O novo projeto de estatutos da Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB) foi aprovado este sábado, 22 de agosto de 2026, pelos clubes e associações desportivas filiadas no organismo, durante o Congresso Ordinário realizado num espaço cultural da região de Biombo, nos arredores de Bissau.
Dos 49 membros presentes na reunião magna da federação, 45 votaram a favor da revisão pontual dos estatutos, três abstiveram-se e apenas um votou contra o documento apresentado pela Direção Executiva da FFGB.
Entre as principais alterações aprovadas destaca-se a revisão das regras para a eleição do presidente da FFGB. Nos termos do artigo 32.º, cada candidatura à presidência da federação deverá ser subscrita por, pelo menos, oito membros efetivos, incluindo duas associações desportivas e seis clubes.
Além da revisão dos estatutos, os associados aprovaram o Relatório de Atividades referente ao período 2024/2025, o Relatório e Contas de 2025 e o Orçamento para a época desportiva 2025/2026. O Cupelum FC foi o único clube ausente do congresso.
Durante os trabalhos, os associados renovaram igualmente a confiança no presidente da FFGB, Carlos Mendes Teixeira, conhecido no meio desportivo por “Caíto”.
Apesar da aprovação de todos os pontos da agenda, o Congresso Ordinário prolongou-se por cerca de cinco horas e ficou marcado pelo impedimento do vice-presidente da direção eleita do Tigres de Fronteira de São Domingos, Catenca Djeme, de participar nos debates sobre a situação do futebol nacional.
A decisão foi justificada pela presença de Mamadu Lenin Dabó, que continua a reivindicar legitimidade para representar o clube de São Domingos. Apesar dos protestos da direção eleita do Tigres de Fronteira, a questão não foi discutida durante o congresso, nem pelos associados nem pela Direção Executiva da FFGB.
Presidente agradece voto de confiança

Ao reagir à aprovação dos documentos e ao voto de confiança recebido, Carlos Mendes Teixeira destacou o apoio manifestado pelos associados, reconhecendo, contudo, as dificuldades enfrentadas desde que assumiu a liderança da instituição.
“Enquanto estamos à frente da instituição, não somos super-homens nem melhores do que aqueles que nos criticam. Temos de respeitar e valorizar aqueles que dirigimos. Por isso, penso que este voto de confiança me deu mais responsabilidade e reforçou o meu respeito pelos clubes e associações desportivas. Só tenho de dizer muito obrigado, embora reconheça que não sou perfeito”, declarou.
Investigação judicial continua em curso
Apesar do voto de confiança recebido, a Direção da FFGB continua a ser alvo de uma investigação conduzida pelo Ministério Público relacionada com o alegado desvio de 183 milhões de francos CFA em fundos públicos, num caso que remonta a 2023.
Segundo informações tornadas públicas, o montante terá sido disponibilizado pelo Estado guineense para o fretamento de uma aeronave destinada ao transporte da seleção de São Tomé e Príncipe, no âmbito de um encontro do Grupo A das eliminatórias para a Taça das Nações Africanas (CAN).
Questionado pela reportagem de O Democrata, Carlos Mendes Teixeira afirmou que sempre respeitou o trabalho das autoridades judiciais e que está disponível para colaborar com qualquer investigação.
“Em qualquer momento em que for chamado pela instância judicial, estarei prontamente disponível para prestar esclarecimentos sobre quaisquer dúvidas”, afirmou.
Troca de palavras e críticas ao novo estatuto
O congresso ficou ainda marcado por uma troca de palavras entre o presidente da FFGB e a presidente do Fidju di Bideras, Dulcineia Sebastião, na sequência de uma carta enviada à federação questionando alegadas irregularidades na convocação da reunião magna.

A reportagem de O Democrata constatou igualmente que não houve debate aprofundado sobre as propostas submetidas à apreciação dos associados. Os clubes Bula, Ajuda Sport, Quínara, Ingore e Cuntum manifestaram oposição às propostas apresentadas pela Direção Executiva.
Entretanto, alguns observadores do futebol nacional sustentam que a atual direção da FFGB pretende consolidar a sua posição no comando da instituição através da aprovação do novo projeto de estatutos. A direção federativa, por sua vez, defende que as alterações introduzidas visam reforçar o funcionamento e a estabilidade institucional da organização.
Por: Alison Cabral


















