GRUPO DE DEZASSEIS MULHERES DE BEDANDA DETIDO EM BUBA POR VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS

Um grupo de 16 (dezasseis) mulheres do sector de Bedanda, Região de Tombali, Sul do país está detido em Buba por violação dos direitos humanos. O grupo é acusado de torturar uma menina de, aparentemente, dezassete anos que, segundo as informações, teria negado se casar com um familiar de uma das senhoras do grupo.

Sábado Na Hada, a vítima, explicou em primeira mão que foi torturada, besuntada com lodo e vestida com uma cueca tradicional guineense (lopé), uma peça de vestuário usada por homens.

“Fui acusada de casar-me com dois homens e de quebrar a tradição balanta. Estando só e sem apoio, fugi para Botche Kul a procura de refúgio”, explica a vítima.

A grande verdade é que os sinais de tortura eram ainda visíveis no corpo rapariga. Porém ela foi resgatada de Bedanda e já se encontra em Bissau, num lugar seguro, apurou o Jornal o Democrata junto de uma fonte do Ministério do Interior.

Butum-Sum Na Kidanké, representante do grupo das dezasseis mulheres, confirma o facto, mas fundamenta que a vítima quebrou a tradição das mulheres balantas.

“Fugiu com um pano branco a peito, isso é desrespeito à tradição e às regras matrimoniais da etnia balanta”, confirma.

FREIRAS DE BEDANDA ASSALTADAS

As irmãs da congregação franciscana do Cristo Rei de Bedanda, Sul do País, abandonaram a sua sede na sequência de um assalto de que foram vítimas a 5 de junho de 2016.

O centro de recuperação nutricional onde estavam instaladas as duas franciscanas da Igreja Católica guineenses era responsável pelo fornecimento da água potável a Bedanda, nutrição e a educação de várias crianças que, neste momento, se encontram sem apoio.

San-Keia Na Tchutu, nutricionista do centro, refere que o apoio da congregação franciscana do Cristo Rei de Bedanda é extensível também ao sector de saúde:

“O centro apoia a população local, fornecendo medicamentos gratuitamente a carenciados. Dá empréstimos em medicamentos, mas apenas trinta por cento do custo é recuperado”, referiu o nutricionista.

Segundo informações, os assaltantes terão levado cerca de um milhão de francos CFA e outros bens materiais. De acordo ainda com San-Keia Na Tchutu, a maior parte do montante era dinheiro que terceiros entregavam às irmãs por segurança.

Entretanto, em consequência das ameaças às congregações das irmãs da Igreja Católica da Guiné-Bissau, as freiras franciscanas da missão católica de Nhoma, a trinta quilómetros de Bissau, foram retiradas da localidade depois de receberem ameaças de morte e de serem intimidadas.

POPULARES DE GUILEDJE CONDICIONAM PRÓXIMA VOTAÇÃO

Os populares de Guiledje, Sul do país, condicionam a sua participação na próxima votação na Guiné-Bissau à criação de infraestruturas sociais e à reabilitação do troço que liga Mampata-Foria a Guiledje. Outra exigência tem a ver com a procura de soluções para os problemas ligados à saúde e à educação em Guiledje.

A posição dos populares de um dos lugares históricos do país, no período da luta de libertação nacional, foi transmitida por Mariama Danfa ao Ministro do Interior, Botche Candé, que esteve de passagem pelo sector de Bedanda, no passado dia 03 de novembro.

Quer Guiledje quer as 33 tabancas que fazem parte da zona, nenhuma tem, pelo menos, um único posto sanitário para atendimento dos casos primários de saúde.

Em relação ao sector do ensino, dados locais indicam que são os pais e encarregados da educação que, por iniciativa própria, contratam os professores para ensinar os seus filhos.

Antes de Guiledje, Botche Candé tinha sido interpelado por populares de Candembel, sul do país, solicitando a intervenção do Governo para melhorar a estrada que dá acesso à Guiné-Conacri para facilitar a circulação de pessoas e bens ao nível da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, CEDEAO.

 

 

 

Por: Filomeno Sambú

 

 

 

 

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