CHINA É ATOR GLOBAL DA CONSTRUÇÃO DA PAZ E DA REDUÇÃO DA POBREZA NO MUNDO

A República Popular da China não pode ser vista como uma ameaça ao mundo, em particular, aos países africanos. A China é um novo ator global que nos últimos anos tem vindo a demonstrar ao mundo o seu papel ativo na construção da paz e na redução da pobreza. Os países africanos podem constatar que o processo económico chinês, nos últimos 40 anos, é inegavelmente surpreendente no mundo. Das 500 maiores empresas do mundo, 119 são chinesas, colocando-a, assim, na segunda posição do ranking mundial depois dos Estados Unidos da América que ocupa a primeira posição com 121 empresas.

As 119 empresas chinesas são empresas globais e poderosas, que atuam em sectores estratégicos como as telecomunicações, indústrias extrativas, hidroelétricas, infraestruturas, altas tecnologias e nos serviços financeiros. Por outro lado, a República Popular da China é hoje o país que detém maior classe média no mundo. Possui mais de 400 milhões de pessoas na classe média. Anualmente mais de 150 milhões de chineses viajam para as várias partes do mundo e regressam a Pequim. O que demostra claro o sinal de bem-estar económico, social e político do povo chinês.

Na sua cooperação, a República Popular da China não exerce um poder ideológico, não exporta seus valores culturais para os países africanos. Também não colonizou nenhum país no continente africano. Na sua política de cooperação a República Popular da China é vista como uma civilização da paz que se preocupa mais com a prosperidade dos países africanos. Compreende melhor a dinâmica e os valores das sociedades africanas que procuram hoje estabelecer os fundamentos de um Estado de Direito democrático e de uma democracia liberal.

Não obstante a República Popular da China ser um ator global da construção da paz e da redução da pobreza no mundo, continua a haver alguns mitos em torno da sua cooperação com os países africanos. Um dos mitos sustenta que “a China fica com as infraestruturas quando os devedores não conseguem pagar.” Cobus Van Staden, que estuda as relações entre a República Popular da China e os países africanos no Instituto Sul-Africano de Assuntos Internacionais garante que isso “não acontece, nem em África, nem em qualquer outro lugar” do mundo. Na visão de Cobus Van Staden foi este falso mito de que a República Popular da China fica com as infraestruturas dos países africanos devedores que levou o governo do Quénia a fazer um esclarecimento: “mesmo que o país não conseguisse pagar a tempo o empréstimo de 3,2 mil milhões de dólares”, o Porto de Mombaça não passaria para as mãos do governo da República Popular da China.

A referida verba tinha sido utilizada para construir a linha ferroviária entre Mombaça e a capital, Nairobi. Por outro lado, Cobus Van Staden disse ter ainda na memoria, o caso do Porto de Hambantota na Sri-Lanka cujo Porto de carga foi construído com o empréstimo do governo chinês. Mas, quando o governo de Sri-Lanka precisou de dinheiro, em 2016, arrendou o Porto a empresa “China Merchants Group” por 99 anos. Hambantota passou a ser visto como um precedente para uma armadilha da divida chinesa. Mas, toda a investigação académica concluiu que caso do Porto Hambantota não pode ser visto como um exemplo para provar que “a China fica com as infraestruturas quando os devedores não conseguem pagar.” Cobus Van Staden garantiu que estudos feitos no Instituto Sul-Africano de Assuntos Internacionais que a República Popular da China nunca vai apreender Porto ou Aeroporto de um país africano que não consiga pagar a sua divida: “isso simplesmente não acontece, nem em África, nem em qualquer outro lado” do mundo.

A República Popular da China estabelece com os países africanos uma relação de parceiros de cooperação para o desenvolvimento gerando uma boa vontade política.  “O facto dos governantes africanos não serem capazes de pagar estes empréstimos a China não é o ideal. Mas isso não significa que a República Popular da China está a retirar-se da cooperação com os países africanos”, defendeu Cobus Van Staden que garantiu “há outros atores chineses a entrar em cena” de cooperação com os países africanos, tais como os “os Bancos Comerciais e investidores privados”.

Por seu lado, Kevin Acker, da iniciativa de Investigação China-Africa da Universidade Johns Hopkins, em Washington, disse que “o governo de Pequim tem bons motivos para esta relativa flexibilidade”.  E no seu entender, “um dos principais motores dos empréstimos chineses aos países africanos é o facto da China estabelecer-se como um parceiro de desenvolvimento que gera uma boa vontade política na cooperação”.

Por: António Nhaga

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