SOCIEDADE CIVIL GUINEENSE CRITICA REUNIÃO EM BRUXELAS ENTRE COSTA E PRESIDENTE DEPOSTO

Organizações da sociedade civil da Guiné-Bissau criticaram o recente encontro entre António Costa, Presidente do Conselho Europeu, e o Presidente deposto da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló. A reunião teve lugar em Bruxelas, a 26 de março de 2026, e contou também com a presença do antigo Presidente do Senegal, Macky Sall.

Em carta aberta dirigida a António Costa, as organizações denunciam alegadas violações da democracia e dos direitos humanos no país. Segundo o Espaço de Concertação das Organizações da Sociedade Civil, a Frente Popular e o Firkidja di Pubis, o encontro representa uma “legitimação política” de um poder que associam à repressão e ao deteriorar da ordem democrática na Guiné-Bissau.

As entidades afirmam que o país enfrenta uma grave crise política, marcada por intimidação, detenções arbitrárias e perseguições contra opositores, jornalistas e ativistas. Referem também os acontecimentos posteriores às eleições de novembro de 2025, que, segundo afirmam, desencadearam uma rutura constitucional e agravaram o clima político.

Entre os episódios relatados, destacam-se a detenção de outras figuras políticas, incluindo Domingos Simões Pereira, bem como a situação do candidato presidencial Fernando Dias da Costa, que alegadamente procurou refúgio numa embaixada estrangeira.

As organizações mencionam igualmente casos de violência política, restrições à liberdade de expressão e suspeitas de práticas ilícitas envolvendo indivíduos próximos do poder, embora não apresentem provas detalhadas.

Segundo os signatários, a postura de António Costa contraria a posição assumida pelo Parlamento Europeu, que, numa resolução aprovada em dezembro de 2025, condenou a situação política e as violações de direitos humanos na Guiné-Bissau.

Na carta, as organizações reafirmam a sua oposição a qualquer aproximação a regimes que consideram antidemocráticos e alertam para o impacto de tais gestos na confiança dos cidadãos africanos na União Europeia.

Por: Tiago Seide

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