Um grupo de treze sócios do FC Canchungo, atual campeão nacional de futebol, exige a realização do Congresso Ordinário do clube, com o objetivo de legitimar os órgãos sociais de uma das mais importantes e históricas agremiações desportivas da Guiné-Bissau.
Fontes contactadas pelo jornal O Democrata na cidade de Canchungo, região de Cacheu, indicam que o mandato da atual direção dos Lobos de Canchungo, liderada por Mamadu Bobó Djaló, terminou em agosto deste ano.
Os contestatários afirmam que, até ao momento, não foram informados de qualquer diligência visando a realização do processo eleitoral do clube.
Perante esta situação, um grupo de associados do FC Canchungo reuniu-se na quarta-feira, 14 de outubro, com o presidente da Mesa da Assembleia Geral do clube, Alberto Suleimane Djaló, para analisar o assunto.
Durante o encontro, os sócios entregaram ao responsável uma carta subscrita por treze associados, solicitando a marcação da data do Congresso Ordinário.
Em declarações aos jornalistas, o porta-voz do grupo, Mateus Vaz, começou por enaltecer o trabalho desenvolvido pela atual direção, mas salientou que os associados pretendem reunir-se com os dirigentes no próximo dia 25 de outubro para encontrar uma solução para o impasse.

“Sabemos que o mandato da atual direção já terminou e precisamos que seja organizada uma Assembleia Geral para colocar as coisas em marcha no clube. Essa é uma das razões que nos levou a promover este abaixo-assinado. O objetivo é realizar um encontro com a direção do FC Canchungo no dia 25 deste mês para analisar esta questão”, explicou Mateus Vaz.
Vaz recordou ainda que, de acordo com os estatutos do clube, os sócios podem exigir a realização do congresso quando o mandato da direção em funções tiver expirado.
“A direção sabe que o mandato terminou e precisamos de realizar a Assembleia Geral. Se não houver resposta à nossa solicitação, encontraremos outros caminhos para ultrapassar os problemas internos”, advertiu.
Em reação, o presidente da Mesa da Assembleia Geral do FC Canchungo, Alberto Suleimane Djaló, lembrou que a Assembleia Geral é o órgão fiscalizador de qualquer organização e garantiu que os documentos entregues pelos associados serão analisados.

“Depois de analisarmos o documento, elaboraremos uma carta que será dirigida à direção do clube. É o nosso trabalho e continuaremos a acompanhar a evolução desta situação”, afirmou.
Rodeado pelos associados, Suleimane Djaló assegurou que a direção do clube está ciente da necessidade de marcar a data do Congresso Ordinário.
Segundo explicou, os estatutos do FC Canchungo estabelecem que um mínimo de dez sócios no pleno exercício dos seus direitos pode subscrever um pedido para a realização ou convocação do processo eleitoral.
“Os estatutos são o guia que rege qualquer organização. Peço serenidade a todos, especialmente à direção e aos sócios. Temos de escolher o caminho da legalidade, porque a lei está acima dos interesses pessoais de cada um”, declarou.
Durante a sua intervenção, o dirigente esclareceu ainda que os estatutos do clube não atribuem à Mesa da Assembleia Geral a competência para marcar a data do Congresso Ordinário, cabendo essa responsabilidade exclusivamente à direção do clube.
Uma fonte próxima do FC Canchungo revelou ao O Democrata que Mamadu Bobó Djaló assumiu a presidência do clube em 2013. Após vários anos à frente da instituição, foi reeleito em 2022 para um mandato de quatro anos, que terminou em agosto de 2026.
Segundo a mesma fonte, após o jogo entre o FC Canchungo e o Teungueth FC, do Senegal, disputado a 13 de setembro, em Dakar, na fase preliminar da Liga dos Campeões Africanos 2026/2027, o dirigente manifestou a intenção de se recandidatar para um novo mandato.
A fonte acrescentou que, além de Bobó Djaló, antigo jogador do FC Porto e do Boavista FC, em Portugal, nenhum outro dirigente anunciou até ao momento a intenção de concorrer à liderança do clube.
Por: Alison Cabral


















