O escritor, biólogo e pesquisador guineense Queita Embaló publicou a sua primeira obra literária, intitulada Reino de Gabú: Trama da Realeza Mandinga, editada pela Astrid. Com 134 páginas, o livro é dedicado ao Reino de Gabú, uma importante formação política e histórica da região, explorando aspetos relacionados com a realeza mandinga, a organização política, as relações de poder, a história, a cultura e os legados deixados por essa formação histórica.
A obra procura ainda estabelecer uma ponte entre história, identidade, memória e presente, contribuindo para o reconhecimento e valorização do património histórico e cultural da Guiné-Bissau.
“Com muita alegria, apresento Reino de Gabú: Trama da Realeza Mandinga, uma obra que nasce do desejo de pesquisar, registar e valorizar histórias, memórias e elementos da realeza mandinga ligados ao território do antigo Reino de Gabú”, escreveu o autor na sua página do Facebook.
Natural de Farim, na região de Oio, Queita Embaló realizou os estudos primários e secundários na sua terra natal antes de prosseguir a sua formação académica no exterior.
Biografia
Queita Embaló é licenciado em Ciências Biológicas pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), formação concluída em 2024. Atualmente, frequenta o mestrado em Ecologia e Recursos Naturais na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no Brasil.
A sua trajetória académica e profissional tem sido marcada pelo diálogo entre ciência, educação, literatura, cultura, memória histórica e valorização da identidade guineense. A sua atividade de investigação concentra-se nos impactos das espécies exóticas invasoras sobre os ecossistemas e os serviços ecossistémicos, tendo como um dos principais focos de estudo a espécie vegetal invasora Hedychium coronarium e os seus possíveis efeitos nos ambientes ripários e na qualidade dos recursos hídricos.
É também membro do grupo Amantes da Literatura, experiência que lhe permitiu aprofundar o contacto com a leitura, diferentes autores e diversas correntes literárias, além de fortalecer o seu interesse pela literatura nacional.
Foi nesse percurso que começou a refletir sobre uma questão que mais tarde se tornaria objeto de investigação: a existência de uma produção literária ainda relativamente reduzida entre autores nativos da Guiné-Bissau, quando comparada à riqueza histórica, cultural e linguística do país.
As suas pesquisas e reflexões sobre a literatura guineense resultaram, entre outros trabalhos, na participação numa coletânea publicada no Brasil, além da realização de estudos científicos relacionados com a literatura e a cultura da Guiné-Bissau.
Por: Epifania Mendonça


















