Mais de 30 dirigentes e militantes renunciaram esta sexta-feira, 9 de outubro de 2026, à militância na Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), alegando divergências com a decisão da direção de não participar nas eleições gerais previstas para novembro.
A renúncia consta de uma carta coletiva dirigida ao presidente do partido, Nuno Gomes Nabiam, consultada por O Democrata. No documento, os signatários defendem que a decisão de não apresentar candidatura às eleições presidenciais e de impedir a participação da APU-PDGB nas legislativas deveria ter sido debatida pelos órgãos competentes do partido, tendo em conta as expectativas dos militantes e eleitores.
Entre os subscritores da carta destacam-se Samuel Dinis Manuel, vice-presidente e membro da Comissão Permanente; Buo Manuel, secretário-geral do Fórum de Quadros; Babtida Crespo Nhassé Imbana, responsável pela implantação da ONAMA e membro do Conselho Nacional; Alberto Djata, secretário nacional da TRADA e membro do Conselho Nacional; Beto Infande, presidente do Fórum de Quadros; Garcia Biifa Bedeta, secretário nacional adjunto e membro da Comissão Permanente; e Mussa Tchetna Lona, coordenador da comunicação do Fórum de Quadros.
No documento, o grupo acusa a atual direção de se afastar dos princípios da participação democrática, do diálogo, da transparência e do respeito pelas estruturas partidárias, alegando que decisões relevantes têm sido tomadas de forma unilateral e sem consulta prévia aos militantes.
Os signatários apontam ainda alegadas violações dos Estatutos do partido, incluindo a assinatura unilateral de acordos políticos e a adesão à Plataforma Republicana No Kumpu Guiné sem a necessária consulta aos órgãos competentes.
“A tudo isso acresce o tratamento desigual dispensado aos dirigentes e a excessiva centralização do poder, circunstâncias que, no nosso entendimento, comprometem seriamente o funcionamento democrático interno do partido”, lê-se na carta.
Os dissidentes concluem que o rumo atualmente seguido pela direção desvirtua a identidade política da APU-PDGB e sustentam que deixaram de existir condições políticas e éticas para continuarem a militar sob a atual liderança.
Por Tiago Seide


















