CHUVAS IRREGULARES PODEM AFETAR AGRICULTURA E SEGURANÇA ALIMENTAR, alerta meteorologia

O Presidente do Serviço Nacional de Meteorologia, Fernando Baial Sambú, afirmou que as previsões climáticas para a Guiné-Bissau indicam precipitações normais a deficitárias entre maio, junho e julho.

Em entrevista exclusiva ao jornal O Democrata, o responsável sublinhou que as previsões sazonais para 2026 revelam a necessidade de preparação e adaptação em vários sectores, destacando que a adoção de medidas preventivas poderá reduzir os impactos negativos da variabilidade climática e reforçar a resiliência das comunidades.

Fernando Baial Sambú explicou que os períodos de junho-julho-agosto e julho-agosto-setembro poderão apresentar condições normais ou acima da média. No entanto, prevê-se um início tardio da época chuvosa em várias regiões do país, bem como longas sequências de seca no início e no final da estação.

Segundo o responsável, esses períodos secos podem dificultar a germinação e o desenvolvimento das culturas, podendo levar à redução da produtividade agrícola em zonas com défice hídrico. Indicou ainda que, embora a chuva anual deva situar-se dentro da normalidade, há tendência para défice em algumas áreas, com atrasos no início das chuvas e interrupções curtas, sobretudo nas regiões leste e norte, como Gabú, Bafatá e Oio. No sul, por outro lado, prevê-se início precoce das chuvas, dentro dos padrões normais.

Sambú destacou que a distribuição da precipitação varia conforme a região, sendo mais irregular entre o norte e o leste do país.

“No período de junho a agosto, espera-se chuva dentro da normalidade, com tendência acima da média em grande parte do território. Algumas zonas do sul, leste e norte poderão registar precipitações superiores ao normal. Já nas zonas costeiras, a tendência aponta para valores dentro da normalidade, mas ainda com alguma incerteza quanto à intensidade”, afirmou.

Explicou que estas condições são influenciadas pela temperatura dos oceanos Pacífico e Atlântico, bem como pela região do Saara. Segundo indicou, o aumento da temperatura no Pacífico pode afetar diretamente a África Ocidental.

“O sistema climático encontra-se atualmente em estado neutro. No ano passado tivemos La Niña, que favoreceu as chuvas. Já o fenómeno El Niño tende a trazer mais dificuldades. Se a neutralidade se mantiver, poderá beneficiar o país”, acrescentou.

Questionado sobre medidas de mitigação, Sambú destacou que a ação humana tem contribuído para as alterações climáticas, nomeadamente o corte abusivo de árvores de grande porte. Defendeu o fim dessas práticas, a promoção da reflorestação e a proteção das florestas, salientando o papel das árvores como barreiras naturais contra os ventos.

Relativamente a fenómenos extremos, esclareceu que não há previsão específica para ventos fortes, mas alertou que condições mais húmidas podem aumentar o risco de cheias e inundações urbanas. Recomendou, por isso, a limpeza dos sistemas de drenagem, melhoria do saneamento básico, reforço dos mecanismos de alerta precoce e sensibilização das comunidades mais vulneráveis.

Acrescentou ainda que as condições climáticas poderão afetar as pastagens e a disponibilidade de água para o gado. Entre as recomendações, destacou: evitar a deslocação de animais para zonas inundáveis, garantir reservas de água e alimentos e reforçar os serviços veterinários.

No que respeita à segurança alimentar, o responsável alertou que a irregularidade das chuvas pode provocar diminuição da produção agrícola e agravar a insegurança alimentar. Recomendou a criação de reservas alimentares, apoio aos pequenos agricultores e melhoria do acesso aos mercados.

Por: Jacimira Segunda Sia

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