O diretor-geral adjunto do Departamento de Assuntos da Organização Mundial do Comércio do Ministério do Comércio da República Popular da China, Chen Yusong, revelou que produtos africanos como o café da Etiópia, os abacates do Quénia, as castanhas de caju da Gâmbia e o sésamo da Tanzânia apresentam atualmente uma procura estável no mercado chinês.
Segundo o responsável, o governo chinês acredita que a política de tarifa zero contribuirá para expandir ainda mais as exportações africanas para a China, enriquecendo a oferta interna e proporcionando aos consumidores maior diversidade de escolha.
As declarações foram feitas na terça-feira, 19 de maio de 2026, durante uma conferência de imprensa realizada no Salão Linjia 7, no Clube Internacional do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Beijing. O evento reuniu mais de cinquenta profissionais da comunicação social estrangeira — incluindo africanos, asiáticos, árabes e latino-americanos — e contou com a presença de importantes órgãos de comunicação chineses, como a CCTV, a agência Xinhua e o Diário do Povo.
O encontro teve como objetivo analisar os benefícios da implementação da isenção de tarifas aduaneiras para 53 países africanos, tanto para as economias africanas como para a própria China.
Chen Yusong destacou que, para além dos produtos agrícolas e minerais, os países africanos demonstram crescente interesse em exportar também bens manufaturados. Neste contexto, afirmou que a política de tarifa zero constitui um forte incentivo ao aumento do investimento direto chinês em África. A medida pode contribuir para romper com o modelo tradicional de comércio — baseado na exportação de matérias-primas e importação de produtos acabados — e abrir novas perspetivas para o desenvolvimento económico do continente.
CHINA APOSTA NO DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL E LOGÍSTICO EM ÁFRICA

Durante a sua intervenção, o responsável sublinhou que a China pretende promover o desenvolvimento coordenado da indústria de transformação local, da logística e das infraestruturas em África.
Segundo dados apresentados, até 2025 o investimento direto das empresas chinesas no continente africano atingiu 3,6 mil milhões de dólares, registando um crescimento anual superior a 40%. Estes investimentos abrangem setores como a indústria, a agricultura e as infraestruturas.
Chen Yusong alertou ainda para os desafios enfrentados pela ordem económica e comercial internacional, destacando o impacto do unilateralismo e do protecionismo, que, segundo ele, fragilizam o sistema multilateral de comércio e criam obstáculos ao desenvolvimento económico e social, particularmente nos países africanos.
O dirigente garantiu que a China reconhece o enorme potencial de desenvolvimento de África e afirmou que o país continua a dar prioridade às aspirações de crescimento do povo africano.
“A política abrangente de tarifa zero implementada pela China para os 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, em vigor desde 1 de maio de 2026, demonstra o compromisso com os princípios de sinceridade, resultados concretos, amizade e boa-fé na cooperação com África”, afirmou.
Chen enfatizou ainda que a China se torna a primeira grande economia a conceder unilateralmente isenção tarifária total a todos os países africanos com relações diplomáticas, bem como aos países menos desenvolvidos.
REDUÇÃO DE CUSTOS E MAIOR E MAIOR COMPETITIVIDADE PARA PRODUTOS AFRICANOS
O responsável explicou que a isenção de tarifas responde ao interesse dos países africanos em expandir as exportações para a China, reduzindo os custos de acesso ao mercado, aumentando a competitividade e impulsionando significativamente os fluxos comerciais.
Como exemplo, referiu que anteriormente:
- o cacau da Costa do Marfim e do Gana enfrentava tarifas entre 8% e 22%;
- o café e o abacate do Quénia estavam sujeitos a tarifas de 8% a 30% e 20%, respetivamente;
- produtos sul-africanos como nozes de macadâmia, citrinos e vinho tinto tinham tarifas entre 12% e 20%.
Desde 1 de maio de 2026, estes produtos passaram a beneficiar de isenção tarifária, desde que cumpram os requisitos de origem, inspeção e quarentena.
Chen Yusong sublinhou ainda que esta política não constitui uma medida isolada, mas integra um conjunto mais amplo de iniciativas no âmbito do Fórum de Cooperação China–África.
Segundo explicou, a China não só abre o seu vasto mercado aos produtos africanos especializados, como pretende utilizar essa abertura como um motor estratégico para impulsionar o desenvolvimento industrial, logístico e infraestrutural no continente.
Por: Assana Sambú, Beijing
















