{"id":4340,"date":"2015-03-24T23:26:13","date_gmt":"2015-03-24T23:26:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=4340"},"modified":"2015-03-24T23:29:57","modified_gmt":"2015-03-24T23:29:57","slug":"joao-ribeiro-butiam-co-bombeiro-de-salvacao-para-os-guineenses-sao-os-proprios-guineenses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=4340","title":{"rendered":"Jo\u00e3o Ribeiro Butiam C\u00f3: \u201cBOMBEIRO DE SALVA\u00c7\u00c3O PARA OS GUINEENSES S\u00c3O OS PR\u00d3PRIOS GUINEENSES\u201d"},"content":{"rendered":"<p>O soci\u00f3logo e investigador do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP), Jo\u00e3o Ribeiro Butiam C\u00f3, disse na entrevista a\u2019O Democrata que o \u201cBombeiro de salva\u00e7\u00e3o para os guineenses, s\u00e3o os pr\u00f3prios guineenses\u201d. A entrevista com o soci\u00f3logo visou fazer uma an\u00e1lise sobre a perspectiva da mesa redonda entre as autoridades nacionais e os parceiros internacionais que decorre no pr\u00f3ximo dia 25 do m\u00eas em curso, em Bruxelas (B\u00e9lgica).<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo considerou que a mesa redonda \u00e9 um instrumento ao qual o Governo recorreu para relan\u00e7ar o pa\u00eds do ponto de vista econ\u00f3mico e social na senda internacional. Na sua vis\u00e3o, s\u00e3o os pa\u00edses em vias de desenvolvimento que necessitam, em determinado per\u00edodo de tempo, de se juntar com os seus parceiros internacionais a mesma mesa e testemunharem os desafios que t\u00eam e auscultar dos parceiros as disponibilidades destes em apoiar de uma forma muito coordenada as suas estrat\u00e9gias de desenvolvimento. Todavia, acredita que o nosso pa\u00eds est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de acolher dos parceiros internacionais os apoios econ\u00f3micos e financeiros para os projectos de desenvolvimento que o Governo tra\u00e7ou.<\/p>\n<p>O Democrata (D): Os guineenses e as autoridades em particular depositaram total esperan\u00e7a na Mesa Redonda. A mesa redonda de Bruxelas pode ser considerada como o Bombeiro de salva\u00e7\u00e3o do povo guineense, na sua opini\u00e3o?<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Ribeiro Butiam C\u00f3 (JRB): N\u00e3o sou da opini\u00e3o de designa\u00e7\u00e3o ou de adjectivar a mesa redonda de Bombeiro de salva\u00e7\u00e3o. Bombeiro de salva\u00e7\u00e3o para os guineenses s\u00e3o os pr\u00f3prios guineenses. \u00c9 preciso que cada um de n\u00f3s tenha isso em mente e que cada um ao seu n\u00edvel assuma a sua responsabilidade, e que cada um pense no pa\u00eds e em qual dever\u00e1 ser o seu contributo e no que j\u00e1 tem feito para o desenvolvimento do pa\u00eds. Isto sim permitir-nos-\u00e1 e far-nos-\u00e1 todos \u201co bombeiro de salva\u00e7\u00e3o\u201d para a Guin\u00e9-Bissau.<\/p>\n<p>A mesa redonda \u00e9 um instrumento que o Governo vai usar para relan\u00e7ar o pa\u00eds do ponto de vista econ\u00f3mico e social. Naturalmente, s\u00e3o pa\u00edses em desenvolvimento ou pa\u00edses de terceiro mundo que precisam a uma dada altura, de se juntarem aos parceiros a mesma mesa e para lhes testemunhar os desafios que t\u00eam, como tamb\u00e9m ouvir dos parceiros as disponibilidades que t\u00eam de uma forma muito coordenada. No nosso contexto actual, penso que h\u00e1 alguma esperan\u00e7a tendo em conta o historial, ou seja, o que nos condicionou at\u00e9 a esta fase. H\u00e1 esperan\u00e7as do ponto de vista econ\u00f3mico e que influenciam muito o campo social.<\/p>\n<p>Penso que temos que ver a mesa redonda numa perspectiva hol\u00edstica tanto econ\u00f3mico como social e pol\u00edtica. Do ponto de vista econ\u00f3mico, h\u00e1 um projecto que foi elaborado por diferentes eixos de desenvolvimento e diferentes projectos e prioridades destes projectos para o desenvolvimento. O chamado plano operacional j\u00e1 representa uma vantagem que o Governo tem para apresentar aos parceiros internacionais.<\/p>\n<p>OD: Ent\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica vivida no pa\u00eds neste momento favorece a realiza\u00e7\u00e3o da mesa redonda?<br \/>\nJRB: Penso que a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do pa\u00eds n\u00e3o impede a mesa redonda. Porque se analisamos o que tem sido o \u00e2mago da nossa instabilidade, s\u00e3o a quest\u00f5es pol\u00edticas sim, mas com algumas causas sociais e econ\u00f3micas. A Guin\u00e9-Bissau \u00e9 um pa\u00eds pobre em que o Estado \u00e9 o \u00fanico respons\u00e1vel pelo sustento da maior parte dos quadros e dos funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Se um partido acede o poder e ignora a outra franja pol\u00edtica, \u00e9 natural que se registe uma situa\u00e7\u00e3o de instabilidade pol\u00edtica. Porque s\u00e3o poucas as pessoas com condi\u00e7\u00f5es privativas, ou seja, com as condi\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f3micas para se sustentarem para al\u00e9m do Governo. Da\u00ed que assistimos a hist\u00f3ria de pactos governamentais que saem da pr\u00f3pria Assembleia para derrubar o Governo eleito e assumir a governa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o testemunha apenas a nossa fragilidade pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m onde o fatores econ\u00f3micos condicionam a forma de pensar ou a forma de se posicionar politicamente. Esses fatores pesam fortemente. Desta vez temos um Governo formado na base de um acordo pol\u00edtico que envolve v\u00e1rias forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas com e sem assento no parlamento.<br \/>\nIsso demonstra alguma inclus\u00e3o, ou melhor, algum cuidado que os pol\u00edticos tiveram em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o da instabilidade pol\u00edtica e governativa que poderia ser criada por diverg\u00eancias pol\u00edticas. Tudo o que se fala neste momento n\u00e3o condiciona a realiza\u00e7\u00e3o da mesa redonda de Bruxelas.<\/p>\n<p>D: O Plano Operacional de 2015 a 2020 conta com mais de 200 projectos e com um custo de financiamento estimado em 480 mil milh\u00f5es de Francos CFA. Ser\u00e1 que \u00e9 poss\u00edvel conseguir essa verba para a execu\u00e7\u00e3o de projectos do desenvolvimento tra\u00e7ados?<\/p>\n<p>JRB: O plano operacional foi elaborado por sectores e felizmente fui um dos consultores para o eixo do desenvolvimento humano, onde n\u00f3s elencamos aquelas que s\u00e3o as necessidades nas diferentes \u00e1reas, designadamente da educa\u00e7\u00e3o, da sa\u00fade, da coes\u00e3o e fam\u00edlia, da juventude cultura e desportos. Tamb\u00e9m noutros eixos da governa\u00e7\u00e3o foram elencados alguns projectos nomeadamente, a reforma nos sectores da defesa, seguran\u00e7a e da justi\u00e7a e a reforma na pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>Relativamente ao eixo do desenvolvimento urbano foi desenhado que tipo de cidade que o pa\u00eds precisa. O que \u00e9 verdade \u00e9 que o plano operacional \u00e9 um plano ambicioso que tem uma perspectiva de cinco anos e numa outra vis\u00e3o de mais anos. O que n\u00f3s temos que acreditar ou fazer \u00e9 estruturar os projectos em base de sustentabilidade que justifiquem o pr\u00f3prio desenvolvimento.<br \/>\nA nossa obrigatoriedade \u00e9 fazer um marketing e ao mesmo tempo saber apresentar junto dos nossos parceiros as prioridades de entre os 200 projectos que foram mencionados no plano estrat\u00e9gico. O que n\u00e3o significa que esses 200 projectos ir\u00e3o ser considerados ou aceites pelos doadores, mas n\u00e3o deixa de ser uma vantagem saber o que queremos daqui a 5 e 10 anos.<\/p>\n<p>O que a mesa redonda nos oferecer depois de quatro anos de mandato deste Governo ser\u00e1 uma vantagem. Qui\u00e7\u00e1 o pr\u00f3ximo Governo ter\u00e1 um documento base muito importante para continuar o projecto de desenvolvimento. O plano operacional \u00e9 um projecto bastante ambicioso e com a sua legitima\u00e7\u00e3o \u00e9 que temos que vender os nossos produtos em diferentes fases, como na mesa redonda, com os nossos parceiros multilaterais e bilaterais e mesmo ao n\u00edvel da nossa comunidade, tanto na CEDEAO como na UEMOA. Ser\u00e3o necess\u00e1rio micro mesas redondas depois de 25 de Mar\u00e7o, para continuarmos a vender aquilo que achamos que s\u00e3o estrat\u00e9gias evidentes para o desenvolvimento do nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>D: Regista-se neste momento uma situa\u00e7\u00e3o do terrorismo internacional. Toda a comunidade internacional. As pot\u00eancias mundiais e os blocos mobilizaram-se para lutar contra o fen\u00f3meno. A situa\u00e7\u00e3o da crise da zona Euro levou a Uni\u00e3o Europeia apertar mais o cerco em termos de controlo financeiro dos seus parceiros. Essa situa\u00e7\u00e3o da conjuntura mundial n\u00e3o pode criar dificuldades \u00e0s autoridades em termos de mobiliza\u00e7\u00e3o de fundos da parte dos parceiros internacionais?<\/p>\n<p>JRB: Compreende-se o per\u00edodo em que estamos e as prioridades, tendo em conta a agenda internacional, mas devo dizer que n\u00e3o estamos fora da agenda internacional. Estamos dentro da agenda internacional. O que a Guin\u00e9 est\u00e1 neste momento a fazer \u00e9 mostrar que passou dificuldades e que neste momento est\u00e1 a criar condi\u00e7\u00f5es para ser um pa\u00eds normal de ponto de vista da vis\u00e3o da pr\u00f3pria comunidade internacional e penso tamb\u00e9m que \u00e9 isto o que a comunidade internacional quer.<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades e grandes apertos financeiros, n\u00e3o podemos esquecer que a rela\u00e7\u00e3o entre \u00c1frica e a Europa \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, cultural e antiga em que h\u00e1 um compromisso, digamos, de natureza cooperativa desde o acordo de Cotonou (Togo), em que uma percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) dos pa\u00edses europeus dever\u00e1 ser destinada para o apoio, coopera\u00e7\u00e3o e desenvolvimento dos pa\u00edses africanos. Embora o acordado n\u00e3o esteja a ser cumprido.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europeia j\u00e1 manifestou todo o interesse em apoiar a comitiva da Guin\u00e9-Bissau que ir\u00e1 deslocar-se para a Bruxelas. Isso demonstra alguma disponibilidade, pelo menos diplom\u00e1tica, que poder\u00e1 ter uma influ\u00eancia tamb\u00e9m na diplomacia econ\u00f3mica. N\u00e3o podemos esquecer que a Europa est\u00e1 preocupada com a quest\u00e3o do futuro, sobretudo no que se refere \u00e0 quest\u00e3o da seguran\u00e7a, da estabilidade e do terrorismo e a Guin\u00e9 n\u00e3o pode ficar completamente fora. Caso contr\u00e1rio, poderemos tamb\u00e9m ser um pa\u00eds da estrat\u00e9gia para os terroristas a fim de poderem alcan\u00e7ar os seus objectivos.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos atr\u00e1s assistimos a deten\u00e7\u00e3o de pessoas consideradas terroristas que conseguiram entrar aqui para se esconderem. Felizmente uma dessas pessoas foi descoberta e deportada para o seu pa\u00eds de origem. Penso que a comunidade internacional, sobretudo a Europa, vai ajudar de forma a livrarmo-nos desta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Devo dizer tamb\u00e9m que a mesa redonda \u00e9 um compromisso para o futuro e n\u00e3o \u00e9 um compromisso de imediato. Quero dizer que n\u00e3o podemos pensar que depois de 25 de Mar\u00e7o, v\u00e3o come\u00e7ar a chover apoios financeiros como muita gente pensa.<\/p>\n<p>Vamos passar meses ou anos para come\u00e7ar a registar os apoios financeiros da parte dos parceiros no \u00e2mbito da mesa redonda, mas vai ser de acordo com a nossa performance econ\u00f3mica e pol\u00edtica e adoptado \u00e0s expectativas sociais leg\u00edtimas. Temos igualmente que trabalhar na cria\u00e7\u00e3o de uma sociedade organizada e est\u00e1vel para podermos convencer os doadores. Penso que isto \u00e9 muito importante n\u00e3o s\u00f3 para a nossa estabilidade econ\u00f3mica, pol\u00edtica e social, mas tamb\u00e9m para a estabilidade pol\u00edtica social da Uni\u00e3o Europeia e da comunidade internacional.<\/p>\n<p>D: O que \u00e9 que as autoridades do pa\u00eds podem fazer de concreto, a fim de conseguir apoios financeiros necess\u00e1rios da parte dos parceiros internacionais?<\/p>\n<p>JRB: Existe um documente tecnicamente bem elaborado e que mostra muito bem a nossa ambi\u00e7\u00e3o ou aquilo que n\u00f3s queremos a m\u00e9dio e longo prazo, portanto isso servir\u00e1 de ferramenta que as autoridades v\u00e3o apresentar aos nossos parceiros. O plano estrat\u00e9gico tem outra componente que tamb\u00e9m \u00e9 extremamente importante. N\u00f3s escolhemos a biodiversidade como um marketing daquilo que n\u00f3s temos para vender l\u00e1 fora. O plano estrat\u00e9gico mostra algumas potencialidades que o pa\u00eds tem.<\/p>\n<p>N\u00e3o vamos \u00e0 mesa redonda de m\u00e3os a abanar. Tamb\u00e9m vamos mostrar os produtos que temos tal como o caju, os nossos peixes, as nossas ilhas e o nosso povo que \u00e9 um povo civilizado. S\u00e3o elementos que temos que vender para mostrar que estamos em condi\u00e7\u00f5es de receber e poder vir a pagar, mas tamb\u00e9m estamos em condi\u00e7\u00f5es de convidar pessoas para virem visitar e contribu\u00edrem para o desenvolvimento econ\u00f3mico do pa\u00eds.<\/p>\n<p>D: H\u00e1 quem diga que as autoridades ignoraram por completo o mundo \u00e1rabe e a China, que podem estimular os nossos tradicionais parceiros a apoiar grandes projetos se estiverem presentes na mesa redonda?<\/p>\n<p>JRB- N\u00e3o acho que a Guin\u00e9-Bissau tenha ignorado os pa\u00edses \u00e1rabes e a China. Repara que a mesa redonda realiza-se no quadro de um f\u00f3rum dos pa\u00edses a n\u00edvel global. Tem havido at\u00e9 contatos preliminares e diplom\u00e1ticos com a China e outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Falou-se inclusivo at\u00e9 da possibilidade de realiza\u00e7\u00e3o de um encontro com doadores em Macau que envolvia a pr\u00f3pria China e os pa\u00edses da Comunidade dos Pa\u00edses da L\u00edngua portuguesa. Portanto, s\u00e3o as estrat\u00e9gias desenhadas pelo governo, respeitando as potencialidades que esses pa\u00edses t\u00eam. A China estar\u00e1 presente e \u00e9 bom que se saiba que a mesa redonda n\u00e3o visa uma comunidade espec\u00edfica tudo est\u00e1 a ser feito de forma global.<\/p>\n<p>Depois desses compromissos, aparentemente chamados de \u201ccompromissos abertos\u201d, haver\u00e1 encontros com algumas comunidades regionais estrat\u00e9gicas em que se far\u00e1 um trabalho de diplomacia econ\u00f3mica intenso para cativar e permitir com que os compromissos a serem assumidos pelos parceiros se transformem em atos efetivos no plano do desenvolvimento.<\/p>\n<p>D: A Guin\u00e9-Bissau j\u00e1 organizou tr\u00eas mesas de doadores, esta \u00e9 a quarta. Trar\u00e1 algo de concreto \u00e0 vida dos guineenses?<\/p>\n<p>JRB: Os momentos s\u00e3o diferentes. A primeira mesa realizada na era do Bartolomeu Sim\u00f5es Pereira tentou relan\u00e7ar a economia. A pr\u00f3pria imagem que o pa\u00eds tinha, o compromisso e a vis\u00e3o da Comunidade Internacional em rela\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds era completamente diferente. O pa\u00eds realizou outra mesa redonda na era do Francisco Jos\u00e9 Fadul, que tamb\u00e9m n\u00e3o deu grandes frutos. Todavia, havia a necessidade de reconstruir o pa\u00eds.<\/p>\n<p>A grande diferen\u00e7a que essa mesa redonda tem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras \u00e9 que o pa\u00eds nunca tinha se preparado como desta vez se preparou em termos de documenta\u00e7\u00e3o e em termos daquilo que se pretende.<\/p>\n<p>Segundo, nunca se fez um trabalho preliminar com CEDEAO e a CPLP, blocos comunit\u00e1rios em que o pa\u00eds est\u00e1 inserido. Nunca se fez um trabalho diplom\u00e1tico como agora est\u00e1-se a fazer com a Uni\u00e3o Europeia, Portugal, Estados Unidos da Am\u00e9rica, Senegal, Angola, China, Brasil e tantos outros pa\u00edses. Nota-se agora que a Comunidade Internacional est\u00e1 interiorizada das reais necessidades e daquilo que o pa\u00eds precisa para se salvaguardar.<\/p>\n<p>Esses elementos podem trazer grande diferen\u00e7a nesta mesa redonda de Bruxelas, porque transmitem um sentimento de confian\u00e7a da Comunidade Internacional em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Guin\u00e9-Bissau.<\/p>\n<p>D: O que \u00e9 que falhou nas tr\u00eas outras mesas redondas?<\/p>\n<p>JRB: Falharam por n\u00e3o haver um documento base de orienta\u00e7\u00e3o. O pa\u00eds foi a essas mesas apenas com a listagem das necessidades. Desta vez h\u00e1 esse instrumento base, que projeta o desenvolvimento. Uma segunda grande vantagem tem a ver com a prepara\u00e7\u00e3o que a mesa tem.<\/p>\n<p>Portanto a mesa redonda n\u00e3o come\u00e7a a 25 de Mar\u00e7o. Come\u00e7ou sim com os trabalhos desenvolvidos pelas diferentes comiss\u00f5es constitu\u00eddas pelo governo para trabalhar as \u201cpromessas abertas\u201d, que a Guin\u00e9-Bissau ter\u00e1 que receber a 25 e a partir da\u00ed continuar a fazer uma diplomacia econ\u00f3mica s\u00e9ria com os nossos parceiros mutilarias e bilaterais bem como juntos dos pa\u00edses que aceitarem apoiar que se fa\u00e7a um trabalho s\u00e9rio e que consequentemente sejamos respons\u00e1veis na aplica\u00e7\u00e3o dos recursos. S\u00f3 assim podemos todos contribuir para que social a politicamente haja estabilidade e o refor\u00e7o da confian\u00e7a da Comunidade Internacional em continuar a ajudar o pa\u00eds.<\/p>\n<p>D: A mesa Redonda realizada por Bartolomeu Sim\u00f5es Pereira teve resultados concretos?<\/p>\n<p>JRB: S\u00e3o momentos diferentes. Infelizmente tivemos o azar de perder o pr\u00f3prio ministro que estava a fazer todas as reestrutura\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e estruturais, que eram extremamente importantes e o pa\u00eds n\u00e3o era tamb\u00e9m democr\u00e1tico. Vivia-se um per\u00edodo de liberaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica. V\u00ednhamos da chamada \u201c pol\u00edtica de ajustamento estrutural\u201d acompanhada por parceiros como Bretton Woods e o pr\u00f3prio Banco Mundial atentos em como essa liberaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica teria efeitos em \u00c1frica e na Guin\u00e9.<\/p>\n<p>A partir de 1989\/91 lan\u00e7amos um novo desafio de multipartidarismo. Sa\u00edmos de uma agenda sem termos conclu\u00eddo e pass\u00e1vamos para outros desafios. Portanto s\u00e3o praticamente momentos de confus\u00e3o em que n\u00e3o havia uma oposi\u00e7\u00e3o, express\u00e3o da sociedade civil, a pr\u00f3pria defesa dos direitos humanos (uma quest\u00e3o extremamente importante), ou seja n\u00e3o havia um conjunto de elementos que hoje em dia caraterizam a nossa sociedade, o mundo, a nossa sub-regi\u00e3o e todo o continente africano. N\u00e3o obstante tudo isso, devo dizer que h\u00e1 tamb\u00e9m experi\u00eancias positivas como \u00e9 o caso da mesa redonda de Timor-leste. Um pa\u00eds da CPLP, que tamb\u00e9m teve dificuldades como a Guin\u00e9-Bissau.<\/p>\n<p>D: Qual seria a sua mensagem se estivesse a falar para o povo guineense?<\/p>\n<p>JRB: A mensagem forte seria de encorajamento, persist\u00eancia, mas tamb\u00e9m e acima de tudo, de muita responsabilidade, porquanto todos estamos ansiosos e esperan\u00e7ados nos frutos que a mesa vai trazer ao pa\u00eds. Depois da mesa redonda ser\u00e1 necess\u00e1rio que se fa\u00e7a uma sensibiliza\u00e7\u00e3o para que o cidad\u00e3o comum possa perceber o que \u00e9 a mesa redonda e o que \u00e9 que isso significa.<\/p>\n<p>N\u00e3o acredito que a mesa redonda falhe. O importante nesse momento \u00e9 sermos persistentes em vender os nossos produtos. Se conseguirmos vender a trinta e quarenta por cento, temos que continuar a trabalhar mais depois da mesa redonda, numa estrat\u00e9gia dos planos B.<\/p>\n<p>Por: Assana Samb\u00fa\/Filomeno Samb\u00fa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O soci\u00f3logo e investigador do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP), Jo\u00e3o Ribeiro Butiam C\u00f3, disse na entrevista a\u2019O&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":4342,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,18],"tags":[],"class_list":["post-4340","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-inicio","category-entrevista","wpcat-6-id","wpcat-18-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4340","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4340"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4340\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4341,"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4340\/revisions\/4341"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4342"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4340"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4340"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4340"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}