A Liga Portugal manifestou disponibilidade para apoiar a capacitação de dirigentes desportivos guineenses e profissionais da imprensa desportiva nacional em diversas áreas ligadas à gestão e desenvolvimento do futebol. O acordo de cooperação, que deverá ser assinado antes do final do ano com a Liga Guineense dos Clubes de Futebol (LGCF), terá como áreas prioritárias a formação em direito desportivo, comunicação e marketing.
Além das ações de formação, a organização portuguesa compromete-se igualmente a prestar apoio institucional à sua congénere guineense, no âmbito do futuro protocolo de cooperação entre as duas entidades.
A informação foi avançada ao jornal O Democrata por Dembo Sissé, presidente de uma das alas da LGCF, durante uma entrevista telefónica concedida esta quarta-feira, a partir de Portugal, onde participou na primeira edição da Feira da Indústria do Futebol e do Desporto (EXPOFUT), realizada nos dias 14 e 15 de outubro, na Arena Liga Portugal, no Porto.
“O acordo que vamos assinar com a Liga Portugal incide essencialmente sobre formação e apoio institucional. Embora existam muitas necessidades, entendemos que a prioridade deve ser a capacitação dos recursos humanos”, afirmou Sissé.
Segundo o dirigente, recebeu garantias do presidente da Liga Portugal, Reinaldo Teixeira, de que os dirigentes guineenses poderão beneficiar gratuitamente de formações em Portugal, sempre que existam vagas disponíveis.
“Em 2024, no âmbito da parceria com a Liga Portugal, tivemos acesso a uma formação de pós-graduação em Direito Desportivo. Neste momento, existe disponibilidade para apoiar formações ao nível da licenciatura, pós-graduação e doutoramento nas áreas de comunicação, marketing e direito desportivo. A Liga mantém igualmente parcerias com várias universidades portuguesas”, explicou.
REINALDO TEIXEIRA DESTACA LIGAÇÃO À GUINÉ-BISSAU
Dembo Sissé revelou ainda que Reinaldo Teixeira mantém uma relação próxima com a Guiné-Bissau e já visitou o país em duas ocasiões.
Uma dessas visitas ocorreu durante a presidência de Kumba Ialá, no âmbito de uma iniciativa da Câmara Municipal de Loulé. Segundo Sissé, a autarquia portuguesa ofereceu medicamentos ao Hospital de Bissorã, na região de Oio.
“Ele transmitiu-nos que tem uma especial sensibilidade pela Guiné-Bissau e que podemos contar com o seu apoio nesta dinâmica de mudança que pretendemos introduzir no futebol nacional”, referiu.
Questionado sobre a data da assinatura do acordo, Sissé evitou avançar um calendário concreto, alegando constrangimentos na agenda da Liga Portugal. Ainda assim, garantiu que o protocolo será formalizado antes do final do ano.
CRISE INSTITUCIONAL NA LGCF MANTÉM-SE
Dembo Sissé foi reeleito presidente da LGCF em agosto de 2025 para um mandato até 2029. Contudo, cerca de um mês depois, a Comissão de Governança, Auditoria e Conformidade da Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB) decidiu não reconhecer a direção por si liderada.
Na altura, a comissão justificou a decisão com alegadas irregularidades no processo eleitoral, incluindo falta de transparência, conflitos de interesse e incompatibilidades de cargos, fatores que, segundo o órgão, comprometiam os princípios de boa governação, integridade e independência institucional.
Na sequência dessa decisão, uma ala dissidente da LGCF convocou uma assembleia-geral extraordinária, ao abrigo da Deliberação n.º 02/2025 da Comissão de Governança da FFGB, durante a qual Rui da Silva foi eleito presidente da instituição.
Oito meses mais tarde, o Tribunal Regional de Bissau invalidou as deliberações que conduziram à eleição de Rui da Silva. Apesar da decisão judicial favorável a Dembo Sissé, a FFGB continua a reconhecer os órgãos sociais liderados por Rui da Silva.
Confrontado com esta situação, Sissé acusou o presidente da FFGB, Carlos Mendes Teixeira, conhecido por “Caíto”, de ser o principal responsável pela crise interna da Liga.
“A legitimidade da Liga não depende da aceitação ou não da Federação. Assenta nos seus estatutos, nas decisões judiciais e no trabalho que temos vindo a desenvolver junto dos clubes”, defendeu.
O dirigente garantiu que continuará a procurar parcerias e apoios para os clubes nacionais, independentemente da posição assumida pela federação.
CRÍTICAS À LIDERANÇA DA FFGB
Durante a entrevista, Sissé voltou a tecer críticas à atual direção da FFGB, considerando que Carlos Mendes Teixeira não reúne condições para continuar a dirigir o futebol nacional.
Acusou igualmente a federação de enfrentar dificuldades de gestão e alegou que a instituição atravessa constrangimentos decorrentes da má administração dos fundos disponibilizados pela FIFA.
Apesar das divergências, afirmou continuar a acreditar na justiça e manifestou confiança de que a decisão do Tribunal Regional de Bissau acabará por ser respeitada.
Por sua vez, Rui da Silva afirmou anteriormente que a direção que lidera não pretende comentar detalhadamente a decisão judicial enquanto não concluir os mecanismos legais de defesa previstos no processo.
Importa recordar que, em junho de 2024, Dembo Sissé retirou a sua candidatura à presidência da FFGB em favor de Carlos Mendes Teixeira. Na sequência dessa decisão, tomada poucos minutos antes da votação, Teixeira foi eleito com 36 votos, num universo de 42 votantes, num congresso marcado por forte controvérsia.
Por: Alison Cabral


















