Mais de metade da população guineense vive em zonas rurais, indica recenseamento

O Instituto Nacional de Estatística (INE) anunciou, esta quinta-feira, 23 de julho de 2026, que a Guiné-Bissau tem uma população de 2.191.202 habitantes, de acordo com os resultados preliminares do 4.º Recenseamento Geral da População e Habitação (RGPH-4).

Segundo os dados apresentados em Bissau, as mulheres representam 50,7% da população, enquanto os homens correspondem a 49,3%. A população rural constitui 54,3% do total de habitantes, ao passo que 45,7% residem em zonas urbanas.

Durante a cerimónia de apresentação dos resultados preliminares, o ministro da Economia, Plano e Integração Regional, Mamadú Mudjetaba Djaló, afirmou que os dados representam a primeira radiografia atualizada da população guineense desde a conclusão das fases de recolha, consolidação e validação inicial das informações estatísticas.

O governante salientou que, pela primeira vez em mais de 15 anos, o Estado dispõe de uma visão atualizada da distribuição da população no território nacional, o que permitirá orientar de forma mais eficaz as decisões de investimento, a afetação de recursos públicos e a definição das prioridades de desenvolvimento.

Mamadú Mudjetaba Djaló defendeu ainda que nenhuma política pública pode ser eficaz sem dados fiáveis sobre a população, destacando que os resultados do recenseamento servirão de base para o planeamento da rede escolar, dos serviços de saúde, da habitação, das infraestruturas e dos programas de proteção social.

Por sua vez, a representante residente do Banco Mundial na Guiné-Bissau, Rosa Brito, considerou que a divulgação dos resultados preliminares constitui um marco importante para o país, classificando o recenseamento como uma das operações estatísticas mais rigorosas realizadas na história nacional.

Segundo Rosa Brito, a falta de dados fiáveis dificulta o planeamento de políticas públicas e a construção de infraestruturas essenciais, como escolas, hospitais e centros de saúde. A responsável assegurou que o Banco Mundial continuará a apoiar o Governo guineense no reforço do sistema estatístico nacional e nos esforços para o desenvolvimento do país.

Já a representante residente do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) na Guiné-Bissau, Zalha Assoumana, afirmou que um recenseamento só tem verdadeiro valor quando os seus dados são fiáveis, precisos e cientificamente credíveis.

A responsável destacou que o rigor metodológico orientou todas as fases do processo e sublinhou que a consolidação e a depuração minuciosa das informações permitiram produzir dados estatísticos consistentes e confiáveis.

Zalha Assoumana acrescentou que os resultados apresentados vão além dos números, por refletirem as realidades da população e constituírem uma ferramenta estratégica para uma planificação mais eficaz, inclusiva e orientada para as necessidades do país.

Por seu lado, o presidente do Instituto Nacional de Estatística, Roberto Vieira, afirmou que os resultados preliminares representam muito mais do que números, salientando que todo o processo foi conduzido com rigor técnico, apesar dos diversos desafios enfrentados durante a operação censitária.

Roberto Vieira atribuiu o sucesso do recenseamento à colaboração da população guineense, que disponibilizou as informações necessárias para a produção de dados estatísticos fiáveis. O responsável agradeceu ainda aos técnicos, recenseadores, parceiros nacionais e internacionais e demais intervenientes pelo contributo prestado ao êxito da operação.

Por: Aguinaldo Ampa

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