{"id":4083,"date":"2015-03-08T23:25:33","date_gmt":"2015-03-08T23:25:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=4083"},"modified":"2015-03-08T23:30:16","modified_gmt":"2015-03-08T23:30:16","slug":"ator-de-comedia-lino-bidam-quero-ser-o-maior-comediante-de-africa-ocidental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=4083","title":{"rendered":"Ator de com\u00e9dia Lino Bedan: \u201cQUERO SER O MAIOR COMEDIANTE DE \u00c1FRICA OCIDENTAL\u201d"},"content":{"rendered":"<p>O comediante e ator Lino Bedan afirmou em entrevista ao nosso seman\u00e1rio que o seu maior desejo \u00e9 tornar-se no maior actor comediante da \u00c1frica Ocidental. O comediante reconhece as dificuldades que tem pela frente, mas confia no seu talento e por isso, pediu o apoio das autoridades nacionais a fim de poder realizar o seu sonho.<\/p>\n<p>\u201cTenho qualidades muito maiores que as dos atores e comediantes da sub-regi\u00e3o cujos trabalhos costumamos ver. \u00c9 o caso de Michel Gohou da Costa de Marfim, bem como de alguns atores senegaleses, guineenses de conacri e gambianos. Se houver meios, estarei em condi\u00e7\u00f5es de fazer melhor trabalho que me tornar\u00e1 no maior comediante da sub-regi\u00e3o\u201d, assinalou o ator.<\/p>\n<p>Lino Bedan explicou ainda na entrevista que nasceu normal como qualquer pessoa e que veio a ter a defici\u00eancia f\u00edsica mais tarde, por causa de uma injec\u00e7\u00e3o de vacina. Avan\u00e7ou ainda que esteve doente de paludismo e a m\u00e3e levou-o ao m\u00e9dico que lhe deu a injec\u00e7\u00e3o na veia, que acabou por paralis\u00e1-lo.<\/p>\n<p><b><i>O DEMOCRATA (D): O senhor \u00e9 comediante e ator de cinema, conhecido ao n\u00edvel nacional. Quem \u00e9 na realidade Lino Bedan, nasceu em Bissau ou veio do interior do pa\u00eds para tentar a sorte na capital?<\/i><\/b><br \/>\nLINO BEDAN (LB): Quero aproveitar a entrevista para esclarecer alguns aspectos, sobretudo do que se fala da minha vida e donde vim. Sou natural de sector de Safim, concretamente de uma aldeia que se chama de Ponta Adolfo Ramos (N\u00b4Tus). Foi l\u00e1 que o comandante Domingos Ramos nasceu. Nasci na aldeia de N\u00b4Tus e viv\u00edamos nas zonas de bolanha porque, como se sabe, o nosso grupo \u00e9tnico (Balanta) gosta de ficar na zona litoral para aproveitar as bolanhas.<br \/>\nCresci ali com os meus pais. Foi l\u00e1 que fiz todo o ritual que se deve fazer na fase da juventude, nomeadamente a pastagem de gado com os meus colegas nas matas da nossa tabanca. O meu nome de tabanca \u00e9 Bisanh\u00e1 N\u00b4Tambu. Era assim que os meus pais me chamavam e c\u00e1 na cidade as pessoas me conhecem por Lino Bedan.<\/p>\n<p><b><i>D: Nasceu com a defici\u00eancia ou veio a adquiri-la mais tarde?<\/i><\/b><br \/>\nLB: Nasci normal sem nenhuma defici\u00eancia f\u00edsica. O que aconteceu foi que aos dois anos de idade adoeci e a minha m\u00e3e levou-me ao centro de sa\u00fade para consultas m\u00e9dicas. Tinha paludismo muito alto, de acordo com a explica\u00e7\u00e3o da minha m\u00e3e. O m\u00e9dico entendeu que devia dar-me uma injec\u00e7\u00e3o e deu-me a injec\u00e7\u00e3o na veia. De volta para casa apanhamos uma forte chuvada acabei por apanhar uma infec\u00e7\u00e3o.<br \/>\nFoi assim que acabei por ficar paralisado de uma perna e tornei-me num deficiente. A minha m\u00e3e percebeu que a minha perna estava paralisada, porque comecei a ter a dificuldade em caminhar. Ela decidiu amamentar-me de novo at\u00e9 aos quatro anos de idade, infelizmente n\u00e3o consegui mais a total recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b><i>D: Qual foi a raz\u00e3o pela qual deixou a sua aldeia natal para a capital?<\/i><\/b><br \/>\nLB: Como eu tinha dificuldades a caminhar bem como a fazer muitos trabalhos devido a minha defici\u00eancia na perna, o meu pai decidiu enviar-me para a capital, a fim de ficar com o meu primo irm\u00e3o na altura militar para estudar. Foi em 1973. Vim para a cidade de Bissau com um pano atado ao pesco\u00e7o. Nem sequer tinha vestido uns cal\u00e7\u00f5es, foi apenas o pano e os p\u00e9s descal\u00e7os.<br \/>\n\u00c9ramos tr\u00eas rapazes em casa do meu primo. Dois irm\u00e3os do meu primo e eu. Passei muitas coisas ali. Momentos bons e outros amargos. Esses momentos marcaram-me at\u00e9 hoje. Jamais os esquecerei. N\u00e3o desejo aos meus inimigos o que passei naquela casa.<br \/>\nO meu primo militar que estava a cuidar de n\u00f3s fora transferido para o quartel de Cumer\u00e9. Fomos todos obrigados a mudar para Cumer\u00e9. Foi l\u00e1 que iniciei os estudos. O actual Secret\u00e1rio de Estado das Comunidades, Idelfrides Fernandes, e mais outras pessoas cujos nomes j\u00e1 n\u00e3o me lembro, foram colegas de turma.<br \/>\nMais tarde o meu irm\u00e3o mudou-se para capital (Bissau). Continuei os meus estudos na escola 1\u00b0 de Maio (no bairro de S\u00e3o Vicente Paulo). Foi nessa escola que comecei a praticar o teatro. N\u00e3o me sentia complexo apesar da minha defici\u00eancia, e isso levou com que os meus professores apostassem em mim para r\u00e9citas de poesias nos diferentes eventos. Era \u201cporreiro\u201d para n\u00f3s na altura, ser chamado para recitar poemas. Eu adorava recitar o poema do Agnelo Regala intitulado \u201cCamara Am\u00edlcar Cabral\u201d. Sentia muito bem e \u00e0 vontade a recitar poemas, gesticulando ao mesmo tempo.<\/p>\n<p><b><i>D: Como \u00e9 que entrou no mundo do teatro?<\/i><\/b><br \/>\nLB: Foi na escola 1\u00b0 de Maio onde comecei a fazer teatro. Os meus professores, os que conheciam o meu talento, n\u00e3o hesitaram em escolher-me para ser o protagonista de uma pe\u00e7a teatral, onde fiz o papel de um comandante militar. A pe\u00e7a era muito interessante. Retratava uma hist\u00f3ria em que um grupo de meninos estavam a tocar o tambor muito pr\u00f3ximo do local onde o comandante estava descansar.<br \/>\nEra um barulho enorme e o comandante resolveu mandar um dos seus soldados com a seguinte mensagem: V\u00e1 dizer-lhes que \u201cparem l\u00e1 com isso p\u00e1\u201d. Este chega e diz: comandante deu uma ordem aos soldados: \u201cparem l\u00e1 com isso p\u00e1\u201d. Os meninos n\u00e3o pararam. Recome\u00e7aram a tocar e a cantar: \u201cparem l\u00e1 com isso p\u00e1\u201d\u2026 \u201cparem l\u00e1 com isso p\u00e1\u201d. O soldado que o comandante mandara come\u00e7ou a dan\u00e7ar. De soldado em soldado, o pr\u00f3prio comandante (eu) acabou para deslocar-se at\u00e9 l\u00e1 e acabou a dan\u00e7ar tamb\u00e9m. A partir dali ganhei certa reputa\u00e7\u00e3o no seio dos meus colegas e dos mais experientes, que come\u00e7aram a convidar-me para tomar parte em pe\u00e7as teatrais.<br \/>\nQuando passei para o ciclo, mudei para a Escola 3\u00b0 Congresso em 1976. Ali continuei a fazer pe\u00e7as teatrais, mas tamb\u00e9m tocava o tambor muito bem. Fui excelente aluno na escola, ali\u00e1s eu tinha que me esfor\u00e7ar nos estudos para ajudar os meus colegas de turma nas provas e como contrapartida davam-me p\u00e3es, mancarra e mais algumas comidas. Para dizer a verdade fui tratado muito mal na casa do meu primo e as vezes n\u00e3o comia. Se demorasse a chegar a casa perdia o almo\u00e7o.<br \/>\nIa \u00e0 escola descal\u00e7o, porque eu n\u00e3o tinha nada. Os meus colegas vestiam-se bem. O meu professor de Matem\u00e1tica, Ant\u00f3nio Djal\u00f3, a dada altura comprou-me um par de cal\u00e7ado pl\u00e1stico que se chamava \u201ckrintin\u201d. O professor gostava tanto de mim, porque eu era muito bom em Matem\u00e1tica.<br \/>\nOs professores organizaram os alunos para a pr\u00e1tica de pe\u00e7as teatrais e escolheram os melhores de cada turma. Constitu\u00edmos um bom grupo de dan\u00e7a e de teatro que teve grande sucesso, por isso inscrevemo-nos no concurso do desfile do carnaval. Participamos e vencemos. Infelizmente n\u00e3o me recordo do ano. A minha participa\u00e7\u00e3o nas pe\u00e7as teatrais teve como consequ\u00eancia a reprova\u00e7\u00e3o no meu segundo ano do ciclo, porque deixei de estudar com frequ\u00eancia.<br \/>\nConsegui batalhar no ano seguinte para depois entrar no liceu. Estudei no Liceu Nacional Kwame N\u00b4krumah, mas com muitas dificuldades. Custou muito. Ajudava o meu irm\u00e3o na venda de vinho de palma para ajudar no sustento da casa. Tamb\u00e9m vendia aquela bolacha que se chamava de \u201cbolacha meletch\u00f3\u201d. Trabalhava com o Cabum e mais outras pessoas. Faz\u00edamos fa\u00e7anhas que divertiam os clientes que acabavam por comprar as nossas bolachas. A seguir criamos um grupo que denominamos de \u201cNha amanha iabri um bias\u201d e mais tarde criamos o grupo \u201cFidjus di Balana\u201d, portanto isso tudo foi em 1976.<br \/>\nJ\u00e1 em 1980 entrei num grupo que se chamava de \u201cChamas de Revolu\u00e7\u00e3o\u201d. Foi este grupo que me projectou para um n\u00edvel mais alto. T\u00ednhamos um instrutor da nacionalidade guineense de Conacri que n\u00e3o brincava no trabalho. N\u00e3o tolerava nada nem no momento de ensaios. Uma vez, est\u00e1vamos a ensaiar uma pe\u00e7a. Fiz o papel de uma crian\u00e7a que andava a procura da sua m\u00e3e que fora buscar \u00e1gua no po\u00e7o.<br \/>\nAndei pelo caminho do po\u00e7o a cantar no dial\u00e9cto mandinga, a procura da \u201cminha m\u00e3e\u201d e como os meus colegas estavam a ver-me e alguns riram-se, acabei tamb\u00e9m por rir. O nosso instrutor ficou t\u00e3o mal comigo ao ponto de bater-me nas costas. A partir dali comecei a encarrar o trabalho com toda a seriedade. Mandou-me repetir a pe\u00e7a e consegui interpret\u00e1-la muito bem, cantando e chorando como uma crian\u00e7a desesperada a procura da m\u00e3e.<br \/>\nFoi a primeira vez que chorei na interpreta\u00e7\u00e3o de uma pe\u00e7a teatral. A partir dali aprendi o que se diz diafragma. Um ator consegue, atrav\u00e9s do \u201cdiafragma\u201d, transmitir a mensagem ao receptor, ou seja, ao seu p\u00fablico. O ator deve fazer com que o p\u00fablico viva a emo\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a, fazendo como se fosse uma realidade. Pode gritar, cantar e at\u00e9 chorar se for preciso. Foi atrav\u00e9s deste grupo que comecei a trabalhar seriamente como ator comediante apresentando pe\u00e7as teatrais. Em outras palavras, posso afirmar que foi gra\u00e7as ao grupo \u201cChamas de Revolu\u00e7\u00e3o\u201d que me lancei no mundo da com\u00e9dia.<\/p>\n<p><b><i>D: Chegou de beneficiar de alguma forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de teatro a n\u00edvel interno ou externo?<\/i><\/b><br \/>\nLB: Sim beneficiei de uma forma\u00e7\u00e3o sobre t\u00e9cnicas de teatro no Burquina Faso, gra\u00e7as ao Toni Tcheka. Reconhe\u00e7o que foi em Burquina Faso que consegui aprender muitas coisas sobre t\u00e9cnicas do teatro. Infelizmente n\u00e3o me recordo do ano em que decorreu essa forma\u00e7\u00e3o e os nomes de alguns colegas com quem me formei, porque a maioria deles j\u00e1 se encontra no estrangeiro.<br \/>\nCerta vez, uns colegas que estiveram a ver as aulas de ensaio de grupos sul-africanos ficaram com medo e a maioria come\u00e7ou a chorar. Isso deixou-me com um medo tremendo, se conseguiriamos fazer diferen\u00e7a pela positiva. Resolvi regressar para o hotel juntamente com todos os colegas do nosso grupo, para preparar a nossa pe\u00e7a.<br \/>\nO grupo sul-africano apresentou uma pe\u00e7a com fa\u00e7anhas muito semelhantes aos gestos feitos pelos balantas quando velam, choram ou dan\u00e7am por ocasi\u00e3o da morte ou de um funeral de um parente pr\u00f3ximo. T\u00ednhamos algo semelhante a aquilo e resolvemos mudar a nossa pe\u00e7a. Comecei a trabalhar uma pe\u00e7a com o Lu\u00eds Morgado que tamb\u00e9m \u00e9 um grande ator. A pe\u00e7a era \u201cTurbo de Mon Patron\u201d.<br \/>\nA nossa pe\u00e7a conseguiu destacar-se como uma das melhores apresenta\u00e7\u00f5es durante a forma\u00e7\u00e3o. A organiza\u00e7\u00e3o tomou a iniciativa de fazer um quadro de fotografias das caras mais destacadas ao longo da forma\u00e7\u00e3o. Sentimo-nos muito orgulhosos do nosso trabalho. A forma\u00e7\u00e3o correu muito bem, como tamb\u00e9m conseguimos aproveitar bem os ensinamentos dos nossos instrutores durante quatro semanas. Os trabalhos decorriam de manh\u00e3 e a tarde.<br \/>\nEra uma forma\u00e7\u00e3o intensiva com grandes especialistas na \u00e1rea que n\u00e3o brincavam no trabalho. Infelizmente n\u00e3o permitiram-nos mostrar ao povo guineense o nosso trabalho na televis\u00e3o nacional da Guin\u00e9-Bissau. E ficamos com os diplomas e medalhas que recebemos nas nossas casas, acho que todos j\u00e1 se estragaram neste momento.<br \/>\nA n\u00edvel interno beneficiei de uma forma\u00e7\u00e3o de reciclagem na \u00e1rea da t\u00e9cnica de teatro. Na altura estava na cidade de Buba, sul do pa\u00eds, a ministrar uma forma\u00e7\u00e3o a um grupo de jovens daquele sector na \u00e1rea da com\u00e9dia. \u00c9 um trabalho que eu estava a fazer em colabora\u00e7\u00e3o com a organiza\u00e7\u00e3o \u201cAMIC\u201d. Entretanto recebi uma chamada telef\u00f3nica de um dos respons\u00e1veis da cultura para me convidar a tomar parte numa forma\u00e7\u00e3o de reciclagem sobre t\u00e9cnicas de teatro em Bissau.<br \/>\nBeneficiei da forma\u00e7\u00e3o de g\u00e9nero tr\u00eas vezes no pa\u00eds. Todos os formadores que estiveram no pa\u00eds deixaram recomenda\u00e7\u00f5es \u00e0s nossas autoridades dizendo-lhes que eu, Lino Bidan, era o melhor ator comediante da Guin\u00e9-Bissau. E ao mesmo tempo exortavam as autoridades para que me apoiassem com uma forma\u00e7\u00e3o s\u00e9ria e com meios necess\u00e1rios para a produ\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as teatrais.<\/p>\n<p><b><i>D: O senhor \u00e9 um comediante com uma defici\u00eancia no p\u00e9, mas consegue fazer o seu trabalho de com\u00e9dia sem nenhuma vergonha. Como \u00e9 que conseguiu inserir-se na sociedade sem complexo e o que faz com que o seu nome esteja em todo o lado?<\/i><\/b><br \/>\nLB: N\u00e3o h\u00e1 nenhum segredo sobre isso. Sinto-me uma pessoa normal como qualquer pessoa, porque nasci normal sem problemas de defici\u00eancia. Apenas tenho esse problema no p\u00e9, mas isso n\u00e3o me impede de fazer o meu trabalho, sobretudo nesta \u00e1rea e por isso n\u00e3o acho que devo complexar-me. Digo-vos o meu sonho e o que exactamente pretendo ou desejo atingir na minha \u00e1rea.<br \/>\nO meu sonho \u00e9 tornar-me no maior ator comediante da \u00c1frica Ocidental, porque tenho talento e a t\u00e9cnica para conquistar este patamar. E a \u00fanica coisa que me falta e que pode impedir-me de realizar este sonho s\u00e3o os meios ou as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para fazer o meu trabalho. Se eu tivesse os meios como os atores da nossa sub-regi\u00e3o, garanto-vos que dentro em breve tornar-me-ia no melhor comediante da nossa costa ocidental e ao mesmo tempo uma das refer\u00eancias ao n\u00edvel do nosso continente.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 que estou a minimizar os trabalhos dos meus colegas da sub-regi\u00e3o, mas garanto-vos que sou o melhor. Vi os trabalhos de comediantes cabo-verdianos, senegaleses, guineenses de Conacri, da G\u00e2mbia, do Mali, da Costa de Marfim, sobretudo do Michel Gohou que \u00e9 o mais destacado. Reconhe\u00e7o que s\u00e3o bons tecnicamente, mas reafirmo nesta entrevista que eu, Lino Bidan sou o melhor. Se houver meios necess\u00e1rios para fazer o trabalho em pouco tempo, ningu\u00e9m me igualar\u00e1 com estes comediantes.<\/p>\n<p><b><i>D: Vimos os trabalhos de comediante de Costa de Marfim, Michel Gohou e sabemos que vivem noutas realidades s\u00f3cio-culturais e que provavelmente beneficiam de apoios. O que \u00e9 que se pode fazer para o Lino, ou seja, para os actores comediantes do pa\u00eds chegarem ao n\u00edvel de Gohou?<\/i><\/b><br \/>\nLB: Quando se nasce no seio de uma fam\u00edlia pobre somos obrigados a viver naquele ambiente de pobreza, dado que somos obrigados a dividir o bocadinho do bolo que temos. N\u00e3o tenho culpa de estar a viver na Guin\u00e9-Bissau que \u00e9 um pa\u00eds onde a cultura n\u00e3o \u00e9 uma prioridade. E a meu ver a \u00fanica coisa que as autoridades podem fazer \u00e9 pensar na cultura e tir\u00e1-la do \u00faltimo plano.<br \/>\nA cultura \u00e9 o meio que temos para projectar a imagem do nosso pa\u00eds, por isso merece todo o carinho e apoio das autoridades atrav\u00e9s de um plano bem definido. Na verdade \u00e9 preciso apoiar os homens da cultura em diferentes vertentes, porque s\u00e3o embaixadores da imagem do pa\u00eds. \u00c9 urgente o executivo comece a pensar num projecto ambicioso para apoiar os atores da com\u00e9dia, porque existem grandes talentos no nosso pa\u00eds.<br \/>\nVoltando \u00e0quela pergunta sobre como \u00e9 que consegui ultrapassar o complexo de ser deficiente. Sinto-me como uma pessoa normal e acho que todos os deficientes devem sentir a mesma coisa. Eu quero afirmar aqui que o meu desejo \u00e9 ser uma refer\u00eancia para os deficientes, para que n\u00e3o sintam complexos nenhuns. Porque basta verem o Lino que \u00e9 o deficiente de p\u00e9, a fazer pe\u00e7as teatrais sem vergonha nenhuma.<br \/>\nVejamos o m\u00fasico Dembo Djassi que sentia complexos at\u00e9 de participar em eventos p\u00fablicos. Apesar de ser cantor, sentia complexos devido a sua estrutura f\u00edsica. Consegui fazer o Dembo Djassi participar numa com\u00e9dia, e ele conseguiu desempenhar um bom papel. Ele j\u00e1 n\u00e3o sente muitos complexos de se aproximar das pessoas.<br \/>\nLembram-se da publicidade que fiz com o m\u00fasico Zeras Bunca Sanh\u00e1, sobre a vacina de poliomilite? Zeras tamb\u00e9m era um deficiente t\u00edmido e digo mesmo complexado. Numa das passagens da publicidade, eu dizia assim: \u201cmeu primo voc\u00ea tem problema de dois amortecedores e eu tenho apenas um problema, portanto estarei sempre \u00e0 frente\u201d. O homem n\u00e3o conseguia responder-me, porque sentia vergonha, mas insisti com ele at\u00e9 que ultrapassou aquele complexo.<br \/>\nQuero dizer com estes dois exemplos que o facto de sermos deficientes n\u00e3o pode impedir-nos de fazer o nosso trabalho e o mais importante \u00e9 que devemos esfor\u00e7armo-nos para podermos ter uma forma\u00e7\u00e3o e assim podermos exigir direitos iguais.<\/p>\n<p><b><i>D: A pe\u00e7a teatral apresentada na r\u00e1dio nacional sob a sua coordena\u00e7\u00e3o com alguns actores, tais como Cabum, Agente N\u2019 Bunde, Catcho Modja. Tem a ideia de quantas pe\u00e7as teatrais j\u00e1 produziu?<\/i><\/b><br \/>\nLB: S\u00e3o muitas pe\u00e7as teatrais. Lembro-me que comecei os trabalhos de produ\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as em 1989 na R\u00e1dio Nacional. Cabum fora convidado para produzir o programa, mas resolveu chamar-me.<br \/>\nPassei a produzir o programa. Seriei-o como uma telenovela, a fim de motivar os ouvintes em casa para que tenham vontade de acompanhar a edi\u00e7\u00e3o seguinte. Falavamos de diferentes temas da sociedade de forma a sensibilizar a popula\u00e7\u00e3o sobre os cuidados que poderiam ter sobre um determinado assunto. Produzi muitas pe\u00e7as teatrais e na verdade n\u00e3o consigo recordar-me do n\u00famero de pe\u00e7as produzidas.<\/p>\n<p><b><i>D: Uma das suas pe\u00e7as teatrais transmitidas na Televis\u00e3o Nacional, na qual interpretou o pepel de um menino que cresceu na casa da fam\u00edlia (mininu di criason) e com todas as dificuldades enfrentadas, transformou-se num grande homem na fam\u00edlia. Esta pe\u00e7a retrata o passado de Lino ou baseou-se noutro facto real?<\/i><\/b><br \/>\nLB: Lembro muito bem desta pe\u00e7a. \u201cMininu de Criason ku Fidju di Casa\u201d. A hist\u00f3ria da pe\u00e7a retrata o meu passado. Sei que muitas pessoas viveram ou sentiram aquilo que eu senti, quando vivia em casa de familiares. Passei muito mal na casa do meu primo. Ele e a esposa diferenciavam-me dos seus filhos. A mulher diferenciava-me da sua fam\u00edlia mais pr\u00f3xima. Mandavam-me ir buscar lenha na mata para cozinhar, todos os dias devia levantar-me muito cedo para ir buscar restos de comida no lixo (iagu di porku) para os suinos. A seguir tinha de preparar-me para ir \u00e0 escola \u00e0s oito horas da manh\u00e3. Muitas vezes chegava atrasado \u00e0 escola. Uma vez t\u00ednhamos uma prova e atrasei-me bastante a chegar e quase perdi o exame. Se eu fosse filho deles \u00e9 claro que n\u00e3o iam mandar-me buscar restos de comida para porcos, sabendo que ia \u00e0 escola de manh\u00e3.<br \/>\nInspirei-me no meu passado para produzir aquela pe\u00e7a teatral. Felizmente foi muito bem interpretada e as pessoas gostaram bem do trabalho. Isto fez-nos sentir bem enquanto atores.<\/p>\n<p><b><i>D: Saiu de teatro radiof\u00f3nico para o mundo da s\u00e9tima arte (cinema). Como \u00e9 que entrou para o mundo do cinema?<\/i><\/b><br \/>\nLB: \u00c9 verdade que eu fazia teatro radiof\u00f3nico e nunca pensei em filmes de com\u00e9dia. Comecei a ver esse g\u00e9nero de filmes produzidos por alguns autores da sub-regi\u00e3o e percebi que eu podia fazer a mesma coisa, ou melhor. A partir dali comecei a pensar na produ\u00e7\u00e3o de filmes de com\u00e9dia e a minha primeira participa\u00e7\u00e3o em com\u00e9dia na televis\u00e3o, foi aquando da produ\u00e7\u00e3o da publicidade do \u201csumo lopi\u201d.<br \/>\nBebi o sumo e a seguir deixei a seguinte frase em crioulo: Lopi i pika. Esta frase ganhou muita for\u00e7a na nossa sociedade, mas confesso que cometi um erro na frase. Queria dizer que o sumo \u00e9 saboroso, mas acabei por dizer que \u00e9 picante. Dizer que um sumo \u00e9 picante! Uma comida preparada com lim\u00e3o e \u201cpiripiri\u201d \u00e9 que se pode considerar de picante, mas sumo n\u00e3o \u00e9 picante, mas sim saboroso.<\/p>\n<p><b><i>D: Quantas produ\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas produziu at\u00e9 hoje e com que meios?<\/i><\/b><br \/>\nLB: No total at\u00e9 hoje produzi apenas sete filmes de com\u00e9dia. Alguns tiveram patroc\u00ednio e outros foram com os meus pr\u00f3prios meios. O primeiro filme que produzi contou com o apoio de uma organiza\u00e7\u00e3o denominada de \u201cRadda Barnne\u201d que entrou com alguma \u201ccoisa\u201d para patrocinar o filme, mas n\u00e3o conseguiu liquidar totalmente o or\u00e7amento para a produ\u00e7\u00e3o de filme.<br \/>\nAs pessoas queriam comparar-me a alguns humoristas da pra\u00e7a de Bissau, decidi ent\u00e3o produzir aquele filme em que fui roubar um fog\u00e3o (fugaredu). Mostrei \u00e0s pessoas que n\u00e3o podem comparar-me aos humoristas e que sou o melhor e continuarei como o melhor comediante da Guin\u00e9-Bissau. Aquele filme tem tudo para fazer diferen\u00e7a e mostrar que \u00e9 um trabalho extremamente profissional.<br \/>\nAlgumas pessoas queriam comparar-me com o comunicador (humorista radiof\u00f3nico) Bipa que apresentava um programa de humor na esta\u00e7\u00e3o emissora, R\u00e1dio Bombolom FM. O filme rodou muito bem no pa\u00eds e no estrangeiro atrav\u00e9s dos nossos conterr\u00e2neos que gostaram e o levaram para Portugal e outros pa\u00edses da Europa.<\/p>\n<p><b><i>D: Como v\u00ea os filmes da com\u00e9dia produzida pelos jovens comediantes?<\/i><\/b><br \/>\nLB: Vamos come\u00e7ar com o trabalho do meu rapaz, Barudju. O filme tem pouca qualidade t\u00e9cnica e isso pode ser notado apenas por um profissional da \u00e1rea. Aquele filme n\u00e3o tem um protagonista e n\u00e3o s\u00f3, como tamb\u00e9m fez um trabalho que n\u00e3o est\u00e1 muito bem interligado. O que \u00e9 que o astr\u00f3logo (murro) tem a ver com o ladr\u00e3o de porco? N\u00e3o \u00e9 nada de mal, mas falta muita coisa naquele filme.<br \/>\nO mesmo acontece com a produ\u00e7\u00e3o de filme \u201cClara di Sabura\u201d, mas quando fui falar com os produtores de filme reconheceram logo, dado que consegui apontar-lhes as falhas.<br \/>\nVou contar-vos uma coisa sobre o grupo \u201cEsta \u00e9 a nossa P\u00e1tria Amada\u201d. A ideia do cen\u00e1rio da pe\u00e7a teatral na Alemanha foi minha, mas infelizmente tiraram-me de fora no momento da partida para a Alemanha. Alegaram que n\u00e3o sabia dan\u00e7ar. Foi muito triste; muita pena mesmo\u2026<\/p>\n<p><b><i>D: Essa \u00e9 a raz\u00e3o que levou \u00e0 retirada do seu nome da comitiva?<\/i><\/b><br \/>\nLB: N\u00e3o sei explicar isso. N\u00e3o fiz o teste, porque havia uma mulher alem\u00e3 encarregada de fazer os testes \u00e0s pessoas. Ela disse-me que n\u00e3o era preciso fazer o teste. Fui o primeiro a ser seleccionado e recebi tamb\u00e9m primeiro passaporte com o visto, mas fui o primeiro a ser eliminado no momento do embarque.<\/p>\n<p><b><i>D: Porque \u00e9 que retiraram o seu nome?<\/i><\/b><br \/>\nLB: Creio que o Bighat\u00e9ba sabe e certamente poder\u00e1 responder a essa quest\u00e3o. Disseram que n\u00e3o sabia dan\u00e7ar, mas eu preparei as pessoas com tr\u00eas estilos ou formas diferentes. Preparamos a dan\u00e7a, a can\u00e7\u00e3o e a com\u00e9dia que poder\u00edamos apresentar muito bem.<\/p>\n<p><b><i>D: Qual \u00e9 a vida real de um autor comediante na Guin\u00e9-Bissau, sobretudo a vida de Lino Bidan?<\/i><\/b><br \/>\nLB: Confesso-vos aqui que eu n\u00e3o tenho nada, mas nada mesmo. Moro numa casa de fam\u00edlia h\u00e1 mais de 20 anos. Imaginem! Se pagasse o arrendamento da casa! Claro que teria sido expulso h\u00e1 muito tempo, porque n\u00e3o tenho dinheiro para pagar o arrendamento mensalmente. Tenho apenas um televisor para acompanhar o mundo, um conjunto de sof\u00e1 e um congelador. Posso carregar os meus pertences em caso de mudan\u00e7a. N\u00e3o preciso esperar por um cami\u00e3o ou pegar um t\u00e1xi, porque n\u00e3o s\u00e3o muitos. Sou pai de quatro filhos, vivo com dois e outros est\u00e3o na casa das suas m\u00e3es. Divorciamo-nos h\u00e1 muito tempo.<br \/>\nFalo-vos do meu colega Lu\u00eds Morgado que \u00e9 um grande ator. Foi despejado da casa onde morava e acabou por perder os bens, porque n\u00e3o tinha dinheiro para pagar o arrendamento de muitos meses. Agora vive em S\u00e3o Paulo. Quando foi chamado para receber o pr\u00e9mio da gala, acabou por dormir na pra\u00e7a, porque n\u00e3o podia voltar \u00e0quela hora para o seu bairro.<\/p>\n<p><b><i>D: Que coment\u00e1rio fez sobre a gala de distin\u00e7\u00e3o de personalidades mais destacadas do pa\u00eds em diferentes sectores\u2026<\/i><\/b><br \/>\nLB: N\u00e3o\u2026 Acho que o tempo ir\u00e1 esclarecer tudo isso um dia. Se n\u00e3o houver o pr\u00e9mio para o maior comediante guineense, Lino Bidan. Acho que quem de direito ter\u00e1 que responder por isso um dia. N\u00e3o me convidaram nem sequer para participar no evento. Simplesmente resolvi ficar na minha casa.<br \/>\nFico mais \u00e0 vontade a trabalhar para o meu povo que consome o meu trabalho, mas o certo \u00e9 que continuarei a fazer o meu trabalho com ou sem ajuda. N\u00e3o vou desanimar-me por isso, porque sei que um dia vou vencer e tornar-me-ei no melhor ator comediante da \u00c1frica Ocidental.<\/p>\n<p><b><i>D: O que \u00e9 que o Estado faz exactamente para apoiar os actores no dom\u00ednio da cultura?<\/i><\/b><br \/>\nLB: N\u00e3o conto com o Estado da Guin\u00e9-Bissau h\u00e1 muito tempo no que se refere ao apoio aos homens da cultura. H\u00e1 um prov\u00e9rbio que diz assim: Quando o filho est\u00e1 cansado recorre ao pai para pedir socorro. Infelizmente isso n\u00e3o acontece no nosso pa\u00eds e aqui cada qual luta para a sua sobreviv\u00eancia.<br \/>\nO Estado da Guin\u00e9-Bissau apenas se lembra das pessoas quando precisa delas para um determinado trabalho. Se houver um evento grande sobre um determinado assunto e ent\u00e3o entram em contacto comigo: \u201cLino se faz favor vai fazer teatro para n\u00f3s, sobre o tema tal\u201d. Depois d\u00e3o apenas uma coisinha de nada e \u00e0s vezes pagam com refei\u00e7\u00f5es e t\u00e1xi.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por: Assana Samb\u00fa<br \/>\nFoto: Marcelo N\u00b4Canha Na Ritche<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O comediante e ator Lino Bedan afirmou em entrevista ao nosso seman\u00e1rio que o seu maior desejo \u00e9 tornar-se no&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":4086,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,18,16],"tags":[],"class_list":["post-4083","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-inicio","category-entrevista","category-sociedade","wpcat-6-id","wpcat-18-id","wpcat-16-id"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Ator de com\u00e9dia Lino Bedan: \u201cQUERO SER O MAIOR COMEDIANTE DE \u00c1FRICA OCIDENTAL\u201d - 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