{"id":2553,"date":"2014-12-06T16:18:17","date_gmt":"2014-12-06T16:18:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=2553"},"modified":"2014-12-06T16:19:56","modified_gmt":"2014-12-06T16:19:56","slug":"afonso-te-trazer-mais-contingentes-militares-estrangeiros-nao-e-solucao-para-os-problemas-da-guine-bissau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=2553","title":{"rendered":"Afonso T\u00e9:  \u201cTRAZER MAIS CONTINGENTES MILITARES ESTRANGEIROS N\u00c3O \u00c9 SOLU\u00c7\u00c3O PARA OS PROBLEMAS DA GUIN\u00c9-BISSAU\u201d"},"content":{"rendered":"<p>O Presidente do Partido Republicano para a Independ\u00eancia e Desenvolvimento (PRID) e candidato derrotado nas \u00faltimas presidenciais,Ant\u00f3nio Afonso T\u00e9, considerou, na grande entrevista a O Democrata que trazer mais contingentes militares para o pa\u00eds n\u00e3o \u00e9,<em>a priori<\/em>, uma solu\u00e7\u00e3o para os problemas que os guineenses defrontam. De acordo com a sua vis\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u00e9, particularmente, muito diferente da situa\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica do Centro Africana, da L\u00edbia e do Mali.<\/p>\n<p>\u201cOs nossos problemas internos s\u00e3o problemas que podem ser resolvidos. Em vez de estarmos a trazer mais for\u00e7as para permitir que se v\u00e1 pela extravag\u00e2ncia no uso dos meios destas organiza\u00e7\u00f5es internacionais,o que sugeriria \u00e9 efectivamente trabalhar no sentido de se criar uma plataforma, ou seja, um espa\u00e7o de concerta\u00e7\u00e3o e o di\u00e1logo nacional. O <em>deficit<\/em> da Guin\u00e9-Bissau reside precisamente ali, no di\u00e1logo nacional. \u00c9 preciso um di\u00e1logo nacional, \u00e9 preciso que as pessoas conversem. As solu\u00e7\u00f5es para os problemas candentes, ou melhor, os problemas de grande vulto da Guin\u00e9 sejam resolvidos \u00e9 que haja a participa\u00e7\u00e3o de toda gente ou de todos os guineenses na resolu\u00e7\u00e3o desses problemas\u201d, defendeu o antigo militar na reserva.<\/p>\n<p>Para o l\u00edder do PRID,n\u00e3o existem motivos e raz\u00f5es de trazer mais contingentes militares estrangeiros para o nosso pa\u00eds porque desde que as for\u00e7as da CEDEAO se instalaram no nosso pa\u00eds n\u00e3o houve mais problemas. Portanto n\u00e3o se justifica mais a vinda de militares estrangeiros \u00e0 p\u00e1tria de Am\u00edlcar Cabral.<\/p>\n<p><strong>O DEMOCRATA (D): Uma das quest\u00f5es levantadas nos \u00faltimos tempos tem sido a aus\u00eancia da oposi\u00e7\u00e3o ao Governo do PAIGC, do qual fazem parte o PRS e outras forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a esse assunto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ANT\u00d3NIO AFONSO T\u00c9 (AAT): <\/strong>Acho que \u00e9 preciso respeitar a decis\u00e3o do povo guineense em ter dado a vit\u00f3ria ao PAIGC nas legislativas. Penso que \u00e9 muito cedo para fazer aquela a oposi\u00e7\u00e3o ferrenha ao partido no poder. \u00c9 preciso dar um tempo ao PAIGC e o PRS que est\u00e3o no poder para poderem demonstrar aquilo que podem ou sabem fazer, porque achamos que j\u00e1 \u00e9 tempo para fazer coisas concretas e boas para a Guin\u00e9.J\u00e1 \u00e9 tempo de nos preocuparmos com o pa\u00eds no sentido de tir\u00e1-lo da situa\u00e7\u00e3o em que se encontra.<\/p>\n<p><strong>D: Que leitura faz do desempenho deste Governo ao longo de quatro meses do seu exerc\u00edcio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AAT: <\/strong>Quero deixar at\u00e9 aotempo que entendemos razo\u00e1vel para fazer alguma coisa de concreto para o pa\u00eds. A partir deste momento, eu fa\u00e7o as minhas an\u00e1lises sobre o desempenho do executivo.<\/p>\n<p><strong>D: Tendo em conta as dificuldades enfrentadas pelo pa\u00eds em diferentes sectores,se estivesse no lugar do primeiro-ministro, quais seriam as suas prioridades neste momento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AAT: <\/strong>Lamento n\u00e3o estar no lugar do primeiro-ministro, por isso tenho muito pouca coisa para lhe dizer. Apresentei a minha mo\u00e7\u00e3o de candidatura ao cargo de Presidente da Rep\u00fablica e o partido apresentou o seu programa eleitoral. Se estiv\u00e9ssemos no poder o que far\u00edamos estaria ligado estritamente aquilo que n\u00f3s tra\u00e7amos no programa eleitoral.<\/p>\n<p>De acordo com o programa eleitoral que apresentamos publicamente, entendemos que em primeir\u00edssimo lugar \u00e9 preciso resolver a situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia que se coloca.Emerg\u00eancia em todos os sectores fundamentais, como nos sectores da defesa e seguran\u00e7a, a emerg\u00eancia no sector da educa\u00e7\u00e3o, da sa\u00fade e da agricultura. Avan\u00e7\u00e1vamos depois com o programa de conting\u00eancia para come\u00e7ar a trabalhar o aparelho de Estado, de forma a resolver a press\u00e3o sobre a resolu\u00e7\u00e3o dos problemas que teremos de enfrentar a m\u00e9dio prazo em rela\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>Depois disso avan\u00e7ava-se com outro tipo de plano para resolver o problema da energia. Acho que talvez estejam a resolver o mesmo, mas n\u00e3o tenho certeza. Vejo a ilumina\u00e7\u00e3o na via p\u00fablica principal. Se n\u00f3s tiv\u00e9ssemos ganho as elei\u00e7\u00f5es ter\u00edamos uma solu\u00e7\u00e3o mais concreta para os problemas que o pa\u00eds enfrenta em diferentes sectores.H\u00e1 um partido que ganhou as elei\u00e7\u00f5es, portanto esperemos que resolva os problemas que o pa\u00eds enfrenta.<\/p>\n<p><strong>D: As autoridades guineenses pediram a vinda de uma for\u00e7a de estabiliza\u00e7\u00e3o multinacional, na qual tomariam parte contingentes militares da CPLP, da Uni\u00e3o Africana e da Uni\u00e3o Europeia, para al\u00e9m do contingente da CEDEAO que j\u00e1 se encontra no pa\u00eds. Enquanto militar de carreira com uma elevada experi\u00eancia, acha que o pa\u00eds precisa de uma for\u00e7a de estabiliza\u00e7\u00e3o no actual contexto s\u00f3cio-pol\u00edtico?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AAT: <\/strong>Seria estar a p\u00f4r muita for\u00e7a militar na Guin\u00e9-Bissau que <em>a priori<\/em> n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o dos problemas. A nossa situa\u00e7\u00e3o tem uma particularidade que \u00e9 muito diferente da situa\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Centro Africana, da L\u00edbia, do Mali ou de outros pa\u00edses. Os nossos problemas internos s\u00e3o problemas que podem ser resolvidos. Em vez de estarmos a trazer mais for\u00e7as para permitir que se v\u00e1 pela extravagancia no uso dos meios destas organiza\u00e7\u00f5es internacionais,o que eu sugeriria \u00e9 efectivamente trabalhar no sentido de se criar uma plataforma, ou seja, um espa\u00e7o de concerta\u00e7\u00e3o e o di\u00e1logo nacional.<\/p>\n<p>O deficit da Guin\u00e9-Bissau reside precisamente ali, no di\u00e1logo nacional. \u00c9 preciso um di\u00e1logo nacional, \u00e9 preciso que as pessoas conversem. As solu\u00e7\u00f5es para os problemas candentes, ou melhor, a t\u00e1tica para que os problemas de grande vulto da Guin\u00e9 sejam resolvidos \u00e9 que haja a participa\u00e7\u00e3o de toda gente ou de todos os guineenses na resolu\u00e7\u00e3o desses problemas.<\/p>\n<p>Como se sabe j\u00e1 temos uma for\u00e7a que \u00e9 multinacional no nosso pa\u00eds. Essa for\u00e7a que, apesar de ser da CEDEAO, \u00e9 uma for\u00e7a composta por contingentes de diferentes pa\u00edses daquela organiza\u00e7\u00e3o e, por isso mesmo, ela \u00e9 multinacional. Essa for\u00e7a j\u00e1 demonstrou que tem a capacidade para oferecer um quadro securit\u00e1rio indispens\u00e1vel para a situa\u00e7\u00e3o em que n\u00f3s estamos, como tamb\u00e9m de trabalhar no sentido de fazer o pa\u00eds sair da situa\u00e7\u00e3o em que se encontra.<\/p>\n<p>Essa for\u00e7a instalou-se no pa\u00eds depois de golpe de 12 de Abril. Desde que chegou ao pa\u00eds n\u00e3o se registou nenhuma situa\u00e7\u00e3o de guerra, ou da emin\u00eancia de guerra. Tivemos aqui sim, uma tentativa no dia 21 de Outubro que deu no que deu. Essa tentativa de 21 de Outubro ofereceu um quadro macabro de seis ou sete cad\u00e1veres. Depois sa\u00edmos dessa situa\u00e7\u00e3o e fomos para outra.Criou-se um boato que acabou por custar a vida a um inocente, ou ent\u00e3o, o resultado deste boato deu na morte de um cidad\u00e3o nigeriano nobairro de Massa-Cobra.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o as situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis que se registaram durante a presen\u00e7a da for\u00e7a de CEDEAO, portanto essa \u00e9 parte negativa que se pode dizer, uma vez que houve vidas que foram ceifadas em consequ\u00eancia daquelas situa\u00e7\u00f5es todas. Tivemos duas situa\u00e7\u00f5es aqui, mas uma foi provocada por indiv\u00edduos interessados em complicar a situa\u00e7\u00e3o que prevalecia naquela altura.<\/p>\n<p>Como se sabe at\u00e9 aqui, n\u00e3o h\u00e1 elementos nenhuns que provem que os nigerianos estivessem a tentar traficar os \u00f3rg\u00e3os humanos. Aquela ac\u00e7\u00e3o de tentativa levado a cabo ao n\u00edvel do aeroporto, gostar\u00edamos que essas coisas fossem esclarecidas. Entretanto, o que \u00e9 que tivemos aqui de bom? Tivemos uma situa\u00e7\u00e3o de calma que permitiu que todo o processo de retorno \u00e0 normalidade constitucional se realizasse.<\/p>\n<p>\u00c9 do que n\u00f3s precisamos. As elei\u00e7\u00f5es foram feitas e em consequ\u00eancia disso h\u00e1 um Governo que tomou o poder e que est\u00e1 a tomar as medidas que acha serem necess\u00e1rias para os problemas que enfrenta. N\u00e3o temos um quadro onde haja emin\u00eancia da guerra ou de conflitos tribais que possa descambar numa guerra civil, portanto n\u00e3o h\u00e1 necessidade de se trazer uma for\u00e7a de estabiliza\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Quanto maior for o n\u00famero de for\u00e7as militares num pa\u00eds, maior poder\u00e1 ser as possibilidadesde confronto. Eu digo isso, porque cada pa\u00eds tem o seu c\u00f3digo de valores e estes c\u00f3digos de valores podem n\u00e3o ser consent\u00e2neos com aqueles que vir\u00e3o mais tarde. Quero dizer aqui, que se aumentarmos mais o n\u00famero de for\u00e7as estrangeiras, significa que estamos a aumentar as nossas complica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>D: H\u00e1 possibilidade de haver confus\u00e3o no pa\u00eds com o aumento de for\u00e7as militar estrangeira? <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>AAT:<\/strong>Sim.H\u00e1 a possibilidade de haver mais confrontos no pa\u00eds, se aumentarmos mais for\u00e7as militares. Tamb\u00e9m estar\u00edamos a transportar aquela guerra diplom\u00e1tica que aconteceu durante a transi\u00e7\u00e3o, entre a CPLP e a CEDEAO para um campo j\u00e1 mais pr\u00e1tico que \u00e9 o campo militar. Ser\u00e1 que isso nos interessa? Ou quem est\u00e1 interessado nisso nesta terra?Uma presen\u00e7a de for\u00e7as de estabiliza\u00e7\u00e3o na Guin\u00e9-Bissau pode aumentar o risco de confus\u00e3o. J\u00e1 temos a situa\u00e7\u00e3o da normalidade constitucional resolvida, portanto para mim essa for\u00e7a de estabiliza\u00e7\u00e3o da CEDEAO deve come\u00e7ar j\u00e1 a trabalhar no sentido de se retirar. Para qu\u00ea estarmos a aumentar for\u00e7as no pa\u00eds? Para qu\u00ea?<\/p>\n<p><strong>D: Continua a defender que s\u00f3 atrav\u00e9s do di\u00e1logo \u00e9 que se pode resolver o problema da Guin\u00e9-Bissau. Que estrat\u00e9gia acha deveria ser adoptada para a cria\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o de concerta\u00e7\u00e3o nacional?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AAT: <\/strong>Sei que havia muitas iniciativas no passado que n\u00e3o deram bem, mas tamb\u00e9m isso tem a ver com a metodologia usada. A estrat\u00e9gia que deve ser utilizada passa pela selec\u00e7\u00e3o de individualidades neutras para tratarem disso. O que n\u00f3s propomos dentro dessa metodologia \u00e9 o seguinte: a cria\u00e7\u00e3o de tr\u00eas pilares de base para a cria\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o de concerta\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>Esses tr\u00eas pilares seriam criados da seguinte forma: Um pilar para as organiza\u00e7\u00f5es internacionais a que n\u00f3s pertencemos; segundo pilar seria sustentado pela organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil e o terceiro pilar seria constitu\u00eddo pela classe pol\u00edtica guineense.<\/p>\n<p><strong>D: Quais seriam as tarefas destes tr\u00eas pilares?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AAT:<\/strong>Cada um teria a sua tarefa muito bem definida. A tarefa do primeiro pilar seria a tarefa do aconselhamento e de contribui\u00e7\u00e3o para se encontrar a melhor forma de se sustentar a mesa. A tarefa dos pol\u00edticos seria de saberem colocar-se acima de querelas pol\u00edticas ou das quezilhas entre as diferentes fac\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que existem, a fim de colocarem o interesse da Guin\u00e9-Bissau acima de todos os interesses pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Para isso, eles teriam que dialogar entre eles no sentido de assumirem posi\u00e7\u00f5es que pudessem ser levadas \u00e0 mesa. Eu n\u00e3o digo que isso eliminaria todos os problemas, mas poder-se-ia encontrar solu\u00e7\u00f5es para as quest\u00f5es importantes sobre a vida do pa\u00eds. A interven\u00e7\u00e3o da sociedade civil permitiria regular, porque ela \u00e9 tida como neutra e, por isso regularia toda a situa\u00e7\u00e3o dentro do contexto de espa\u00e7o para que as pessoas pudessem,de facto,falar com serenidade para encontrar as solu\u00e7\u00f5es sobre os problemas do pa\u00eds que s\u00e3o gritantes.<\/p>\n<p><strong>D: A Assembleia Nacional Popular pretende retomar a iniciativa da reconcilia\u00e7\u00e3o levada a cabo no passado, mas que est\u00e1 muito longe do formato que acabou de apresentar. Acha que essa caminhada do Parlamento vai dar certo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AAT: <\/strong>Simplesmente vamos retomar os trilhos que nos levaram ao fracasso. Porqu\u00ea \u00e9 que excluem as pessoas que poder\u00e3o ter vozes, se calhar, at\u00e9 vozes muitos \u00fateis para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas do pa\u00eds?!\u00c9 bom que fique claro: ningu\u00e9m tem exclusividade para resolver os problemas da Guin\u00e9-Bissau.Todos os guineenses devem participar na resolu\u00e7\u00e3o dos problemas que temos enfrentado.<\/p>\n<p>Os guineenses confiaram a resolu\u00e7\u00e3o dos seus problemas \u00e0 assembleia. Quantas assembleias existiram? Aos partidos pol\u00edticos, quantos partidos pol\u00edticos existem? A sociedade civil, quantos elementos da sociedade civil existem? Aos militares, quantas vezes os militares interviram nos assuntos pol\u00edticos do pa\u00eds? O que \u00e9 que aconteceu?Nada\u2026 \u00c9 preciso que haja um espa\u00e7o em que toda gente esteja. Quero trazer aqui um exemplo, quando chegamos a independ\u00eancia n\u00e3o demos ouvidos a ningu\u00e9m. Pens\u00e1vamos que t\u00ednhamos o monop\u00f3lio da verdade.<\/p>\n<p>Pens\u00e1vamos que pod\u00edamos fazer, que sab\u00edamos fazer e at\u00e9 por que combatemos os portugueses e foram-se embora. Deixou-se de ouvir os anci\u00f5es que podem ter boas solu\u00e7\u00f5es para os problemas que temos. N\u00e3o foram ouvidos, ou seja, n\u00e3o se escutou ningu\u00e9m. Entramos para um quadro institucional, depois da democracia como se estiv\u00e9ssemos num pa\u00eds onde n\u00e3o h\u00e1via problemas.<\/p>\n<p>Ou ent\u00e3o, como se estiv\u00e9ssemos num pa\u00eds, onde a democracia j\u00e1 tinha uma longa tradi\u00e7\u00e3o. Ainda estamos na aprendizagem da democracia. Portanto n\u00e3o vamos entrar na aprendizagem da democracia pensando naquilo que os outros fazem na terra deles, porque a realidade \u00e9 diferente. Devemos inventar solu\u00e7\u00f5es para os problemas que temos, de acordo com a realidade que temos. A Guin\u00e9-Bissau tem as suas particularidades como qualquer outro pa\u00eds do mundo. Portanto s\u00e3o essas particularidades que devem ditar o comportamento dos guineenses no sentido de buscar solu\u00e7\u00f5es para os problemas.<\/p>\n<p><strong>D: Que leitura faz da demiss\u00e3o do ministro da Administra\u00e7\u00e3o Interna, Botche Cand\u00e9?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AAT:<\/strong>Se os factos corresponderem ao que est\u00e1 a circular na comunica\u00e7\u00e3o social, o senhor ministro deve apresentar a sua demiss\u00e3o. O titular da pasta da Administra\u00e7\u00e3o Interna neste momento tem sob a sua al\u00e7ada a seguran\u00e7a e a contra intelig\u00eancia do pa\u00eds, a ordem p\u00fablica interna, as fronteiras, como tamb\u00e9m tem a administra\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio e do poder local.Outra coisa, a fun\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio de Interior \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o fundacional do Estado, ent\u00e3o \u00e9 uma das fun\u00e7\u00f5es da soberania onde n\u00e3o se deve cometer erros.<\/p>\n<p>O senhor ministro do interior, para se deslocar a linha fronteiri\u00e7a \u00e9 preciso que ele se rodeie de seguran\u00e7a. Os quadros do minist\u00e9rio de Interior s\u00e3o quadros t\u00e9cnicos bons e que j\u00e1 t\u00eam muita experi\u00eancia t\u00e9cnica nos ramos das suas especialidades. Eu n\u00e3o vejo, ou n\u00e3o entendo como \u00e9 que o ministro do interior ter\u00e1 caido numa emboscada de rebeldes. Isso \u00e9 muito rid\u00edculo, mas muito rid\u00edculo mesmo.<\/p>\n<p><strong>D: O que acha que aconteceu de concreto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ATT: <\/strong>Eu n\u00e3o sei e nem quero imaginar. Quando ouvi que os rebeldes emboscaram o ministro do interior, fiquei muito preocupado e at\u00e9 perguntei se querem invadir a Guin\u00e9-Bissau outra vez.Porqu\u00ea? Para come\u00e7ar, a estabilidade da Guin\u00e9-Bissau depende de um relacionamento bom entre ela e os outros pa\u00edses que o circundam.<\/p>\n<p>Porque fazemos parte da mesma regi\u00e3o. Costuma dizer-se que <em>podemos escolher os nossos amigos, mas n\u00e3o podemos escolher os nossos vizinhos<\/em>\u2026A Guin\u00e9-Bissau j\u00e1 n\u00e3o deve entrar em outros conflitos para que possa dedicar-se a resolu\u00e7\u00e3odos conflitos internos que ainda tem. \u00c9 preciso que ela tenha a paz do lado de fora, ou melhor, que haja uma boa vizinhan\u00e7a com outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Imagina&#8230;estarmos aqui a registar casos do ministro de Interior que cai na emboscada de rebeldes. O que \u00e9 isso? Onde est\u00e1 a soberania? A soberania n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na boca. Est\u00e1 nos actos pr\u00e1ticos que o aparelho de Estado tem que executar para que efectivamente os cidad\u00e3os se sintam em seguran\u00e7a. A defesa e a seguran\u00e7a \u00e9 a seguran\u00e7a colectiva do povo guineense e essa seguran\u00e7a colectiva especializa-se em dois elementos importantes, designadamente: Uma defesa e outro elemento \u00e9 a seguran\u00e7a para que a popula\u00e7\u00e3o c\u00e1 dentro esteja segura e que se desloque ou que v\u00e1 para onde quiser, dentro dos limites das nossas fronteiras.<\/p>\n<p><strong>D: Acha que essa demiss\u00e3o vai aumentar mais a crise a n\u00edvel interno do PAIGC, tendo em conta o peso pol\u00edtico do demission\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ATT: <\/strong>Com o PAIGC nada \u00e9 linear\u2026 Eu n\u00e3o gostaria de entrar em coment\u00e1rios que depois podem ser mal interpretados. Porque \u00e9 preciso termos informa\u00e7\u00f5es daquilo sobre o qual falamos. E n\u00e3o tenho essas informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>D: Presidente, se na verdade for apurada a presen\u00e7a dos elementos pertencentes \u00e0 rebeli\u00e3o casamancesa no territ\u00f3rio nacional, qual deveria ser a posi\u00e7\u00e3o das autoridades da Guin\u00e9-Bissau, na sua opini\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AAT:<\/strong>A primeira posi\u00e7\u00e3o das autoridades guineenses \u00e9 faz\u00ea-los sair do espa\u00e7o nacional. A segunda \u00e9 continuar aquelas vizinhan\u00e7as que j\u00e1 vinham sendo feitas h\u00e1 muito tempo. Estamos a falar de uma situa\u00e7\u00e3o que leva j\u00e1 mais de 30 anos, portanto imagina se um dia o executivo valorizar a zona de Varela, ser\u00e1 que n\u00e3o vai ter dificuldades\u2026<\/p>\n<p>Aquele espa\u00e7o \u00e9 nosso, ent\u00e3o j\u00e1 chega. Al\u00e9m disso tudo regista-se ainda a press\u00e3o dos refugiadosque n\u00e3o nos ajuda, porque o pouco que j\u00e1 temos vamos ter que partilh\u00e1-lo com eles.<\/p>\n<p><strong>D: No passado recente uma situa\u00e7\u00e3o id\u00eantica a essa levou o nosso pa\u00eds ao conflito com uma das fac\u00e7\u00f5es de rebeldes na regi\u00e3o de Cacheu. Acha que o pa\u00eds corre o risco de se envolver mais uma vez num conflito com um outro grupo de rebeldes, desta vez na regi\u00e3o de Oio?<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>AAT: <\/strong>\u00c9 por isso que o Governo tem que tomar uma medida eficiente para que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se repita.<\/p>\n<p><strong>D: Que medidas devem ser tomadas neste contexto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AAT:<\/strong>Muitas.Dentre elas e a principal \u00e9 fazer sair esses homens do nosso territ\u00f3rio e a segunda \u00e9 lan\u00e7ar uma ponte entre as autoridades guineenses e as autoridades senegalesas.A terceira \u00e9 encontrar uma f\u00f3rmula comum entre a nossa gente e o Senegal no sentido de se negociar para que essa rebeli\u00e3o conhe\u00e7a o seu fim.<\/p>\n<p><strong>D: Nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es o Partido Republicano Independente para o Desenvolvimento (PRID), registou uma derrota retumbante. Essa derrota para muitas vozes, deve-se a falta de uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica clara e outros entendem que deve-se ao fracasso da lideran\u00e7a de presidente do partido\u2026 Quer fazer coment\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o a isso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ATT:<\/strong>Que cada um pense o que pensa\u2026 O que eu acho \u00e9 que, para se chegar a uma conclus\u00e3o e apontar dedos \u00e9 preciso fazer uma leitura muito mais complexa do que aquela que se faz. O nosso partido estava a liderar o f\u00f3rum e o f\u00f3rum foi tido aqui como o maior golpista. A estrat\u00e9gia do PRID com o f\u00f3rum era concertar a oposi\u00e7\u00e3o para poder ir para frente. Acho que ser\u00e1 dif\u00edcil uma \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica combater o PAIGC que j\u00e1 tem mais de 50 anos de implanta\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio guineense. \u00c9 preciso que haja uma estrat\u00e9gia concertada para chegar a este ponto. Enquanto estratega compreendi que efectivamente essa devia ser a solu\u00e7\u00e3o e continuo a dizer que esta que \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o. Entretanto, se calhar tenha havido algumas arestas que n\u00e3o foram limadas e que deixaram algumas organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas com quem compunha o f\u00f3rum na situa\u00e7\u00e3o de fragilidade.<\/p>\n<p>Essa fragilidade vai desde a propaganda negativa do facto de n\u00f3s termos assumido a gest\u00e3o da transi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o correu bem, se n\u00e3o a primeira parte. A primeira parte correu bem, a segunda \u00e9 que n\u00e3o correu bem, mas toda gente sabe o porqu\u00ea de a segunda parte n\u00e3o ter corrido bem mas ningu\u00e9m diz isso.<\/p>\n<p>A segunda parte n\u00e3o correu bem porque efectivamente o PAIGC decidiu entrar e fez tudo que podia para dar cabo daquilo. Houve ainda uma liga\u00e7\u00e3o entre o PAIGC e o PRS que criou uma situa\u00e7\u00e3o de fragilidade. Outra fragilidade residia precisamente no facto de o f\u00f3rum n\u00e3o ter corpo. O estatuto tinha sido feito, mas n\u00e3o foi levado \u00e0 execu\u00e7\u00e3o. Foi sob a minha coordena\u00e7\u00e3o que o estatuto foi levado \u00e0 execu\u00e7\u00e3o. Quando aproxim\u00e1vamos das elei\u00e7\u00f5es toda gente queria ir ao f\u00f3rum e isso provocou uma press\u00e3o sobre o f\u00f3rum.<\/p>\n<p>Outra coisa: as estrat\u00e9gias s\u00e3o delineadas de acordo com as situa\u00e7\u00f5es e com a realidade que existem. Essas realidades s\u00e3o projectadas para que efectivamente se possa delinear tantas estrat\u00e9gias. O PRID \u00e9 que teve a organiza\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es nas suas m\u00e3os atrav\u00e9s de um ministro, que \u00e9 dirigente do PRID. Esse mesmo ministro foi cabe\u00e7a da lista do nosso partido para as elei\u00e7\u00f5es legislativas, portanto esse senhor tinha uma certa responsabilidade nisso.<\/p>\n<p>De acordo com os nossos estatutos, o presidente do partido \u00e9 cabe\u00e7a de lista, mas se for candidato \u00e0s elei\u00e7\u00f5es presid\u00eancias, quem assume a cabe\u00e7a da lista \u00e9 o respons\u00e1vel pol\u00edtico em termos dos resultados obtidos nas elei\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 que eu esteja passar o fogo para outro n\u00e3o \u00e9 nada disso\u2026 A estrat\u00e9gia delineada no quadro do f\u00f3rum era a melhor estrat\u00e9gia, por isso no c\u00f4mputo geral dessa estrat\u00e9gia deveria dar ao f\u00f3rum 30 por cento do eleitorado.<\/p>\n<p><strong>D: O que falhou de concreto e que vos impediu de atingir esse resultado?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AAT:<\/strong>Falhou porque as pessoas fugiram, por um lado. Por outro lado muitas forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas n\u00e3o foram capazes de dizer muito cedo que n\u00e3o estavam numa situa\u00e7\u00e3o regular para irem \u00e0s elei\u00e7\u00f5es. Esses elementos associados \u00e0 retirada da Uni\u00e3o Patriota Guineense (UPG) sem avisar o corpo do f\u00f3rum dificultaram o f\u00f3rum.<\/p>\n<p>Por outro lado toda gente considerava o f\u00f3rum de golpista. Entretanto o f\u00f3rum fez um trabalho junto das representa\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas a n\u00edvel interno, porque dentre delas havia os que consideravam o f\u00f3rum de golpista. Os efeitos negativos da posi\u00e7\u00e3o que tinham em rela\u00e7\u00e3o ao F\u00f3rum deram cabo do nosso bom nome. Quando o PAIGC passou a liderar a transi\u00e7\u00e3o o que foi que aconteceu\u2026tudo o que era mau vinha para conta do f\u00f3rum quando no fundo o f\u00f3rum j\u00e1 n\u00e3o estava no poder.<\/p>\n<p><strong>D: H\u00e1 informa\u00e7\u00f5es que indicam que registou-se muita cr\u00edtica interna a volta da sua lideran\u00e7a dentro do seu pr\u00f3prio partido, depois das elei\u00e7\u00f5es. Quer fazer um coment\u00e1rio sobre isso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ATT:<\/strong>N\u00e3o\u2026 N\u00e3o se registou esse facto. Aqueles que deram o cabo do f\u00f3rum ainda querem dar o cabo de PRID, porque sabem que o PRID \u00e9 daquelas forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas s\u00f3lidas que j\u00e1 se est\u00e1 a transformar em uma institui\u00e7\u00e3o. H\u00e1 tr\u00eas pessoas que s\u00e3o respons\u00e1veis disso tudo e essas tr\u00eas pessoas,entraram em intelig\u00eancia com outras gentes para poder estragar o partido.<\/p>\n<p><strong>D: Senhor presidente, quem s\u00e3o essas tr\u00eas pessoas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AAT: <\/strong>N\u00e3o vou dizer os nomes das tr\u00eas pessoas, at\u00e9 porque estamos a tentar resolver esse problema internamente a n\u00edvel do partido. Esta lideran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 muito criticada. Essas pessoas \u00e9 que est\u00e3o a lan\u00e7ar a mesma coisa, mas porqu\u00ea? Porque eu pedi ou exigi que me fizessem contas das despesas feitas durante a campanha eleitoral. Eu tenho estado a p\u00f4r dinheiro num partido e quero saber como \u00e9 que este dinheiro \u00e9 utilizado.<\/p>\n<p>Acho que \u00e9 normal pedir contas. N\u00e3o h\u00e1 nada de anormal aqui, mas s\u00f3 que utilizaram o dinheiro de forma negativa e n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de apresentar contas. A \u00fanica sa\u00edda para eles \u00e9 lan\u00e7ar farpas. Dizendo que este presidente \u00e9 contestado. Mas era bom que estivessem ontem quando fui \u00e0 Bijimita e registassem o acolhimento que as pessoas me fizeram. Ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es fui \u00e0 Gab\u00fa e foi a mesma coisa, tive um bom acolhimento da parte das popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A contesta\u00e7\u00e3o est\u00e1 na cabe\u00e7a daqueles que produziram os resultados super negativos, porque entraram em situa\u00e7\u00f5es de fazer contesta\u00e7\u00f5es ou guerras internas ao n\u00edvel do partido numa altura em que n\u00e3o era necess\u00e1rio. Mas se calhar, tinham o interesse de o fazer, porque estavam a ser orientados por aqueles que querem acabar com o PRID.<\/p>\n<p><strong>D: Durante a campanha eleitoral o seu partido foi um dos que fizeram uma campanha considerada milion\u00e1ria. Podia falar-nos da proveni\u00eancia dos fundos utilizados pelo Partido Republicano para Independ\u00eancia e Desenvolvimento nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AAT:<\/strong>O problema \u00e9 que ningu\u00e9m questiona a proveni\u00eancia dos fundos de nenhum partido aqui na Guin\u00e9. Porque raz\u00e3o se questiona a proveni\u00eancia dos fundos do PRID? Por isso \u00e9 que eu digo que a estrat\u00e9gia com que conduzi a campanha foi a melhor em termos de organiza\u00e7\u00e3o. Por isso tinha que ser atropelado.<\/p>\n<p>As pessoas falaram aqui de muito dinheiro. N\u00e3o somos n\u00f3s que pusemos mais dinheiro na campanha. N\u00f3s conseguimos colocar uma soma de 350 milh\u00f5es de francos cfa na campanha eleitoral, mas os efeitos foram como se n\u00f3s tiv\u00e9ssemos colocados na campanha mais de um bilh\u00e3o de francos cfa. Porque eu sei fazer este tipo de trabalho e o que conseguimos fazer \u00e9 delinear muito bem a nossa estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m \u00e9 algo que sei fazer muito bem enquanto profissional para a estrat\u00e9gia da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tudo o que se fez era a press\u00e3o para esmagar o PRID, porque est\u00e1vamos numa situa\u00e7\u00e3o de <strong><em>taco a taco <\/em><\/strong>com o PAIGC em termos de campanha. Ningu\u00e9m queria que um golpista ganhasse as elei\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o as baterias convergiram no sentido de dar cabo ao PRID. Eu aluguei n\u00e3o comprei, mas eles pensaram que os carros foram comprados. Eu tive na minha campanha 38 carros, dos quais comprei apenas quatro.<\/p>\n<p>O aluguer de cada um desses carros custou-me 1.200 mil F.CFA (Um milh\u00e3o e duzentos mil francos cfa) em Dacar por 30 dias. Tenho as facturas e outras coisas mais desses alugueres dos materiais que fiz.Os 35 carros foram alugados por 36 milh\u00f5es de francos cfa.Paguei pelo aluguer do cami\u00e3o palco uma soma de um milh\u00e3o de francos cfa por dia. Confeccionei um total de55 mil camisolas, que custaram no total 55 milh\u00f5es de francos cfa. Paguei 250 mil cartazes que custaram-me 17 milh\u00f5es de francos cfa.<\/p>\n<p><strong>D: O partido conseguiu algum financiamento para o aluguer ou aquisi\u00e7\u00e3o destes materiais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AAT:<\/strong>N\u00f3s fizemos angaria\u00e7\u00e3o de fundos\u2026<\/p>\n<p><strong>D: Fizeram angaria\u00e7\u00e3o destes fundos da parte dos parceiros ou como?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AAT: <\/strong>Fizemos campanhas de angaria\u00e7\u00f5es de fundos a n\u00edvel das comunidades l\u00e1 fora. Organizamos jantares para a colheita dos fundos. N\u00f3s sabemos fazer isso. Portanto o mais importante de tudo isso \u00e9 a nossa capacidade de comunica\u00e7\u00e3o ou de convencer as pessoaspara obter apoios. O problema \u00e9 a capacidade de convencer, porque partimos de uma base em que n\u00e3o tinhamos nada e fizemos desse nada a nossa for\u00e7a.<\/p>\n<p>As pessoas ficaram muito preocupadas, mas porqu\u00ea n\u00e3o perguntarem quais os montantes postos por outras forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas na campanha? Posso garantir que para as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es vamos fazer melhor.<\/p>\n<p><strong>D: Muitos guineenses t\u00eam admirado muito a sua capacidade acad\u00e9mica, mas muitos, evocam o seu passado nas for\u00e7as armadas como um obst\u00e1culo para o seu sucesso. Quer fazer um coment\u00e1rio sobre isso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AAT: <\/strong>Acho que as pessoas foram surpreendidas pela minha capacidade, porque pensavam que eu era um <strong><em>brutamontes<\/em><\/strong> que n\u00e3o tinha conhecimento nenhum e que n\u00e3o sabia sen\u00e3o a sua profiss\u00e3o de militar. Isso foi o que aconteceu. Mas quando descobriram e a partir daquela altura passei a ser uma amea\u00e7a. Como amea\u00e7a tinha que ser combatido e as pessoas que me combatem foram buscar o meu passado militar.<\/p>\n<p>Sou o militar e tenho orgulho de ter sido militar, fiz muita coisa para a Guin\u00e9-Bissau. Primeiro, na idade de 16 anos participei na luta de liberta\u00e7\u00e3o, quando a luta acabou eu tinha j\u00e1 20 anos. Antes disso eu estava a estudar aqui em Bissau no liceu e ia ao quadro de honra todos os per\u00edodos. Fiz o curso de comandante de castelo e passei, fui promovido ao comandante de castelo. Depois fui promovido ao comandante de grupo.<\/p>\n<p>Cheguei a liderar as for\u00e7as armadas no sentido de transform\u00e1-las numas for\u00e7as armadas regulares vindas das for\u00e7as armadas irregulares. Disseram que eu \u00e9 que criara a confus\u00e3o, eu n\u00e3o criei confus\u00e3o nenhuma. Antes pelo contr\u00e1rio os pol\u00edticos \u00e9 que entenderam que tinham que deitar a m\u00e3o \u00e0s for\u00e7as armadas para poder tirar o PAIGC do poder. As guerras pol\u00edticas internas \u00e9 que levaram o pa\u00eds \u00e0 guerra civil, mas n\u00e3o aquilo que eles disseram que tinha sido: guerra geracional entre os oficiais das for\u00e7as armadas.<\/p>\n<p>Fui do tribunal militar superior.Fui nomeado e n\u00e3o voluntariamente. Enquanto militar se eu for nomeado, tenho de aceitar a nomea\u00e7\u00e3o. Enquanto militar eu servi o meu pa\u00eds muito bem. Para servir o meu pa\u00eds, eu tinha a obriga\u00e7\u00e3o de conhec\u00ea-lo, portanto conhe\u00e7o o meu pa\u00eds.<\/p>\n<p>Estes capitais de vantagens \u00e9 que fazem medo \u00e0s outras pessoas que dizem que como sou militar, devia ficar nas casernas. O meu arcabou\u00e7o pol\u00edtico \u00e9 superior ao arcabou\u00e7o pol\u00edtico dos outros, mas as pessoas n\u00e3o conhecem o meu arcabou\u00e7o t\u00e9cnico. Sou o administrador p\u00fablico, sou jurista, sou um oficial inter-armas por ter feito academia militar. Um mestre em artes e ci\u00eancias militares.<\/p>\n<p><strong>D: O pa\u00eds prepara a reforma do sector da defesa e seguran\u00e7a que algumas pessoas acham que corre o risco se falhar. O que acha deve ser feito para que n\u00e3o se registe uma falha, tendo em conta a sua experi\u00eancia nessa mat\u00e9ria?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AAT:<\/strong>O Estado deve assumir o processo da reforma do sector da defesa e seguran\u00e7a. O Estado nunca assumiu a reforma. Se o Estado decidir assumir a reforma, portanto o Estado deve reformar-se a si mesmo. As for\u00e7as armadas n\u00e3o passam de um grande departamento do Estado.<\/p>\n<p>N\u00e3o servir\u00e1 de nada fazermos a reforma das for\u00e7as da defesa e seguran\u00e7a, sem fazermos a reforma do pr\u00f3prio Estado. Quem gere as for\u00e7as da defesa e a seguran\u00e7a \u00e9 o Governo. Ent\u00e3o se as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e civis n\u00e3o estiverem organizadas como poder\u00e3o gerir as for\u00e7as da defesa e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>D: O pa\u00eds neste momento prepara uma mesa redonda com os parceiros internacionais. Est\u00e1 confiante que as autoridades poder\u00e3o obter algum apoio concreto a partir da realiza\u00e7\u00e3o da mesa redonda?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AAT<\/strong>: O que eu posso dizer \u00e9 desejar que a mesa redonda corra bem, porque estamos nos limites. Estamos sob san\u00e7\u00f5es h\u00e1 muito tempo. Essas san\u00e7\u00f5es vieram bater numa ferida que j\u00e1 existia. A Economia guineense \u00e9 uma aut\u00eantica ferida, portanto as san\u00e7\u00f5es vieram bater sobre essa ferida e as consequ\u00eancias foram carregadas pela popula\u00e7\u00e3o.Eu desejo que o Governo tenha uma boa performance no sentido de captar os interesses dos investidores e que a mesa redonda seja um sucesso.<\/p>\n<p><strong>D: Qual \u00e9 a sua leitura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 explora\u00e7\u00e3o dos Recursos Naturais que se perspectiva no pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AAT:<\/strong>A primeira coisa que dever\u00edamos fazer era fazer um levantamento para sabermos o que temos em termos dos recursos naturais e qual o valor desses recursos. A partir da\u00ed ter\u00edamos uma informa\u00e7\u00e3o concreta sobre os nossos recursos e isso permitir-nos-ia negociar com os interessados. H\u00e1 uma grande opacidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s informa\u00e7\u00f5es sobre o petr\u00f3leo,bauxite e o fosfato.<\/p>\n<p>Acho que estamos a mexer numa poss\u00edvel fonte de conflitos outra vez. Ser\u00e1 que temos a garantia de uma distribui\u00e7\u00e3o equitativa desses recursos para que o pa\u00eds beneficie por igual? E a segunda coisa, ser\u00e1 que tecnicamente estamos preparados para levantarmos ou procedermos a explora\u00e7\u00e3o destes recursos?<\/p>\n<p><strong>D: Acha que o pa\u00eds estar\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de lutar contra a pobreza atrav\u00e9s de financiamentosde projectos da educa\u00e7\u00e3o, da sa\u00fade e da agricultura, se n\u00e3o explorar os seus recursos naturais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AAT:<\/strong>Eu n\u00e3o digo que esperemos. O que eu digo deveriamos come\u00e7ar de outra forma e n\u00e3o da forma como come\u00e7amos. Vende-se aquilo que se sabe que existe. Mas para isso \u00e9 preciso fazer uma avalia\u00e7\u00e3o do que temos para apurar a quantidade e o valor no mercado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por: Assana Samb\u00fa<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Presidente do Partido Republicano para a Independ\u00eancia e Desenvolvimento (PRID) e candidato derrotado nas \u00faltimas presidenciais,Ant\u00f3nio Afonso T\u00e9, considerou,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2555,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,18],"tags":[],"class_list":["post-2553","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-inicio","category-entrevista","wpcat-6-id","wpcat-18-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2553","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2553"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2553\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2554,"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2553\/revisions\/2554"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2555"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2553"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2553"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2553"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}