Após incidentes militares: GUINÉ-CONACRI, SERRA-LEOA E LIBÉRIA ACORDAM PATRULHAS CONJUNTAS DE SEGURANÇA 

Os Chefes de Estado da Guiné‑Conacri, Libéria e Serra Leoa reuniram-se esta segunda‑feira, 16 de março de 2026, em Conacri, numa cimeira extraordinária dedicada à paz, segurança e desenvolvimento na região da União do Rio Mano (URM). O encontro culminou com um firme compromisso de preservação da estabilidade nas fronteiras comuns e de fortalecimento da cooperação regional.

Além do anfitrião, o Presidente guineense General Mamadi Doumbouya, participaram Joseph Boakai, da Libéria, e Julius Maada Bio, da Serra Leoa. A Costa do Marfim marcou presença como observadora, representada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros.

CIMEIRA PARA REDUZIR TENSÕES E GARANTIR BOA VIZINHANÇA 

O encontro visou não apenas abordar a complexa questão da delimitação territorial, herança do período colonial, como também aliviar as tensões recentes nas fronteiras entre a Guiné‑Conacri, Serra Leoa e Libéria.

A cimeira foi convocada na sequência de incidentes que quase desestabilizaram a região. A 22 de fevereiro, dezasseis soldados serra‑leonenses foram detidos por militares guineenses após uma incursão em Koudaya, aldeia situada dentro do território guineense. Os militares foram libertados a 27 de fevereiro, após negociações entre Freetown e Conacri.

No início de março, surgiram novos focos de tensão na zona de Kiéssènèye, junto à fronteira guineo‑liberiana. A escalada levou a CEDEAO a intervir, apelando à calma e anunciando o envio de uma missão regional.

Perante o agravamento, a Guiné‑Conacri reforçou a presença militar nas áreas em disputa, justificando a medida com a necessidade de proteger a sua integridade territorial.

COMPROMISSO ASSUMIDOS: Vigilância e Ação Conjunta 

Segundo o comunicado final da Cimeira, lido pelo Ministro guineense dos Negócios Estrangeiros, Morissanda Kouyaté, os dirigentes avaliaram minuciosamente a situação de segurança nas zonas fronteiriças, marcadas por incidentes recentes que exacerbaram tensões intercomunitárias.

“Os três Chefes de Estado reiteraram o seu compromisso inabalável com os princípios da soberania, da inviolabilidade das fronteiras e da integridade territorial”, declarou Kouyaté.

A cimeira aprovou ainda um guião de segurança conjunto, incluindo:

  • reforço de patrulhas e operações conjuntas;
  • troca regular de informações de inteligência;
  • criação de mecanismos de comunicação rápida entre autoridades locais e forças de defesa.

Os serviços técnicos dos três países foram instruídos a reunirem-se com urgência para estabilizar as zonas mais sensíveis e promover o diálogo entre comunidades fronteiriças.

REVITALIZAÇÃO DA UNIÃO DO RIO MANO 

Para além da segurança, os dirigentes defenderam a aceleração de projetos de integração económica nas áreas de comércio, infraestruturas, energia e mobilidade de pessoas e mercadorias.

Decidiu‑se igualmente convocar, no prazo de um mês, uma nova cimeira da URM, com o objetivo de revitalizar a organização e assegurar a continuidade do diálogo sobre o desenvolvimento regional.

As delegações presentes elogiaram o Presidente Mamadi Doumbouya pelo seu “espírito de abertura e fraternidade”, considerando o encontro um passo decisivo para a estabilidade na África Ocidental.

Por: Redação

O Democrata/Africaguinee 

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