{"id":7086,"date":"2015-11-22T17:53:01","date_gmt":"2015-11-22T17:53:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=7086"},"modified":"2015-11-23T23:30:43","modified_gmt":"2015-11-23T23:30:43","slug":"ramiro-naka-recomenda-nova-geracao-a-apostarem-na-musica-tradicional-para-conquistar-o-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.odemocratagb.com\/?p=7086","title":{"rendered":"RAMIRO NAKA RECOMENDA NOVA GERA\u00c7\u00c3O A APOSTAREM NA M\u00daSICA TRADICIONAL PARA CONQUISTAR O MERCADO"},"content":{"rendered":"<p>O conceituado m\u00fasico internacional, Ramiro Naka, pediu aos jovens artistas da nova gera\u00e7\u00e3o a apostarem na m\u00fasica tradicional para assim conquistarem o mercado internacional. O cantor pediu igualmente aos jovens no sentido de se organizarem em grupo atrav\u00e9s de orquestras e tentar tirar o proveito da cultura guineense.<\/p>\n<p>Durante a entrevista concedida a&#8217;O Democrata o cantor, que outrora fora considerado o rosto da cultura da Guin\u00e9-Bissau, contou a sua vis\u00e3o sobre a m\u00fasica guineense, comparou as gera\u00e7\u00f5es de m\u00fasicos e revelou a hist\u00f3ria do seu percurso na vida, al\u00e9m da m\u00fasica, dos desafios que enfrentara .<\/p>\n<p>Lembrou que praticara o atletismo s\u00f3 para conseguir um lugar onde pudesse ganhar algo para comer, porque ao mesmo tempo que corria para os le\u00f5es de Portugal, a noite ia sempre tocar nas discotecas. O artista falou dos seus primeiros momentos no conceituado grupo musical \u201cN\u00b4Kassa Cobra\u201d, bem como dos momentos dif\u00edceis e menos bons.<\/p>\n<p>Ramiro Naka defendeu que n\u00e3o se pode esperar muita coisa do Estado para desenvolver a Cultura guineense, visto que o pr\u00f3prio Estado depara-se com v\u00e1rios outros problemas sociais priorit\u00e1rios.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/image35.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-7054\" src=\"http:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/image35-201x300.jpeg\" alt=\"image\" width=\"201\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/image35-201x300.jpeg 201w, https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/image35-685x1024.jpeg 685w, https:\/\/www.odemocratagb.com\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/image35.jpeg 1296w\" sizes=\"auto, (max-width: 201px) 100vw, 201px\" \/><\/a><\/p>\n<p><b>O Democrata (OD): Ramiro Naka, o senhor \u00e9 um dos rostos da m\u00fasica e da cultura musical da Guin\u00e9-Bissau no exterior. Pode fazer-nos um pequeno resumo da sua carreira musical?<\/b><\/p>\n<p><b>Ramiro Naka (RN):<\/b> N\u00e3o sou um dos rostos\u2026 eu fa\u00e7o parte daquela fam\u00edlia humilde da arte que \u00e9 uma das grandes riqueza da Guin\u00e9-Bissau. Ent\u00e3o \u00e9 com muito grado que sempre estou dispon\u00edvel para representar este pa\u00eds em quaisquer circunst\u00e2ncias. \u00c9 por isso que poucas pessoas conseguiram compreender o porque organizei o festival no per\u00edodo do conflito na Guin\u00e9-Bissau, bem como o movimento art\u00edstico e a manifesta\u00e7\u00f5es nos per\u00edodos dif\u00edceis.<\/p>\n<p>Confesso que tenho uma d\u00edvida moral com este pa\u00eds. Porque sou Gomes Dias Ramiro Naka, nasci em Sonaco. O meu pai era funcion\u00e1rio naquele sector da Regi\u00e3o de Gab\u00fa, por isso tive a oportunidade de viajar pelas diferentes zonas da regi\u00e3o. No entanto, isso permitiu-me conhecer de perto a cultura deste povo. Eu sinto uma obriga\u00e7\u00e3o de trabalhar para a divulga\u00e7\u00e3o da minha cultura no mundo fora.<\/p>\n<p>Para falar do percurso de uma artista de 60 anos de idade, que desde aos 15, j\u00e1 andava a cantar, portanto sem contar com as passagens inconscientes. Para mim todo o homem \u00e9 artista e agora o que conta \u00e9 aquele que tiver mais sorte e a oportunidade de continuar a desenvolver a sua arte. Por isso mesmo, eu n\u00e3o me considero um artista de n\u00edvel superior e no meu entender a sorte esteve do meu lado e a oportunidade que soube muito bem aproveitar.<\/p>\n<p>Sa\u00ed de Sonaco e passei por v\u00e1rias grandes cidades do pa\u00eds e at\u00e9 que vim parar em Bissau. Aqui, naquela altura, era da orquestra musical, Cobiana Jazz, do qual todos os jovens da minha idade queriam fazer parte para cantar. Eu tinha um colega de nome Cipis e o Malafi j\u00e1 falecidos e juntamente com outros tentamos fazer o nosso grupo musical que denominamos de \u201cPanterra Guineus\u201d, onde fazia parte outros m\u00fasicos. Ent\u00e3o foi a partir deste momento que nos convidaram para formar o grupo musical &#8220;N&#8217;kassa Cobra\u201d.<\/p>\n<p><b>OD: Qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre Ramiro de sal\u00e3o de luxo, ou seja, da Orquestra \u201cNkassa Cobra\u201de de Ramiro de hoje?<\/b><\/p>\n<p><i><b>RN<\/b><\/i>: N\u00e3o existe nenhuma diferen\u00e7a o Ramiro do Sal\u00e3o de Luxo e o de hoje, porque sou a mesma pessoa e mesmo artista. O certo \u00e9 que a vida tem v\u00e1rias etapas que cada pessoa passa. Quando eu fui para \u201cN&#8217;Kassa Cobra\u201d, era quem cumpunha as m\u00fasicas do meu anterior grupo \u201cPanterra Guineus\u201d.<\/p>\n<p>At\u00e9 eu dava instru\u00e7\u00f5es aos meus colegas como deveriam cantar ou tocar a guitarra, mas isso \u00e9 a coragem de Ramiro e a paix\u00e3o que tinha na viola, ou melhor, na m\u00fasica em geral. Toc\u00e1vamos aquelas \u201cnotas dublos\u201d da maneira inconsciente. Portanto, de acordo com a sua pergunta, o que faz a diefern\u00e7a \u00e9 que houve uma evolu\u00e7\u00e3o. Antes de entrar no mundo da m\u00fasica de uma forma s\u00e9ria, j\u00e1 t\u00ednha descobrido a melodia da minha voz atrav\u00e9s das cantigas que cantav\u00e1mos no fanado. O primeiro concurso de cantiga de fanado fora gravado na r\u00e1dio e a\u00ed mostravamos uma verdadeira pax\u00e3o pela m\u00fasica.<\/p>\n<p><b>OD: O que \u00e9 que essa gera\u00e7\u00e3o tinha de diferente, em rela\u00e7\u00e3o a m\u00fasica de ent\u00e3o e a da gera\u00e7\u00e3o de hoje?<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: A diferen\u00e7a que temos \u00e9 a uni\u00e3o. A nossa gera\u00e7\u00e3o era mais unida e faziamos tudo por amor e sentiamos uma paix\u00e3o pela m\u00fasica. A nossa gera\u00e7\u00e3o tinha uma ideologia clara que \u00e9 preciso a uni\u00e3o para fazer funcionar as coisas. Para n\u00f3s o conjunto \u00e9 muito importante e davamos tudo para mantermo-nos unidos no conjunto, o que para n\u00f3s era uma escola. Agora a nova gera\u00e7\u00e3o \u00e9 a escola da rua, por isso est\u00e3o t\u00e3o perdidos. A gera\u00e7\u00e3o actual, como toda gente sabe, todos querem fazer s\u00f3zinhos e sem nenhum enquadramento.<\/p>\n<p><b>OD: Pode contar-nos a experi\u00eancia do festival do Est\u00e1dio Lino Correia que se transformou numa concorr\u00eancia entre Ramiro Naka de N&#8217;Kassa Cobra e Mama Djombo?<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: Quero lembrar que o grupo \u201cN&#8217;Kassa Cobra\u201d n\u00e3o era rival de Mama Djombo e nem de Kapa Negra, porque a orquestra N\u00b4Kassa Cobra lan\u00e7ou-se depois das outras. A nossa competi\u00e7\u00e3o naquele tempo era muito bonita, ali\u00e1s, lembro-me que era uma competi\u00e7\u00e3o de bairro contra bairro. Infelizmente o Nkassa Cobra n\u00e3o conseguiu ganhar nenhum festival, mas teve grande presen\u00e7a que foi sentida por todos.<\/p>\n<p>O que era interessante naquela \u00e9poca \u00e9 que era uma competi\u00e7\u00e3o com certa harmonia, mas agora \u00e9 diferente. Estamos numa situa\u00e7\u00e3o que nem mesmo os artistas se compreendem. E como se sabe antigamente n\u00e3o tocavamos por dinheiro e nem t\u00ednhamos televis\u00e3o &#8211; filmar e depois passar ao p\u00fablico. N\u00f3s toc\u00e1vamos pela vontade e o prazer. T\u00ednhamos o gosto de praticar ou fazer aquilo que gostavamos e sab\u00edamos fazer.<\/p>\n<p><b>OD: Diz-se que a gera\u00e7\u00e3o de Justino, Manecas e entre outros nasceu por vossa causa, ou seja, \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o que se inspirou no vosso talento. \u00c9 verdade que \u00e9 assim?<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: Sim, \u00e9 verdade e eles t\u00eam consci\u00eancia disso. Eles pr\u00f3prios t\u00eam muito respeito por n\u00f3s e eu tamb\u00e9m tenho muito respeito por eles. Eu lembro-me que n\u00f3s e mais colegas de outras orquestras imitavamos o grupo \u201cCobiana Jazz\u201d at\u00e9 consiguirmos criar o nosso pr\u00f3prio grupo musical. Manecas e Justino, brincamos at\u00e9 agora disso, ali\u00e1s, recordo que o Manecas na altura, n\u00e3o podia carregar uma viola. Estes acabaram por criar um grupo denominado \u201cAfrica Livre\u201d e ali tinha espa\u00e7o para cada um fazer aquilo que sabia para ajudar o grupo.<\/p>\n<p><b>OD: H\u00e1 quem diga que a cultura guineense estava muito bem representada naquela altura. Algumas vozes alegam que a nossa cultura est\u00e1 amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o. Quer fazer um coment\u00e1rio sobre isso?<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: Sim, a nossa cultura estava muito bem representada naquela altura. A cultura guineese n\u00e3o est\u00e1 amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, porque os artistas continuam a trabalhar para levar a boa imagem do pa\u00eds no mundo fora. A arte \u00e9 um dos grandes valores que a Guin\u00e9 tem, portanto \u00e9 a \u00fanica coisa est\u00e1vel que existe neste pa\u00eds. Mas temos que ter a consci\u00eancia que a instabilidade pol\u00edtica nacional, financeira e comercial prejudicam muito e muito a arte.<\/p>\n<p>N\u00e3o pode imaginar que um pa\u00eds que vive h\u00e1 40 anos numa instabilidade pol\u00edtica, econ\u00f3mica e financeira, como ser\u00e3o os trabalhos dos artistas. Por isso \u00e9 que nenhum artista consegue ter uma estrutura muito bem organizada no nosso pa\u00eds. \u00c9 por causa dessa situa\u00e7\u00e3o que a competi\u00e7\u00e3o interna entre os artista se torna mais renhida e at\u00e9 ao extremo, porque os mais novos poder\u00e3o pensar que os mais velhos impedem-lhes de ganhar ou obter mais sucessos.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a raz\u00e3o que me levou a pensar numa reforma na minha carreira, portanto aproveito essa ocasi\u00e3o para aconselhar os artistas da minha idade a deixarem de tocar nos locais p\u00fablicos, de forma a deixar os espa\u00e7os para os mais jovens. Imagina que os emigrantes em Fran\u00e7a que ganham mensalmente dois mil euros, n\u00e3o compram o meu disco. Os dos Estados Unidos de Am\u00e9rica tamb\u00e9m t\u00eam dificuldade em comprar o meu disco.<\/p>\n<p>Quem comprar\u00e1 o meu disco aqui na Guin\u00e9-Bissau e com toda essa dificuldade financeira? E por isso \u00e9 que eu aconselho os mais jovens para apostarem no trabalho de grupo, ou seja, que voltem a organizar-se em orquestras e ali poder\u00e3o obter mais sucesso na carreira.<\/p>\n<p><b>OD: Lembra-se de alguns nomes sonantes dos m\u00fasicos de diferentes grupos?<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: Eu lembro-me ainda de v\u00e1rios nomes sonantes de toda essa fam\u00edlia de artistas, porque \u00e9 a nossa vida. E lembro-me ainda dos grandes momentos. Uma vez ia ver o grupo \u201cCobiana Jazz\u201d e o Rui Neves, que era um dos patr\u00f5es desse grupo, deitou-nos um balde de \u00e1gua. Recordo tamb\u00e9m de Gon\u00e7alo que foi um dos criadores da orquestra \u201cMama Djombo\u201d e do Taborda.<\/p>\n<p>Gon\u00e7alo era uma pessoa de grande experi\u00eancia neste sector naquela altura. Ele (Gon\u00e7alo) fora convidado pela sua tia de nome Obiara para o grupo \u201cChave de Ouro\u201d ou Kassa Djass, ent\u00e3o foi assim que o Gon\u00e7alo me convidou e eu vim com o Pukurusso e o falecido Zeca Garcia. Convidaram-nos um dia para apresentarmo-nos no concerto de grupo \u201cKapa Negra\u201d. Isso era uma grande oportunidade para n\u00f3s, porque aquele grupo j\u00e1 se tinha afirmado junto do p\u00fablico. Uma coisa tamb\u00e9m que eu queria lembrar aqui \u00e9 que o senhor Adriano Ferreira (Atchutchi) antes de se ingressar no Mama Djombo deu voltas a Bissau para ver os grupos e at\u00e9 foi ter connosco, no &#8220;N&#8217;Kassa Cobra\u201d, porque tinhamos valores com futuro para afirmarmo-nos no mundo da m\u00fasica.<\/p>\n<p>O Atchutchi tinha ideias ou ent\u00e3o can\u00e7\u00f5es para fazer impulsionar o N\u00b4Kassa Cobra, mas viu que o grupo era muito indisciplinado, raz\u00e3o pela qual acabou por ir parar ao Mama Djombo e a grande verdade \u00e9 que conseguiu inserir-se e muito bem naquele grupo.<\/p>\n<p><b>OD: Quantos albuns o Ramiro Naka j\u00e1 editou no mercado?<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: Quero esclarecer uma coisa que acho muito interessante. N\u00e3o fa\u00e7o discos para a competi\u00e7\u00e3o. Fiz o \u00faltimo disco em 2008\/2009, intitulado \u201cGumb\u00e9 Plus Crioulo\u201d. A partir dali n\u00e3o fiz mais nada, porque n\u00e3o tenho mais novidades para cantar. S\u00f3 agora, nos dois \u00faltimos anos \u00e9 que consegui uma outra ideia e tive que afinar a viola.<\/p>\n<p>\u00c9 importante termos em mente que s\u00f3zinho \u00e9 muito dificil conseguirmos andar, por isso \u00e9 que na m\u00fasica se conta com \u201cManager\u201d que \u00e9 algu\u00e9m que orienta o m\u00fasico nos seus trabalhos. Estou aqui para concentrar-me no meu trabalho, \u00e9 que, tendo em conta a minha idade, estarei um pouco limitado agora.<\/p>\n<p>Voc\u00eas sabem que fui professor na escola central, portanto n\u00e3o vou cansar-me de falar com os mais novos nesta \u00e1rea, porque \u00e9 a \u00fanica coisa que eu posso oferecer. Tenho uma d\u00edvida moral com esta terra e com a minha cultura. Ali\u00e1s, uma das raz\u00f5es que me levou a comprar este espa\u00e7o \u00e9 para fazer um filme com o cineasta Flora Gomes para contar a hist\u00f3ria da minha terra e ganhar muito dinheiro.<\/p>\n<p><b>OD: Qual \u00e9 exactamente o n\u00famero de discos produzidos por Ramiro Naka?<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: Relativamente aos n\u00fameros de discos editados, tenho muitos discos e vou lembrar-lhe de alguns, como &#8220;Matchu Lel\u00e9&#8221;, depois &#8220;Fanta Man\u00e9&#8221;, tenho ainda &#8220;Nb\u00e1 Luta&#8221;. S\u00e3o muitos os discos que editei no mercado. Tamb\u00e9m lembro-me do disco &#8220;Tchon Tchoman&#8221; que \u00e9 um disco produzido pelo produtor do grande m\u00fasico Bob Marley. Por isso mesmo \u00e9 que essa m\u00fasica de Tchon Tchoman e de &#8220;Chofer Latch&#8221; ganharam muita propor\u00e7\u00e3o no mercado. Na altura eu estava no momento e raz\u00e3o pela qual trabalharam comigo e puseram o trabalho no mercado mundial, por isso ganhou muita fama.<\/p>\n<p>Considero a m\u00fasica \u201cTchon Tchoman\u201d como um patrim\u00f3nio de todos os guineenses. \u00c9 uma m\u00fasica que projectou a imagem da Guin\u00e9 para o mundo fora. N\u00e3o porque \u00e9 a m\u00fasica do Ramiro, mas muita gente pode testemunhar o que estou a dizer, tanto os que estavam na Guin\u00e9 bem como os que se encontravam no exterior, quando a m\u00fasica foi editada no mercado.<\/p>\n<p>Lembro-me que gravei algumas m\u00fasicas com \u201cSaba Minhanba\u201d, como tamb\u00e9m gravei outras m\u00fasicas com alguns artistas.<\/p>\n<p><b>OD: Saba Minhamba era visto como o opositor do regime do Presidente Lu\u00eds Cabral naquela altura. Pode falar-nos um pouco de Saba Minhamba?<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: Naqueles tempos, bastava pensar diferente para ser considerado logo de opositor. E como defendemos na altura que a Democracia era a troca de ideias, fomos considerados de opositores ao regime.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que na altura est\u00e1vamos a desmascarar aquilo que se passava na Guin\u00e9-Bissau atrav\u00e9s das grandes composi\u00e7\u00f5es musicais de Jorge Medina, tais como: Kin kon bida, rabu di Padja, entre outros.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o era nada f\u00e1cil naquela altura, mas acredit\u00e1vamos que est\u00e1vamos a fazer o nosso trabalho em prol do povo guineense. Como sabem, voc\u00eas actualmente t\u00eam um papel muito importante a desempenhar nesta sociedade no sentido de formar e informar a sociedade.<\/p>\n<p><b>OD: No conjunto das m\u00fasicas editadas por Ramiro Naka, qual \u00e9 a m\u00fasica que mais marcou a sua carreira, ou seja, que o projectou para o mercado internacional?<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: Confesso que \u00e9 dif\u00edcil dizer\u2026 porque, como sabe, um pai gosta de todos os seus filhos. Em cada passagem da minha vida tive per\u00edodos diferentes que me marcara. No entanto, as coisas mais marcantes aconteceram quando era mais novo e tudo aquilo que fizemos naquela \u00e9poca marcou-me muito.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que fizemos uma m\u00fasica \u201cNen\u00e9 Tuti\/Naka \u2013 Lembra tempu di Nkassa Cobra\u201d. E produzimos quatro volumes, mas apenas saiu um. O per\u00edodo que mais me marcou foi o in\u00edcio da minha carreira musical. N\u00e3o \u00e9 agora que tenho meios para comprar uma guitarra ou instrumentos musicais. Naquele per\u00edodo em que est\u00e1vamos a iniciar a carreira, era muito dif\u00edcil. Era um momento em que lut\u00e1vamos para erguermo-nos e conseguir uma afirma\u00e7\u00e3o no mundo da m\u00fasica.<\/p>\n<p>Tive que trabalhar ali na esta\u00e7\u00e3o de venda de combust\u00edveis para poder comprar uma viola e foi o meu pai que me tirou dali. Em Fran\u00e7a eu tive que tocar no metro para pedir caridade para comer e comprar os instrumentos musicais.<\/p>\n<p><b>OD: \u201cTchon Tchoman\u201d\u00e9 a m\u00fasica mais conhecida de Ramiro Naka. Confirma que \u00e9 a m\u00fasica que levou o Ramiro ao mercado internacional?<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: A m\u00fasica \u201cTchon Tchoman\u201d de facto \u00e9 a mais conhecida, mas todas as minhas m\u00fasicas s\u00e3o importantes para mim. Mas \u00e9 muito importante a promo\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas dos cantores nacionais nos \u00f3rg\u00e3os da comunica\u00e7\u00e3o social, por isso acho que esse \u00e9 o vosso trabalho: ajudar na duvulga\u00e7\u00e3o da cultura guineense. Ali\u00e1s, as pessoas da minha gera\u00e7\u00e3o preferem as m\u00fasicas antigas e, sobretudo \u00e0quelas do tempo de N\u00b4Kassa Cobra.<\/p>\n<p><b>OD: Como v\u00ea a m\u00fasica hoje na Guin\u00e9-Bissau? H\u00e1 quem diga que as m\u00fasicas hoje fazem muito barulho e n\u00e3o se toca nada.<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: A m\u00fasica da Guin\u00e9 est\u00e1 bem. A verdade \u00e9 que n\u00e3o se toca nada, porque n\u00e3o t\u00eam orquestras para tocar e fazer vibrar o p\u00fablico. O grande problema \u00e9 a nova gera\u00e7\u00e3o que eu considero a gera\u00e7\u00e3o do barulho, porque tentam fazer aquilo que ouvem, vindo de fora.<\/p>\n<p>Outro problema \u00e9 que alguns m\u00fasicos tentam imitar outros artistas de fora, sem no entanto, preocupar-se em mostrar ou explorar aquilo que t\u00eam dentro para transmitir ao mundo. A m\u00fasica que me deu de comer, ou seja, que salvou o Ramiro Naka \u00e9 aquela m\u00fasica que intitulei de \u201cNdul\u00e9 \u2013 Ndul\u00e9\u201d.<\/p>\n<p>Eu fiz essa can\u00e7\u00e3o com a minha filha e at\u00e9 participamos num festival em It\u00e1lia para apresentar essa m\u00fasica. Para os ocidentais, o \u2018Gumb\u00e9\u2019 \u00e9 orginal, por isso gostam do nosso estilo. Mas outras m\u00fasicas como aquelas tocadas pelo \u201cKassav\u201d, eles j\u00e1 se habituaram a ouvi-las, por isso preferem o estilo mais africano.<\/p>\n<p><b>OD: Como veterano e m\u00fasico reconhecido internacionalmente que conselho d\u00e1 aos mais novos?<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: Aconselho-os para apostarem na m\u00fasica tradicional, porque tamb\u00e9m com a m\u00fasica tradicional, ou melhor, a m\u00fasica da Guin\u00e9-Bissau se pode conquistar o mercado europeu. As outras m\u00fasicas que os jovens de hoje tocam, e a verdade \u00e9 que se tocam muito nas discotecas, corre-se o risco de ver o disco ser comprado pelos frequentadores das discotecas e apenas para dan\u00e7arem.<\/p>\n<p>Naqueles tempos sentia-me muito triste, porque as minhas m\u00fasicas n\u00e3o tocavam nas discotecas e nem os guineenses ouviam-nas. Mais tarde percebi que tinha uma sorte e que os \u2018brancos\u2019 gostavam muito das m\u00fasicas tradicionais que eu tocava, sobretudo a mistura de \u2018Gumb\u00e9 Plus Crioulo\u2019. Consegui afirmar-me internacionalmente e ganhar a minha vida junto dos brancos e sem fazer barrulho, apenas apostando nos ritmos tradicionais africanos. Acho que os jovens da nova gera\u00e7\u00e3o ainda podem aproveitar muito a nossa cultura e em particular os ritmos africanos para compor m\u00fasicas e apresent\u00e1-las ao mundo.<\/p>\n<p><b>OD: O pa\u00eds conta j\u00e1 com 42 anos da independ\u00eancia e at\u00e9 agora os homens da cultura continuam a enfrentar enormes dificuldades nos seus trabalhos. N\u00e3o acha que \u00e9 urgente definir uma pol\u00edtica da cultura na Guin\u00e9-Bissau?<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: \u00c9 necess\u00e1rio definir uma pol\u00edtica de artistas, ou melhor, da cultura sem a interven\u00e7\u00e3o de Estado. Devemos voltar a trabalhar em conjunto atrav\u00e9s das orquestras como nos tempos passados e para isso n\u00e3o \u00e9 preciso a interven\u00e7\u00e3o do Estado. Naquela \u00e9poca faziamos tudo sozinhos, mas conseguimos projectar a boa imagem da cultura dos guineenses e do pr\u00f3prio pa\u00eds ao mundo.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que criamos um espa\u00e7o cultural denominado de \u201cNaka Espa\u00e7o Cultural\u201d. E atrav\u00e9s da \u2018Funda\u00e7\u00e3o Naka\u2019 podemos disponibilizar o espa\u00e7o para apoiar os cantores que queiram utiliz\u00e1-lo para os concertos.<\/p>\n<p>Cada artista que se interessar em fazer parte da organiza\u00e7\u00e3o, ter\u00e1 que cumprir com as obriga\u00e7\u00f5es que \u00e9 de pagar as quotas fixadas para o fundo da organiza\u00e7\u00e3o. Podemos dispensar os equipamentos para o ensaio aos inscritos e que cumpram com as suas obriga\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo podemos dispensar material para gravar.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s n\u00e3o \u00e9 o Estado quem vai arrumar todo o problema dos artistas, ou ent\u00e3o, resolver toda as dificuldades que os homens da cultura enfrentam. O Estado est\u00e1 na fase da aprendizagem da democracia e, ali\u00e1s, como se sabe, o nosso Estado \u00e9 como uma crian\u00e7a que est\u00e1 a tentar erguer-se para aprender a dar os primeiros passos. O Estado depara-se com problemas de fome para se auto-sustentar, portanto ser\u00e1 que podemos esperar deste alguma coisa?! N\u00f3s \u00e9 que temos que nos levantar para lutar e defender a nossa cultura, bem como trabalhar com suor para projectar a cultura guineense para o mundo fora.<\/p>\n<p><b>OD: Havia muitas bandas m\u00fasicas depois da independ\u00eancia, mas agora apenas h\u00e1 uma \u00fanica banda musical que \u00e9 o Tabanka Djazz. Como \u00e9 que explica isso?<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: Porque naquela altura havia m\u00ednimas condi\u00e7\u00f5es para trabalhar em grupo e fazer um bom trabalho. Agora a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil e as pessoas est\u00e3o sem sal\u00e1rios para garantir a sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Quanto a n\u00f3s, vamos tentar voltar \u00e0s bandas atrav\u00e9s da iniciativa \u201cNaka \u2013 Nkassa Cobra\u201d. Para fazer uma banda \u00e9 preciso ter um espa\u00e7o apropriado para ensaios e acima de tudo s\u00e3o precisas certas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Uma orquestra \u00e9 como uma empresa e cada artista \u00e9 chefe da empresa. \u00c9 preciso termos a capacidade t\u00e9cnica de trabalho e financeira para n\u00e3o contrairmos d\u00edvidas com os empregados. Sem essas condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e financeiras \u00e9 dificil fazer uma banda funcionar, porque a ra\u00e7a crioula \u00e9 muito inteligente e ningu\u00e9m deixa para outro. Se se come\u00e7ar com uma iniciativa de banda por exemplo, come\u00e7a-se logo a pensar em quem vai guardar o dinheiro do grupo.<\/p>\n<p><b>OD: Essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o aconteceu com a N\u00b4Kassa Cobra, Mama Djombo e outros. Ser\u00e1 que essa gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria capaz de organizar-se em grupo?<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: Essa gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 capaz de fazer isso, porque s\u00e3o inteligentes todos e mais, toda gente quer ganhar dinheiro rapidamente. \u00c9 trabalhar com eles e mostrar a vantagem de trabalhar em grupo. \u00c9 preciso trabalhar com a nova gera\u00e7\u00e3o bem como aconselh\u00e1-los a prosseguir com a forma\u00e7\u00e3o para terem uma profiss\u00e3o, quando deixarem de cantar.<\/p>\n<p>Quando eu era jovem e um amigo norte-americano me perguntou o que \u00e9 que fazia, al\u00e9m de cantar,pediu-me para ser dan\u00e7arino, porque entende que tenho f\u00edsico para ser dan\u00e7arino. Eu n\u00e3o queria dan\u00e7ar, mas foi a partir dali que tomei a iniciativa de ir para Sporting Clube de Portugal.<\/p>\n<p>Ingressei no Sporting como atleta e corria 100 metros em doze segundos. Ficaram impressionados comigo porque naquela altura o record de mundo (1976) de 100 metros era de onze segundos. Corri pelo Sporting e consegui o record de doze segundos e at\u00e9 peguntaram-me do meu Clube na Guin\u00e9. Eu tinha que correr pelo Sporting a fim de ajudar na minha sobriviv\u00eancia e com isso ganhava alguma coisa, inlcuindo a senha para a cantina e transportes e a noite eu ia tocar.<\/p>\n<p><b>OD: Toda gente que cantava aqui no pa\u00eds pela independ\u00eancia de repente saiu daqui para Portugal. Voltaram com outra imagem. O que vos levou a jun-tarem-se em &#8220;Saba Miniamba&#8221; em Lisboa?<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: A nostalgia e a saudade&#8230; porque \u00e9ramos de grupos diferentes como se sabe. Eu pertencia ao agrupamento N&#8217;Kassa Kobra, Sid\u00f3nio Pa\u00eds era de Kapa Negra, Medina de Mama Djombo. Ent\u00e3o, havia uma necessidade, na \u00e9poca, porque a Guin\u00e9-Bissau n\u00e3o tinha nenhuma representa\u00e7\u00e3o em termos da m\u00fasica em Lisboa, s\u00f3 tinha senhor Bana. E todos os filhos de Guin\u00e9 identificavam-se como cabo-verdianos.<\/p>\n<p>Temos filhos de origem cabo-verdiana que nasceram aqui com todo respeito e com muita honra e somos irm\u00e3os, mas os guineenses precisavam de manter a sua pr\u00f3pria identidade. Foi nessa circunst\u00e2ncia que &#8220;Saba Miniamba&#8221; foi-me buscar para organizarmo-nos num grupo, para criticar as m\u00e1s pol\u00edticas dos governantes, assim como defender a imagem do pa\u00eds em Portugal.<\/p>\n<p><b>OD: Quando se deu o golpe do Estado em 14 de Novembro de 1980 j\u00e1 estava em Paris, pensava na altura que a vit\u00f3ria tinha sido conseguida?<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: Era uma esperan\u00e7a&#8230;a Guin\u00e9 merecia ter uma outra cara. Na altura pensamos que j\u00e1 est\u00e1vamos em boas m\u00e3os. \u00c9 por isso que no fim da hist\u00f3ria ficamos com muita tristeza, tudo por culpa dessa humilha\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e0 uma na\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m como estou na fam\u00edlia de arte n\u00e3o conheci muito dos nossos pol\u00edticos.<\/p>\n<p><b>OD: Como \u00e9 que v\u00ea a participa\u00e7\u00e3o dos grandes artistas nas campanhas eleitorais, apoiando os pol\u00edticos?<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: Creio que n\u00e3o posso julg\u00e1-los, porque t\u00eam fome. Se algu\u00e9m me solicitasse para fazer campanha eleitoral faria algumas exig\u00eancias. Diria ao pol\u00edtico que, como j\u00e1 tem casas e quer ser Presidente da Rep\u00fablica, ent\u00e3o pediria a chave de uma casa e s\u00f3 depois disso \u00e9 que faria a campanha eleitoral pelo pol\u00edtico.<\/p>\n<p><b>OD: Qual \u00e9 o crit\u00e9rio para ser m\u00fasico na Guin\u00e9-Bissau?<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p><b>RN:<\/b> Basta ter umas cal\u00e7as bonitas e poemas. Houve um rapaz que me diz que quer cantar, porque tem duas poesias. Mas n\u00e3o tive tempo para lhe explicar que no Kobiana Djaz, havia muitas pessoas que n\u00e3o estavam no anonimato, mas que escreviam para os outros elementos do grupo como Z\u00e9 Calos e Aliu Bari cantarem. Na verdade, tive muita sorte. Para ser artista, precisas ter pessoas que trabalham com seriedade em diferentes \u00e1reas que comp\u00f5em a vida musical. Uma pessoa que consegue gerir a sua fam\u00edlia, pode ser-lhe confiada um grupo. Mas aqui h\u00e1 gentes que nem sabem gerir a sua fam\u00edlia e dirigem grupos at\u00e9 mesmo o governo.<\/p>\n<p><b>OD: Ramiro qual \u00e9 o futuro da m\u00fasica guineense no mundo?<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: O futuro da m\u00fasica guineense est\u00e1 nas m\u00e3os dos jovens.<\/p>\n<p><b>OD: J\u00e1 pensou em fazer algo para transformar o pa\u00eds ou pelo menos cidade de Cacheu numa rota da cultura?<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: \u00c9 muito dif\u00edcil, porque eu j\u00e1 tomei uma iniciativa para construir uma casa da cultura aqui em Bissau e outra no Ilh\u00e9u do Rei. Acho que cada um m\u00fasico deve formar um pequeno conjunto ou associa\u00e7\u00f5es musicais nos seus bairros, mas com uma estrutura. O Estado tem fome, dentro do estado h\u00e1 pessoas que n\u00e3o conseguem gerir as suas casas e por conseguinte n\u00e3o podem gerir a cultura, isto \u00e9 uma realidade. Cada vez que mudamos de governo, entra uma equipa que tem fome, por isso, as vezes penso que a solu\u00e7\u00e3o seria manter a equipa que j\u00e1 roubou.<\/p>\n<p><b>OD: N\u00e3o acha que era bom Ramiro Naka, Z\u00e9 Manel, Atchutchi e outros veteranos juntarem-se em prol do desenvolvimento da nossa cultura?<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: N\u00e3o iria funcionar, porque n\u00e3o se pode misturar o Benfica e o Sporting, de um dia para outro, claro n\u00e3o funcionaria. O que pode funcionar \u00e9 o Benfica organizar-se bem e o Sporting preocupar-se-ia em se organizar melhor que o Benfica!<\/p>\n<p><b>OD: Acha que a m\u00fasica nacional pode chegar a topo mundial onde est\u00e1 a Kizomba hoje?<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p><b>RN:<\/b> N\u00e3o&#8230; porque mesmo o nosso pa\u00eds faz a promo\u00e7\u00e3o da m\u00fasica Kizomba. E Angola paga para divulgar a Kizomba e n\u00f3s aqui que nem conseguimos pagar aos nossos empregados. Tenho um cinvite do Brasil para levar quatro, cinco at\u00e9 seis artistas. A cultura deveria dar-me somente os bilhetes, mas n\u00e3o pode.<\/p>\n<p><b>OD: O que \u00e9 que Naka faz al\u00e9m da m\u00fasica actualmente?<\/b><\/p>\n<p><b>RN<\/b>: Quando estou cansado de fazer m\u00fasica ou de ensaiar, pinto. Se n\u00e3o for a pintura fa\u00e7o cinema ou teatro. Ainda gosto muito de escrever. Estamos a produzir muitos livros, tamb\u00e9m a minha actividade matinal \u00e9 o desporto, ou seja, a primeira coisa que fa\u00e7o ao levantar-me, mas o est\u00fadio consome uma boa parte do meu tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por: Assana Samb\u00fa\/Sene Camar\u00e1<\/p>\n<p>Fotos: Marcelo N&#8217;Canha\u00a0Na Ritche<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O conceituado m\u00fasico internacional, Ramiro Naka, pediu aos jovens artistas da nova gera\u00e7\u00e3o a apostarem na m\u00fasica tradicional para assim&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":7053,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,27],"tags":[],"class_list":["post-7086","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-inicio","category-cultura","wpcat-6-id","wpcat-27-id"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - 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