bissau ainda \u00e9 um \u201cdiamante em bruto\u201d&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":20942,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,27],"tags":[],"class_list":["post-20970","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-inicio","category-cultura","wpcat-6-id","wpcat-27-id"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>WELKET CONSIDERA GUIN\u00c9-BISSAU &quot;DIAMANTE EM BRUTO&quot; 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