GUINÉ–LIBÉRIA: INCIDENTES VOLTAM A AUMENTAR TENSÕES NA FRONTEIRA EM KIÉSSÈNÈYE

As tensões voltaram a agravar‑se na fronteira entre a Guiné e a Libéria, na localidade de Kiéssènèye, a poucos quilómetros da cidade guineense de Guéckédou.

Segundo o portal guineense Africaguinee, os incidentes surgem apenas dois dias depois de uma reunião diplomática entre as autoridades dos dois países, que tinham acordado resolver a situação de forma pacífica.

No domingo, 8 de março de 2026, realizou‑se em Guéckédou um encontro entre o Ministro da Administração Territorial e Descentralização da Guiné, General Ibrahima Kalil Condé, e uma delegação governamental liberiana chefiada pela Ministra do Interior, Niuma Ley.

Após a reunião, ambas as partes comprometeram‑se a privilegiar os canais diplomáticos para reduzir as tensões na região fronteiriça.

Ataque na fronteira reacende conflito

No entanto, na terça‑feira, 10 de março de 2026, a situação deteriorou‑se abruptamente quando um grupo de jovens liberianos terá atacado militares guineenses destacados no posto fronteiriço de Kiéssènèye. Testemunhas afirmam que estes jovens içaram a bandeira da Libéria e rasgaram a bandeira tricolor da Guiné.

“As tensões começaram quando a Guiné içou a sua bandeira, presumindo que aquele era território guineense. Do outro lado, jovens liberianos chegaram, içaram a sua bandeira e chegaram a agredir os soldados guineenses. Os militares receberam ordens para recuar. A bandeira liberiana foi içada e a guineense retirada”, relatou uma fonte local ao Africaguinee.

Jovens guineenses tentam retaliar

A notícia provocou forte indignação no lado guineense. Informados do incidente, vários jovens de Guéckédou tentaram, na manhã de quarta‑feira, 11 de março, atravessar o rio Makona “para retaliar”.

Graças à rápida intervenção das autoridades locais, incluindo o presidente da câmara e as forças de defesa e segurança, foi lançada uma operação de sensibilização para evitar o confronto. Alguns jovens, que já se preparavam para entrar na água, foram persuadidos a recuar.

“Quando os jovens souberam do que aconteceu, mobilizaram‑se para responder aos liberianos. As autoridades guineenses deslocaram‑se ao local para sensibilizar a população. Militares, o presidente da câmara e outros responsáveis pediram aos jovens para regressarem a casa. Muitos já estavam na margem do rio, alguns até dentro de água”, disse uma fonte presente no local.

Tiros de aviso provocam pânico

Durante a manhã, ouviram‑se tiros de advertência vindos do lado liberiano, provocando pânico em Guéckédou, situada a apenas três ou quatro quilómetros da fronteira.

Segundo testemunhas, muitos habitantes acreditaram que poderia estar iminente um ataque.

“Houve uma onda de pânico na cidade. Quando se ouviram os tiros, várias pessoas pensaram que era o início de um ataque. Muitos fugiram”, relatou um morador.

Perante a situação, o presidente da câmara de Guéckédou interveio nos meios de comunicação locais para apelar à calma.

Um ponto estratégico para o comércio

Kiéssènèye é um ponto de passagem essencial para o comércio entre a Guiné e a Libéria. O fluxo de pessoas e mercadorias intensificou‑se desde o encerramento do porto de Nongoa, outro ponto de acesso à Serra Leoa.

Comerciantes liberianos atravessam diariamente para vender combustível em Guéckédou, regressando depois com diversos produtos. Qualquer aumento de tensão representa, portanto, um risco direto para a economia local.

Clima permanece frágil

Apesar da intervenção das autoridades ter acalmado temporariamente a situação, o clima permanece frágil e instável em ambos os lados da fronteira, segundo informações divulgadas pelo Africaguinee.

Fonte: Africaguinee

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