{"id":376,"date":"2014-03-29T19:19:10","date_gmt":"2014-03-29T19:19:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=376"},"modified":"2014-04-13T01:12:05","modified_gmt":"2014-04-13T01:12:05","slug":"literatura-resenha-critica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=376","title":{"rendered":"LITERATURA: resenha cr\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>Proporcionamos aos estimados leitores, a resenha cr\u00edtica feita pelo PhD. Jorge Otinta, sobre o livro \u201cGuin\u00e9-Bissau &#8211; A poesia da Guin\u00e9-Bissau: hist\u00f3ria e cr\u00edtica\u201d, de JO\u00c3O ADALBERTO CAMPATO J\u00daNIOR<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><b>DE TEN-TEN EM TEN-TEN O GOLO DOS MESTRES<\/b><\/p>\n<p>Um certo prosa\u00edsmo que toca e, ao mesmo tempo, perpassa toda a produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica nacional tem dificultado, sobremaneira, que a nossa produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria n\u00e3o passasse de convencionalismo discursivo, contudo, com uma discursividade po\u00e9tica que tem alguma conota\u00e7\u00e3o subversiva ou contestadora do sistema colonial. Ademais, a exalta\u00e7\u00e3o exacerbada duma revolu\u00e7\u00e3o esva\u00edda de forma e de conte\u00fado tem sido a muleta com que a nossa <i>intelligentsia<\/i> tem-se servido sobre a tem\u00e1tica discursiva e referencial.<\/p>\n<p>Assim, partindo desta premissa, \u00e9-me, necessariamente, relevante debru\u00e7ar-me sobre o livro de ensaio liter\u00e1rio sobre a literatura guineense, por\u00e9m de um modo especial, sobre a poesia bissau-guineense do professor e cr\u00edtico liter\u00e1rio brasileiro, Jo\u00e3o Adalberto Campato Jr. Na extensa an\u00e1lise que fez no livro, <i>A poesia da Guin\u00e9-Bissau: hist\u00f3ria e<\/i> <i>cr\u00edtica<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ordem\/Downloads\/RESENHA%20CR%C3%8DTICA.doc#_ftn1\"><b>[1]<\/b><\/a><\/i>, ele procurou discorrer sobre as marcas cr\u00edtico-liter\u00e1rias dos nossos poetas e, mais precisamente, sobre os momentos marcantes de suas obras.<\/p>\n<p>De ressaltar que entre avan\u00e7os e recuos, portanto, entre Hist\u00f3ria e Literatura, ele parece surpreender, de certa maneira, alguns poetas de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es ao ressaltar aspetos positivos e negativos de sua produ\u00e7\u00e3o. Para uns, mais negativos que positivos; para outros (sendo poucos estes) mais positivos, no sentido de, pela primeira vez, algu\u00e9m, como estudioso da literatura, ousar dizer que nossa poesia \u00e9 fraca, d\u00e9bil e, por isso mesmo, n\u00e3o evolutiva. Porque, ao que tudo indica, parou no tempo.<\/p>\n<p>Assim sendo, o autor sem descurar do rigor metodol\u00f3gico e cient\u00edfico de sua an\u00e1lise, conseguiu, atrav\u00e9s de grande tento e talento demonstrar que, n\u00e3o obstante, toda a especificidade hist\u00f3rica, cultural e pol\u00edtica por que passou nosso pa\u00eds, primeiro com o violento processo colonial; segundo, com o per\u00edodo da p\u00f3s-independ\u00eancia com todas as vicissitudes por que passou o pa\u00eds. E mais: com o tamb\u00e9m violento processo de descoloniza\u00e7\u00e3o (se \u00e9 que se pode falar nestes termos). H\u00e1 ainda, segundo se pode depreender da sua cr\u00edtica, o dissabor com que veio a resultar esta tentativa de descoloniza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, cultural e espiritual do pa\u00eds, desde a independ\u00eancia at\u00e9 ao presente momento da conturbada democracia.<\/p>\n<p>Para isso, Campato Junior esmiu\u00e7a, duas quest\u00f5es fundamentais: de um lado, a conjuntura pol\u00edtico-hist\u00f3rica que tem impedido um avan\u00e7o no sentido de os intelectuais guineenses procurarem ir al\u00e9m do previsto, do conhecido, do previs\u00edvel e, portanto, do plaus\u00edvel; de outro, a perda de vista do universalismo est\u00e9tico (sem que se ponha de lado o \u00e9tico) da produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica nacional.<\/p>\n<p>Perfilaram-se poetas. Contudo, ex\u00edmios e reconhecidos poetas n\u00e3o laudat\u00f3rios da causa revolucion\u00e1ria e, muito menos ainda, da causa p\u00f3s 73, estes permaneceram no ghetto de um tipo de escrita n\u00e3o muito criativa e nem tanto inovadora. Pelo menos em termos do trabalho com a linguagem.<\/p>\n<p>Assim, quando Campato Jr. aponta alguns elementos para concluir seu ensaio, os quais cito, por\u00e9m explicitando-os:<\/p>\n<p>a)\u00a0\u00a0\u00a0 Tibieza e convencionalismos imag\u00e9ticos, pois n\u00e3o h\u00e1 inventividade liter\u00e1ria capaz de persuadir e surpreender o leitor;<\/p>\n<p>b)\u00a0\u00a0 Aus\u00eancia do rigor compositivo, isto \u00e9, tem-se, na Guin\u00e9-Bissau, a figura do poeta inspirado e n\u00e3o a do artes\u00e3o da palavra que se cria, inventa e persuade, artisticamente falando;<\/p>\n<p>c)\u00a0\u00a0\u00a0 Raro emprego de formas poem\u00e1ticas fixas. Quer dizer que, al\u00e9m de tentarmos sonetos e acr\u00f3sticos, n\u00e3o seguimos pelas redondilhas, pelos hai kais, entre tantos;<\/p>\n<p>d)\u00a0\u00a0 Prosa\u00edsmo, isto \u00e9, ideias triviais, os lugares s\u00e3o comuns, o espa\u00e7o\u00a0 e o tempo, poucos inspirados e, muitas vezes, inaut\u00eanticos;<\/p>\n<p>e)\u00a0\u00a0\u00a0 Predom\u00ednio das tem\u00e1ticas militantes e l\u00edrico-amorosa com exalta\u00e7\u00e3o, e at\u00e9 mesmo, celebra\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia e dos seus her\u00f3is, al\u00e9m de, \u00e9 claro, uma exulta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 beleza de nossas mulheres;<\/p>\n<p>f)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pouca e superficial especula\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica, na medida em que n\u00e3o existe a reflex\u00e3o sobre o pensar e o sentir nacionais, sobre o devir da nossa guineidade (ainda que em processo de constitui\u00e7\u00e3o), sobre conceitos inovadores. Ficando a merc\u00ea de cren\u00e7as m\u00edtico-supersticiosas e preconceitos t\u00e3o arraigados na nossa mente de \u201cdescolonizados\u201d que julgamos ser;<\/p>\n<p>g)\u00a0\u00a0\u00a0 Raras manifesta\u00e7\u00f5es de intertextualidade que empobrece o(a) escritor(a) guineense, porque n\u00e3o consegue ir para al\u00e9m do seu umbigo. N\u00e3o l\u00ea, canibalisticamente, o que \u00e9 produzido noutras partes de \u00c1frica e do mundo. Ou seja, para que um escritor evolua, precisa voar para outras mundivid\u00eancias para que, enfim, possa abstrair outras viv\u00eancias experienciais que possam enriquec\u00ea-lo;<\/p>\n<p>h)\u00a0\u00a0 Acanhado emprego de estrat\u00e9gias p\u00f3s-coloniais de escrita. Trata-se de recurso \u00e0 ironia, \u00e0 par\u00f3dia e, at\u00e9 mesmo, \u00e0 inven\u00e7\u00e3o de uma nova escrita que se prop\u00f5e reveladora de sua nova identidade cultural;<\/p>\n<p>i)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tem\u00e1tica p\u00f3s-colonial que, segundo o autor, seriam as rela\u00e7\u00f5es de poder, a quest\u00e3o da diversidade cultural, a globaliza\u00e7\u00e3o, a di\u00e1spora guineense, entre outros. Nisso, discordo-me dele, pois n\u00e3o acho que exista, tecnicamente, uma vida p\u00f3s-colonial na Guin\u00e9-Bissau, mas sim, uma vida de p\u00f3s-independ\u00eancia<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ordem\/Downloads\/RESENHA%20CR%C3%8DTICA.doc#_ftn2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>j)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Predom\u00ednio de poemas referenciais, no sentido de se debru\u00e7arem, sobretudo, sobre fatos e personalidade da recente hist\u00f3ria do pa\u00eds; mas n\u00e3o os sugerem enquanto possibilidade discursiva. Pois \u00e9 nisso que consiste o labor liter\u00e1rio. Mas, principalmente, a sua inventividade.<\/p>\n<p>Entretanto, para sairmos desta po\u00e9tica de piegas, algumas ideias-mestras, a meu ver, fazem-se necess\u00e1rias:<\/p>\n<ol>\n<li>A leveza e a precis\u00e3o na linguagem que diz e constr\u00f3i met\u00e1foras e alegorias;<\/li>\n<li>A introdu\u00e7\u00e3o da palavra exata, certa, no tempo e no espa\u00e7o, permitindo com que haja a conson\u00e2ncia entre o ritmo e a l\u00f3gica narrativas (porque \u00e9 preciso que se saiba que a poesia tamb\u00e9m \u00e9 uma narrativa, por isso, disp\u00f5e de narratividade);<\/li>\n<li>Conhecimento t\u00e9cnico e cient\u00edfico que permita a intertextualidade entre obras e seus autores, os quais permitir\u00e3o possibilidades diversas de leituras que ser\u00e3o, simultaneamente, m\u00faltiplas e globais;<\/li>\n<li>Consist\u00eancia entre os mundos ilus\u00f3rio e simb\u00f3lico, por\u00e9m n\u00e3o muito referencialista, mas que combine abstra\u00e7\u00e3o l\u00f3gico-filos\u00f3fica com a condensa\u00e7\u00e3o de estilo e de linguagem. E, por outro lado, a interioriza\u00e7\u00e3o que permita uma poesia e uma escrita mais intimistas que aliem a subjetividade individual \u00e0 coletiva.<\/li>\n<\/ol>\n<p>H\u00e1, outrossim, outras quest\u00f5es que poderiam melhorar significativamente a nossa literatura, tais como mais leituras de cl\u00e1ssicos africanos e ocidentais, uma circula\u00e7\u00e3o maior de livros entre os pa\u00edses, uma boa pol\u00edtica editorial voltada ao consumo interno e externo, etc.<\/p>\n<p>Como \u00e9 do nosso conhecimento a compreens\u00e3o da Hist\u00f3ria, seja ela da Guin\u00e9-Bissau, seja ela de qualquer pa\u00eds, em especial os pa\u00edses de \u00c1frica, dever\u00e1 obedecer conceptualmente a liberdade que, segundo Joseph Ki-Zerbo<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ordem\/Downloads\/RESENHA%20CR%C3%8DTICA.doc#_ftn3\">[3]<\/a>,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Representa a capacidade do ser humano para &#8216;inventar&#8217;, para se &#8216;projetar para diante rumo a novas op\u00e7\u00f5es, adi\u00e7\u00f5es, descobertas&#8217;. E a necessidade representa as estruturas sociais, econ\u00f4micas e culturais que, pouco a pouco, v\u00e3o se instalando, por vezes de forma subterr\u00e2nea, at\u00e9 se imporem, desembocando \u00e0 luz do dia numa configura\u00e7\u00e3o nova.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim os dois p\u00e9s da Hist\u00f3ria, a hist\u00f3ria-necessidade e a hist\u00f3ria-inven\u00e7\u00e3o, ambas antecipam o sentido do processo (a liberdade) e, simultaneamente, constituem portas abertas para o futuro (necessidade). Porque a hist\u00f3ria-inven\u00e7\u00e3o reclama o futuro e a hist\u00f3ria necessidade postula a abertura para o devir.<\/p>\n<p>\u00c9 neste sentido que escrever nada mais \u00e9 do que produzir devires hist\u00f3rico, liter\u00e1rio e cultural nas na\u00e7\u00f5es africanas de l\u00edngua portuguesa. Estas apresentam, assim, sinais cr\u00edticos do olhar sobre o passado, mas que descortinam o presente e, por outro lado, constituem-se em estrat\u00e9gias discursivas que nos orientam em dire\u00e7\u00e3o ao futuro ut\u00f3pico como devir-outro.<\/p>\n<p>Para isso, merecem destaques, a partir da leitura auferida da obra de Campato Jr, os seguintes autores, agrupando-os em:<\/p>\n<ol>\n<li><i>1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Os maiores nomes<\/i><\/li>\n<\/ol>\n<p>Carlos Semedo em quem ele reconhece a sobriedade escritural, a qual est\u00e1 aliada a uma postura de milit\u00e2ncia social e pol\u00edtica, por\u00e9m sem a demagogia militante.<\/p>\n<p>Em Vasco Cabral, ainda de acordo com o autor, a poesia guineense, principia, de forma mais resoluta e art\u00edstica, a edificar os alicerces (p. 45). Tese que corroboramos, n\u00e3o obstante, ser ele tamb\u00e9m um poeta militante, talvez mesmo, comprometido ideologicamente com a doutrina partid\u00e1ria. Ali\u00e1s, \u00e9 bom esclarecer que Vasco Cabral era (e assim se considerava) o maior ide\u00f3logo do seu partido, PAIGC<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ordem\/Downloads\/RESENHA%20CR%C3%8DTICA.doc#_ftn4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>Assim, Tony Tcheka, o mestre da rima imprevista e est\u00e9tica da cria\u00e7\u00e3o \u00e9 o nome que, ao lado de Conduto de Pina e de F\u00e9lix Sig\u00e1, constituem os maiores nomes da literatura bissau-guineense, no verdadeiro sentido da ci\u00eancia da cria\u00e7\u00e3o verbal. N\u00e3o obstante, julgo eu, considerar que Condito de Pina n\u00e3o seja assim t\u00e3o inventivo.<\/p>\n<p>No entanto, F\u00e9lix Sig\u00e1, o mestre da palavra carneada e ossada, com musculatura de um intelectual que soube, poeticamente falando, fazer do of\u00edcio de escrever a \u201cproje\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio de equival\u00eancia do eixo de sele\u00e7\u00e3o sobre o eixo de combina\u00e7\u00e3o\u201d<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ordem\/Downloads\/RESENHA%20CR%C3%8DTICA.doc#_ftn5\">[5]<\/a>. De frisar ainda que, tal como ficou provado na ensa\u00edstica do Prof. Campato Jr., F\u00e9lix Sig\u00e1 desponta, de longe como o poeta guineense <b><i>mais criativo, mais inventivo, surpreendentemente, inovador na sua escrita<\/i><\/b>. Seria, sem exageros, exemplo de um poeta cl\u00e1ssico; verdadeiramente original na sele\u00e7\u00e3o lexical e harmoniza\u00e7\u00e3o da est\u00e9tica liter\u00e1ria. E \u00e9 tamb\u00e9m, neste sentido, que Juli\u00e3o Soares Sousa, o poeta da saudade, da inquieta\u00e7\u00e3o e da maturidade escritural entra para completar a lista.<\/p>\n<ol>\n<li><i>2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Os medianos, segundo Campato Junior<\/i><\/li>\n<\/ol>\n<p>Estes s\u00e3o os que ficando na superf\u00edcie da linguagem, n\u00e3o ousam (talvez por cobardia, ou por pura incompet\u00eancia do fazer art\u00edstico) surpreender pela criatividade e inventividade de sua po\u00e9tica. Trata-se, assim, de Pascoal D\u2019Artagnam Aurigema, Jorge Cabral e Jos\u00e9 Carlos Schwarz, sendo este mais letrista e m\u00fasico do que poeta, at\u00e9 porque, poucas s\u00e3o suas produ\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas.<\/p>\n<p>Enfim, sua literatura \u00e9 aquilo que o cr\u00edtico liter\u00e1rio paulista, Benjamin Abdala Junior<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ordem\/Downloads\/RESENHA%20CR%C3%8DTICA.doc#_ftn6\">[6]<\/a>, adverte ao dizer que \u201cprivilegiar a redund\u00e2ncia \u00e9 correr o risco (de construir, grifo meu) uma literatura populista e do falseamento da representa\u00e7\u00e3o do real\u201d.<\/p>\n<ol>\n<li><i>3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Os poetas engajados<\/i><\/li>\n<\/ol>\n<p>S\u00e3o autores da poesia militante, os mestres de uma literatura engajada, de comprometimento com a causa pol\u00edtica e social e, at\u00e9 mesmo, amorosa. Temos, assim, H\u00e9lder Proen\u00e7a, ex\u00edmio poeta da causa revolucion\u00e1ria, Agnelo Regalla<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ordem\/Downloads\/RESENHA%20CR%C3%8DTICA.doc#_ftn7\">[7]<\/a>, Odete Semedo, uma poetisa ainda em processo e Francisco Fadul. Mas este supera os demais, produzindo uma literatura de linguagem de merecido valor est\u00e9tico. H\u00e1 ainda o Carlos Edmilson Marques Vieira, o qual estou em crer que, tal como outros autores, ainda circulam pelo estilo para-liter\u00e1rio das p\u00edlulas da sabedoria po\u00e9tica.<\/p>\n<ol>\n<li><i>4.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>A nova safra<\/i><\/li>\n<\/ol>\n<p>E, finalmente, a nova safra que \u00e9, acima de tudo, constitu\u00edda de poetas em forma\u00e7\u00e3o, em busca de uma identidade de escrita e de estilo, e n\u00e3o s\u00f3; mas tamb\u00e9m de tem\u00e1tica. Nisso, elencamos alguns dos mais salientes, Rui Jorge Semedo, Em\u00edlio Lima, \u00c9dison Ferreira. Maior destaque para a Saliatu da Costa. Esta por trilhar pelos caminhos do inusitado, do inaudito, apelando, sem piegas, nem medos e vergonhas, pela sexualidade, uma pouco escancarada. E mais: por uma po\u00e9tica que est\u00e1 inovando a cada obra sua, n\u00e3o obstante os v\u00edcios da milit\u00e2ncia pol\u00edtica e social.<\/p>\n<p>Para escritores guineenses, a literatura, como est\u00e9tica de cria\u00e7\u00e3o verbal, deve traduzir o desejo e a necessidade de descobrirem-se a si no mundo. \u00c9, nesse sentido, que a poesia se tornou na Guin\u00e9-Bissau como espa\u00e7o f\u00e9rtil para inquiri\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, constru\u00e7\u00e3o da guineidade. Ainda que a Moema Augel n\u00e3o tenha feito na sua obra, <i>A nova Literatura da Guin\u00e9-Bissau<\/i>, um ju\u00edzo valorativo da mesma, limitando-se a apresentar os autores com certo ufanismo ideol\u00f3gico e, por isso mesmo, anal\u00edtico.<\/p>\n<p>Devemos, contudo, concordar com o Prof. Pires Laranjeira, para quem a debilidade de nossa poesia resulta do convencionalismo imag\u00e9tico, do prosa\u00edsmo, da tend\u00eancia para a referencialidade e, por extens\u00e3o, \u00e0 falta do rigor compositivo<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ordem\/Downloads\/RESENHA%20CR%C3%8DTICA.doc#_ftn8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<p>Assim, sendo a literatura uma das formas de representa\u00e7\u00e3o imag\u00e9tica, ela abre espa\u00e7o para a compreens\u00e3o de v\u00e1rios fen\u00f4menos como, por exemplo, a imagem, o espa\u00e7o e o tempo, e as personagens da narrativa que, muitas das vezes, se confundem com as pessoas reais<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ordem\/Downloads\/RESENHA%20CR%C3%8DTICA.doc#_ftn9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p>Em suma, a hist\u00f3ria e, por extens\u00e3o, a literatura, como sendo o continuum necess\u00e1rio, importam, de acordo com Antonio Candido<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ordem\/Downloads\/RESENHA%20CR%C3%8DTICA.doc#_ftn10\">[10]<\/a> \u201cn\u00e3o como causa, nem como significado, mas como elementos que desempenham um certo papel na constitui\u00e7\u00e3o da estrutura (social, grifo meu), tornando-se, portanto, interno\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\">Jorge Otinta, PhD. \u00c9 ensa\u00edsta e poeta<\/p>\n<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ordem\/Downloads\/RESENHA%20CR%C3%8DTICA.doc#_ftnref1\">[1]<\/a> CAMPATO JR, Jo\u00e3o Adalberto. <i>A poesia da Guin\u00e9-Bissau<\/i>: hist\u00f3ria e cr\u00edtica. S\u00e3o Paulo: Arte &amp; Ci\u00eancia, 2012.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ordem\/Downloads\/RESENHA%20CR%C3%8DTICA.doc#_ftnref2\">[2]<\/a> A P\u00f3s-Independ\u00eancia entendida esta como sendo o per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o, necessariamente irregular, entre a era dos imp\u00e9rios e a era das revolu\u00e7\u00f5es pelas independ\u00eancias. J\u00e1 o p\u00f3s-colonialismo traduz, a meu ver, \u00e0 mudan\u00e7a de prisma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas de identidades e todas as idiossincrasias a ela inerentes. Mas os dois conceitos podem confundir-se, na medida em que ambos debru\u00e7am-se sobre quest\u00f5es t\u00e3o variadas e interdisciplinares, tais como: representa\u00e7\u00e3o, sentido, valor, c\u00e2none, universalidade, diferen\u00e7a, hibrida\u00e7\u00e3o, ensino, nacionalismo, educa\u00e7\u00e3o, feminismo, di\u00e1spora, etc. Cf. a respeito OTINTA, Jorge. <i>Mia<\/i> <i>Couto: Mem\u00f3ria e Identidades<\/i> n\u2019Um Rio Chamdo Tempo, Uma Casa Chamada Terra.\u00a0 Universidade de S\u00e3o Paulo. S\u00e3o Paulo: Departamento de Letras Cl\u00e1ssicas e Vern\u00e1culas, 2008 (DM), p. 49-55 ou com mais extensividade de estudo e de an\u00e1lise LEITE, Ana Mafalda. Literaturas Africanas e Formula\u00e7\u00f5es P\u00f3s-Coloniais. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es Colibri, 2003, p. 13-14.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ordem\/Downloads\/RESENHA%20CR%C3%8DTICA.doc#_ftnref3\">[3]<\/a> KI-ZERBO, Joseph.<i> Para quando a \u00c1frica: <\/i>Entrevista com Ren\u00e9 Holenstein. Trad. Carlos Aboim de Brito. Rio de Janeiro: Pallas, 2006, p. 17.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ordem\/Downloads\/RESENHA%20CR%C3%8DTICA.doc#_ftnref4\">[4]<\/a> \u00c9 importante referir que Vasco Cabral exerceu, sobremaneira, grande influ\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o human\u00edstica de Am\u00edlcar Cabral. Tanto assim que foi ele, digamos assim, o mestre dos que tinham chegado a Casa dos Estudantes do Imp\u00e9rio, em Lisboa, para estudos. Citemos apenas Agostinho Neto, Marcelino dos Santos, Francisco Jos\u00e9 Tenreiro, M\u00e1rio Pinto de Andrade e o pr\u00f3prio Am\u00edlcar. Foi o M\u00e1rio quem apresentou Am\u00edlcar ao Vasco, este j\u00e1 funcion\u00e1rio do Minist\u00e9rio da Economia e Finan\u00e7as e membro do Partido Comunista Portugu\u00eas. Portanto, teve grande papel na forma\u00e7\u00e3o dos seus colegas, porque havia anos que ele estava a viver em Lisboa. Al\u00e9m de ter tido grande experi\u00eancia em mat\u00e9ria de pol\u00edtica e de clandestinidade que viria a ser fundamental para que fugissem de Portugal para as col\u00f3nias e, de l\u00e1, empreenderem pela luta de liberta\u00e7\u00e3o destas.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ordem\/Downloads\/RESENHA%20CR%C3%8DTICA.doc#_ftnref5\">[5]<\/a> JAKOBSON, Roman. <i>Lingu\u00edstica e Comunica\u00e7\u00e3o<\/i>. 8\u00aa. Ed. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 1975, p. 130.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ordem\/Downloads\/RESENHA%20CR%C3%8DTICA.doc#_ftnref6\">[6]<\/a> ABDALA JR., Benjamin. <i>Literatura, Hist\u00f3ria e Pol\u00edtica<\/i>. S\u00e3o Paulo: Ateli\u00ea Editorial, 2007, p. 190.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ordem\/Downloads\/RESENHA%20CR%C3%8DTICA.doc#_ftnref7\">[7]<\/a> Sobre o Regalla a tese do Prof. Campato Junior \u00e9 discut\u00edvel, na medida em que este, at\u00e9 ao presente, n\u00e3o publicou nenhum livro de sua autoria, limitando-se a aparecer, esporadicamente, numa ou noutra antologia. Embora tenha escrito um poema seminal que \u00e9 <b>Camarada Am\u00edlcar<\/b>, o qual, por si s\u00f3, constitui uma obra prima de grande relevo.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ordem\/Downloads\/RESENHA%20CR%C3%8DTICA.doc#_ftnref8\">[8]<\/a> PIRES LARANJEIRA. Pref\u00e1cio. <b>In:<\/b> CAMPATO JR, Jo\u00e3o Adalberto. <i>A poesia da Guin\u00e9-Bissau<\/i>: hist\u00f3ria e cr\u00edtica. S\u00e3o Paulo: Arte &amp; Ci\u00eancia, 2012, p. 11.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ordem\/Downloads\/RESENHA%20CR%C3%8DTICA.doc#_ftnref9\">[9]<\/a> OTINTA, Jorge. <i>Representa\u00e7\u00f5es do Intelectual:<\/i> um estudo sobre Mayombe e Kikia Matcho. Curitiba, Editora CRV, 2012.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/ordem\/Downloads\/RESENHA%20CR%C3%8DTICA.doc#_ftnref10\">[10]<\/a> CANDIDO, Antonio. <i>Literatura e sociedade. <\/i>7a. Ed. S\u00e3o Paulo: Ed. Nacional, 1985, 4.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Proporcionamos aos estimados leitores, a resenha cr\u00edtica feita pelo PhD. 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