O presidente de uma das alas da Liga Guineense dos Clubes de Futebol (LGCF), Dembo Sissé, voltou a acusar esta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, o presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB), Carlos Mendes Teixeira “Caíto”, da gestão danosa dos fundos da FIFA, organismo que dirige o futebol mundial, tendo garantido que forneceu todas as provas que sustenta a sua denúncia ao Ministério Público.
“Estive ao longo de quatro anos dentro da Federação de Futebol e sei como as coisas funcionaram. Por isso, apresentei todas as documentações que estão na minha posse para poder testemunhar as minhas afirmações durante a minha conferência de imprensa no mês de novembro de 2025 na Ajuda Sport Clube sobre a gestão danosa no nosso futebol da Guiné-Bissau”, disse.
“Reafirmo naturalmente tudo aquilo que disse, porque já entreguei todos os documentos que justificam a nossa intervenção que estava na nossa posse e agora está à disposição do Ministério Público para fazer a justiça, porque acreditamos que estamos num país e Estado de Direito Democrático. Estou com sentimento de satisfação, uma vez que falei daquilo que eu sei e todos os elementos que tenho foi apresentado ao Ministério Público para comprovar que não sei de forma aleatória”, declarou Dembo Sissé.
Sissé falava aos jornalistas no final da audição de uma queixa-crime apresentada por Carlos Mendes Teixeira “Caíto” contra a sua pessoa, que o acusou de gestão danosa dos fundos no órgão que dirige o futebol nacional.
Para além da má gestão dos apoios da FIFA a FFGB, o presidente de uma das alas da LGCF, acusou ainda Mendes Teixeira de ser responsável na crise interna prevalecente na LGCF, que tem agora dois presidentes, Dembo Sissé e Rui da Silva.
Após audição que durou quase três horas na Vara Crime do Tribunal Regional de Bissau, Sissé foi aplicado Termo de Identidade e Residência (TIR) pelo Ministério Público na sequência da queixa-crime apresentada por Teixeira na semana passada.
A informação foi transmitida pelo advogado de Dembo Sissé, Jardel Albino Barros, na qual garantiu que está confiante na justiça. Na sua curta declaração, o jovem causídico diz que o seu cliente não cometeu nenhum crime relativamente a este caso.
Caíto Teixeira e o Dembo Sissé são tidos como pessoas próximas. Após eleição de Caíto Teixeira ao cargo de presidente da FFGB em setembro de 2020, teve papel importante na eleição de Dembo Sissé como presidente da LGCF em setembro de 2021. Na sequência desta eleição, a FFGB entregou a LGCF a competência de organizar o Campeonato Nacional, através de um contrato de três anos e com possibilidade da renovação.
Segundo observadores, a crise entre estas duas figuras começou aquando da realização da Assembleia Eletiva da FFGB em 2024. Na altura Sissé manifestou concorrer juntamente com Caíto Teixeira, acabando por desistir a favor de Teixeira. Na sequência deste processo eleitoral começaram a surgir informações dando conta que Sissé está a trabalhar para concorrer às futuras eleições na FFGB, embora nenhuma das partes tenha falado sobre o assunto.
Outro ponto que agudizou a crise entre as duas personalidades ligadas ao futebol é o apoio financeiro disponibilizado pelo governo a LGCF no valor de 100 milhões de francos CFA para apoiar os clubes da primeira e segunda divisão no sentido de superar as dificuldades financeiras.
Fontes cruzadas pelo Jornal O Democrata alegam que a FFGB queria fazer parte do processo, mas não foi o caso, porque a LGCF entende que a verba foi disponível somente para os clubes.
Por: Alison Cabral






















