O antigo Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, apelou aos militares que prestaram serviço na Presidência da República, bem como aos seus colaboradores, para que devolvam às novas autoridades as armas e os bens que se encontram na sua posse.
“Dirigimo-nos particularmente àqueles que, durante o período em que desempenharam as suas funções junto do Palácio da República, tenham levado consigo, por orientação superior, por necessidade de serviço ou por qualquer outra circunstância, bens, equipamentos, materiais, objetos, documentos ou outros meios pertencentes ao património presidencial ou que lhes tenham sido confiados para o exercício das suas funções. Apelamos a todos para que identifiquem e devolvam integralmente esses bens às novas autoridades competentes”, afirmou o ex-Chefe de Estado, esta quinta-feira, 9 de outubro de 2026, através de uma mensagem publicada na sua página oficial nas redes sociais, consultada pela redação do jornal O Democrata.
Na mensagem dirigida aos agentes, oficiais superiores e subalternos, bem como aos membros civis e militares do antigo Corpo de Segurança e Defesa do Palácio da República, com quem trabalhou durante o exercício das suas funções, Sissoco Embaló sublinhou que o seu apelo não deve ser entendido como uma acusação a quem quer que seja.
Contudo, frisou que se trata, acima de tudo, de “um apelo à responsabilidade, à transparência, ao respeito pelo património do Estado e ao cumprimento das nossas obrigações perante a República”.
“Ao devolvermos aquilo que nos foi confiado, demonstramos que, apesar das diferenças e das circunstâncias que o país atravessa, continuamos comprometidos com a preservação das instituições, da paz e da dignidade nacional”, declarou.
“Vocês são patriotas. Juraram servir e defender a Pátria”, afirmou, apelando, de seguida, à serenidade, à disciplina e ao sentido de Estado dos militares com quem trabalhou no Palácio Presidencial.
Nesse sentido, aconselhou-os a “acatarem as orientações das autoridades competentes, cumprirem as instruções e decisões institucionais e continuarem a desempenhar o seu dever com responsabilidade e respeito pelas instituições”.
Sissoco Embaló lança apelo à unidade e à reconciliação nacional
Umaro Sissoco Embaló dirigiu igualmente uma mensagem aos seus apoiantes e simpatizantes, pedindo-lhes calma, prudência e contenção. Segundo o antigo Presidente, compreende que os acontecimentos recentes possam provocar emoções fortes, indignação e preocupação.
Contudo, apelou para que essas emoções não se transformem em palavras, gestos ou atos suscetíveis de dividir ainda mais os guineenses, ofender outros cidadãos ou alimentar conflitos.
“É tempo de baixar as tensões e elevar o sentido de responsabilidade”, advertiu.
“A Guiné-Bissau pertence a todos os seus filhos. Nenhuma divergência política deve transformar um guineense em inimigo de outro guineense. Precisamos de preservar os laços que nos unem, respeitar-nos mutuamente e criar condições para que as feridas sejam tratadas através do diálogo, da compreensão e da reconciliação”, afirmou.
Na mesma mensagem, acrescentou que a reconciliação não significa esquecer as diferenças, mas sim reconhecer que “a paz, a vida humana, a dignidade e a unidade nacional estão acima das nossas divergências”.
Por: Assana Sambú


















