A comunidade nigeriana residente na Guiné-Bissau manifestou preocupação com a possibilidade de incidentes durante ou após o jogo entre as seleções da Guiné-Bissau e da Nigéria, referente à segunda jornada das eliminatórias para o Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2027, disputado esta terça-feira, 29 de setembro, no Estádio Nacional 24 de Setembro.
A apreensão foi expressa pelo vice-presidente da comunidade, Tony Nnanna Ugbaja, na sequência dos acontecimentos registados no passado domingo, relacionados com alegações de rapto de uma criança de 13 anos, inicialmente associadas a um cidadão nigeriano.
O caso culminou na morte de Olof João Gomes Sambú, cidadão guineense e funcionário da Direção-Geral das Alfândegas de Gabú, que foi linchado em Bissau no dia 27 de setembro.
Falando aos jornalistas esta terça-feira, Tony Nnanna Ugbaja apelou à calma e pediu às autoridades nacionais que garantam a segurança dos adeptos e da delegação nigeriana.
“Francamente, confesso que estamos com receio. Estamos em menor número. O Estado e as autoridades da Guiné-Bissau devem engajar-se seriamente para garantir a segurança dos adeptos e dos jogadores da Nigéria”, afirmou.
Segundo o responsável comunitário, a representação diplomática da Nigéria na Guiné-Bissau reuniu-se com responsáveis do Ministério do Interior e da Ordem Pública para abordar as questões de segurança ligadas ao encontro desportivo.
De acordo com Tony Nnanna Ugbaja, a embaixada informou a comunidade de que recebeu garantias das autoridades guineenses relativamente ao destacamento de efetivos para assegurar a realização do jogo em condições de segurança.
“O futebol é um evento carregado de emoções e todo o cuidado pode ser pouco. Apelamos também à nossa comunidade para que mantenha a calma e evite provocações que possam degenerar em violência”, advertiu.
O líder comunitário defendeu igualmente que adeptos das duas seleções adotem uma postura de respeito e convivência pacífica, dentro e fora do estádio, de forma a preservar as relações históricas entre os dois países.
“Vamos ao estádio com espírito de irmandade. As duas claques devem evitar provocações”, apelou.
Durante a sua intervenção, Tony Nnanna Ugbaja pediu ainda aos cidadãos que não deem crédito a boatos e que comuniquem às autoridades competentes quaisquer suspeitas de atividade criminosa, para que os casos sejam investigados pelas instituições responsáveis.
O dirigente sublinhou que as acusações sem provas podem comprometer a convivência entre comunidades que mantêm relações de proximidade há vários anos.
“Nenhuma acusação baseada em boatos pode justificar a morte de uma pessoa. Temos de procurar informações credíveis e evitar situações que conduzam à violência”, afirmou.
Ugbaja recordou ainda os laços familiares e sociais existentes entre cidadãos guineenses e nigerianos, defendendo que as diferenças não devem servir para alimentar desconfianças ou conflitos.
Referindo-se à morte de Olof João Gomes Sambú, considerou o episódio lamentável e apelou para que todos os casos suspeitos sejam denunciados às autoridades competentes e à representação diplomática nigeriana, em vez de resultarem em atos de justiça popular.
Entretanto, a Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) exigiu a abertura de uma investigação urgente, independente e imparcial às circunstâncias da morte de Olof João Gomes Sambú.
Num comunicado divulgado esta terça-feira, a organização classificou o episódio como um ato de violência “gratuita e injustificável” e alertou para os riscos da normalização dos linchamentos.
A LGDH advertiu ainda que a impunidade em casos desta natureza pode enfraquecer as instituições do Estado, incentivar falsas acusações e alimentar ciclos de violência e vingança.
Por: Filomeno Sambú


















