{"id":4898,"date":"2015-05-24T16:27:39","date_gmt":"2015-05-24T16:27:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=4898"},"modified":"2015-05-24T16:27:39","modified_gmt":"2015-05-24T16:27:39","slug":"opiniao-pan-africanismo-como-vetor-de-emancipacao-africana-contribuicao-simbolica-de-amilcar-cabral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=4898","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: PAN-AFRICANISMO COMO VETOR DE EMANCIPA\u00c7\u00c3O AFRICANA: CONTRIBUI\u00c7\u00c3O SIMB\u00d3LICA DE AM\u00cdLCAR CABRAL"},"content":{"rendered":"<p>A UA (Uni\u00e3o Africana), atual OUA (Organiza\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o africana), completar\u00e1 53 anos desde a sua funda\u00e7\u00e3o em maio de 1963 em Adis Abeba, capital da Eti\u00f3pia, pa\u00eds que tem uma Hist\u00f3ria \u00edmpar no quesito colonial. Este ano a agenda est\u00e1 mais voltada para quest\u00e3o de g\u00eanero o empoderamento da mulher na agenda 2063. No entanto vou fazer gosto \u00e0 mem\u00f3ria do que foi o pan-africanismo ao longo dos tempos como movimento que deu origem a UA e depois OUA, e a contribui\u00e7\u00e3o de Am\u00edlcar Cabral no processo de sua constru\u00e7\u00e3o e, tamb\u00e9m sobre a mulher, que de uma forma especial, sempre merecia a aten\u00e7\u00e3o de Cabral.<\/p>\n<p>O ataque italiano contra o reino de Eti\u00f3pia do Imperador Hailie Selassie tem um marco indel\u00e9vel para o movimento, pois foi o momento mais alto de solidariedade africana, ao contr\u00e1rio do mito da \u201csolidariedade africana\u201d, que enterrou v\u00e1rios dos seus filhos (Lumumba, Nkrumah, Mondlane, Dulcie Spencer, Cabral e Mohamed Kadafi).<br \/>\nN\u00e3o obstante, Williams Silvestre ter sido quem deu o pontap\u00e9 inicial do pan-africanismo no mundo, o movimento de liberta\u00e7\u00e3o africana teve v\u00e1rios rasgos e defini\u00e7\u00f5es, como mencionou o Dr.Carlos Lopes numa palestra em Lisboa durante a semana da CPLP, sob o tema \u201cCPLP na era de globaliza\u00e7\u00e3o\u201d. Existe um pan-africanismo voltado para o territ\u00f3rio, outro mais para a terra (regresso \u00e0 m\u00e3e \u00c1frica), outro cultural e outro que defendia mais um pan-africanismo progressista do futuro.<\/p>\n<p>O fato do pan-africanismo ter sido germinado fora de \u00c1frica, por aqueles que tinham uma necessidade de se auto-identificar com suas origens, fez com que algumas id\u00e9ias n\u00e3o rimasse com a realidade africana existente no momento.<\/p>\n<p>Se come\u00e7asse este artigo dizendo que o pan-africanismo Nkrumaniana (Kwame Nkrumah), Jomo Keniataniana (Jomo Keniata) e Garvreiana (Marcus Gavrei) pensaram seriamente sobre a liberta\u00e7\u00e3o da \u00c1frica de jugo colonial e imperialista, mas n\u00e3o pensaram no desenvolvimento da \u00c1frica, muitos poderiam n\u00e3o concordar. Por isso gostaria de convidar meu caro leitor de O Democrata, com todo respeito, a fazer o uso do materialismo hist\u00f3rico (an\u00e1lise de hist\u00f3ria) de Karl Marx. Os dois grupos que s\u00e3o: equipe de Monr\u00f3via e Casa Blanca, tinham um mesmo objetivo, mas se antagonizavam em certos aspectos.<\/p>\n<p>Como citei no prel\u00fadio, o pan-africanismo foi esbo\u00e7ado primeiro por Henry Silvester Williams. A sua ideia chave era a defesa dos negros no mundo inteiro contra a explora\u00e7\u00e3o e abuso. O americano W.E.B. Du Bois retomou o tema, mas deu\u2010lhe um conte\u00fado a volta de direitos. Quando George Padmore, de Trinidade, e Kwame Nkrumah, do Gana, entraram em cena e se juntaram a Du Bois, Jomo Kenyatta, do Qu\u00e9nia, ou do jamaicano Dudley Thompson, e realizaram o Congresso Pan\u2010Africano de Manchester, em 1945, o seu manifesto girava em torno da necessidade das independ\u00eancias africanas.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Nkrumah vai passar por v\u00e1rias fases da evolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do seu pensamento sobre o pan\u2010africanismo. A forma\u00e7\u00e3o da OUA, em Maio de 1963, quando Nkrumah j\u00e1 era o presidente do seu pa\u00eds, marca o nascimento de uma vis\u00e3o mais pragm\u00e1tica e menos idealista do pan\u2010africanismo, apesar de este continuar a proclamar a completa integra\u00e7\u00e3o do continente. Entre a vis\u00e3o de Du Bois e a do jamaicano Marcus Garvey o debate \u00e9 tamb\u00e9m polarizante: uns querendo direitos, outros, lutas. [Dev\u00e9s\u2010Vald\u00e9s, 2008].<\/p>\n<p>O equ\u00edvoco de uma \u00c1frica una e indivis\u00edvel, com uma \u00fanica cultura e identidade, como preconiza Nkrumah e sua equipe ap\u00f3s sua integra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o levou em considera\u00e7\u00e3o a heterogeneidade do continente e suas culturas. A\u00ed entra Frantz Fanon, o contato de s\u00e9culos e experi\u00eancias racistas teria levado os africanos a idealizarem um pan-africanismo mais de ra\u00e7a do que propriamente um pan-africanismo que pensasse em \u00c1frica ap\u00f3s a independ\u00eancia. O discurso que se fazia ouvir era unicamente expulsar, expulsar e expulsar coloniza\u00e7\u00e3o e os \u201cbrancos\u201d e raramente se falava sobre o tipo de desenvolvimento que poderia ter o continente uma vez alcan\u00e7ada a liberdade.<\/p>\n<p>Todavia, na minha vis\u00e3o, o movimento tem um m\u00e9rito ineg\u00e1vel e momentos de gl\u00f3ria, a medida que exigia a liberta\u00e7\u00e3o do continente mais sofrido. Mas o desentendimento dentro do movimento, levou-o a uma queda mais r\u00e1pida da pretensa unidade africana. Mas se tem algo que o colonialismo tem e deu de bom aos africanos, foi a ideia de pensar na unidade dos africanos, isto sem nenhum filantropismo ou amenidade.<br \/>\nKuame Nkrumah e Nyere, que eram cabe\u00e7as do grupo de Monr\u00f3via, e eram talvez menos radicais em rela\u00e7\u00e3o a equipe de Casablanca, demonstravam abertamente as clivagens do pan-africanismo enquanto movimento. Monr\u00f3via pretendia unir os negros da sub-regi\u00e3o ao projeto de unidade africana com uma \u00fanica hist\u00f3ria e cultura, talvez por isso Ivaldo Fran\u00e7a Lima, brasileiro, na sua tese de doutorado em Hist\u00f3ria \u201cO pan-africanismo e suas resson\u00e2ncias no Brasil contempor\u00e2neo\u201d, referiu-se ao grupo de Nkrumah como racista e igualou-lhes as teorias de Darwin, o que tamb\u00e9m considero exagero.<\/p>\n<p>Mas o fato destes quererem homogeneizar a \u00c1frica como una e indissoci\u00e1vel, levou o pr\u00f3prio Fanon a discordar de Nkrumah em Acra, ao demonstrar seu descontentamento com o discurso dele. A equipe de Casablanca queria apenas uma liberta\u00e7\u00e3o de extens\u00e3o geogr\u00e1fica e n\u00e3o continental como queria Nkrumah e companheiros. Essa ideia de Nkrumah era vis\u00edvel at\u00e9 na independ\u00eancia de Angola, onde mais uma vez se verificou a discord\u00e2ncia dos movimentos pan-africanistas. A equipe de Monr\u00f3via queria um governo de unidade entre as for\u00e7as de MPLA, que controlava centro de pa\u00eds, UNITA, que controlava norte e FNLA que controlava parte Sul e a fronteira com Congo belga, ao passo que a equipe de Monr\u00f3via, onde estava Haile Selassi\u00e9 e companheiros, queriam a independ\u00eancia de MPLA. Os golpes de estado que, os presidentes v\u00e3o sofrer logo no in\u00edcio das rep\u00fablicas em \u00c1frica, tem a ver com o antagonismo do pan-africanismo ideal e sua crise de posicionamento no mundo bipolar entre URSS E EUA.<\/p>\n<p>Bem, n\u00e3o estou a culpar o pan-africanismo pelo atraso do continente africano, mas quero demonstrar que ele poderia ter mais perspectivas de um futuro melhor para \u00c1frica ao inv\u00e9s de passar o tempo no conceito ra\u00e7a e territ\u00f3rio. Mas, talvez isso n\u00e3o acontecesse, pois quando o panafricanismo tinha mais for\u00e7a e era vivo, nenhum pa\u00eds lus\u00f3fono estava independente e por isso o modelo proposto por Am\u00edlcar Cabral n\u00e3o se fez tanto sentir na altura, ao contr\u00e1rio de hoje. Ali\u00e1s, no ano de 2013 ele foi um dos homenageados pela sua contribui\u00e7\u00e3o singular pelo ide\u00e1rio de um pan-africanismo mais \u00e9tico. Afinal foi Cabral quem falou em \u201creafricaniza\u00e7\u00e3o dos esp\u00edritos\u201d. Isto passa necessariamente, como dizia ele, para o conhecimento do pr\u00f3prio continente, ter uma consci\u00eancia de homens comprometidos com o bem-estar da \u00c1frica amanh\u00e3, personalizar o ser africano, porque a Antropologia colonial de XIX, proclamada por Darwin e Frazer, havia descaracterizado o homem africano e o colocado contra sua pr\u00f3pria Hist\u00f3ria e cultura.<\/p>\n<p>Cabral definiu luta armada como fator cultural e n\u00e3o racial, assim como pensava Nkrumah, afinal se a \u00c1frica n\u00e3o lutar por sua cultura n\u00e3o valer\u00e1 a pena entrar na Guerra, porque amanh\u00e3 tudo ser\u00e1 o mesmo, como n\u00e3o \u00e9 diferente hoje. Ele aconselhou a n\u00e3o fazer confus\u00e3o entre explora\u00e7\u00e3o e cor de pele, porque mesmo entre os africanos existem os que exploram o outro, isto s\u00f3 para esfriar o pretenso moralismo africano.<\/p>\n<p>Permitam-me contar uma Hist\u00f3ria a quando da Segunda Guerra Mundial. A Inglaterra sofria d\u00e9ficit financeiro naquele momento e o presidente convidou o ministro das finan\u00e7as para tomar algumas medidas de austeridade (alguns cortes) em determinados minist\u00e9rios. O ministro prop\u00f4s logo que fizesse corte no or\u00e7amento para Cultura. O chefe do governo, estarrecido, lhe disse: Ent\u00e3o a nossa guerra \u00e9 para qu\u00ea? Pensei que est\u00e1vamos a guerrear para preservar a nossa cultura, para isso usamos armas qu\u00edmicas, m\u00edsseis, avi\u00f5es, barcos etc. Mas tudo para manter a nossa cultura, para que amanh\u00e3 os nossos filhos n\u00e3o falem alem\u00e3o sem querer, e estudem somente sobre cultura alem\u00e3.<\/p>\n<p>Com isto, quero demonstrar ao car\u00edssimo leitor d&#8217;O Democrata, que Am\u00edlcar Cabral talvez foi quem melhor definiu a luta armada de liberta\u00e7\u00e3o em \u00c1frica e como deveria ser a luta do pan-africanismo. Deveria estar mais atrelado \u00e0 cultura e ao povo do que \u00e0 ra\u00e7a, porque, dizia Cabral, teorias como a Antropol\u00f3gica do s\u00e9culo XIX, s\u00f3 convencem uma mente doente. Cabral, ao contr\u00e1rio de muitos pan-africanistas, nunca aceitou, ou assumiu protagonismo da luta e dizia \u201cse h\u00e1 um her\u00f3i no meu pa\u00eds, este \u00e9 o povo\u201d.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre cultura e hist\u00f3ria encontra em Cabral um grau de sofistica\u00e7\u00e3o que o faz aparecer em todos os livros atuais sobre filosofia africana. [Hallen, 2002] A sua contribui\u00e7\u00e3o destaca\u2010se pela originalidade em usar categorias de an\u00e1lise marxistas sem nunca cair no mimetismo de Nkrumah e outros l\u00edderes da \u00e9poca. Cabral recusava r\u00f3tulos e posicionava\u2010se sem complexo de inferioridade ou facilitismo. Era rebuscado. (Carlos Lopes-Jan pag-12013).<\/p>\n<p>Anteriormente, falei do desagrado de Frantz Fanon, que n\u00e3o gostou do discurso do mito africanista de Nkrumah, que foi um dos inspiradores de Cabral, e da pr\u00f3pria ideia de renascimento africano pertencente a CNA (congresso nacional africana) liderado por Nelson Mandela. Mandela, que atribu\u00eda uma grandeza \u00e0 Cabral.<\/p>\n<p>Em abril, o diplomata e embaixador em\u00e9rito finland\u00eas Mikko Pyhala, considerou Mandela e Cabral como os melhores pensadores africanos. Sempre que se referia \u00e0 Mandela como Grande, ele citava Cabral, tamb\u00e9m como grande. Uma mat\u00e9ria de DW (Deutsche welle) contou que no seu livro de mem\u00f3rias, \u201cA Ponta da Navalha\u201d, o jornalista franc\u00eas G\u00e9rard Chaliand, que acompanhou e divulgou a Luta de Liberta\u00e7\u00e3o na Guin\u00e9-Bissau, conta que quando disseram a Nelson Mandela \u201ctu \u00e9s o maior\u201d, Mandela replicou com toda a simplicidade, \u201cn\u00e3o o maior \u00e9 Cabral\u201d. Olhem que Mandela nem conheceu Cabral pessoalmente.<\/p>\n<p>Am\u00edlcar Cabral deve ter sido o l\u00edder africano que teve um melhor relacionamento com as mulheres, basta olhar como o PAIGC, idealizado por ele. Cabral trabalhou a quest\u00e3o da mulher quando ela ainda era estigmatizada no ocidente nos anos 60 e seguintes. Em 1966 o Comit\u00e9 Central do PAIGC inicia a mobiliza\u00e7\u00e3o das mulheres da Guin\u00e9-Bissau e Cabo Verde para a guerrilha. &#8220;Era uma vontade de Am\u00edlcar Cabral ter as mulheres a seu lado e em cargos de topo&#8221;, lembra a partir de Cabo Verde, Ol\u00edvio Pires, comandante da Frente Leste na Guin\u00e9-Bissau antes de assumir a representa\u00e7\u00e3o do PAIGC no exterior.<\/p>\n<p>Senghor, apesar de inspirar o poema \u201cfemme nu femme noir\u201d, que representava \u00c1frica como mulher e os percursores do pan-africanismo n\u00e3o se debru\u00e7aram sobre as mulheres, que mais sofriam com a coloniza\u00e7\u00e3o por v\u00e1rios motivos, portanto Cabral teve a felicidade, gra\u00e7as a sua maturidade pol\u00edtica de desenhar um modelo de pan-africanismo, que no meu ver seria ideal para \u00c1frica, um modelo voltado para cultura no seu sentido mais lato. Ele queria que o negro africano se reencontrasse a si mesmo e lamentou que isto s\u00f3 fosse poss\u00edvel atrav\u00e9s da luta armada. Isto levou Am\u00edlcar a dizer e explicar que os africanos n\u00e3o gostam de guerra, mas, a guerra era o meio que lhes restava para ganhar sua dignidade novamente enquanto homem. Umas das caracter\u00edsticas mais importantes de Cabral era o reconhecimento do outro que ele tinha, demonstrou isso no funeral de Nkrumah, no famoso \u201cdiscurso do c\u00e2ncer\u201d.<\/p>\n<p>Apesar de todo este esfor\u00e7o feito e dos erros cometido na tentativa de acertar, a \u00c1frica continua padecendo de graves sequelas como, guerras intermin\u00e1veis, fome, genoc\u00eddios, debilidade econ\u00f4mica e etc. Ali\u00e1s, n\u00e3o tenho ideia se a UA discutir\u00e1 a quest\u00e3o dos conflitos entre religi\u00f5es,<\/p>\n<p>Lampedusa e conflitos recentes. \u00c9 a esperan\u00e7a de todos os africanos que a \u00c1frica se encontre um dia, e que possa realizar os sonhos de seus dignos filhos. Apesar do esfor\u00e7o de um desenvolvimento, a \u00c1frica continua sendo vista pelo prisma de instabilidade e pobreza.<br \/>\n\u201cOs nossos jovens devem ser cidad\u00e3os do mundo. Devem conhecer a Hist\u00f3ria da \u00c1frica e dos outros continentes. N\u00e3o nos queremos encerrar num esquema individual, numa cultura espec\u00edfica, num mito tradicional, queremos viver como os outros, com os outros medirem-nos com todo mundo, negros, brancos e amarelos\u201d. Am\u00edlcar Cabral.<br \/>\nPor: Tamilton Gomes Teixeira<br \/>\nGraduado em Ci\u00eancias Humanas<br \/>\nEspecializando em Sociologia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A UA (Uni\u00e3o Africana), atual OUA (Organiza\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o africana), completar\u00e1 53 anos desde a sua funda\u00e7\u00e3o em maio de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":4897,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,25],"tags":[],"class_list":["post-4898","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-inicio","category-opinioes","wpcat-6-id","wpcat-25-id"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Opini\u00e3o: PAN-AFRICANISMO COMO VETOR DE EMANCIPA\u00c7\u00c3O AFRICANA: CONTRIBUI\u00c7\u00c3O SIMB\u00d3LICA DE AM\u00cdLCAR CABRAL - 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