VOLUNTÁRIOS DA AMEV OFERECEM CONSULTAS MÉDICAS E MEDICAMENTOSA AOS POPULARES DE TIMBO

[REPORTAGEM_2021] Uma equipa de duas dezenas de médicos e enfermeiros da Organização Não Governamental – Associação Médica Voluntária da Guiné-Bissau (AMEV) esteve, no final do mês de outubro de 2021, na povoação de Timbo, região de Tombali, no sul do país, em missão de assistência médica voluntária, tendo realizado consultas gratuitas e doação de medicamentos, a custo zero, aos pacientes diagnósticados com problemas de saúde.

Durante a missão, a AMEV conseguiu atender cento e oitenta e oito (188) casos, dos quais oitenta (8o) do sexo masculino e cento e oito (108) mulheres. No serviço da medicina interna (consulta de adultos), a equipa atendeu noventa e oito (98) casos, quarenta e seis (46) no serviço da pediatria, 14 casos na cirurgia geral e trinta e (30) no serviço da Ginecobstetrícia (maternidade).

Em relação às doenças diagnosticadas, a equipa liderada por Armando Sifna, médico de medicina geral integral, diagnosticou maior número de casos no serviço da medicina interna, nomeadamente, doentes com problemas de hipertensão arterial, febre tifóide devirada da condição da água consumida pela população, o paludismo simples, moderado e grave, as infeções respiratórias agudas e alguns doentes com problemas de gastrites (problemas de estômago).

Por exemplo, no serviço da pediatria, os médicos dizem ter detetado crianças com problemas respiratórios agudos, parasitismo intestinal (parasitas na barriga), paludismo grave, problemas de pele, micose, impetico (infeção cutânea), crianças com problemas de ouvido, cáries dentários derivados de falta de cuidados de boca, anemia tanto nas crianças quanto nas grávidas.

Na cirurgia geral, o grupo diagnosticou adultos com problemas de Úlcera gástrica, Soco Lombalgia (dores a nível lombar), Abdominal (dores de barriga intensa) e contusão corporal (dores adquiridas devido aos trabalhos pesados de campo). Quanto ao serviço de ginecologia, as patologias dominantes são a infeção derivada de doenças sexualmente transmissíveis, grávidas com problemas de paludismo, ameaças de aborto indesejável derivadas de trabalhos pesados de campo e outros, com problemas de Hipermesia gravídica (vômito, nos primeiros três meses da gravidez).

Entre as grávidas assistidas pela equipa da AMEV, apenas três tinham cartões de consulta e a maioria (com sete, oito e nove meses de gravidez) que nem sequer tinha iniciado as consultas pré-natais, evocando a situação da greve no setor de saúde como razão de não terem iniciado as consultas.

GRÁVIDAS EM TIMBO CORREM RISCO DE TER ABORTOS INDESEJÁVEIS

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Em entrevista ao jornal O Democrata, Armando Sifna, presidente da Associação Médica Voluntária, que integra apenas técnicos nacionais de saúde de principais hospitais do país, revelou que algumas grávidas com sete, oito e nove meses de gravidez, que receberam consultas da AMEV, correm risco de ter aborto indesejável.

Segundo o médico da medicina geral integral, as razões invocadas pelas grávidas nessa situação tem a ver com a greve no setor de saúde.     

“É uma das razões que levou muitas grávidas a não terem informações dos riscos que correm de ter abortos indesejáveis. A consulta pré-natal permite à mãe ter informações sobre a evolução do seu feto, do bebé. Neste momento, essas grávidas estão numa situação de risco. Contudo, aconselhamo-las a procurarem as estruturas sanitárias locais para realizarem as consultas pré-natais o mais rápido possível para permitir que os técnicos de saúde do centros  possam fazer uma avaliação exaustiva e encaminhá-las, caso seja necessário, para o hospital regional de Catió”, assegurou.

O médico enfatizou que a consulta pré-natal permite aos técnicos avaliar os riscos de uma grávida antes do parto, porque “grávidas que não fazem consultas pré-natal, consequentemente, não conseguem saber ou ter informações dos riscos que correm e problemas que enfrentam como: a anemia, a má formação congênita”.

Questionado sobre o destino final dos resultados das consultas efetuadas em Timbo, Armando Sifna assegurou que os dados estatísticos resultantes da missão de assistência médica da Associação Médica Voluntária serão partilhados com a direção regional de saúde da região de Tombali, para mostrá-la os resultados conseguidos pela sua equipa, como também recomendar que a situação dos doentes diagnosticados com problemas mereça uma atenção especial da direção regional.

Neste sentido, defendeu mais ações de sensibilização, a nível comunitário, sobre a importância da saúde e da alimentação adequada e equilibrada.

Para mudar o quadro geral da situação de saúde na Guiné-Bissau, Aramando Sifna defendeu a sensibilização, investimento em termos de melhoria de condições das estruturas sanitárias e de trabalho para os técnicos a nível das comunidades, talvez só assim se poderá ajudar e evitar ter muitos doentes nas comunidades.

“O Ministério de Saúde e os parceiros da Guiné-Bissau devem continuar a investir no setor de saúde, na melhoria de condições de trabalho dos técnicos e na elevação do nível de saúde da nossa população”, indicou.

A equipa de assistência médica da AMEV integrava nove médicos que trabalham nos principais hospitais do país e no Hospital Nacional Simão Mendes e em diferentes serviços como: cirurgia, medicina interna, pediatria e técnicos ligados ao serviço de gineco obstetrícia. As consultas foram ministradas em quatro especialidades, nomeadamente: medicina interna, pediatria, Gineco Obstetrícia e cirurgia geral.

“Geralmente, os doentes cujos casos não possam solucionados no terreno são encaminhados para Bissau, para o hospital de referência, hospital Simão Mendes”, afirmou.

Por: Filomeno Sambú  

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